Bairros calmos, seguros e confortáveis: o direito de envelhecer dignamente

Este post traz um podcast que trata do direito de envelhecer no lugar que você escolheu para morar. Na rua, no bairro e na cidade que você escolheu. De maneira, confortável, segura e digna.

E o que vem a ser isso?
É o lugar em que tudo que você precisa no dia a dia pode ser realizado a pé em até 15, 20 minutinhos da sua casa.
O podcast é um complemento ao post publicado no Portal Acesse.
No artigo chamado –  ‘Ville du 1/4h’: bairros resilientes às diferentes etapas da vida – falei sobre um conceito contemporâneo conhecido como Cidade de 15 minutos que é tema de discussão da Agenda Urbana Internacional e está vinculado aos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU – Organização das Nações Unidas.
No podcast eu poderia falar também da Cidade Amiga do Idoso mas, quem me conhece, sabe que apesar dos avanços promovidos pela proposta, sou a favor da acessibilidade que segue os princípios de Desenho Universal.
Em outras palavras ou atende a todas as pessoas independente da idade, gênero, etnia, cultura, perfil econômico ou precisa ser repensada para fazê-lo. Fragmentar um bairro em setores que atendem grupos específicos é uma inclusão ruim. Assim, o conceito de cidade a pé, cidade para pessoas, cidade para todos ou cidades e bairros para todas as fases da vida são propostas que vem substituir a cidade pensada para o automóvel. O urbanismo modernista proposto pela Carta de Atenas preconizou a cidade funcional propondo a separação das áreas residencias, de lazer e de trabalho por meio da setorização espacial e do planejamento do uso do solo. A priorização da circulação do automóvel particular, fragmentou a cidade por meio de inúmeras vias expressas. Este documento veio como resposta do ponto de vista dos arquitetos para atender as necessidades de problemas urbanísticos causados pelo rápido crescimento da população nas cidades à época.

Devolver a cidade para as pessoas por meio do redesenho local deve ser prioridade para governantes. O bairro onde moro, aqui em alto de Pinheiros na cidade de São Paulo tem uma população em que a faixa etária predominante é de 50 e poucos anos. Em 2030, cerca de 34% do total dos moradores locais terá por volta de 60 e poucos anos. Ou iniciamos uma revisão do design dos bairros agora, ou em 10 anos estaremos com baixa qualidade de vida.

Preparando as cidades para o envelhecimento da população

Publicado em: Portal Acesse

Descrição da imagem #pratodosverem: Um casal de idosos está andando em uma rua, de mãos dadas. Eles estão com mochilas nas costas. Fim da descrição.
Permitir mais tempo para atravessar a rua incentiva as pessoas mais velhas a sair (Foto: Pixabay)
“Os filhos vão crescendo
E o tempo vai dizendo que agora é pra valer
Os outros vão morrendo
E a gente aprendendo a esquecer”

Em sua canção Envelheço na cidade, Arnaldo Antunes descreve com bom humor, situações do cotidiano de várias pessoas – incluindo, em alguns casos, os próprios leitores deste post. A partir do momento que paramos de crescer, começamos a envelhecer. Ou seja, a partir dos vinte e poucos anos o processo se inicia, mas só fica visível, por volta dos 30…

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. Ainda estranho esse número… 60… num outro post pretendo falar sobre a geração ageless ou ainda, aquela geração que não tem a idade cronológica apresentada em seu RG.

O Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que representa 13% da população do país (IBGE). Em 2060, o percentual da população com 65 anos ou mais de idade chegará a 25,5%. Serão 58,2 milhões de pessoas consideradas idosas pela OMS. E aí vai um recado bem sério aos projetistas, designers, arquitetos, engenheiros, planejadores urbanos e formuladores de políticas públicas: ou todos trabalham para preparar os ambientes construídos, ou teremos a imensa maioria da população muito em breve dependente do sistema de saúde público e da previdência social por exemplo.

Estamos envelhecendo e a necessidade de planejar nossas cidades para que as pessoas continuem ativas e independentes deve ser a prioridade.

O envelhecimento é um processo dinâmico e progressivo que leva a alterações bioquímicas, morfológicas, funcionais e psicológicas do ser humano. De certa forma, determina a capacidade de percepção, compreensão e adaptação ao ambiente que nos cerca. Mas para que me preocupar se sou jovem ainda?

“Nem percebi o tempo passar…
não consigo entender as mudanças no espelho”
Autor: Qualquer pessoa daqui a alguns anos

A hora é agora
O nível de civilidade de um país pode ser medido pela qualidade de acolhimento da população oferecida pelos nossos espaços públicos por exemplo. Calçadas lisinhas, amplas, adequadamente iluminadas para passeios noturnos bem como sombreadas para os dias quentes são alguns dos exemplos de boas práticas de projeto urbano que devemos cobrar de nossos políticos.

Cidades agradáveis e aprazíveis são compostas por espaços públicos que acolhem nossos movimentos, comportamentos e expectativas de tal forma que as mudanças que progressivamente vão ocorrendo com as pessoas passem imperceptíveis. São essas pequenas coisas do dia a dia que colaboram com a independência. Será que preciso ter dificuldade para subir no ônibus? Tenho mesmo que reclamar que não consigo enxergar a calçada por que a luz da rua está posicionada para iluminar a via destinada aos carros e não para as pessoas que andam nas calçadas? Quero sentar-me à sombra para descansar um minutinho e só tem banquinho no parque lá longe?

Onde está o problema? Em nós, cidadãos ou nos ambientes e espaços que vivemos e que foram pensados para automóveis? A resposta é clara. Os ambientes são disfuncionais. Simples assim. Nós mudamos nossas cidades e nossos comportamentos diariamente e nossos espaços públicos não acompanham nossas mudanças. Vejam agora com a questão da pandemia da COVID-19. As pessoas precisam estar a cerca de quatro passos de distâncias umas das outras por exemplo> E tem calçada suficiente para isso? Não, não tem. Por que não renunciar às vagas de estacionamento públicas pagas e administradas pela prefeitura e colocar as pessoas para circular também nesses locais? Pessoas contraem Covid-19, adoecem e morrem. Carros não.

As pessoas estão vivendo mais e, como consequência, haverá mais pessoas idosas vivendo nas cidades. Prefeitos, vereadores e secretários deveriam preparar-se para as questões que em breve irão se impor sobre os serviços públicos entendendo que, para além dos problemas, novas oportunidades podem e devem surgir.

Segundo dados do IBGE, em 2043, um quarto da população deverá ter mais de 60 anos, enquanto a proporção de jovens até 14 anos será de apenas 16,3%. Dados do Plano Nacional de Saúde apontam que cerca de 17,3% dos idosos apresentavam limitações funcionais para realizar as atividades instrumentais da vida mais complexas e que envolvem a participação social e que abrange várias ações como a de locomover-se até locais mais distantes dirigindo ou utilizando os meios de transporte público, fazer compras entre outros.

Quais são as decisões que nossos governantes devem tomar diante do envelhecimento populacional? O que podemos cobrar de todos eles já ou nas próximas eleições? Se não buscarmos uma cidadania ativa desde já com lideranças políticas fortes que de fato representem a população que está em processo de envelhecimento, ficaremos reféns de políticas públicas medíocres preocupadas apenas em oferecer festinhas, encontros e saraus para a terceira idade (seja lá o que essa expressão signifique hoje).

Algumas dicas de boas práticas de planejamento urbano que acolhem as mudanças que ocorrem com o processo de envelhecimento:

. As políticas públicas deverão incluir em suas agendas ações que garantam um transporte público mais eficiente e resiliente às necessidades das pessoas. Resiliente é tudo aquilo que se adapta às mudanças.

. Ampliação dos tempos semafóricos: já não se trata mais de discutir buracos na calçada ou a manutenção medíocre dos passeios públicos a que nos acostumamos infelizmente. Quem já não passou pela ridícula situação de sair correndo para atravessar o semáforo da rua onde mora? Precisamos lembrar que daqui a pouquíssimos anos a velocidade do caminhar urbano será reduzida a 3 km/hora; Estudo recente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo constatou que 97,8% da população idosa não consegue caminhar 4,3 km/h, velocidade exigida pelo padrão apresentado pela Companhia de Engenharia de Tráfego CET-SP para os semáforos da cidade. Na média, a velocidade alcançada pelos voluntários com idade superior a 60 anos foi de 2,7 km/h. Aos 80, essa velocidade diminui para 2 km / h.

