Reflexões sobre espaços livres na forma urbana

LIVRO 2_Reflexões sobre espaços livres na forma urbana-1

Reflexões sobre espaços livres na forma urbana / Organização de Silvio Soares Macedo, Vanderli Custódio, Verônica Garcia Donoso. – São Paulo: FAUUSP, 2018.

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OS SISTEMAS DE ESPAÇOS LIVRES NA CONSTITUIÇÃO DA FORMA URBANA CONTEMPORÂNEA NO BRASIL: PRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO – QUAPÁ-SEL II
Silvio Soares Macedo, Eugenio Fernandes Queiroga, Ana Cecília de Arruda Campos, Rogério Akamine, Fábio Mariz Gonçalves, Fany Galender, João Meyer, Jonathas M. P. Silva, Helena Silva Degreas, Vanderli Custódio

OS  SISTEMAS  DE  ESPAÇOS  LIVRES  NA CONSTITUIÇÃO  DA  FORMA  URBANA  CONTEMPORÂNEA  NO  BRASIL:  PRODUÇÃO  E  APROPRIAÇÃO  –  QUAPÁ-SEL  II

 

Prof.  Dr.  Silvio  Soares  Macedo  (FAUUSP)
Prof.  Dr.  Eugenio  Fernandes  Queiroga  (FAUUSP)
Profa.  Dra.  Ana  Cecília  de  Arruda  Campos  (PUC-Campinas)
Prof.  Dr.  Rogério  Akamine  (Pesq.  Lab.  QUAPÁ)
Prof.  Dr.  Fábio  Mariz  Gonçalves  (FAUUSP)
Arq.  Fany  Galender  (Pesq.  Lab.  QUAPÁ)
Prof.  Dr.  João  Meyer  (FAUUSP)
Prof.  Dr.  Jonathas  M.  P.  Silva  (PUC-Campinas)
Profa.  Dra.  Helena  Degreas  (Lab.  QUAPÁ) 
Profa.  Dra.  Vanderli  Custódio  (IEB-USP)

 

Introdução

 

Este  projeto  de  pesquisa  dá  continuidade  ao  Projeto  Temático  de  Pesquisa  “Os  Sistemas  de  Espaços  Livres  e  a  Constituição  da  Esfera  Pública  Contemporânea  no  Brasil  –  QUAPÁ-SEL”. Tal  projeto  foi  concluído  no  quatriênio  entre  março  de  2007  e  abril  de  2011,  foi  formulado  pelo  Laboratório  QUAPÁ  da  FAUUSP  e  teve  como  coordenadores  nacionais  os  doutores  Silvio  Macedo  e  Eugenio  Queiroga  (respectivamente  coordenador  e  vice  coordenador  do  Laboratório  QUAPÁ).  O  QUAPÁ-SEL  foi  apoiado,  no  Estado  de  São  Paulo,  pela  FAPESP  (Projeto  Temático  de  Pesquisa  e  bolsas  de  iniciação  científica,  mestrados  e  doutorados,  para  vários  integrantes  do  projeto,  orientados  por  Macedo  e  Queiroga),  e  pelo  CNPq  (bolsas  de produtividade  em  pesquisa  –  ambos  –  e  bolsas  de  iniciação  científica  para  orientandos  e  da  CAPES  (bolsas  de  mestrado  e  outros  auxílios  a  integrantes  do  projeto).

O  QUAPÁ-SEL  criou  e  consolidou  a  maior  rede  nacional  de  pesquisa  na  subárea  de  Paisagismo,  contando,  atualmente  com  núcleos  de  pesquisadores  nas  seguintes  universidades:  UFSM,  UFSC,  UFPR,  USP,  PUC-Campinas,  UFRJ,  UFMG,  UFES,  UFAL,  UFPE,  UFRN,  UNIFOR,  UNAMA  e  UFMS.  Nestes  núcleos  foram  realizadas  inúmeras  pesquisas  desde  o  nível  da  iniciação  científica  até  mestrados  e  doutorados.  Realizaram-se  23  oficinas  de  pesquisa  em  todas  as  regiões  do  país  e,  até  2010,  foram  cinco  Colóquios  QUAPÁ-SEL  –  encontros  anuais  dos  pesquisadores  da  Rede  QUAPÁ-SEL.  Os  resultados  parciais  da  pesquisa  foram  publicados  na  forma  de  artigos  em  revistas  científicas  da  área,  inclusive  em  número  especial  da  Revista  Paisagem  e  Ambiente  (n.  26);  livro  organizado  por  Vera  Tângari,  Rubens  de  Andrade  e  Mônica  Schlee  (2009)  e  vários  trabalhos  apresentados  em  eventos  científicos  internacionais  –  ISUF  e  IFLA  –  e  nacionais  –  ENEPEAs,  ENANPARQ  e  ENANPURs.O  Laboratório  QUAPÁ  se  constitui  dos  seguintes  pesquisadores,  além  de  seus  coordenadores  nacionais:  Dra.  Vanderli  Custódio  IEB/USP,  Dr.  Fábio  Mariz  Gonçalves  (FAUUSP),  Dr.  João  Meyer  (FAUUSP),  Arqta.  Fany  Galender,  Pesquisadora  do  LAB-QUAPÁ  e  Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo,  Dr.  Rogério  Akamine  (UNINOVE),  Dr.  Jonathas  M.  P.  Silva  (PUC-Campinas),  Dra.  Ana  Cecília  de  Arruda  Campos  (LAB-QUAPÁ-  PUC-Campinas),  Dra.  Helena  Napoleon  Degreas  (FIAM  FAAM)  e  com  a  colaboração  do  Ms.  Roberto  Vignola  Jr.  Paisagista  (LAB  –  QUAPÁ/Prefeitura  Municipal  de  São  Paulo)  e  do  Dr.  Manuel  Lemes  (PUC-  Campinas).Pontos  de  reflexão  do  projeto  Quapá  SelConceituação  dos  espaços  livres:

