Kombis, trailers, studios: a nova moda dos imóveis reduzidos

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma planta baixa de um imóvel com tamanho reduzido. Na imagem, temos algumas especificações para um morador cadeirante. Fim da descrição.
A arquiteta Helena Degreas destaca a nova moda dos imóveis com tamanho reduzido (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Você já pensou como deve ser morar numa habitação de 10 m²? E se, além do tamanho dos imóveis reduzidos, você dependesse de uma cadeira de rodas para se locomover?

Nos últimos meses, um debate acalorado sobre o surgimento de apartamentos studio vêm tomando conta das redes sociais. Com tamanhos que chegam a 10m², essas unidades já colocaram a cidade de São Paulo como a campeã nacional na oferta de mini-moradias . Possível desde a promulgação do Novo Código de Obras do município de São Paulo (COE/2017) que revisou as dimensões mínimas dos ambientes residenciais, qualquer um pode ser proprietário de um miniapartamento com excelente localização urbana. Maior do que uma kombi (7.30 m²) e menor do que um trailer (10,26 m²), os apartamentos Studio são a novidade que cabe no bolso, mas não comportam as funcionalidades de um lar – minha opinião.

A revisão das dimensões mínimas dos ambientes residenciais constantes do COE 2017 e da NBR 15575 associadas ao financiamento de imóveis novos no valor de até 240 mil reais pelo programa Minha Casa Minha Vida da Caixa Econômica Federal, vem facilitando a aquisição de habitações para aqueles que têm renda de até 3 mil e 600 reais.

Dados do IBGE (2010) mostram que 74,9% da população que declarou ter alguma dificuldade para caminhar ou andar (não consegue de modo algum, grande dificuldade, alguma dificuldade) recebe entre 0.5% e 3 salários mínimos estando aptos, portanto, a pleitear o financiamento. Ou seja: cerca de 7% dos brasileiros ou ainda, 13.2 milhões de brasileiros. Deste grupo, um pouco mais de 4 milhões declararam possuir dificuldade de locomoção severa. Desconsiderar essas estatísticas e, com elas as adaptações necessárias para atender a esse público ainda no ato do projeto, na construção ou no planejamento do negócio pelas construtoras é incompreensível em época de crise econômica e com financiamento disponível.

O que ocorre com a unidade propriamente dita: dá para morar em 10m² e, ainda assim, atender a NBR9050 com qualidade? De acordo com o Arquiteto Marcelo Sbarra, não. E eu complementaria: não dá para ninguém morar em 10 m² com um mínimo de dignidade.

As unidades de moradia mínima já existiam no pós-guerra. Com o objetivo de atender a uma camada da população de baixo poder aquisitivo, o movimento modernista previa que a noção de mínimo não se resumia à restrição da área útil e sim à versatilidade de uso do espaço doméstico com áreas claramente definidas que viabilizavam as dinâmicas familiares. Os projetos da época apresentavam uma planta livre integrando ambientes sociais que, pela distribuição de móveis, criaram espaços de usos diversos; banheiros, cozinhas e dormitórios, independentemente do número de moradores, eram compactados e individualizados em cômodos separados.

Ainda, de acordo com Sbarra (2017) “… Embora o Código de Obras estabeleça as dimensões mínimas para quartos, salas, banheiros e cozinhas em NENHUM lugar em NENHUMA lei ou Norma há a definição do que seja um apartamento”. Pois é. Aprova-se a unidade como banheiro + sala. Cozinha transforma-se em área de preparo de alimentos. Um cooktop elétrico de duas bocas resolve o problema. Lavar roupas? Só se for do lado de fora da unidade. Na moda mesmo, é agendar e, em alguns casos, pagar para utilizar uma máquina lava e seca da lavanderia coletiva do condomínio. Soube por um conhecido que o filho dele havia adquirido essa unidade. Por considerar desnecessário lavar as meias e a camiseta numa ciclo completo lava e seca decidiu fazer isso no chuveiro enquanto tomava banho. Para secar? Comprou um mini varal e pendurou na varandinha gourmet. Resultado: levou uma multa do condomínio por utilizar de forma incorreta as áreas de uso comum. Sim, a varanda é dele, mas… Tem regras de comportamento: de acordo com o síndico profissional: “É para evitar que o prédio se transforme numa Veneza brasileira com varais e roupas penduradas na fachada do edifício”…

