Bem-vindos à sala de aula urbana!

Com o objetivo de formar cidadãos e futuros profissionais autônomos e participativos nos processos de produção de nossas cidades, laboratórios experimentais e escritórios-modelo vem acolhendo práticas pedagógicas experimentais que tornam o aprendizado mais significativo para os alunos ao propor a valorização da prática e da experimentação. É nesse contexto que surge o projeto acadêmico “Arte à Vista: um presente dos alunos do Instituto de Cegos Padre Chico e do FIAM-FAAM para a cidade!”.

Utilizando como ponto de partida do processo ensino-aprendizagem o ABP – Aprendizagem Baseada em Projetos, professores e alunos de diversos cursos foram convidados a participar da proposta de trabalho que consistia em colaborar na criação de um ambiente urbano em homenagem à Sra. Dorina Nowill. O bairro em que se realizou o trabalho é a Vila Mariana, cidade de São Paulo, local onde encontram-se diversos serviços de saúde, clínicas, hospitais e ONGs especializadas no atendimento de pessoas com deficiências funcionais distintas. Dentre elas, encontra-se a Fundação Dorina Nowill, referência mundial no atendimento e orientação de pessoas cegas e com baixa visão.

Por se tratar de prática pedagógica complexa que envolve ações na cidade, os professores vincularam às técnicas do ABP, processos de planejamento, projeto e construção de espaços públicos de forma coletiva e colaborativa inspirado nos conceitos Placemaking e Urbanismo tático. Os objetivos pedagógicos da ação pretendem estimular o trabalho em equipes multiprofissionais (e com ela a vontade de explorar novos territórios de conhecimento), a colaboração, a criatividade, a busca por soluções inovadoras e o “fazer” como experiência transformadora.

Desafio proposto: criar um “lugar” urbano a partir das necessidades dos usuários da região (moradores, alunos e visitantes) e, ao mesmo tempo, homenagear Dorina Nowill colaborando na indicação de seu nome para uma praça ainda sem designação em frente à escola.

As ações propostas para resolver o desafio:
– Redigir a proposta de trabalho, definir os objetivos, as ações, os envolvidos, as etapas de trabalho, os meios e o cronograma.

Foram selecionadas algumas das principais etapas percorridas entre os meses de setembro e outubro de 2016 por todos os envolvidos no projeto e que ilustram parte da trajetória que gerou o resultado apresentado.

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  1. As etapas:

    Elaboração da arte tátil: Alunos do curso fundamental do Instituto Padre Chico – Colégio Vicentino Padre Chico utilizaram as aulas de Educação Artística para criar desenhos tridimensionais inspirados pelas Paralimpíadas que ocorreram no Rio de Janeiro em 2016. Com tampinhas de garrafa e palitos de sorvete, as crianças e adolescentes que todos os anos produziram mais de uma centena de desenhos em alto relevo com o tema proposto sabendo que o material faria parte de um painel gráfico.

    Preparo das cerâmicas: No ritmo de uma maratona, dezenas de alunos universitários prepararam a argila – amassaram e formataram em moldes de 15cm x 15cm para receber e estampar a arte das crianças do IPC, agora, em baixo relevo.

    A queima: cerca de duas centenas de placas cerâmicas foram enviadas para queima nas oficinas da universidade. Embaladas uma a uma, todas foram reencaminhadas para o local onde seriam fixadas pelos alunos.

    A fixação no muro: tanto o período de chuvas quanto o conhecimento das técnicas de colocação de azulejos, não foram previstos no projeto. Para resolver os problemas, os alunos improvisaram uma oficina de azulejaria com colaboradores externos à instituição. Um azulejista foi contatado para colaborar na orientação da fixação e problema foi resolvido com a colocação das plaquinhas no muro. Quanto às chuvas… os alunos aguardaram os períodos de estiagem para dar andamento aos trabalhos.
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    Arte Gráfica: a criação do projeto do mural pelos professores e alunos do curso de Design Gráfico que cobriu as empenas cegas dos muros do campus foi elaborada incorporando as plaquinhas com a arte das crianças do IPC.

