Bem-vindos à sala de aula urbana!

Com o objetivo de formar cidadãos e futuros profissionais autônomos e participativos nos processos de produção de nossas cidades, laboratórios experimentais e escritórios-modelo vem acolhendo práticas pedagógicas experimentais que tornam o aprendizado mais significativo para os alunos ao propor a valorização da prática e da experimentação. É nesse contexto que surge o projeto acadêmico “Arte à Vista: um presente dos alunos do Instituto de Cegos Padre Chico e do FIAM-FAAM para a cidade!”.

Utilizando como ponto de partida do processo ensino-aprendizagem o ABP – Aprendizagem Baseada em Projetos, professores e alunos de diversos cursos foram convidados a participar da proposta de trabalho que consistia em colaborar na criação de um ambiente urbano em homenagem à Sra. Dorina Nowill. O bairro em que se realizou o trabalho é a Vila Mariana, cidade de São Paulo, local onde encontram-se diversos serviços de saúde, clínicas, hospitais e ONGs especializadas no atendimento de pessoas com deficiências funcionais distintas. Dentre elas, encontra-se a Fundação Dorina Nowill, referência mundial no atendimento e orientação de pessoas cegas e com baixa visão.

Por se tratar de prática pedagógica complexa que envolve ações na cidade, os professores vincularam às técnicas do ABP, processos de planejamento, projeto e construção de espaços públicos de forma coletiva e colaborativa inspirado nos conceitos Placemaking e Urbanismo tático. Os objetivos pedagógicos da ação pretendem estimular o trabalho em equipes multiprofissionais (e com ela a vontade de explorar novos territórios de conhecimento), a colaboração, a criatividade, a busca por soluções inovadoras e o “fazer” como experiência transformadora.

Desafio proposto: criar um “lugar” urbano a partir das necessidades dos usuários da região (moradores, alunos e visitantes) e, ao mesmo tempo, homenagear Dorina Nowill colaborando na indicação de seu nome para uma praça ainda sem designação em frente à escola.

As ações propostas para resolver o desafio:
– Redigir a proposta de trabalho, definir os objetivos, as ações, os envolvidos, as etapas de trabalho, os meios e o cronograma.

Foram selecionadas algumas das principais etapas percorridas entre os meses de setembro e outubro de 2016 por todos os envolvidos no projeto e que ilustram parte da trajetória que gerou o resultado apresentado.

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  1. As etapas:

    Elaboração da arte tátil: Alunos do curso fundamental do Instituto Padre Chico – Colégio Vicentino Padre Chico utilizaram as aulas de Educação Artística para criar desenhos tridimensionais inspirados pelas Paralimpíadas que ocorreram no Rio de Janeiro em 2016. Com tampinhas de garrafa e palitos de sorvete, as crianças e adolescentes que todos os anos produziram mais de uma centena de desenhos em alto relevo com o tema proposto sabendo que o material faria parte de um painel gráfico.

    Preparo das cerâmicas: No ritmo de uma maratona, dezenas de alunos universitários prepararam a argila – amassaram e formataram em moldes de 15cm x 15cm para receber e estampar a arte das crianças do IPC, agora, em baixo relevo.

    A queima: cerca de duas centenas de placas cerâmicas foram enviadas para queima nas oficinas da universidade. Embaladas uma a uma, todas foram reencaminhadas para o local onde seriam fixadas pelos alunos.

    A fixação no muro: tanto o período de chuvas quanto o conhecimento das técnicas de colocação de azulejos, não foram previstos no projeto. Para resolver os problemas, os alunos improvisaram uma oficina de azulejaria com colaboradores externos à instituição. Um azulejista foi contatado para colaborar na orientação da fixação e problema foi resolvido com a colocação das plaquinhas no muro. Quanto às chuvas… os alunos aguardaram os períodos de estiagem para dar andamento aos trabalhos.
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    Arte Gráfica: a criação do projeto do mural pelos professores e alunos do curso de Design Gráfico que cobriu as empenas cegas dos muros do campus foi elaborada incorporando as plaquinhas com a arte das crianças do IPC.

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    Espaço de Estar Urbano – inspirando-se nos princípios de ação do DIY & tactical urbanism, foi organizada a “Sala na Cidade” – proposta que pretende disseminar a criação de lounges urbanos espalhados pela cidade, ou ainda, lugares de estar públicos construídos em sobras de sistemas viários. Para resolver o problema da aglomeração na entrada e saída da faculdade, foi desenvolvido o layout de um ambiente leve e descontraído para acolher não só os moradores da região bem como os alunos redirecionando-os para uma sala de estar localizada numa área ao lado e que apresentava as dimensões adequadas para acolher a todos com mais conforto e segurança. Por se tratar de intervenção DIY, o processo durou cerca de 4 horas para a instalação. A sala recebeu mesas, bancos em concreto, vasos e tapetes pintados no chão. Tintas, cerâmicas, concreto e alegria contagiante impactaram positivamente o lugar antes inexpressivo. Durante o processo de construção do local, a vizinhança observava curiosamente, as ações. Plantando flores nos vasos espalhados nas calçadas ou sentando-se nos bancos recém instalados, moradores dos prédios vizinhos começaram a utilizar a sala de estar e a observar a arte dos muros como algo aconchegante e familiar.