. Espaços e lugares para relaxar e observar outras pessoas: já perceberam quanto espaço é destinado ao “descanso” dos carros bem ao lado das calçadas? Por que não ampliar as calçadas e criar pracinhas? Não são parklets (estruturas temporárias criadas e mantidas por donos de comércios em frente aos seus estabelecimentos. São ampliações das calçadas com banquinhos, sombras, iluminação e sinalização vertical com caixa de texto legível e na altura do pedestre, lixeiras e cheios de flores coloridas – por que não? Quantas e quantas vagas de estacionamento poderiam ser substituídas para dar espaços a uma cidade projetada para o benefício do bem-estar humano?

. ‘Cidade de 15 minutos‘: trata-se de um movimento que faz parte das discussões da agenda urbana internacional e que pretende reduzir a distância entre pontos de transporte, lojas, bancos, árvores à sombra, banheiros públicos e melhorar as calçadas. É atualmente uma das principais mudanças implantadas nos planos diretores das cidades como Paris, Londres e inúmeras outras no mundo. Você pode realizar compras, passeios, atividades de educação, transações bancárias em até 15 minutos a pé de sua casa.

As cidades precisam mudar para garantir que com o passar dos anos as pessoas continuem a desempenhar um papel ativo na comunidade, não fiquem isoladas e permaneçam independentes e felizes. Afinal, as cidades são feitas pelas pessoas e, para as pessoas.

Termino com a canção Envelheço na cidade, de Arnaldo Antunes, citada na abertura da coluna!

Portal Acesse

Armários na cozinha: por quê tão altos?

Publicado originalmente em:
Portal Acesse

Descrição da imagem #pracegover: Uma mão está tentando alcançar um armário, em cima da geladeira. Fim da descrição.

Nunca passei tanto tempo dentro de casa. Imagino que muitos leitores também estejam nessa mesma situação.

A rotina diária de uma sociedade em situação de isolamento físico e social certamente mudou, e muito, as nossas vidas. Não existe mais o conceito de ‘normal’; o que temos de agora em diante é o ‘normal pós-coronavírus’.

A falta do abraço da mãe, dos filhos, dos netos e dos amigos é parcialmente suprida, mas não substituída, pelos encontros virtuais. Aprenderemos a conviver de outra forma por enquanto.

Mas e na casa? Houve alguma alteração?

No meu caso sim. Mudou a maneira como estou vivendo no meu lar. E essa percepção aconteceu no final de semana quando, ao trocar a geladeira, percebi a dificuldade que tive para alcançar a caixinha que estava sobre o armário. Ela foi projetada para estar lá. Não mudei o modelo, o tamanho, o tipo e nem a marca. Mas… estava horrível. Não entendi naquele momento.

A cozinha foi projetada por profissionais para ter tudo o que é necessário e ser funcional, ou seja:

  • Uma despensa bacana com espaço para armazenar alimentos e a geladeira;
  • Área para armazenamento de eletrodomésticos e demais utensílios;
  • Pia e área de preparação com bancada de trabalho;
  • Área para cozinhar, ou seja, local para colocar fogão, forno e microondas.

Então o que mudou?

Mudou nossa rotina e com ela o uso da casa. Com a quarentena, morar e trabalhar no mesmo lugar já é a realidade de várias pessoas que, como eu, prestam serviços – sou arquiteta e professora. E a casa deverá adaptar-se aos novos usos e rotinas atuais.

Minha tão sonhada ‘cozinha superplanejada atende a todos os manuais de boas práticas de projeto. Só não previu o óbvio: ela foi concebida para atender a um conjunto de atividades de um casal mais jovem, que trabalha fora o dia todo, pede delivery de comida por aplicativos e só volta à noite. Ou seja: está disfuncional para alguém que encontra-se em home office, cozinha em casa porque é mais saudável e econômico e, por causa da pandemia, pouco sai.

Apesar de me considerar nova, o corpo começou a provar algumas limitações antes impensáveis para mim. Eu estou me sentindo ótima, mas minha cozinha envelheceu, coitada…

A foto acima mostra algo que me incomodou. Hoje entendo que ficou disfuncional. Atualmente o acesso às áreas de armazenamento é realizado de forma mais constante. Subir e descer utilizando banquinhos e escadas móveis para ter acesso aos utensílios e aos alimentos além de cansativo é algo que pode eventualmente causar um acidente. E pouco importa a idade. Não funciona mesmo: quando tem portas, colocam-se objetos e coisas que a gente esquece que tem e que muitas vezes nem valor afetivo tem mais. Só estão lá. Guardadas. Armazenadas.

Quando as áreas de armazenamento não têm portas, as partes mais altas podem ser utilizadas para colocar objetos bonitos, coloridos que enfeitam. Lindo numa capa de revista. Na vida real de uma mulher em quarentena, eu diria que servem para acumular pós e gordura… rabugice, mau humor? Pode até ser…

Projetar a partir das atividades da casa em uso, pode ser o caminho para criação de ambientes confortáveis e funcionais. Aos profissionais da área de projeto e de vendas de cozinhas planejadas duas orientações: fale com seus clientes sobre a importância da altura das áreas de armazenamento e sua relação com a manutenção do conforto e da funcionalidade com o decorrer dos anos destacando a questão da segurança. Outro dia ouvi de um colega que o tema envelhecimento ‘não cai bem’ quando tratamos de projetos de arquitetura. Discordo: o que não cai bem é o desconforto e acidentes que possam ocorrer.

Assim, para alguém que, como eu, pretende continuar morando por muitos anos e envelhecer na mesma casa, ficam aqui algumas dicas para áreas de armazenamento dos ambientes de cozinha:

– No lugar dos armários com portas, pense em gavetões com corrediças. Se puder, coloque o sistema ‘soft-touch’ que abre e fecha com um simples toque do corpo. As corrediças possibilitam a abertura total das gavetas com deslizamento suave, preciso e resistente. São confortáveis porque facilitam o acesso e manuseio de objetos. Providenciar também os mesmos gavetões com organizadores para aqueles cantos difíceis que ocorrem em cozinhas em ‘L’ ou ‘U’. Os preços hoje são bem acessíveis e a adaptação é relativamente fácil. Se optar por portas, saiba que para retirar algo do fundo do armário, você precisará ajoelhar-se, curvar o corpo e praticamente entrar nele. Não recomendo.

– Armários sobre a pia e o balcão: lembre-se de que dependendo da altura, a escada móvel é necessária para retirar utensílios ou alimentos que você guardou. Mesmo que o uso seja eventual, é importante que tudo esteja à mão ou ainda, em altura confortável e de fácil manuseio. Para o meu caso, está prevista a retirada dos armários altos e a colocação de uma estante de apoio em altura de fácil acesso sob o balcão para colocar poucos adornos e plantinhas pendentes. Qualquer loja de materiais de construção ou de decoração tem peças prontas para suporte. Algumas delas oferecem a customização a partir das necessidades do cliente. São peças baratas, de boa qualidade e com retorno funcional garantido.

Estas orientações para a compra de armários de cozinha para fins de armazenamentos de utensílios ou para despensa podem ser testadas em lojas de venda de móveis por qualquer pessoa e não dependem de conhecimento técnico. Boa sorte fique de olho na segurança e no conforto!

Helena Degreas é arquiteta e atua como professora da Universidade de São Caetano do Sul – USCS. É pesquisadora em Acessibilidade do Ambiente Construído junto ao Grupo de Pesquisas Paisagem & Ambiente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

 

 

 

Cientistas alertam para a urgência em declarar emergência climática

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Imagem:  Climate activists in a Fridays for Future rally in Leeds on Friday. Photograph: Danny Lawson/PA Fonte: The Guardian

Nota: a tradução do artigo foi realizada de forma “livre” (não sou tradutora) tem finalidade didática. Sugestões para correção de equívocos na interpretação são bem-vindas.

Texto original na íntegra: clique aqui

William J. Ripple1* , Christopher Wolf1* , Thomas M. Newsome2 , Phoebe Barnard3,4 , William R. Moomaw5 , xxxxx scientist signatories from xxx countries (list in supplemental file S1) 1 Department of Forest Ecosystems and Society, Oregon State University, Corvallis, OR 97331, USA 2 School of Life and Environmental Sciences, The University of Sydney, Sydney, NSW 2006, Australia 3Conservation Biology Institute, 136 SW Washington Avenue, Suite 202, Corvallis, OR 97333, USA 4 African Climate and Development Initiative, University of Cape Town, Cape Town, 7700, South Africa. 5 The Fletcher School and Global Development and Environment Institute, Tufts University, Medford, MA, USA

*Esses autores contribuíram igualmente para o trabalho.

Os cientistas têm a obrigação moral de alertar claramente a humanidade sobre qualquer ameaça catastrófica e dizer como está. ‘Com base nessa obrigação e nos dados apresentados abaixo, proclamamos aqui, com mais de 10.000 cientistas signatários de todo o mundo, uma declaração clara e inequívoca de que existe uma emergência climática no planeta Terra.