Se já é ruim para quem anda com as duas pernas, fica ainda pior para quem tem dificuldade de locomoção e necessita de cadeira de rodas, tem órtese, prótese, bengalas ou andadores. O problema maior para esses casos é que a unidade habitacional necessita de obras de construção civil para que possa ser utilizada por esses usuários. A adaptação de um apartamento já construído eleva o seu valor dependendo, por exemplo, do número de portas que serão substituídas, pois não tem um vão livre de pelo menos 0.80 m como banheiros, lavabos, lavanderias e outros. As alturas de bancadas, interruptores, tomadas armários entre outros itens precisarão de alterações, elevando o custo final da unidade para o morador. Todas essas alterações precisam de arquitetos, engenheiros, pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores, marceneiros, azulejistas… Se as alterações forem pensadas ainda na planta, os custos são insignificantes no total do investimento para a construção, pois nesse caso, as adaptações ocorrem ainda na fase do projeto.

Para quem tem curiosidade em ver uma planta de uma unidade do tipo studio feita pelo Marcelo Sbarra para uma pessoa com dificuldade permanente de caminhar ou subir degraus, veja a ilustração abaixo.

A dimensão mínima necessária para que a locomoção em cadeira de rodas possa ocorrer é de no mínimo 24m². É possível desenvolver outros layouts para distribuição de mobiliário viabilizando a inclusão de estações de trabalho, ponto de água e esgoto para uma máquina de roupas do tipo lava e seca pequena além de um lavatório com tampo e cuba de sobrepor no banheiro.

Estou preferindo morar num trailer e até numa kombi. Espécie de casa móvel, podem me levar para onde eu quero ir… Longe, para bem longe desses studios…

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

 

Outras notícias sobre Arquitetura

Velha é a vovozinha

Meu primeiro apê: meus sonhos cabem nele?

Arquitetura inclusiva garante segurança e conforto

Anúncios

Parque Augusta: por uma cidade mais verde

Parque Augusta: por uma cidade mais verde

Publicado em 09/10/2013 | 1 Comentário | Editar

Este projeto foi realizado por alunos do escritório modelo do Curso deArquitetura e Urbanismo do FIAMFAAM Centro Universitário com o objetivo de atender as necessidades de recreação e lazer em áreas centrais (Bela Vista, subprefeitura Sé) e também atender ao previsto no texto do Plano Diretor do Município de São Paulo, ou seja, gerar qualidade de vida ao cidadão.

Parque Augusta: ilustração André Spadari FIAMFAAM escritório modelo de arquitetura

Todos nós, moradores de São Paulo sentimos a carência de aespaços livres públicos na cidade para o exercício de nossas atividades cotidianas tais como tomar sol, andar à toa, sentar-se à sombra de uma árvore e conversar com amigos, ouvir os pássaros que habitam os quase  24.ooo m² de área verde do local, ler um jornal, passear com nossos animas de estimação, tomar um sorvete ou simplesmente flanar como diriam os moradores mais antigos…

Nossos alunos acreditam que mais do que shoppings, áreas comerciais, torres de escritórios, flats (que já estão sendo construídas logo em frente no antigo Cadoro) o cidadão precisa respirar… não ser obrigado a ler letreiros, avisos e placas comerciais, olhar preços em vitrines … enfim, não ser compelido a comprar, comprar, comprar… para as situações descritas, os locais de compra e venda existem às centenas. Basta escolher qualquer um deles.

Parque Augusta: ilustração André Spadari projeto para Parque Augusta FIAMFAAM escritório modelo

Fica aqui, senhor prefeito e ilustríssimos vereadores, o recado e a esperança de um conjunto de jovens que desejam do Poder Público uma cidade desenhada, pensada para seus habitantes e que gere qualidade de vida aos seus cidadãos e não apenas àqueles que empreendem novos negócios…

#FICADICA para o IABCAUBRABAP  e ANP

E por que não realizar um CONCURSO NACIONAL DE PROJETOS Estudantis para o Parque Augusta?

Cliente principal: cidadãos da cidade de São Paulo
Solicitante: Drª Celia Marcondes (Aliados do Parque Augusta)
Tutor: Helena Degreas

Projeto:  André Spadari,  Brigida Valentini, Juliana Gasparotto.