  1. Compreensão das  bases  técnicas  e  conceituais  dos  gestores  e  as  iniciativas  de  qualificação  dos  espaços  livres  –  durante  o  período  foram  feitas  visitas  e  contatos  com  entidades  gestoras  dos  espaços  livres  nas  cidades  em  estudo,  ao  menos  uma  por  cidade,  de  modo  a  avaliar  seu  papel  na  constituição  dos  sistemas  e  detectar  dificuldades,  sucessos  e  conflitos;
  2. A estruturação  recente  dos  sistemas  de  espaços  livres  em  centros  urbanos  importantes  do  país;
  • A relação  de  dependência  existente  entre  os  espaços  livres  públicos  e  privados;
  1. A pertinência  dos  processos  de  planejamento  dos  sistemas  de  espaços  livres  vigentes  no  país.  O  resultado  para  nós  é  bastante  satisfatório,  de  um  lado,  pois  os  investimentos  em  espaços  livres  são  de  grande  monta,  por  outro  aspecto,    se  mostrou  criticável,  pois  as  estruturas  de  gestão  em  geral  estão  bastante  aquém  dos  investimentos  feitos,  não  conseguindo  suportar  uma  manutenção  constante  da  totalidade  dos  espaços  dos  sistemas;
  2. A contribuição  dos  diversos  sistemas  de  espaços  livres  para  a  constituição  da  esfera  pública  –  a  discussão  do  conceito  esfera  pública  e  sua  relação  com  alguns  dos  tipos  de  espaços  públicos;
  3. Complementação do  banco  de  dados  do  laboratório  QUAPÁ  –  durante  o  período  foram  criados  100  mapas  temáticos  principais,  especialmente  concebidos  e  desenvolvidos  para  a  pesquisa  e  a  partir  deles  foram  gerados  já  mais  150  mapas  de    Foram  ainda  feitas  cerca  de  25.000  fotos  aéreas  e  de  chão  dos  sistemas  de  espaços  livres  em  estudo,  que  foram  incorporadas  ao  banco  de  imagens  do  laboratório.  Este  material  está  todo  disponível  para  consulta  no  Laboratório  QUAPÁ  e  nos  núcleos  que  constituem  a  rede  de  pesquisa  QUAPÁ-SEL.  Revisão  dos  modelos  e  conceitos  que  direcionam  o  pensamento  gerador  de  planos  de  espaços  livres  e  afins.

Dos  métodos  adotados  –  colóquios  e  oficinas

O  modelo  foi  aprimorado  e  sua  formatação  final  já  foi  inclusive  aplicada  por  outros  grupos  de  pesquisa  em  Vitória,  Florianópolis  e  Rio  de  Janeiro. Organizamos  pelo  Brasil  23  oficinas,  uma  por  cidade  pesquisada  e  duas  em  São  Paulo.  Foi feita  neste  ano  de  2011  uma  oficina  em  Porto  Alegre  complementando  em  continuidade  aos  trabalhos  da  pesquisa.

Os  colóquios  foram  criados  pela  necessidade  de  congregar  os  pesquisadores  da  rede  em  um  mesmo  lugar  de  modo  a  se  entabular  discussão  ampla  sobre  as  pesquisas  em  andamento  e  estabelecer  padronização  conceitual  e  metodológica.  Consistem  na  apresentação  de  trabalhos  e  atividades  coletivos  de  ateliê,  nos  quais  são  analisados  e  apresentados  mapas  temáticos  e  discutidos  conceitos  e  finalmente  apresentação  coletiva  dos  debates.  Os colóquios  se  mostraram  eficientes  no  processo  de  avaliação  do  desenvolvimento  dos  trabalhos  e  hoje  se  constituem  em  evento  científico  anual  do  grupo  e  da  rede  de  pesquisa,  já  tendo  sido  feitas  oito  edições  até  2013,  três  em  São  Paulo,  uma  em  Curitiba,  2  no  Rio  de  Janeiro  e  uma  em  Campo  Grande.