Exatamente há 40 anos, cientistas de 50 nações se reuniram na Primeira Conferência Mundial do Clima (Genebra, 1979) e concordaram que havia tendências alarmantes para as mudanças climáticas tornando a necessidade de agir frente a essa questão urgente.

Desde então, foram feitos durante a Cúpula do Rio de 1992, no Protocolo de Kyoto de 1997, no Acordo de Paris de 2015, bem como dezenas de outras assembleias globais e vários cientistas – com avisos explícitos sobre o progresso insuficiente (Ripple et al. 2017) no trato sobre a questão climática. No entanto, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda estão aumentando, com efeitos cada vez mais prejudiciais sobre o clima da Terra. Uma imensa mudança de escala de esforços que precisam ser realizados para conservar nossa biosfera faz-se necessário para evitar sofrimentos incalculáveis devido à crise climática (IPCC 2018).

A maioria das discussões públicas sobre mudanças climáticas baseia-se apenas na temperatura global da superfície, medida inadequada para captar a amplitude das atividades humanas e os perigos reais decorrentes do aquecimento global (Briggs et al. 2015). Os responsáveis pela formulação de políticas públicas e a população precisam urgentemente ter acesso a um conjunto de indicadores que comuniquem os efeitos das atividades humanas nas emissões de GEE (gases de efeito estufa) e os consequentes impactos no clima, no ambiente e na sociedade. Com base em trabalhos anteriores (consulte o arquivo suplementar S2), apresentamos um conjunto de sinais vitais gráficos[i] de mudanças climáticas ocorridas nos últimos 40 anos pelas atividades humanas que podem afetar as Emissões de GEE / mudança climática (Figura 1) e impactos climáticos reais (Figura 2). Usamos apenas conjuntos de dados relevantes, claros, compreensíveis e sistematicamente coletados e atualizados anualmente dos últimos cinco anos.

A crise climática está intimamente ligada ao consumo excessivo associado a um estilo de vida rico. A maioria dos países ricos são os principais responsáveis pelas emissões históricas de GEE e geralmente têm as maiores emissões per capita (Tabela S1). Aqui, mostramos padrões gerais, principalmente em escala global, assim como também são muitos os esforços climáticos que envolvem regiões e países individualmente. Nossos sinais vitais são projetados para serem úteis ao público, aos formuladores de políticas, à comunidade empresarial e àqueles que trabalham na implementação do acordo climático de Paris, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e aos objetivos Convenção da Diversidade Biológica de Aichi.

Tabela 1: Quadro S1 Resumos regionais para os 24 países e a União Europeia. As variáveis mostradas tratam da emissão de “CO²” (emissões totais de CO² associadas ao consumo de combustíveis fósseis em mega toneladas de CO²), da “População” tamanho da população em milhões), do “CO² / capita” (emissões de CO² per capita em toneladas por pessoa), “compartilhar” (porcentagem de todas as emissões de CO² associadas ao consumo de combustíveis fósseis em comparação com o total global) e “PIB / capita” (produto interno bruto per capita em dólares dos EUA por pessoa). Todos os dados são do ano 2018, exceto o PIB do Irã, que é de 2017 (a estimativa de 2018 ainda não estava disponível). Detalhes adicionais nas variáveis são fornecidas nas informações suplementares abaixo.

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Os sinais profundamente preocupantes das atividades humanas incluem aumentos sistemáticos da população humana quanto na de animais ruminantes como também aumentos significativos na produção de carne per capita, no produto interno bruto mundial, na perda global de cobertura de áreas florestadas, no consumo de combustíveis fósseis, mo número de passageiros transportados, nas emissões de dióxido de carbono (CO²) e nas emissões de CO² per capita desde 2000 (Figura 1, ficha suplementar S2).

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Figura 1. Mudança nas atividades humanas globais de 1979 até o presente. Esses indicadores estão vinculados ao menos, em parte, às mudanças climáticas. No painel (f), a perda anual de cobertura de árvores pode ser por qualquer motivo (por exemplo, incêndio florestal, colheita nas plantações de árvores ou conversão de florestas em terras agrícolas). O ganho da floresta não está envolvido no cálculo da perda de cobertura arbórea. No painel (h), “GT oe / ano” é a abreviação de gigatoneladas de equivalente de petróleo por ano; a hidroeletricidade e a energia nuclear são mostradas na Figura S2. As taxas mostradas nos painéis são as mudanças percentuais por década em todo o intervalo da série temporal. Os dados anuais são mostrados usando pontos cinza. Linhas pretas são linhas de tendência suaves de regressão local. Fontes e detalhes adicionais sobre cada variável é fornecida no arquivo suplementar S2, incluindo a Tabela S2.

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Figura S1. – Dióxido de carbono médio mensal medido no Observatório Mauna Loa, Havaí. Os dados de dióxido de carbono (curva preta), medidos como a fração molar no ar seco, em Mauna Loa constituem o registro mais longo de medições diretas de CO² na atmosfera. […] A linha preta representa os valores médios mensais, centralizados no meio de cada mês. A linha vermelha representa o mesmo, depois da correção para o ciclo sazonal médio. Este último é determinado como uma média móvel de SETE ciclos sazonais adjacentes, centrados no mês a ser corrigido, exceto o primeiro e o último TRÊS e anos e meio de registro, em que o ciclo sazonal foi calculado em média nos primeiros e últimos sete anos, respectivamente. Fonte https://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/

Os sinais profundamente preocupantes das atividades humanas incluem aumentos sistemáticos tanto da população humana quanto de animais ruminantes. Também vem ocorrendo aumento significativo aumentos na produção de carne per capita, no produto interno bruto mundial, na perda global de cobertura florestada, no consumo de combustíveis fósseis, no número de passageiros transportados, nas emissões de dióxido de carbono (CO²) e nas emissões de CO² per capita desde 2000 (Figura 1, ficha suplementar S2). Sinais encorajadores incluem a redução das taxas globais de fertilidade (nascimento) (Figura 1b), a desaceleração da perda de floresta na Amazônia brasileira (Figura 1g), o aumento do consumo de energia solar e eólica (Figura 1h), a redução do investimento institucional na produção de combustível em mais de sete trilhões de dólares americanos (Figura 1j) e a proporção de emissões de GEE cobertos pelo preço do carbono (Figura 1m). No entanto, o declínio nas taxas de fertilidade humana desacelerou significativamente nos últimos 20 anos (Figura 1b) e o ritmo de perda de florestas na Amazônia brasileira começou a aumentar novamente (Figura 1g). O consumo de energia solar e eólica aumentou 373% por década mesmo assim em 2018 ainda era 28 vezes menor que o consumo de combustível fóssil (gás, carvão, petróleo) (Figura 1h). Em 2018, aproximadamente 14,0% das emissões globais de GEE eram cobertas pelo preço do carbono (Figura 1m), mas o preço médio global ponderado das emissões por tonelada de dióxido de carbono foi de apenas US $ 15,25 EUA (Figura 1n). É necessário um preço de taxa de carbono muito mais alto (IPCC 2018, Seção 2.5.2.1). Os subsídios anuais a combustíveis fósseis para empresas de energia têm flutuado e, devido a um aumento recente, foram superiores a US $ 400 bilhões em 2018 (Figura 1o).

O aquecimento dos oceanos, o aumento do nível do mar, os incêndios nos territórios dos Estados Unidos e demais condições climáticas cresceram de forma significativa impactando a vida marinha, de água doce e terrestre, o plâncton e corais, peixes e florestas (IPCC 2018, 2019). Essas questões apontam para a necessidade urgente de ação.

Apesar de 40 anos de negociações climáticas globais, com poucas exceções, a condução dos negócios manteve-se igual levando ao fracasso em lidar com essa situação (Figura 1). A crise climática chegou e está se acelerando mais rapidamente do que a maioria dos cientistas esperava (Figura 2,IPCC 2018). É mais grave do que o previsto, ameaçando os ecossistemas naturais e o destino da humanidade (IPCC 2019).  Especialmente preocupantes são os potenciais pontos de inflexão climática e os feedbacks que a natureza vem demonstrando (atmosféricos, marinhos e terrestres) que apontam para uma catastrófica “Terra da estufa”, muito além do controle dos seres humanos (Steffen et al. 2018). Essas reações em cadeia do clima podem causar perturbações significativas nos ecossistemas, na sociedade e nas economias, potencialmente criando grandes áreas inabitáveis na Terra.