Projeto Parque Augusta FIAMFAAM Conceito escritório modelo

Projeto Parque Augusta planta de vegetação FIAMFAAM

Projeto Parque Augusta FIAMFAAM pisos

Projeto Parque Augusta FIAMFAAM maquete

Revista Casa Projeto & Estilo: dormitório acessível para um adolescente

FIAM-FAAM Centro Universitário

Escritório Modelo: Acessibilidade Universal
Cursos: Design de Interiores, Arquitetura e Urbanismo
Tema: adaptação de um apartamento para um adolescente

Alunos:
Ana Verônica Cruz
Giovanna Galvão
Maiara Bicalho
Leonardo Mamede
Luana Souza Pereira
Luciana Ishu
Sabrina Archanjo Brasil
Simone Dias
Foto: Cibele Rossi de Almeida
Orientação: Profª Helena Degreas

Foto dos alunos

2 3

Introdução
Quem não se lembra de como era bom sair correndo pelos corredores da casa e pular sobre a cama dos pais ou sobre os sofás da sala quando criança? Trazer amigos para dormir em casa, passar a noite inteira acordado assistindo TV, jogando games, conversando e fingindo que está dormindo quando os pais entram no quarto? Estas travessuras e outras tantas são rotina na vida de João (9 anos) e Pedro (12 anos), filhos de um casal jovem que como todos nós, tem uma agenda preenchida por trabalho, estudos, vida social intensa e diversos afazeres vinculados ao lar.

planta do dormitório

É neste ambiente que se desenvolve a proposta de redefinição dos layouts. Com a chegada da adolescência, novas demandas surgiram: os meninos que antes dormiam juntos terão doravante seus quartos individuais que devem oferecer um programa de atividades semelhantes, mas atendendo algumas especificidades: Pedro tem habilidades funcionais motoras reduzidas que, de tempos em tempos, variam entre o uso de cadeiras de rodas e andadores; recentemente, vem sendo estimulado a andar de forma autônoma sem o uso de tecnologias assistivas situação essa que lhe dará a liberdade de escolher para onde quer ir – andando ou correndo a seu modo. Embora ele apresente dificuldades para aprendizagem de conteúdos educacionais, sua habilidade visual é adequada, mas, como qualquer pré-adolescente, sua habilidade funcional auditiva é, na opinião dos pais, bastante “seletiva”.

Quarto do Pedro

quarto do Pedro

Partido

Todos os ambientes foram desenvolvidos para atender às linguagens estéticas e às necessidades sociais da família (recepção de amigos e parentes), bem como às orientações da TO – terapeuta ocupacional e do fisioterapeuta frente aos condicionantes espaciais necessários ao pleno desenvolvimento das habilidades de locomoção e compreensão do Pedro na sua nova fase de vida. A casa deve prover e colaborar no pleno desenvolvimento de autonomia na execução das atividades cotidianas domésticas que vão desde aos cuidados com sua higiene pessoal, alimentação bem como a execução de tarefas que são de sua responsabilidade como guarda de roupas e objetos pessoais, realização de tarefas da escola com acompanhamento eventual da TO, recepção de amigos nos finais de semana e algumas atividades de fisioterapia.

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

O layout foi desenvolvido para todos os ambientes da casa e alguns elementos foram incorporados visando à locomoção segura. A partir dos estudos de circulação (em pé, com auxílio de andadores ou em cadeira de rodas) e, atendendo às formas de uso dos ambientes pelos meninos, todos os vãos de portas e circulações apresentam 0.90m livres. Algumas paredes receberam a fixação de barras de apoio (corredores, salas de estar, jantar, TV, cozinha, banheiro) para que Pedro possa andar apoiando-se por toda a casa. Assentos da cozinha, salas de jantar, estar e home office  (sofás, poltronas e cadeiras diversas) e banheiro são fixos e tem alturas que se adequam à transferências por cadeira de rodas.

