Praças no Brasil: alguns conceitos preliminares

Introdução

Em nossa última aula, falamos de forma bastante rápida e abrangente sobre o processo de construção dos espaços livres públicos brasileiros. Em especial, sobre praças.

Esse post será elaborado a partir da livre interpretação de textos, discussões e artigos desenvolvidos desde 1994 pelos pesquisadores  liderados pelo Prof. Dr. Silvio Soares Macedo responsável pelo grupo QUAPA- Quadro do Paisagismo no Brasil. Nossas reuniões são realizadas no Laboratório Paisagem e Ambiente que está situado na FAUUSP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (5511 30914687).

Em seu livro Praças Brasileiras, o professor Silvio afirma que juntamente com a rua, as praças constituem duas das tipologias de espaços livres urbanos mais importantes na história das cidades brasileiras pois desempenham um papel importantíssimo para o desenvolvimento das relações sociais da população e para a construção da esfera de vida pública.

praça em Palmas (To): Acervo QUAPA

flickr

Podemos afirmar que a praça é um espaço que permite inúmeros usos. Espaços de convergência de vários arruamentos e circulações de pedestres, sua forma deveria em princípio, ser constituída pelo conjunto de edificações que encontram-se ao seu redor. Dos antigos terreiros situados em frente às Igrejas aos contemporâneos logradouros repletos de equipamentos esportivos que lembram academias de ginástica a céu aberto, podemos constatar que esses espaços livres assumem inúmeras formas, desenhos, linguagens e equipamentos que permitem à população vivenciar o ócio, o flanar, o livre comerciar, a troca de idéias ou ainda a manifestação politica por meio de passeatas entre outros.

Sistema de Espaços Livres

A estrutura espacial da cidade é composta por duas categorias de sub-espaços: os espaços edificados e os espaços livres de edificação. 

Os espaços livres de edificação podem ser divididos em diferentes tipos, tais como: as ruas, os quintais, os pátios, as calçadas, os terrenos, os parques e as praças, além de outros tantos por onde as pessoas fluem no seu dia-a-dia. Resumindo: espaço livre não pode ser confundido com área verde, com jardins por exemplo.Em outro post, serão descritos mais de 50 tipologias espaciais identificadas ao longo dos últimos anos de pesquisa do grupo.

sem identificação: acervo QUAPASEL 2008

O espaço livre de edificação pode ser ‘verde’ (com vegetação), pode ser árido, pode ser alagado portanto azul, pode ser marrom ser for num rio, cinza se for o estacionamento externo a um shopping e assim por diante.

A praça é parte integrante de um conjunto de tipologias urbanas que compõem o Sistema de Espaços Livres brasileiros. Entendemos por espaços livres, todo aquele espaço que que não é edificado (definição de Miranda Magnoli) e portanto não é contido em uma edificação.

As ilustrações a seguir mostram a imensa quantidade de área livre contida no interior dos lotes urbanos e nas áreas externas à eles independentemente de sua localização mostrando um grande potencial de uso quer público, quer privado.

Barra da Tijuca: Rio de Janeiro (acervo QUAPA)

Pirituba: São Paulo (acervo QUAPA)

Alphaville: São Paulo (acervo: QUAPA)

máscara de espaços livres - Acervo QUAPA 2002

Nessa imagem, você poderá observar que a forma urbana é bastante diversificada em sua composição. Nela aparecem três cores: o marrom que deve ser lido como espaço edificado (prédios), o espaço amarelo + verde que são livres de edificação, sendo uma delas predominantemente vegetada. Se juntássemos toda a cor marrom que representa as edificações, certamente teríamos apenas 40% da área ocupada sendo o restante, espaço livre que encontra-se divido em duas outras categorias: espaço livre público e espaço livre privado.

Em tempo: esse post foi construído a 6 mãos: minhas, do Roberto Sakamoto e da Ana Cecília de Arruda Campos.

Fonte de referência: acervo QUAPA, QUAPASEL
Macedo, Silvio Soares. Robba, Fábio. Praças Brasileiras. São Paulo: EDUSP, 2002. (Coleção QUAPA – esgotado)
Para você aluno: vale à pena pesquisar nesses dois links pois eles contém mais de duas centenas de projetos de paisagismo distribuídos em todo o país.

http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/
http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/busca.asp            

4 pensamentos sobre “Praças no Brasil: alguns conceitos preliminares

  1. Olá…

    Estou encantada com seu blog!

    Grata por compartilhar conhecimento…

    Aproveitando o assunto da postagem sobre áreas livres: Dr. Helena fale-nos sobre esse modismo das municipalidades em transformar canteiros centrais de avenidas em parques lineares!

    Beijinhos.

  2. ola querida!
    Gostei da sua pergunta, pois ela é muito, muito pertinente.
    Apesar de cerca de 60% de nossas cidades serem compostas por espaços livres de edificação, dificilmente conseguimos perceber isso em nosso cotidiano de vida pois ele se apresenta espalhado em fragmentos pela cidade. Fragmentos esses que foram sendo constituídos historicamente a partir dos resíduos dos espaços privados. É característico de nosso processo de colonização. Primeiro a preocupação com a posse, definição material da propriedade particular e depois o resto que é público. Essa situação é diferente nos países colonizados pelos espanhóis por exemplo. Em sua maioria, o estado planejou suas cidades. O espaço público foi constituído com e pelo público, para o público e portando É do público que com ele se ocupa, preocupa, cuida pois usa e muito (!) exigindo do estado sua correta gestão e manutenção.
    Com isso, aqui na terrinha, até por falta de áreas públicas disponíveis para a construção de praças, qualquer área livre residual de sistema viário, acaba virando praça, parque, jardim ou qualquer outra coisa assim. Em Vitória temos academias de ginástica a céu aberto em locais que nem escola tem. para meu espanto, vieram à pedido da população…
    Vi em seu blog (http://www.incluase.blogspot.com/ – muito bom por sinal, parabéns), que você exatamente como eu, preocupa-se com a qualidade de nossas calçadas visto que nossa população está envelhecendo, que temos 24 milhões de pessoas com deficiências (IBGE 2000) e que nossa urbanização se deu de forma desleixada, casual, resultando em cidades feias até…
    Embora considere a proposta de nossos ilustríssimos prefeitos ruim, nossa população precisa de lugares para estar, fruir o tempo ocioso, flanar fora dos shoppings e por vezes até longe de casa (faz menos bagunça e dá menos trabalho na cozinha rsrsrs) no mais autêntico molde europeu.
    Sonho com o dia em que irei perguntar em sala de aula “Quem marca encontros com os colegas em lugares públicos como praças e parques?” e descobrir que mais do que 1% deles fazem isso.
    Super beijos
    Helena
    convite: quer passear pelos jardins comigo e mostrar “o melhor” e “o pior” da acessibilidade?

  3. Olá, Helena. Fiquei com algumas dúvidas, vc pode tirá-las para mim?
    I – Se uma construção tem um furo no meio, criando uma enorme área vazia, esse espaço é edificado?
    II – O espaço edificado é só onde existem as paredes, ou em todo o espaço onde se dá a projeção da construção? Ou seja, se o teto de uma construção avançar, por exemplo, 20 metros, o espaço edificado dela vai até onde esse teto se projeta no chão?
    III – Um obelisco ocupa um espaço edificado?
    IV – Um quiosque, uma tenda, uma barraca compõe um espaço edificado?

    Obrigada e um abraço.

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