Para garantir um futuro sustentável, precisamos mudar a maneira como vivemos, de forma a melhorar os sinais vitais resumidos em nossos gráficos. O crescimento econômico e o populacional estão entre os fatores mais importantes para o aumento das emissões de CO² oriundas da combustão fóssil (Pachauri et al. 2014, Bongaarts e O‘Neill 2018); portanto, precisamos de transformações ousadas e drásticas em relação às políticas econômicas e populacionais. Sugerimos seis etapas críticas e inter-relacionadas (em nenhuma ordem específica) que governos, empresas e o resto da humanidade podem adotar para diminuir os piores efeitos das mudanças climáticas. Essas são etapas importantes, mas não são as únicas ações necessárias ou possíveis (Pachauri et al. 2014; IPCC 2018, 2019).

  1. Energia: O mundo deve implementar rapidamente práticas maciças de eficiência e conservação de energia, substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis de baixo carbono (Figura 1h) e outras fontes de energia mais limpas, mais seguras para as pessoas e o meio ambiente (Figura S2). Devemos deixar estoques remanescentes de combustíveis fósseis no solo [ver linhas do tempo no IPCC (2018)] e buscar cuidadosamente emissões negativas efetivas usando tecnologias como a extração de carbono da fonte e da captura do ar, aprimorando os sistemas naturais (Etapa 3 ) Os países mais ricos precisam apoiar os países mais pobres na transição para esta mudança nas fontes de energia. Devemos eliminar rapidamente os subsídios às empresas de combustíveis fósseis (Figura 1o) e usar esquemas eficazes e justos para aumentar constantemente os preços do carbono para restringir o uso de combustíveis fósseis;
  2. Poluentes de vida curta. Precisamos reduzir rapidamente as emissões de poluentes climáticos de curta duração, incluindo metano (Figura 2b), carbono preto (fuligem) e hidrofluorcarbonetos (HFCs). Isso poderia retardar os feedbacks climáticos e potencialmente reduzir a tendência de aquecimento de curto prazo em mais de 50% nas próximas décadas, salvando milhões de vidas e aumentando o rendimento das culturas devido à redução da poluição do ar (Shindell et al. 2017). A alteração de Kigali de 2016 para eliminar gradualmente os HFCs é bem-vinda;
  3. Natureza. Nós devemos proteger e restaurar os ecossistemas da Terra. Fitoplâncton, recifes de coral, florestas, savanas, pradarias, pântanos, turfeiras, solos, manguezais e gramíneas marinhas contribuem muito para o sequestro de CO² atmosférico. Plantas marinhas e terrestres, animais e microrganismos desempenham papéis significativos no ciclo e armazenamento de carbono e nutrientes. Precisamos reduzir rapidamente a perda de florestas e biodiversidade (Figura 1f-1g), protegendo as florestas primárias e intactas restantes, especialmente aquelas com reservas de alto carbono e florestas mais jovens, com capacidade de sequestrar rapidamente o carbono (proforestação), enquanto realizamos reflorestamento e arborização, onde for apropriado, em escalas significativas. Embora a terra disponível possa ser limitadora em alguns lugares, até um terço das reduções de emissões necessárias até 2030 para atender ao acordo de Paris (<2˚C) poderiam ser obtidas com essas soluções climáticas naturais (Griscom et al. 2017).
  4.  Comida. Comer principalmente alimentos à base de plantas e reduzir o consumo global de produtos de origem animal (Figura 1c-1d), especialmente gado ruminante (Ripple et al. 2014), pode melhorar a saúde humana e reduzir significativamente as emissões de GEE (incluindo o metano na etapa 2). Além disso, isso liberará as terras cultivadas para o cultivo de plantas necessárias aos seres humanos em vez de alimentos liberando áreas de pastagens como apoio às soluções climáticas naturais (etapa 3). Práticas de cultivo para conservação, aumentam o carbono do solo e são de vital importância. Precisamos reduzir drasticamente a enorme quantidade de desperdício de alimentos em todo o mundo.
  5. Economia. A extração excessiva de materiais e a superexploração de ecossistemas, impulsionadas pelo crescimento econômico, devem ser rapidamente reduzidas para manter a sustentabilidade a longo prazo da biosfera. Precisamos de uma economia livre de carbono que aborde explicitamente a dependência humana da biosfera e políticas que orientem as decisões econômicas do acordo. As metas do crescimento do PIB e a busca incessante de riqueza precisam ser revistas com o objetivo de apoiar o bem estar humano, o apoio aos ecossistemas priorizando as necessidades básicas e a redução das desigualdades.
  6. População. Ainda aumentando em cerca de 80 milhões de pessoas por ano ou > 200.000 por dia (Figura 1a-1b), devemos estabilizar e, idealmente, reduzir gradualmente a população mundial dentro de uma estrutura que garanta a integridade social. Existem políticas comprovadas e eficazes que fortalecem os direitos humanos, diminuindo as taxas de fertilidade e diminuindo os impactos do crescimento da população nas emissões de GEE e na perda de biodiversidade. Essas políticas envolvem a disponibilização de serviços de planejamento familiar a todas as pessoas (e a remoção de barreiras ao acesso) e a obtenção da equidade total de gênero, incluindo a educação primária e secundária como norma global para todos, especialmente meninas e mulheres jovens (Bongaarts e O’Neill 2018).

Mitigar e adaptar-se às mudanças climáticas, honrando a diversidade dos seres humanos, implica grandes transformações nas maneiras como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais. Somos encorajados por uma recente onda de preocupação. Órgãos governamentais estão fazendo declarações de emergência climática. Os estudantes são impressionantes. Os processos de ecocídio estão em andamento nos tribunais. Os movimentos de cidadãos de base estão exigindo mudanças, e muitos países, estados e províncias, cidades e empresas estão respondendo ativamente.

Como uma Aliança dos Cientistas do Mundo, estamos prontos para ajudar os tomadores de decisão em uma transição justa para um futuro sustentável e equitativo. Instamos o uso generalizado de sinais vitais, que permitirão melhorar a qualidade das decisões daqueles que são responsáveis pela formulação de políticas, do setor privado ao público, e melhorar o entendimento e a magnitude dessa crise, além de acompanhar o progresso e realinhar as prioridades para aliviar as mudanças climáticas.

A boa notícia é que essa mudança transformadora, com justiça social e econômica para todos, promete muito mais bem-estar humano a longo prazo do que os negócios de sempre. Acreditamos que as perspectivas serão maiores se os tomadores de decisão e toda a humanidade responderem prontamente a esse aviso e declaração de emergência climática e agirem para sustentar a vida no planeta Terra, nosso único lar.

Revisores colaboradores

Franz Baumann, Ferdinando Boero, Doug Boucher, Stephen Briggs, Peter Carter, Rick Cavicchioli, Milton Cole, Eileen Crist, Dominick A. DellaSala, Paul Ehrlich, Iñaki Garcia-De-Cortazar, Daniel Gilfillan, Alison Green, Tom Green, Jillian Gregg, Paul Grogan, John Guillebaud, John Harte, Nick Houtman, Charles Kennel, Christopher Martius, Frederico Mestre, Jennie Miller, David Pengelley, Chris Rapley, Klaus Rohde, Phil Sollins, Sabrina Speich, David Victor, Henrik Wahren, and Roger Worthington

Financiamento

O Worthy Garden Club forneceu financiamento parcial para este projeto.

Site do Projeto
Para visualizar o site da Alliance of World Scientists ou assinar este documento, vá para:
https://scientistswarning.forestry.oregonstate.edu/

Material suplementar

Os dados suplementares estão disponíveis no BIOSCI online, incluindo o arquivo suplementar 1 (lista completa de todos xxxxx signatários) e arquivo suplementar 2.

Referências

Briggs S, Kennel CF, Victor DG. 2015. Planetary vital signs. Nature Climate Change 5:969.

Bongaarts J, O‘Neill BC. 2018. Global warming policy: Is population left out in the cold? Science 361:650–652.

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IPCC. 2018. Global Warming of 1.5° C: An IPCC Special Report. Intergovernmental Panel on Climate Change.

IPCC. 2019. Climate Change and Land. Intergovernmental Panel on Climate Change.

Pachauri RK et al. 2014. Climate change 2014: synthesis report. Contribution of Working Groups I, II and III to the fifth assessment report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Intergovernmental Panel on Climate Change.

Ripple WJ, Smith P, Haberl H, Montzka SA, McAlpine C, Boucher DH. 2014. Ruminants, climate change and climate policy. Nature Climate Change 4:2–5.

Ripple WJ, Wolf C, Newsome TM, Galetti M, Alamgir M, Crist E, Mahmoud MI, Laurance WF. 2017. World Scientists‘ Warning to Humanity: A Second Notice. BioScience.

Shindell D, Borgford-Parnell N, Brauer M, Haines A, Kuylenstierna J, Leonard S, Ramanathan V, Ravishankara A, Amann M, Srivastava L. 2017. A climate policy pathway for near-and long-term benefits. Science 356:493–494.

Steffen W et al. 2018. Trajectories of the Earth System in the Anthropocene. Proceedings of the National Academy of Sciences 115:8252–8259.