No quarto de Pedro foram previstas as mesmas atividades de Marcelo com alguns diferenciais no mobiliário: a bancada de estudo é longa para comportar dois lugares (para ele e para a TO). Nela foi inserida uma prancheta com altura regulável revestida nas quatro laterais com material emborrachado e altura de 0,01m (evita a queda de cadernos e lápis quando inclinada); os gavetões com rodinhas ficam embaixo de uma das laterais da bancada e neles são colocados objetos e brinquedos. A frente é de acrílico transparente para que os objetos sejam facilmente identificáveis pelo menino. A cama é motorizada e biarticulada e sobre ela, no teto levemente rebaixado, foram embutidos dois spots que podem ser acionados para fins de leitura. Como Pedro adora desenhar, ao lado do armário e na parede foi colocada uma grande lousa branca com apoio para que ele fique em pé. Grande paixão do Rodrigo, a bicicleta adaptada juntamente com a cadeira de rodas que aos poucos ele vai largando, ficam pendurados na parede do quarto.

Banheiro adaptado dos meninos: Pedro e João

Banheiro adaptado dos meninos: Pedro e Marcelo

Lavabo adaptado

Lavabo adaptado

adaptação do banheiro dos meninos

adaptação do banheiro dos meninos

O banheiro recebeu mais uma porta que se abre (com folha de correr) para o quarto facilitando o acesso durante a noite. A pia do banheiro e do lavabo tem alturas reguláveis associadas a um sifão flexível. Ao lado da banheira há um assento e apoios laterais retráteis que tem por objetivo facilitar a troca de roupas, como exemplo. As pias do lavabo (que foi colocada no hall de circulação da cozinha) e do banheiro tem barra de apoio na frente facilitando as atividades de higiene. Os pisos todos foram selecionados com materiais antiderrapantes e de fácil manutenção. Tapetes foram embutidos e fixados no chão evitando escorregamentos.

quarto do casal

Revista Casa: Projeto & Estilo – Hotéis acessíveis

Antes de iniciar a apresentação, quero agradecer Revista Casa: Projeto & Estilo a oportunidade dada aos jovens das várias instituições de ensino superior deste imenso Brasil. Mostrar suas ideias, apresentar propostas, apontar soluções que dão mais qualidade de vida aos usuários por meio do uso dos princípios do Desenho Universal e do uso de tecnologias assistivas (muitas vezes inovadoras, criadas pelos próprios alunos para atender deficiências funcionais específicas) é muito importante para a conscientização de todos e para a mudança de cultura. Parabéns aos editores!





Centro Universitário FIAMFAAM

Curso: Design de Interiores

Disciplina: Acessibilidade Universal

Aluno: Caroline Almeida, Cássia Sybille , Margarete Brito, Nadia Valencia, Willian Guimarães

Orientador: Profª Drª Helena Degreas

Introdução

Em 2014, doze cidades das cinco regiões brasileiras receberão a Copa do Mundo. Bilhões de reais serão investidos na remodelação, ampliação e construção de infraestrutura das capitais para atender aos milhares de turistas que virão ao evento. Trata-se de garantir o acesso a todas as oportunidades de lazer, cultura e entretenimento do país. Os resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2010 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística expressam o crescimento do número de pessoas que declarou algum tipo de incapacidade ou deficiência permanente visual, auditiva, motora e intelectual de acordo com o grau de severidade. De 14,5% em 2000, os novos questionários apontaram para a existência de uma população de 35.792.488 ou ainda, 23,9%  dos cerca de 190 milhões de brasileiros. Ao seguir as recomendações da OMS – Organização Mundial da Saúde na coleta de dados, o Brasil incorpora ao universo de deficientes aqueles que apresentam alguma dificuldade de enxergar, ouvir, andar e compreender diagnosticando graus diferenciados de deficiência funcional.

Hospitalidade e deficiências funcionais

A infraestrutura voltada à hospitalidade deve garantir não apenas condições de acesso e mobilidade bem como oferecer condições equitativas funcionais, estéticas e de usabilidade das acomodações hoteleiras. A partir de uma pesquisa qualitativa, foram avaliadas as opções de alojamento para pessoas com deficiência em diferentes hotéis procurando-se identificar a existência dos requisitos necessários para a adequação às condições específicas para o uso dos espaços propostos além dos recursos e serviços existentes para as deficiências auditiva, visual e motora.

Uma primeira observação aponta para a existência de apartamentos standart, ou ainda, padrão, não havendo nenhuma menção quanto à oferta de unidades adaptadas maiores ou com serviços diferenciados para os diversos perfis sócioeconômicos e culturais deste segmento.