Dos  mapas  temáticos

Foram  criados  quatro  tipos  de  mapas  temáticos,  dois  referentes  aos  espaços  livres intraquadra  em  a  intensidade  de  verticalização  também  intraquadra,  executados  em  ARCGIS  e  os  demais,  derivados  de  mapas  síntese  produzidos  nas  oficinas,  analisando  elementos  da  paisagem,  mancha  urbana  e  características  dos  espaços  livres  públicos  no  sistema  de  cada  cidade,  executados  em  Adobe  Ilustrator. Foram  elaborados  na  totalidade  mais  de  200  mapas  temáticos  (de  verticalização  e  espaços  livres  por  quadra  das  40  cidades  estudadas  e  das  regiões  metropolitanas  de  Campinas,  São  Paulo  e  Vitória).

A  continuidade  entre  os  projetos  QUAPÁ-SEL  e  QUAPÁ-SEL  II  se  dá  pela  perspectiva  do  entendimento  da  importância  dos  sistemas  de  espaços  livres  nas  cidades  brasileiras  e  pela  necessidade  de  aprofundamento  das  questões  já  levantadas.  No  primeiro  projeto  temático  buscou-se  observar  as  relações  entre  tais  sistemas,  sejam  públicos  ou  privados,  e  a  esfera  pública  contemporânea  brasileira.  Durante  todo  o  seu  período  nos aproximamos  e  tangenciamos  questões  ligadas  à  forma  urbana,  tanto  nos  estudos  espaciais  de  legislação,  como  no  entendimento  das  quadras  e  seus  espaços  livres  e  ainda  da  paisagem  das  cidades  em  questão.  Neste  projeto  a  ênfase  está  nas  relações  de  produção  e  apropriação  que  se  estabelecem  entre  os  sistemas  de  espaços  livres  e  a  constituição  da  forma  urbana  brasileira  na  atualidade.

Forma  Urbana  como  objeto  de  pesquisa

A forma  urbana  se  constitui,  enquanto  sistema,  de  espaços  livres  e  edificados,  públicos  e  privados,  legais  e  ilegais,  acolhedores  ou  excludentes.  É  produto  social  e,  ao  mesmo  tempo,  condição  para  o  processo  social  (LEFEBVRE,  1974).  Vários  autores  vêm  se  debruçando,  no  Brasil,  sobre  os  estudos  morfológicos  na  Área  de  Arquitetura  e  Urbanismo¹,  mas  ainda  de  modo  isolado  e  fragmentado.  Mas  apesar  deste  avanço  o  que  se  tem  nesta  primeira  década  do  século  é  a  fragmentação    de  estudos  (PEREIRA    COSTA,    2006,    2007    e    2008,    TÂNGARI,    2007,    p.    ex.)  e  a  inexistência  no  Brasil  de  novas  investigações  mais  gerais  sobre  a  questão  que  foi,  por  motivos  diversos,  relegada  a  um  segundo  plano.  Algumas    publicações  do período  detêm-se  a  aspectos  funcionais  do  desenho  urbano,  constituindo-se  em  manuais  práticos.²

Existem  exceções  importantes  e,  recentemente,  o  único  momento  de  convergência  nacional  foi  o  ISUF  –  International  Seminar  of  Urban  Form  realizado  em  2007  sob  os  auspícios  da  UFMG  e  de  seu  grupo  de  pesquisadores  encabeçado  por  Stael  Alvarenga  e  Marieta  Maciel,  e  o  livro  organizado  por  Vicente  Del  Rio  e  publicado  nos  Estados  Unidos  denominado  Contemporary  Urbanism  in  Brazil  –  Beyond  Brasília.

Pretende-se, nesta  pesquisa,  a  (re)  união  e  o  debate  com  o  maior  número  de  pesquisadores  sobre  o  assunto,  de  modo  que  se  tenha  uma  visão  atualizada,  crítica  e  abrangente  do  estado  da  arte  na  realidade  brasileira.  Esta  pesquisa  pretende  contribuir  neste  debate,  a  partir  do  olhar  do  sistema  de  espaços  livres,  entendendo  como  elemento  ainda  fundamental  da  vida  pública.³

Imagina-se, pois,  congregar  conhecimento  e  esforços  de  modo  ao  entendimento  dos  padrões  tipológicos  dos  tecidos  urbanos  brasileiros  e  de  seu  papel  na  constituição  dos  sistemas  de  espaços  livres  e,  de  modo  indireto,  na  constituição  da  esfera  pública  nestes  espaços.A  forma  não  tem  existência  autônoma.4

Esta é  a  primeira  assertiva  a  se  fazer  quando  se  propõe  uma  investigação  sobre  qualquer  tipo  de  forma.  O reconhecimento  da  importância  da  forma  no  processo  socioespacial  significa  compreendê-la  como  categoria  analítica  do  espaço.

O restante do texto poderá ser lido diretamente nesse link ou em Reflexões sobre espaços livres na forma urbana

 

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