Observação:
O material complementar poderá ser lido ma íntegra no artigo original que se encontra aqui
Documento Original

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[i] Sinais vitais da terra – International Geosphere-Biosphere Programme include global land surface temperature anomalies, atmospheric carbon dioxide, arctic minimum sea ice extent and global mean sea level.

C+Idade: critérios para planejar cidades habitáveis para todas as etapas da vida

Livability Categories - AARP

AARP Livability Index: Great Neighborhoods for All Ages

Fonte: Sugiro que assistam ao vídeo da //players.brightcove.net/3772599298001/ryhhcDoG_default/index.html?videoId=5836018001001” target=”_blank” rel=”noopener”>AARP

Alguma vez você já se perguntou como o lugar onde você deve ser para que você se sinta bem e feliz?

Eu sim. Muitas vezes ao longo da minha vida. Mais jovem, com filhos crescendo, queria proximidade de escolas e áreas públicas de recreação;

E hoje?

Minha resposta para o dia de hoje:
. deve ter calçadas amplas e com piso lisinho, confortáveis, sombreadas por árvores durante os dias quentes e bem iluminadas à noite;
. realizar as comprinhas diárias sem precisar tirar o carro da garagem;
. locomover-me utilizando transporte público a preço acessível para qualquer lugar;
. localizar-se próximo a parques, áreas verdes;
. deve ser um local seguro;
. garantir qualidade sonora ou ainda, ser um lugar livre de barulhos excessivos (ausência de ruídos provocados pela falta de civilidade gerada pela convivência social que desrespeita e desconhece limites) entre vários outros desejos.

Dependendo de quem está lendo o post, provavelmente a ausência de hospitais e postos de saúde deve ter chamado a atenção. Para minha mãe, atendimento médico próximo é fundamental para a manutenção de sua qualidade de vida.

“Cidade é infraestrutura pública” dizia em sala de aula e, com razão, meu saudoso Prof. Milton Santos.

Tenho consciência de que como arquiteta e urbanista, meus limites se restringem ao ensino e ao exercício profissional. Como cidadã sou membro voluntário de conselhos que discutem políticas públicas urbanas e exijo o direito de viver em cidades com qualidade de gestão dos espaços públicos. Mudança de cultura na gestão da coisa pública é um processo longo, difícil mas necessários. Tenho responsabilidade para com as gerações futuras.

Qualidade de vida urbana ao longo da vida: o que você responderia para essa questão? O que você precisa para viver num bairro agradável por muitos e muitos anos?

. um hospital ou posto de saúde?
. um médico ou um cinema?
. lanchonetes, restaurantes ou áreas comerciais?

Cada pessoa vai querer algo diferente e é isso que torna a vida na cidade tão única.

Cada cidade diferente do país tem sua própria personalidade!

Você se pergunta se a cidade ou o bairro atual está atendendo às necessidades atuais ou talvez às necessidades futuras?

Existe um índice de habitabilidade criado pela AARP que apresenta diretrizes de planejamento / projeto e design urbanos que podem colaborar para o exercício de uma vida independente para seus cidadãos mais velhos. Destina-se a ser um guia para melhorias, bem como uma maneira de comparar cidades em todo o país.

O índice contém 60 fatores para compradores de imóveis que desejam se mudar para um local mais habitável. É natural que as pessoas queiram permanecer em sua própria casa á medida que envelhece, portanto, o local precisa ter as condições necessárias para garantir a independência nos aspectos que compõem a vida cotidiana: tarefas e demandas gerais da vida doméstica; comunicação; mobilidade; cuidado pessoal; interações e relacionamentos interpessoais; participação na vida comunitária, social e cívica

Um bairro habitável é descrito como aquele que possui moradia, transporte e outras opções que permitem e facilitam a independência dos idosos nos diversos aspectos da vida.

Ao projetar para um cidadão idoso, você atende às necessidades físicas, sociais e intelectuais para pessoas que se encontram em QUALQUER FASE DA VIDA OU FAIXA ETÁRIA

Como é mensurada a habitabilidade dos lugares?

As pessoas experimentam as comunidades como um todo, de forma que a AARP analisou vários aspectos da habitabilidade para obter uma visão completa. O Índice de habitabilidade avalia sete grandes categorias de habitabilidade comunitária: moradia, bairro, transporte, meio ambiente, saúde, engajamento e oportunidade. Valores métricos e pontos de política em cada categoria são combinados para criar a pontuação da categoria. Essas pontuações da categoria são calculadas como média para criar a pontuação total de habitabilidade de um local. São 60 ítens que compõem o índice.

DOMÍNIO 1 – ESPAÇOS E EDIFÍCIOS AO AR LIVRE

Espaços ao ar livre e edifícios onde as pessoas podem se reunir, como parques, calçadas, ruas seguras, assentos ao ar livre e edifícios acessíveis. Como espaços públicos, as calçadas são “a porta de entrada” de uma comunidade e bairro, ativando ruas social e economicamente. Faz pouco sentido que em tantos bairros e cidades brasileiras as calçadas sejam raras e até inexistentes. Faço parte do grupo de pesquisas QUAPA-SEL e tive a oportunidade de conhecer inúmeras cidades brasileiras. Mesmo em São Paulo, onde vivo, a existência de calçadas é uma exceção à regra infelizmente. Se quiserem conhecer um pouco mais sobre as discussões que realizamos na Câmara Temática de Mobilidade a Pé, acesso o link dos relatórios. Lá você terá a oportunidade de vivenciar as discussões do grupo desde que foi criado.

DOMÍNIO 2 – OPÇÕES DE TRANSPORTE

Opções de transporte ativo que dão aos não-motoristas acesso a serviços, locais e pessoas. As comunidades tranquilas e amigas da caminhabilidade e da bicicleta são boas para pessoas e negócios. Devem ser construídas políticas públicas e ações dos governos locais para o incentivo da modalidade de transporte ativo.

DOMÍNIO 3 – MORADIA APROPRIADAMENTE PROJETADA/MODIFICADA E ACESSÍVEL

A revitalização sem deslocamento beneficia todos os residentes, independentemente de renda, idade u condição física. As comunidades habitáveis ​​oferecem moradia para qualquer situação ou etapa da vida como idosos cujos filhos se mudaram ou cujos cônjuges morreram, famílias monoparentais, casais sem filhos ou pessoas que optam por compartilhar a habitação com colegas de quarto ou preferem moradias multifamiliares em vez de moradias unifamiliares ou casas isoladas. Entendo que a construção de locais exclusivos para idosos colabore para a desintegração da interação e do convívio social prejudicando a vida comunitária e a saúde do indivíduo. Esse é um exemplo recente de uma proposta de projeto realizada pelo escritório Vigliecca & Associados.  A proposta projetual é resultado do programa Morar no Centro, iniciativa da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB), órgão encarregado de dar resposta às demandas de habitação social na cidade de São Paulo.

DOMÍNIO 4 – PARTICIPAÇÃO SOCIAL

Participação social para evitar o isolamento e a solidão. A atividade social aumenta a mobilidade, as perspectivas e o desejo de cuidar melhor de si mesmo. Solidão pode realmente prejudicar o sistema imunológico. Fica aqui uma leitura recente de artigo acadêmico como sugestão.

DOMÍNIO 5 – RESPEITO E INCLUSÃO SOCIAL

Respeito e inclusão social por meio de atividades intergeracionais. Os laços intergeracionais não precisam ser tradicionais ou biológicos. Os mentores de adultos mais velhos podem fazer uma diferença significativa na vida de uma criança. O envolvimento de um adulto confiável e atencioso ajuda as crianças a desenvolver habilidades para a vida e constrói auto-estima e confiança.

DOMÍNIO 6 – PARTICIPAÇÃO CÍVICA E EMPREGO

Participação cívica e emprego que possibilitam trabalho, voluntariado e engajamento ativo. As pessoas que estão ativamente envolvidas no serviço são cidadãos empoderados, emocionalmente conectados à comunidade e mais propensos a votar. A participação na sociedade civil está fortemente correlacionada com a confiança em outras pessoas.

DOMÍNIO 7 – COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

Comunicação e informação divulgadas por meio de uma variedade de canais para alcançar até aqueles que não tem acesso a informações via web multi-telas por exemplo. Como manter-se informado e, por conseguinte, participar de conversas e trocas de informações sobre assuntos cotidianos com outras pessoas ao seu redor? Alguns influenciadores digitais 65+

DOMÍNIO 8 – SERVIÇOS COMUNITÁRIOS E DE SAÚDE

Serviços comunitários e de saúde devem ser distribuídos em toda a cidade. Políticas Públicas Urbanas que utilizem dados como processo são úteis no entendimento das mudanças dos seus habitantes a partir de perspectiva histórica. O “território fala” e apresenta suas necessidades que estão por vir. Identificar o processo de envelhecimento na cidade, permite ao gestor publico programar investimentos que atendam as necessidades da população.A prefeitura de NYCLondres são bons exemplos de ações que nasceram há décadas e que viabilizaram realizações que hoje permitem cidades com melhor qualidade de vida para a população idosa.