As adaptações atendem parcialmente às condições de mobilidade de pessoas com deficiência funcional motora. A distribuição do mobiliário nas unidades e das peças sanitárias nos banheiros desconsidera as necessidades de manobra, estacionamento e transferência. Armários, tomadas, bancadas, arandelas, locação de secadores de cabelo, altura de roupões e toalhas são apenas alguns dos itens que encontravam-se em alturas incompatíveis com as condições de acesso manual frontal ou lateral da pessoa em cadeira de rodas e de idosos.

Quanto ao acesso às informações e comunicação em folders referentes aos serviços de hospedagem tais como cardápios, uso da lavanderia, concierge, informações de segurança (planta tátil da rota de fuga) entre outros, encontravam-se apenas em mídia impressa restringindo o acesso apenas aos videntes. Telefones e interfones, além de campainhas e alarmes adaptados aos deficientes auditivos inexistiam nas unidades avaliadas. Estas são apenas algumas das situações identificadas nas avaliações e que foram estudadas quando do desenvolvimento dos projetos. Para este trabalho, os alunos selecionaram dois tipos de unidades: a standart e outra maior e com mais serviços identificada como “luxo” com espaços que se adéquam a um cliente diferenciado. Para os dois projetos de design, os alunos adaptaram os espaços internos existentes para pessoas com deficiência funcional motora, auditiva e visual priorizando o uso de mobiliários e equipamentos existentes no mercado brasileiro.

Conceito

O desafio do projeto foi construir dois dormitórios (um standart e outro luxo) cuja ambientação clássica, sóbria e com uso
de materiais nobres atenda às necessidades de clientes com deficiências visual, auditiva e motora com o conforto, aconchego e elegância esperados de um hotel. Os dois dormitórios foram revestidos com papel de parede em estampa floral, Roda Meio em MDF com acabamento na cor branca, carpete com estampa miúda e moldura nas paredes em estilo clássico. Piso, paredes e bancadas dos dois banheiros foram revestidos em mármore Niwala Yellow.


Apartamentos: standart e luxo

Com cerca de 34m² o dormitório standart (banheiro:1.60 m x 3.40 m – dormitório: 6.00 m x 3.80 m e closet: 2.60 m x 1.65 m) passou por uma reformulação de seus espaços. Para atender clientes com deficiência funcional motora, o projeto definiu os ambientes (local para dormir, comer ou trabalhar, vestir-se, ler, assistir TV, descansar, área de closet e banheiro), sua localização e distribuição nas dependências do dormitório para posteriormente identificar as manobras da cadeira de rodas, muletas e andador (os acessos, as circulações com ou sem deslocamento, as transferências e o estacionamento). A partir daí, foram dimensionadas as portas e os corredores de circulação. Para o tipo standart, as duas camas de solteiro utilizadas tem alturas compatíveis para transferência e seu estrado é motorizado permitindo movimento anatômico, articulado e duplo (cabeceira e pés). A área de leitura (que também serve como área para troca de roupas) posiciona-se ao lado de uma das camas e é composta por uma poltrona chaise longue motorizada com movimento também articulado e duplo. O uso do suporte articulado para a TV com movimentos laterais (cerca de 45°) e inclinação de até 15° permite que o cliente assista seus programas favoritos confortavelmente a partir de vários ambientes. Para o apartamento do tipo Luxo (cerca de 36 m², banheiro – 1.80 m x 3.40 m; dormitório – 6.00 m x 4.20 m; closet – 2.60 m x 1.85 m), as duas camas de solteiro foram juntadas e o criado mudo transferido para uma das laterais. A chaise longue foi substituída por um Puff que também atende à troca de roupa. Para a leitura, o usuário poderá utilizar as poltronas (sem braço) da pequena sala de estar.

Para o local de trabalho e alimentação, foi construído um móvel com altura e dimensões para o alcance manual de atividades por tempo prolongado além da aproximação frontal de um cliente em cadeira de rodas. Para maior conforto de todos os clientes, todas as tomadas foram alocadas em frente à bancada ou com altura mínima de 0.90 m. Em uma das laterais, foi previsto um tampo extensível que permite melhor distribuição tanto dos objetos e equipamentos do cliente quanto do conjunto de folders e demais amenidades disponibilizadas pelo hotel.