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    Espaço de Estar Urbano – inspirando-se nos princípios de ação do DIY & tactical urbanism, foi organizada a “Sala na Cidade” – proposta que pretende disseminar a criação de lounges urbanos espalhados pela cidade, ou ainda, lugares de estar públicos construídos em sobras de sistemas viários. Para resolver o problema da aglomeração na entrada e saída da faculdade, foi desenvolvido o layout de um ambiente leve e descontraído para acolher não só os moradores da região bem como os alunos redirecionando-os para uma sala de estar localizada numa área ao lado e que apresentava as dimensões adequadas para acolher a todos com mais conforto e segurança. Por se tratar de intervenção DIY, o processo durou cerca de 4 horas para a instalação. A sala recebeu mesas, bancos em concreto, vasos e tapetes pintados no chão. Tintas, cerâmicas, concreto e alegria contagiante impactaram positivamente o lugar antes inexpressivo. Durante o processo de construção do local, a vizinhança observava curiosamente, as ações. Plantando flores nos vasos espalhados nas calçadas ou sentando-se nos bancos recém instalados, moradores dos prédios vizinhos começaram a utilizar a sala de estar e a observar a arte dos muros como algo aconchegante e familiar.

     

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A utilização de recursos advindos do ABP e a possibilidade de ação direta na realizada vivida pelos alunos por meio do urbanismo tático fornecem um contexto real para o aprendizado, pois as situações apresentadas geram uma “necessidade real de saber”, ou ainda, tem a “relevância necessária”, motivando-os a gerar as soluções com o objetivo de atender a demanda ou ainda resolver a situação-problema apresentada. Como os projetos são “abertos”, os alunos devem fazer escolhas, encontrar soluções, explicá-las de forma personalizada. Associado ao ABP e às orientações da ONG Cidade Ativa, o escritório-modelo adotou algumas das características do:
Placemaking: para o desenvolvimento do projeto de intervenção do local, foram aplicados vários instrumentos de pesquisa com o objetivo de compreender o perfil do futuro usuário e seus desejos. Foram aplicadas entrevistas abertas, questionários, painéis interativos, medições físicas e medições comportamentais (contagens que avaliam as atividades do local ao logo do dia -manhã, tarde e noite por meio do mapeamento de fluxos e permanências) além da análise dos sete critérios desenvolvidos pela equipe do arquiteto Jan Gehl (GEHL, 2013) e Active Design Guidelines (NYC, 2013), a saber: segurança, proteção, acessibilidade, diversidade/versatilidade, atratividade, conectividade, resiliência e sustentabilidade.

Urbanismo tático:
Para a construção real dos projetos, é necessária a realização de planejamento de ações a curto e médio prazo com estratégias de transformação de ambientes urbanos rápidas e de baixo custo, materializando ideias para estimular o exercício de uma cidadania ativa que geram impacto positivo na qualidade de vida das pessoas. Por se tratar de um escritório-modelo que avalia o processo de criação e solução de problemas de alunos, é possível desenvolver ações transformadoras com diversos atores sociais para além do campus universitário, intervindo por meio de ações concretas, na solução dos desafios cotidianos de nossas grandes cidades.

Todas as atividades descritas envolvem habilidades elevadas de raciocínio que requerem o domínio de tecnologia e desenvolvimento de pensamento crítico. A abordagem de temas complexos para a resolução de problemas em comunidades locais, demanda pensamentos inovadores e, para tanto, os cursos superiores deverão trabalhar a formação de profissionais que trabalhem de forma colaborativa, administrem diversas fontes de informação, disciplinas, recursos disponíveis, como tempo e materiais, competências e estratégias nos campos de atuação pessoal, emocional, profissional, social e técnica.
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Fotos: acervo FIAM-FAAM Centro Universitário, outubro de 2016.