Em tempo: este post foi inspirado pela leitura do seguinte material:
The Eight Domaisn of Livability
AARP Livability Index

A idade cronológica define um idoso?

 

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Figura 1: Por Gustave Doré – http://bit.ly/2Pl1x4v, Domínio público, http://bit.ly/2Pl1iGR

Num mundo repleto de desafios que governos e populações precisam vencer diariamente, existe um que, apesar de previsível, é sistematicamente esquecido, embora certo para todos: como manter-se ativo, produtivo e saudável apesar das consequências que o famigerado processo de envelhecimento traz ao corpo e ao intelecto?

Pela primeira vez na história a mais da metade da população mundial tem a possibilidade de viver mais de 60 anos e esta situação impacta cidades, edifícios, sistemas de saúde, assistência social e orçamentos públicos.

Como governos e pessoas vem tratando este assunto?

Redigido pela Organização Mundial da Saúde – OMS, agência da Organização das Nações Unidas – ONU responsável pelas diretrizes que organizam as discussões de uma agenda internacional que trata das questões de saúde, o Relatório Mundial sobre Envelhecimento e a Saúde aponta respostas a estes desafios e recomenda mudanças na maneira de formular políticas para o envelhecimento da população e na prestação de serviços públicos.

A imagem que temos dos idosos muitas vezes foi construída lá na infância. Dos desenhos animados que assistimos na TV ou nos nas imagens que ilustram os livros infantis, os idosos são retratados como indivíduos frágeis, de cabelinhos brancos e cabelo preso, curvados utilizando bengalas…

Suposições e percepções construídas que carecem de fundamentação científica, geram discussões sobre estereótipos obsoletos e vem pautando as questões sobre os idosos. Quem já ne se viu pensando numa pessoa mais velha como a imagem acima que ilustra os contos dos irmãos Grimm?

Se não existe uma “pessoa típica”, então não há como associar um “idoso” ou o “velho” utilizando a imagem “típica” dos desenhos animados e contos.

Somos todos AGELESS!

Figura 2: Com seus 97 anos, Iris Apfel é uma das mulheres mais famosas e inspiradoras do mundo da moda. O sucesso nos negócios e a fama só aconteceram depois dos seus 80 anos. mesmo com a mobilidade reduzida, é uma mulher ativa e permanece no comando de suas empresas ainda hoje.

Rastejar, gatinhar, ficar em pé, aprender a andar, correr, pular, nadar e tantas outras habilidades desenvolvidas até a vida adulta, começam a modificar-se com o passar dos anos.

E mais: dados empíricos apontam que a perda das habilidades e capacidades do corpo e do intelecto estão apenas parcialmente relacionadas à idade cronológica. A diversidade resultante no âmbito da saúde dos idosos não é aleatória e nem sempre se aplica a todo o grupo “acima de 60 anos” por exemplo.

As habilidades e necessidades baseiam-se em eventos que ocorreram ao longo da vida. Embora a longo prazo a maioria das pessoas idosas sofra vários problemas de saúde, a velhice não implica necessariamente dependência. O relatório aponta que, o contrário do que se crê, o envelhecimento tem menor influência nas despesas com saúde do que outros fatores, como o alto custo de novas tecnologias médicas e demais prestações de serviços associados a estas tecnologias.

Há oportunidade de redirecionar as discussões levando-as para o campo das oportunidades a partir de uma série de ações concretas que podem ser adaptadas para uso em países de todos os níveis de desenvolvimento econômico.

A agenda internacional de discussões contemporânea sobre o tema enfatiza o envelhecimento saudável e a independência funcional. É uma discussão muito maior do que àquela associada à ausência de doença. Os maiores gastos encontram-se na promoção da capacidade funcional do corpo e do intelecto para a manutenção da dignidade e da independência. A abordagem deve ser concentrada na revisão dos sistemas de saúde de um modelo puramente curativo para um modelo de prestação de um cuidado integral focado nas necessidades dos idosos.

Cabe aos governos rever sua concepção de envelhecimento e criar políticas públicas, projetos, programas e ações que invistam nas adaptações necessárias para a construção de um mundo favorável a todas as fases da vida.

O que penso da minha idade cronológica? “Velha é a vovozinha ageless”! uma vida é pouca para tudo o que desejo realizar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Age-friendly world: ou ainda, cidades para todas as fases da vida

Fonte: “- pondering” by Jack Kurzenknabe is licensed under CC PDM 1.0 

Ambientes favoráveis ao envelhecimento são aqueles que influenciam e oferecem experiências e oportunidades positivas à vida urbana em qualquer idade ao reconhecer e incluir em seu planejamento que tanto o corpo quanto a mente mudam com o passar dos anos. Incorporam na concepção de seus projetos e ações as mudanças pelas quais corpo e intelecto passam numa fase mais madura da vida, entendendo que os cidadãos têm o direito de viver física e socialmente no lugar que escolheram de forma ativa, produtiva, segura, autônoma, digna enfim.

Para atender à crescente demanda por cidades que atendam às expectativas dos idosos, a Organização Mundial da Saúde – OMS criou um programa direcionado à promoção de ambientes que favoreçam um envelhecimento saudável e ativo. Denominado Age-Friendly World, o programa é adotado por mais de mil cidades em 40 países que compõem uma Rede Global de Cidades e Comunidades favoráveis ao processo de envelhecimento, conhecidas no Brasil como Cidades Amigas do Idoso. Vale ressaltar que o termo Age-Friendly World carrega um conceito mais profundo que não se restringe apenas à população idosa. Trata-se de conceber, planejar, projetar, desenhar cidades para atender a todas as idades e fases da vida de indivíduos, famílias e comunidades.

Ser membro do programa ou receber o Certificado da OMS não significa que as cidades tenham adaptado seus ambientes de forma parcial ou plena. É um reconhecimento dado ao compromisso assumido pela governança local para adaptar a cidade às diretrizes da rede mundial.

Dentre as diretrizes do programa da OMS, destacam-se as ações que devem atender aos oito domínios ou ainda boas práticas para o exercício da vida cotidiana em cidades e que podem impactar na qualidade de vida e saúde da população. São eles:

• Espaços ao ar livre e edifícios;
• Transportes;
• Habitação;
• Participação social;
• Respeito e integração social;
• Participação cívica e emprego;
• Comunicação e informação;
• Apoio da comunidade e serviços de saúde.

Além destes 8 domínios ou práticas e ações, mais uma categoria foi incorporada:

Escolhas locais

Em nosso próximo post, falaremos sobre este e outros assuntos vinculados ao urbanismo e à adaptação e projeto de nossas cidades para todas as fases da vida.

 

 

Podcast comentado do post: O design das cidades está se adaptando ao envelhecimento da população?

Neste podcast, falo sobre o processo de envelhecimento da população brasileira e sobre a necessidade urgente de revermos nossa forma de pensar, conceber e realizar planejamento urbano e projetos de ambientes construídos.

Se quiser conhecer o post, o link está logo aqui:

Melhorando com a idade? Como o design das cidades está se adaptando ao envelhecimento da população

 

Melhorando com a idade? Como o design das cidades está se adaptando ao envelhecimento da população

Estamos envelhecendo e o design de nossas cidades precisa mudar também. Se quisermos ruas, calçadas e praças mais agradáveis e aprazíveis, formuladores de políticas públicas e designers/projetistas do ambiente construído deverão adequar seus conceitos e projetos para as mudanças funcionais do corpo e do intelecto. Planejar as cidades para que as pessoas continuem ativas ao longo do tempo melhora a qualidade de vida urbana. Se por um lado com o avançar dos anos as pessoas tendem a não dirigir seus veículos, por outro lado as políticas públicas deverão incluir em suas agendas, ações que garantam um transporte público mais eficiente e resiliente às necessidades das pessoas. Outro exemplo é a questão da velocidade. Já não se trata mais de discutir buracos na calçada ou manutenção medíocre. Nos acostumamos à gestão pública horrenda de prefeituras e governos seja lá qual for a instância. Precisamos lembrar que daqui a pouquíssimos anos a velocidade do caminhar urbano será reduzida a 3 km/hora; o que muda? Passeios públicos, esquinas e calçadas além de não escorregadias e lisinhas, deverão ter mobiliários ao longo de seu trajeto adequados às novas necessidades: não se trata apenas de lixeiras. Trata-se de lugares para sentar, com iluminação na altura do pedestre, sinalização semafórica adequada ao passeio de seres humanos com mobilidade reduzida, sombreamento, sinalização vertical na altura do pedestre incluindo caixas de texto legíveis e com contrastes adequados para todas estas mudanças. No último parágrafo do artigo, a cidade de Manschester aponta para um caminho: a forte liderança política que os cidadãos mantém, ou seja, pessoas comuns organizadas em grupos pressionam seus representantes políticos de tal forma que suas demandas são ouvidas. Estes são apenas alguns dos exemplos.