O closet foi totalmente adaptado. Gaveiteiros, sapateiros e local para a guarda de malas foram colocados prevendo a aproximação lateral de uma cadeira de rodas. Apesar da instalação em pontos mais altos, os cabideiros são basculantes e o varão tem altura compatível para o alcance manual lateral. Tanto o frigobar quanto o cofre encontram-se na área de alcance manual ou ainda entre 0.45 e 1.40 m a partir do chão. A profundidade do armário atende o alcance manual lateral sem esforço.

As adaptações realizadas para os deficientes visuais (cegos e baixa visão) priorizaram a comunicação das informações e também a iluminação do ambiente. Luminárias, lustres e arandelas tem foco de luz direcionado para a realização das tarefas previstas em cada ambiente do quarto. Destacam-se a iluminação do rodapé em fita de led e também com spots que permitem a circulação à noite com segurnaça sem acender luzes. Folders, avisos, comunicados, cardápios, sacos plásticos de lavanderia ou ainda o conjunto de amenidades que se encontram sobre a mesa de trabalho ou bancada de banheiro deverão ser identificadas em Braille e nos idiomas praticados pelo serviço de hospedagem do hotel. O mesmo ocorre com o atendimento dos requisitos de segurança tais como mapas táteis indicando as rotas de fuga em situações de incêncio e demais informativos que foram fixados atrás da porta do apartamento em altura compatível para a leitura de uma pessoa em cadeira de rodas.

Para os deficientes auditivos, as adaptações necessárias referem-se à substituição das informações sonoras por sinais luminosos e vibratórios. Nas camas, o criado mudo apoia um telefone adaptado (sinal de luz para toque, modo vibratório associado, tela para digitação e leitura das informações) e um relógio-despertador com sinal vibratório. Foram colocadas no teto (do quarto, área de closet e banheiro) campainhas com sinal de luz.

O banheiro

Com o objetivo de atender pessoas com diferentes estaturas e mobilidades, a cuba, os apoios para os braços tanto na cadeira de banho quanto no vaso sanitário foram conectados a um sistema de barras de parede que se ajustam horizontal e verticalmente de acordo com as especificidades de cada cliente. O sifão utilizado é articulado e flexível garantindo segurança. Os misturadores encontram-se em frente à bancada de mármore, garantindo maior conforto no uso. A temperatura da água está identificada em Braille. O espelho que cobre toda a parede está inclinado a 10° facilitando a visualização de quem se encontra sentado. O vaso é suspenso com altura igualada à cadeira de rodas. O mesmo ocorre com a cadeira de banho que se encontra no box. Para os dois casos, os braços laterais são articulados e também ajustáveis e servem de apoio para os movimentos de transferência do usuário. Os trilhos das portas de vidro blindadas foram embutidos no piso facilitando o ingresso, se necessário, de cadeira de rodas. Uma ducha higiênica foi instalada ao lado do vaso sanitário em substituição ao bidê ampliando e facilitando a circulação e as manobras da cadeira de rodas. O banheiro recebeu interfone com tela para leitura e digitação de textos e sinal vibratório para campainha. Para a suíte Luxo, a cadeira de banho foi substituída por uma banheira que é motorizada e apresenta uma porta lateral deslizante que permite a transferência lateral para o assento embutido. Os dois banheiros tem na área do box, tanto um chuveiro de parede como também uma ducha para banho. Tomadas e barras de apoio encontram-se em alturas compatíveis para uma pessoa sentada, ou ainda, acima da bancada da cuba. O mesmo ocorre com a disposição de  toalhas, roupões, secadores de cabelo, porta shampoo, saboneteiras e demais amenidades oferecidas pelo hotel.