*Este trabalho foi realizado por vários voluntários e parte de seu texto está no blog do escritório modelo. Se quiser conhecer a ação realizada para o Global Days of Service,
acesse aqui.

Texto: Helena Napoleon Degreas, Adriana Valli Mendonça, Lilian Regina Machado de Oliveira e Cidomar Biancardi Filho

 

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De olhos bem fechados: Urban Gallery e Tofer Chin para quem não vê

Introduzindo o post…

Outro dia fui convidada a participar de um concurso cultural  intitulado Urban Gallery promovido pela Brookfield incorporações em parceria com a Rojo Magazine.

Confesso que refleti muito sobre o porquê do convite. Sou educadora. Não pertenço portanto à área de comunicações. Gosto da área mas falta-me, confesso, talento.

Quando a idéia praticamente havia sido deixada nos arquivos temporários do meu ser, surgiu uma idéia desafiadora que eu, como boa geminiana, não poderia deixar passar.

Explico. Semana passada participei de uma oficina de Audiodescrição em Produtos Culturais e de Comunicação realizado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Enquanto a Professora Viviane Panelli Sarraf do Museus Acessíveis e da RINAM explicava os conceitos, significados e Técnicas para audiodescrição para produtos culturais a uma platéia concentrada, entrei no site da Urban Gallery (desculpe profª Vivi… sou hiperativa …) e ouvi o audioguia da mostra do artista Tofer Chin.

Ao ouvir o material , decidi que seria importante criar também uma audiodescrição da obra exercitando os conceitos aprendidos na oficina. Afinal, temos no Brasil (IBGE 2000) cerca de 16.5 milhoes de cidadãos com deficiência visual. Como educadora, acredito que todos devem ter acesso ao projeto cultural Urban Gallery.

Mais do que “inserir cor”, a iniciativa é importante porque agrega elementos e conteúdos mais elaborados de arte urbana ao cotidiano de uma população composta por videntes e não videntes que graças ás discrepâncias sócioculturais de nosso país,  não conhece o prazer estético proporcionado pela obras que se encontram “enclausuradas” nos museus, centros culturais, entre outros.

A educação se dá pelo belo. Expô-lo publicamente nas ruas, nas paredes dos edifícios, colaborando na construção de nossas paisagens urbanas é uma bela ação e que merece destaque.

Vamos à audiodescrição…

Um pouco sobre a empresa no mundo e no Brasil (doc)

A Brookfield Asset Managentent é uma gestora global de ativos que está presente nos 5 continentes onde mantém investimentos de mais de 100 bilhões de dólares focados em energia renovável, infraestrutura e imobiliário sendo que neste último aplica um montante de 41 bilhões de dólares investidos nos principais mercados do mundo.

Seus negócios no Brasil estão presentes desde o início do século XX. Uma breve história de sua atuação pode ser encontrada no site da empresa.

Dentre seus objetivos socioambientais, a empresa visa à colaboração no desenvolvimento das cidades e das comunidades vulneráveis onde seus empreendimentos estão presentes.

Vale ressaltar que a empresa apóia a Orquestra Sinfônica Brasileira, O Instituto Tamboré e também a sua Reserva Biológica, Projeto Estrela Dalva (Instituto LECCA), Escola de Alfabetização de Adultos e Programa de Alfabetização, Capacitação e Cidadania. Outros projetos podem ser conhecidos em seu blog corporativo.

Sobre a obra

No caso brasileiro, sua atuação encontra-se focada nas áreas da cultura, educação e meio ambiente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia e Brasília. No âmbito da cultura, a empresa está realizando intervenções artísticas em espaços públicos propondo-se a criar uma imensa galeria de arte urbana no país.