Apesar de não se adaptar perfeitamente à realidade brasileira (com todas as desigualdades econômicas, sociais, culturais que estamos fartos de saber e cobrar de nossos representantes públicos) gostei do texto e de fato acredito que pode inspirar novas pesquisas e cobranças de ações mais práticas de nossos vereadores e prefeitos. Por isso, deixo aqui neste post para reflexão de vocês. A tradução é livre: significa que pode haver erros de interpretação de minha parte. ok?. O original está neste link:
Fonte:
Improving with age? How city design is adapting to older populations Disponível: http://bit.ly/2sIjKAd Acesso: 04.12.2019

elderly womanUma Mulher idosa no centro da cidade de Stockport. Foto: Christopher Thomond / The Guardian

O texto trata destas questões e mais:

Melhorando com a idade? Como o design da cidade está se adaptando às populações mais velhas.

À medida que as cidades passam por uma mudança demográfica, a necessidade de um design/projeto “amigo do idoso” se torna cada vez mais crítico. De almshouses a carros sem motorista, o futuro da habitação urbana e da mobilidade pode ser moldado “apenas para” e sim, “para os idosos”.

Não há como negar: gostemos ou não, estamos todos ficando mais velhos. Segundo o relatório da ONU sobre a População Mundial,a população global de idosos está crescendo a uma taxa sem precedentes. Em 2050, pela primeira vez na história, haverá um número maior de pessoas com mais de 65 anos do que crianças menores de 15 anos. O número de pessoas com mais de 100 anos aumentará em 1.000%. E como até lá cerca de 70% da população do mundo provavelmente viverá em cidades, isso apresentará enormes desafios levando à necessidade urgente de adaptação física destes aglomerados.

A empresa global de engenharia Arup analisou como as autoridades estão respondendo a essa mudança demográfica. Stefano Recalcati, líder do projeto por trás do relatório da empresa Shaping Aging Cities, explica que as cidades precisam se ajustar para que as pessoas mais velhas mantenham a qualidade de vida: “É importante estar consciente da tendência de envelhecimento. É um enorme desafio para as cidades do mundo – elas precisam mudar, para garantir que as pessoas mais velhas continuem a desempenhar um papel ativo na comunidade e não fiquem isoladas. O isolamento tem um impacto negativo na saúde, portanto é muito importante lidar com isso. ”

“Pequenas inovações podem fazer a diferença”, acrescenta Recalcati. “As pessoas mais velhas têm menos probabilidade de dirigir, favorecendo o transporte público e a caminhada. Uma pessoa média com mais de 65 anos consegue uma velocidade de caminhada de 3 km / hora. Aos 80, isso diminui para 2 km / hora, em comparação com a média para uma pessoa em idade ativa de 4,8 km / hora. Reduzir a distância entre pontos de transporte, lojas, bancos, árvores à sombra, banheiros públicos e melhorar as calçadas e permitir mais tempo para atravessar a rua incentiva todos os idosos a sair. ”

No Reino Unido, o governo acaba de anunciar a construção de 10 novas cidades projetadas para lidar com problemas de envelhecimento e saúde, como a obesidade. Além de incentivar estilos de vida mais ativos, os projetos podem incluir calçadas mais amplas, poucos riscos de viagem e sinalização em movimento no LCD, facilitando a navegação pelas ruas para pessoas com demência e outras condições relacionadas à idade. A organização de caridade Living Streets, com sede em Londres, também tem trabalhado ao lado de comunidades que realizam auditorias nas ruas com moradores mais velhos para ver quais melhorias poderiam ser feitas, além de fazer campanhas em nível estratégico para influenciar mudanças legislativas e de infraestrutura positivas. O projeto Time to Cross fez uma campanha para aumentar o tempo de travessia de pedestres, o que resultou na concordância de uma Transport for London (TfL).

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“Permitir mais tempo para atravessar a rua incentiva as pessoas mais velhas a sair”. Fotografia: Francisco Calvino / Moment Editorial / Getty Images

As cidades que abordaram a acessibilidade provavelmente estarão à frente do jogo em termos de idade. Nos últimos anos, foram feitos esforços para tornar as cidades mais acessíveis aos residentes e visitantes com deficiência e idosos. Berlim tem como objetivo 100% de acessibilidade até 2020. As autoridades da cidade estão trabalhando para ampliar as calçadas, trazer orientações táteis nas travessias das estradas e facilitar o acesso a bondes e ônibus. Este ano, Milão venceu o premiação da Comissão Européia intitulado Acess City Award por seu alto padrão de projeto de construção e acesso ao transporte.

Que lições os planejadores urbanos podem aprender observando as comunidades de aposentadoria existentes? São populares nos EUA e crescem em outras partes do mundo: cidades separadas, geralmente fechadas, para maiores de 55 anos. Deane Simpson, arquiteta que ensina na Academia Real de Artes da Dinamarca, em Copenhague, falou recentemente em um evento organizado pelo Museu de Arquitetura e pelo The Building Centre, em Londres, sobre o projeto de cidades para uma população envelhecida. Em seu livro, Young-Old: Urban Utopias of an Aging Society (Lars Müller Publishers, 2015), Simpson analisa comunidades como as de 55 a 75 anos aposentadas e com boa saúde e dinheiro para gastar. A proposta urbana denominada The Villages in Florida, é uma rede de empreendimentos de “vilas” que abriga 115.000 pessoas com mais de 55 anos interligadas por uma sistema de 150 quilômetros de estradas de carrinhos de golfe sem automóveis individuais – e oferece uma vida de restaurantes, bares, cinemas e esportes.

Simpson critica a maneira como esse tipo de estilo de vida separa as pessoas do resto da sociedade, com a idade se tornando uma nova forma de segregação. No entanto, ele aceita que eles reflitam o desejo de um estilo de vida ativo e cheio de experiência. Simpson admite que existem certos elementos que poderiam ser aplicados a um cenário urbano multigeracional: “A infraestrutura de carrinho de golfe fornece uma rede de transporte para veículos mais lentos que carros. Isso poderia ser replicado como uma maneira de integrar scooters de mobilidade e cadeiras de rodas elétricas e bicicletas. Na Dinamarca e na Holanda, onde a cultura do ciclismo é forte, as ciclovias são cada vez mais usadas pelos motonetes/patinetes. É uma maneira de permitir uma mobilidade segura para aqueles que não conseguem andar e não conseguem dirigir. ”

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Utopia da mobilidade ou refúgio exclusivo? Carrinhos de golfe são o principal transporte nas aldeias da Flórida. Foto: Alamy

O modelo americano de comunidades de aposentados está sendo cada vez mais exportado. Na China, mais de um quarto da população terá mais de 65 anos até 2050. Os idosos são tradicionalmente atendidos pela família extensa – geralmente com três gerações vivendo juntas. Mas as mudanças demográficas estão desafiando severamente essa unidade familiar. A política de um filho combinada com uma expectativa de vida mais longa significa que um casal típico pode cuidar de quatro pais e até oito avós.

