De olhos bem fechados: Urban Gallery e Tofer Chin para quem não vê

Introduzindo o post…

Outro dia fui convidada a participar de um concurso cultural  intitulado Urban Gallery promovido pela Brookfield incorporações em parceria com a Rojo Magazine.

Confesso que refleti muito sobre o porquê do convite. Sou educadora. Não pertenço portanto à área de comunicações. Gosto da área mas falta-me, confesso, talento.

Quando a idéia praticamente havia sido deixada nos arquivos temporários do meu ser, surgiu uma idéia desafiadora que eu, como boa geminiana, não poderia deixar passar.

Explico. Semana passada participei de uma oficina de Audiodescrição em Produtos Culturais e de Comunicação realizado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Enquanto a Professora Viviane Panelli Sarraf do Museus Acessíveis e da RINAM explicava os conceitos, significados e Técnicas para audiodescrição para produtos culturais a uma platéia concentrada, entrei no site da Urban Gallery (desculpe profª Vivi… sou hiperativa …) e ouvi o audioguia da mostra do artista Tofer Chin.

Ao ouvir o material , decidi que seria importante criar também uma audiodescrição da obra exercitando os conceitos aprendidos na oficina. Afinal, temos no Brasil (IBGE 2000) cerca de 16.5 milhoes de cidadãos com deficiência visual. Como educadora, acredito que todos devem ter acesso ao projeto cultural Urban Gallery.

Mais do que “inserir cor”, a iniciativa é importante porque agrega elementos e conteúdos mais elaborados de arte urbana ao cotidiano de uma população composta por videntes e não videntes que graças ás discrepâncias sócioculturais de nosso país,  não conhece o prazer estético proporcionado pela obras que se encontram “enclausuradas” nos museus, centros culturais, entre outros.

A educação se dá pelo belo. Expô-lo publicamente nas ruas, nas paredes dos edifícios, colaborando na construção de nossas paisagens urbanas é uma bela ação e que merece destaque.

Vamos à audiodescrição…

Um pouco sobre a empresa no mundo e no Brasil (doc)

A Brookfield Asset Managentent é uma gestora global de ativos que está presente nos 5 continentes onde mantém investimentos de mais de 100 bilhões de dólares focados em energia renovável, infraestrutura e imobiliário sendo que neste último aplica um montante de 41 bilhões de dólares investidos nos principais mercados do mundo.

Seus negócios no Brasil estão presentes desde o início do século XX. Uma breve história de sua atuação pode ser encontrada no site da empresa.

Dentre seus objetivos socioambientais, a empresa visa à colaboração no desenvolvimento das cidades e das comunidades vulneráveis onde seus empreendimentos estão presentes.

Vale ressaltar que a empresa apóia a Orquestra Sinfônica Brasileira, O Instituto Tamboré e também a sua Reserva Biológica, Projeto Estrela Dalva (Instituto LECCA), Escola de Alfabetização de Adultos e Programa de Alfabetização, Capacitação e Cidadania. Outros projetos podem ser conhecidos em seu blog corporativo.

Sobre a obra

No caso brasileiro, sua atuação encontra-se focada nas áreas da cultura, educação e meio ambiente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília. No âmbito da cultura, a empresa está realizando intervenções artísticas em espaços públicos propondo-se a criar uma imensa galeria de arte urbana no país.

Uma espécie de Arte Efêmera. Os artistas deixam telas, tintas e suportes duradouros e passam a intervir por meios de gestos, idéias (flashmob) nas ruas ou em áreas públicas. O público é convidado a interagir e participar. Neste contexto, a empresa utilizou-se de espaços que lhe são familiares e estão disponíveis: os tapumes que cobrem suas obras. Todas as intervenções reunidas somam mais de 1 km de comprimento (o mesmo que andar 10 quadras) e 2.400 m² (ou ainda uns 40 apartamentos populares de 60m² cada um) de área.  Uma iniciativa bacana e que merece registro é a possibilidade de obter informações via Bluetooth sobre o artista e a obra via celular por meio de um áudio guia. Para os deficientes visuais, a disponibilização dos conteúdos é sempre bem-vinda.

A Curadoria da ROJO Magazine

A curadoria do projeto Urban Gallery na versão brasileira é da Rojo. Em 2006 a ROJO iniciou um trabalho de intervenção artística urbana com o objetivo de divulgar artistas emergentes internacionais nas ruas por meio da divulgação de seus trabalhos em outdoors, cartazes e paredes cegas. Os trabalhos são inéditos e distribuídos através de toda a cidade em especial em locais onde o tráfego é bem intenso. Seu lema ´”Arte nas ruas JÁ!”.

E quem é Tofer Chin?

Tofer Chin é um artista plástico nascido nos Estados Unidos no final dos anos 70 e é bacharel pela Otis College of Arts and Design. Focado na percepção sensorial e no impacto, diversão e fascinação que seu trabalho pode causar, Chin explora todas as possibilidades de uma superfície plana bidimensional como suporte para a criação de uma obra tridimensional que gera a impressão de profundidade e ilusão de ótica. Espécie de Enfant Terrible em suas entrevistas, ele pode ser considerado um autor de vanguarda nas artes urbanas à céu aberto ao explorar até o limite as potencialidades do Op Art. Sua arte explora a falibilidade do olho humano por meio do uso de grafismo que criam ilusões óticas.

Em suma: estamos realmente vendo o que estamos vendo?

Qual a sua Técnica?

A sua obra defende “menos expressão e mais visualização”. Seus traços abstratos de extremo rigor técnico simbolizam um mundo mutável e instável. Quando observados dão a impressão de movimento, clarões ou vibração muitas vezes mudando de tamanho ou deformando-se. Sua arte usa relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor sua realidade não representacional. Sua geometria intensa, sistemática pode até não gerar fortes emoções, mas suas possibilidades gráficas e abstracionistas parecem ser ilimitadas.

Audiodescrição

Podcast: localização da obra de Tofer Chin

Podcast: audiodescrição a partir da posição de observação 1

Podcast: audiodescrição a partir da posição de observação 2

Podcast: sons da Avenida Brigadeiro Faria Lima durante a audiodescrição

Gravação realizada a partir de um aparelho celular NOKIA N97 e descarregada no http://gafanhoto.com.br

Resultado final do concurso:
http://www.br.brookfield.com/blog/index.php/urban-gallery/concurso-blogueiro-urban-gallery/

Um pensamento sobre “De olhos bem fechados: Urban Gallery e Tofer Chin para quem não vê

  1. Pingback: Deficiência Visual: um pouco sobre o assunto (Projeto Carnaval 2011: só não vê quem não quer) « Helena Degreas

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