Uma espécie de Arte Efêmera. Os artistas deixam telas, tintas e suportes duradouros e passam a intervir por meios de gestos, idéias (flashmob) nas ruas ou em áreas públicas. O público é convidado a interagir e participar. Neste contexto, a empresa utilizou-se de espaços que lhe são familiares e estão disponíveis: os tapumes que cobrem suas obras. Todas as intervenções reunidas somam mais de 1 km de comprimento (o mesmo que andar 10 quadras) e 2.400 m² (ou ainda uns 40 apartamentos populares de 60m² cada um) de área.  Uma iniciativa bacana e que merece registro é a possibilidade de obter informações via Bluetooth sobre o artista e a obra via celular por meio de um áudio guia. Para os deficientes visuais, a disponibilização dos conteúdos é sempre bem-vinda.

A Curadoria da ROJO Magazine

A curadoria do projeto Urban Gallery na versão brasileira é da Rojo. Em 2006 a ROJO iniciou um trabalho de intervenção artística urbana com o objetivo de divulgar artistas emergentes internacionais nas ruas por meio da divulgação de seus trabalhos em outdoors, cartazes e paredes cegas. Os trabalhos são inéditos e distribuídos através de toda a cidade em especial em locais onde o tráfego é bem intenso. Seu lema ´”Arte nas ruas JÁ!”.

E quem é Tofer Chin?

Tofer Chin é um artista plástico nascido nos Estados Unidos no final dos anos 70 e é bacharel pela Otis College of Arts and Design. Focado na percepção sensorial e no impacto, diversão e fascinação que seu trabalho pode causar, Chin explora todas as possibilidades de uma superfície plana bidimensional como suporte para a criação de uma obra tridimensional que gera a impressão de profundidade e ilusão de ótica. Espécie de Enfant Terrible em suas entrevistas, ele pode ser considerado um autor de vanguarda nas artes urbanas à céu aberto ao explorar até o limite as potencialidades do Op Art. Sua arte explora a falibilidade do olho humano por meio do uso de grafismo que criam ilusões óticas.

Em suma: estamos realmente vendo o que estamos vendo?

Qual a sua Técnica?

A sua obra defende “menos expressão e mais visualização”. Seus traços abstratos de extremo rigor técnico simbolizam um mundo mutável e instável. Quando observados dão a impressão de movimento, clarões ou vibração muitas vezes mudando de tamanho ou deformando-se. Sua arte usa relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor sua realidade não representacional. Sua geometria intensa, sistemática pode até não gerar fortes emoções, mas suas possibilidades gráficas e abstracionistas parecem ser ilimitadas.

Audiodescrição

Podcast: localização da obra de Tofer Chin

Podcast: audiodescrição a partir da posição de observação 1

Podcast: audiodescrição a partir da posição de observação 2

Podcast: sons da Avenida Brigadeiro Faria Lima durante a audiodescrição

Gravação realizada a partir de um aparelho celular NOKIA N97 e descarregada no http://gafanhoto.com.br

Resultado final do concurso:
http://www.br.brookfield.com/blog/index.php/urban-gallery/concurso-blogueiro-urban-gallery/

Cow Parade está de volta!

Conheci a exposição intitulada Cow Parade em quando estive com meus alunos do curso de arquitetura e urbanismo em Chicago. 
Gostei à época e continuo gostando ainda de suas proposta crítica e muito divertida. São 70 vaquinhas espalhadas pela cidade concebidas por artistas plásticos, arquitetos, grafiteiros e designers. Hoje, enquanto passeava com minha filhota pela Oscar Freire, vi algumas delas e tirei essas fotos. Não pude ver todas pois a chuva caiu torrencialmente. Elas permanecerão em São Paulo até o dia 21 de março. Depois desta data elas serão vendidas e os recursos arrecadados serão destinados a instituições assistenciais. Por enquanto, apresento algumas delas (flickr http://migre.me/hsFf). O site ofcial com a localização das lindinhas: http://saopaulo.cowparade.com/cow/locations

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Cow Parade 2010 Oscar Freire

Esta aqui foi vista no Shopping Morumbi. Resolvi colocar aqui também.
Foto da minha filhota Sthephanie.

Cow Parade 2010 Shopping Morumbi