Há um aumento nos esquemas de vida assistida, como o Merrill Gardens, projetado nos EUA, em Xangai e Harbin. O Lead 8 é um estúdio de arquitetura e design que trabalha na região; seu cofundador e diretor Simon Blore explica que eles trabalharam em novos desenvolvimentos na China, que são 80-100% voltados para grupos de idosos. “Tentamos manter a escala de uma típica vila chinesa; todas as necessidades são atendidas a uma curta distância a pé (os idosos na China não têm carros e nem podem mais usar bicicletas). Sobreposto a isso, encontra-se um sistema de clínicas de saúde ‘locais’, serviços essenciais, espaços abertos e instalações de lazer, que não são tão diferentes das moradias assistidas, mas em uma escala muito maior. ”

Blore tem reservas sobre se a vida de idosos no estilo americano será amplamente aceita: “Eu acho que a maioria das pessoas quer fazer parte da sociedade regular, parte da comunidade, então isso provavelmente é um desafio internacional – tentar conseguir esse equilíbrio corretamente – um lugar com um alto nível de atendimento e um senso de comunidade e um relacionamento com a sociedade em geral. ”

A Lead 8 está trabalhando em um complexo residencial da Malásia em Kelana Jaya, perto de Kuala Lumpur, que poderia oferecer uma solução. “Em cada andar, há planos de tamanhos diferentes, um com o outro e uma parede que pode ser derrubada. Um proprietário pode comprar dois apartamentos contíguos – um grande e um pequeno. A família vive na casa grande com os avós ao lado, e eles podem ser separados ou interconectados. ”

A integração, em vez da segregação, é defendida pelo arquiteto londrino Stephen Witherford. Sua empresa, Witherford, Watson, Mann Architects, construirá um complexo de 57 apartamentos para maiores de 75 anos em Bermondsey, Londres. O projeto é baseado no modelo tradicional de alojamento de caridade para aposentados, mas atualizado para o século XXI. “Tradicionalmente, as almshouses ficavam atrás de uma cerca”, explica Witherford, “mas queríamos criar uma versão que resolvesse o problema do isolamento. Terá um lounge que se abre diretamente para a rua principal.” Haverá uma escola de culinária, espaço para apresentações, espaços diversos na cobertura e uma oficina. Os moradores podem realizar feiras de artesanato, vender bolos e realizar ou assistir a peças de teatro. “O público pode entrar e se envolver. As comodidades estão próximas e há uma parada de ônibus do lado de fora para viagens à cidade.”

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Pátio interno de um complexo de apartamentos no sul de Londres, projetado para maiores de 75 anos. Composto: Witherford Watson Mann

Repensar os projetos tradicionais também é uma prioridade para Susanne Clase, arquiteta da White Arkitekter, que está projetando apartamentos para idosos em Gotemburgo, na Suécia, e incluindo potenciais residentes e profissionais de assistência domiciliar na tomada de decisões. Ela explica que os apartamentos foram projetados para acomodar visitas regulares de profissionais que ajudam em tarefas pessoais: “em nosso projeto, os espaços públicos e privados são revertidos. O quarto e o banheiro ficam na porta da frente para que o cuidador possa acessá-los. A sala de estar e a cozinha ficam na parte de trás e são o espaço privado do residente. ”Clase acredita que projetar com o envelhecimento em mente é bom para todos. “É importante ajudar as pessoas a viver de forma independente pelo maior tempo possível e projetar isso desde o início, em vez de fazer adaptações mais tarde. Já temos um alto nível de acessibilidade na Suécia. Você não terá permissão para construir, a menos que possa mostrar que, se o residente quebrar uma perna, não haverá problema. Então, já estamos pensando no futuro.”

Embora gestores públicos europeus estejam olhando para o futuro, no Japão o futuro já chegou. O país tem a população mais antiga do mundo: 33% tem mais de 60 anos, 25% acima de 65 anos e 12,5% acima de 75 anos. “O Japão tem muito idade, então o governo está priorizando tornar as cidades mais amistosas e resilientes ​​à idade”, diz Setsuko Saya, chefe de política regional na pesquisa liderada pela OCDE sobre o envelhecimento nas cidades. Toyama, local em que 26% dos moradores têm mais de 65 anos, adotou o princípio de uma cidade compacta – que promove alta densidade, transporte público, caminhadas e ciclismo. O objetivo é evitar a expansão urbana que pode ser tão isolada para pessoas com mobilidade limitada. Apesar de estar em uma grande área de terreno plano, que poderia ser desenvolvida, a política não é expandir para fora. Um bonde circunda a cidade e o investimento é focado ao longo da linha do bonde e no centro da cidade, onde existem espaços públicos para as pessoas se reunirem. As pessoas vivem em áreas residenciais limitadas, próximas aos serviços e com bons transportes públicos – portanto, não precisam dirigir. Saya ressalta que é importante não caracterizar o envelhecimento como um problema e reconhecer que essas estratégias não apenas ajudam as pessoas mais velhas: “O bonde conecta as pessoas e também as transporta. É bom para todos. ”

Embora o desenvolvimento do transporte público seja importante, sempre haverá quem não consiga acessá-lo. Um relatório do Reino Unido do International Longevity Centre constatou que, apesar do transporte ser gratuito para maiores de 65 anos, mais de 30% deles não usam o serviço. Nesses casos, os carros autônomos são apresentados como uma solução que pode “libertar” os idosos, como um serviço de mobilidade para aqueles que não podem mais dirigir e não são atendidos pelo transporte público. O Google está até “direcionando” seus carros autônomos para aposentados. A cidade de Suzu, no norte do Japão, já vem testando o uso de carros autônomos para manter os idosos em movimento.

Mas como essas inovações funcionarão em uma era de austeridade, aposentadorias reduzidas, aposentadoria posterior e aumento dos custos de moradia? O design compatível com a idade pode nos ajudar a repensar nossas cidades, mas como podemos garantir que essas inovações atinjam a maioria das pessoas mais velhas? Olhando para o futuro, com a expectativa de que a geração do milênio seja mais pobre do que os pais de baby boomers, é improvável que os jovens incapazes de subir na escada da habitação hoje tenham equidade na velhice. O professor Christopher Phillipson, da Universidade de Manchester, acredita que é necessária mais vontade política para garantir que cidades favoráveis ​​à idade incluam as afetadas pela austeridade e pelo declínio industrial: “cidades favoráveis ​​à idade custam dinheiro, mas no Reino Unido há menos dinheiro disponível para as autoridades locais que desejam agir . Existem barreiras consideráveis ​​- devido às pressões orçamentárias e ao comprometimento limitado dos formuladores de políticas e desenvolvedores. Na ausência destes, a possibilidade de criar ambientes amigáveis ​​para a idade será restrita. ”

Em Manchester, a primeira cidade do Reino Unido a ser reconhecida como favorável/amiga à idade pela Organização Mundial da Saúde, o Manchester Institute for Collaborative Research on Ageing (Micra) vem capacitando idosos para pesquisar o que faz uma cidade amiga da idade. Eles descobriram que, para a maioria das pessoas, era importante o contato humano, e não os aparelhos de alta tecnologia – como visitas comunitárias de porta em porta para pessoas incapazes de usar o transporte público. “Manchester é favorável à idade porque tem forte liderança política e a cidade apoia grupos de bairro e trabalha com líderes comunitários”, continua o professor Phillipson. “O mais importante é a colaboração entre uma ampla gama de interesses, principalmente os idosos.”

Gentilezas urbanas: conversa fiada, música e…

AMO andar a pé. Ver gente me deixa feliz. Interagir com outras pessoas me enche de energia.

Estava escrevendo um artigo difícil, técnico, por horas. Ricotinha e Chanel até que tentaram…estavam lá firmes e fortes me dando o maior apoio moral, mas… não deu. Empacou. Tem horas que o cérebro deixa de funcionar.

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Espairecer… Pareceu apropriado, portanto, #fui a pé.

Desci aquela calçada medonha da Oscar Freire que fica em frente ao metrô. Explicarei o que significa “medonha” em outro post. Porque merece, viu? Não dá para acreditar o que fez o metrô de São Paulo na estação Oscar Freire.

Virei a esquina na Rebouças e me deparei com as seguintes cenas perto da Capote Valente.

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Não é lindo? no lugar de literalmente espremer os pedestres entre uma calçadinha estreita com muros / cercamentos e uma avenida (a Rebouças cuja velocidade de 50 km/hora para automóveis é de fazer corar qualquer gestor público consciente sobre segurança viária) o conceito acordado entre os diversos atores que criam espaços urbanos e o escritório Dal Pian Arquitetos viabilizaran usos urbanos antes inpensáveis para o prédio do Nubank: conversar, comer, jogar conversa fora, andar a pé pelo lado de dentro da propriedade do #nubank e …

… por que não ensaiar para a uma apresentação? Estes são @rafaeldalapa e o @tchon.silva

Área pública, local gratuito, eventuais passantes que, como eu, podem assistir, aplaudir e compartilhar em redes sociais este breve instante que me fez sentir tão bem. Trata-se de um valor que não entra na contabilidade tradicional de uma empresa. Bem intangível? pode ser. Lembro da marca mesmo sem ser cliente.

Poderia falar aqui das dificuldades que enfrentam escritórios de arquitetura para a produção de projetos que propõem espaços abertos, públicos, fluidos etc. Poderia citar  o papel do “mercado imobiliário” que dita regras em nome de consumidores imaginários que tentam lucrar até com milímetros²… poderia falar das empresas de vigilância predial que entendem que toda e qualquer cidadão representa perigo potencial à integridade do edifício e que portanto o mais sensato a fazer é colocar cones, cercar e impedir o acesso… mas para quê?

Resolvi contar o que vi: boas práticas urbanas, boas práticas de projeto e o resultado materializado bem na minha frente – um passeio público lindo no qual várias pessoas passam bons momentos e retornam para as suas atividades cotidianas mais leves… melhores… felizes.