Cão-guia

Para os dois apartamentos, foi criado um ambiente para a permanência e descanso de cão-guia. Trata-se de um futon forrado com tecido lavável e impermeabilizado. Ao lado da cama do animal, o hotel oferece como parte do pacote de amenidades, louça adequada para alimentação do leal companheiro.


ilustração 1 e 2: apto standart

Ilustrações do apartamento luxo

Ficha Técnica com especificações de produtos e empresas

Solicitação de retirada do PL-2043/2011

CARTA_CBA_DE_REJEICAO_DO_PL2043[2][1]

MANIFESTO 2012 CONTRA O PL-2043

Argumentação pela rejeição do PL-2043/2011

O PL-2043/2011 pretende regulamentar o “exercício da profissão de técnico de nível superior em paisagismo e dá outras providências” desconsiderando a lei No 12.378 de 21 de Dezembro de 2010 que atribui aos arquitetos urbanistas a atribuição da Arquitetura Paisagística, conforme descrito no artigo 2° da lei . 12.378, aprovada e sancionada em 2010.

O  CBA – Colégio Brasileiro de Arquitetos, entidade de representação nacional dos arquitetos urbanistas, constituído pela ABAP, ABEA, AsBEA , FNA e IAB vem por meio desta apresentar os argumentos pela rejeição do  PL-2043/2011 baseando-se na legislação vigente:

1 – O CBA lutou pela aprovação da lei No 12.378 de 21 de Dezembro de 2010, que “Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo; cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU/BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal – CAUs; e dá outras providências.” No seu Artigo 2o a lei estabelece as atividades e atribuições do Arquiteto Urbanista e no inciso III do Art 2o especifica como uma das atividades e atribuições: “Arquitetura Paisagística, concepção e execução de projetos para espaços externos, livres e abertos, privados ou públicos, como parques e praças, considerados isoladamente ou em sistemas, dentro de várias escalas, inclusive a territorial”. Portanto é juridicamente inapropriado o PL-2043/2011 que trata da questão como se já não houvesse uma profissão de nível superior regulamentada pela legislação federal brasileira para a Arquitetura Paisagística.

2. Cabe ressaltar que esta atribuição está prevista desde 1933, quando foi criado o primeiro conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia no Brasil. pelo Decreto federal n. 23.569 de 11 de dezembro de 1933. Esse decreto, em seu capítulo IV. das especializações profissionais, diz:

“ … art.30 – consideram-se da atribuição do arquiteto ou engenheiro-arquiteto :

a. o estudo, projeto,direção,fiscalização e construção de edifícios , com todas as suas obras complementares ;

b. o estudo , projeto, direção, fiscalização e construção das obras que tenham caráter essencialmente artístico ou monumental;

c. o projeto, direção e fiscalização dos serviços de urbanismo;

d. o projeto, direção e fiscalização das obras de arquitetura paisagística

e. o projeto, direção e fiscalização das obras de grande decoração arquitetônica

f. arquitetura legal, nos assuntos mencionados nas alíneas a a c deste artigo.

g. perícias e arbitramentos relativos à matéria de que tratam as alíneas anteriores”…

3– O encaminhamento do PL 2.043/2011  no presente momento histórico, quando o CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo – inicia a sua formação, com eleições ocorridas em 26 de outubro é, portanto, inoportuno. As representações nacionais dos Arquitetos Urbanistas encontram-se envolvidas na organização de seu novo conselho e atentamos para diversos projetos congêneres ao PL 2.043/2011, que surgem no sentido de retalhar as atribuições profissionais de Arquitetos Urbanistas.

4 – Entendemos que a construção de uma paisagem requer de fato a interdisciplinaridade, entretanto os aspectos de concepção espacial e desenvolvimento de projetos, requerem, por sua vez, uma formação específica já há muito tempo regulamentada pela legislação nacional para os arquitetos urbanistas.

Em nome de toda a construção social desenvolvida em torno do tema, o Colégio Brasileiro de Arquitetos vem por meio desta apresentar os argumentos que rejeitam o PL 2.043/2011 e solicitar o vosso apoio nos tramites necessários.

Atenciosamente,

São Paulo, 11 de novembro de 2011.

                                                                                JONATHAS MAGALHÃES – Presidente da ABAP

 JOSÉ ANTÔNIO LANCHOTI – Presidente da ABEA

               RONALDO REZENDE – Presidente da AsBEA

               JEFERSON SALAZAR – Presidente da FNA

             GILSON PARANHOS – Presidente do IAB

Praça Michie Akama (Vila Mariana, SP)

Aluna: Jaqueline Lemos Prina
Tutor: Drª Helena Degreas
Cliente: Sub-prefeitura de Vila Mariana
Diagnostico – Praca Michie Akama
prancha 1
prancha 2
prancha 3