     

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A utilização de recursos advindos do ABP e a possibilidade de ação direta na realizada vivida pelos alunos por meio do urbanismo tático fornecem um contexto real para o aprendizado, pois as situações apresentadas geram uma “necessidade real de saber”, ou ainda, tem a “relevância necessária”, motivando-os a gerar as soluções com o objetivo de atender a demanda ou ainda resolver a situação-problema apresentada. Como os projetos são “abertos”, os alunos devem fazer escolhas, encontrar soluções, explicá-las de forma personalizada. Associado ao ABP e às orientações da ONG Cidade Ativa, o escritório-modelo adotou algumas das características do:
Placemaking: para o desenvolvimento do projeto de intervenção do local, foram aplicados vários instrumentos de pesquisa com o objetivo de compreender o perfil do futuro usuário e seus desejos. Foram aplicadas entrevistas abertas, questionários, painéis interativos, medições físicas e medições comportamentais (contagens que avaliam as atividades do local ao logo do dia -manhã, tarde e noite por meio do mapeamento de fluxos e permanências) além da análise dos sete critérios desenvolvidos pela equipe do arquiteto Jan Gehl (GEHL, 2013) e Active Design Guidelines (NYC, 2013), a saber: segurança, proteção, acessibilidade, diversidade/versatilidade, atratividade, conectividade, resiliência e sustentabilidade.

Urbanismo tático:
Para a construção real dos projetos, é necessária a realização de planejamento de ações a curto e médio prazo com estratégias de transformação de ambientes urbanos rápidas e de baixo custo, materializando ideias para estimular o exercício de uma cidadania ativa que geram impacto positivo na qualidade de vida das pessoas. Por se tratar de um escritório-modelo que avalia o processo de criação e solução de problemas de alunos, é possível desenvolver ações transformadoras com diversos atores sociais para além do campus universitário, intervindo por meio de ações concretas, na solução dos desafios cotidianos de nossas grandes cidades.

Todas as atividades descritas envolvem habilidades elevadas de raciocínio que requerem o domínio de tecnologia e desenvolvimento de pensamento crítico. A abordagem de temas complexos para a resolução de problemas em comunidades locais, demanda pensamentos inovadores e, para tanto, os cursos superiores deverão trabalhar a formação de profissionais que trabalhem de forma colaborativa, administrem diversas fontes de informação, disciplinas, recursos disponíveis, como tempo e materiais, competências e estratégias nos campos de atuação pessoal, emocional, profissional, social e técnica.
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Fotos: acervo FIAM-FAAM Centro Universitário, outubro de 2016.

*Este trabalho foi realizado por vários voluntários e parte de seu texto está no blog do escritório modelo. Se quiser conhecer a ação realizada para o Global Days of Service,
acesse aqui.

Texto: Helena Napoleon Degreas, Adriana Valli Mendonça, Lilian Regina Machado de Oliveira e Cidomar Biancardi Filho

 

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Mapas táteis: levantamentos e organização de formulário

Publicado em 05/12/2012por

CENTRO UNIVERSITÁRIO FIAM FAAM
Curso de Arquitetura e Urbanismo: Escritório Modelo
Alunas: Carolina Aparecida de Sousa e Kesley Tonon da Silva
Tutor: Profª Drª Paula Katakura

  1. INTRODUÇÃO

O presente relatório tem por objetivo o levantamento de informações para elaboração da norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para a confecção e projeto de mapas táteis para pessoas portadoras de deficiência visual.

Foi realizado o levantamento dos mapas já instalados na cidade de São Paulo e na cidade de Barcelona, a fim de se verificar suas principais características.

Foi realizado formulário para aplicação às empresas que fabricam, fornecem e/ou projetam mapas táteis, a fim de levantar as principais características dos mapas táteis elaborados pela mesma.

Ao término desta pesquisa, o objetivo é possuir informações suficientes para a elaboração da norma técnica, no âmbito do projeto, fabricação e conservação.

2.     APRESENTAÇÃO DO FORMULÁRIO

O formulário tem por objetivo o levantamento de informações junto aos projetistas e/ou fabricantes de mapas táteis.

As perguntas são relacionadas ao processo de fabricação, materiais utilizados e principais características com relação a sua aplicação, local de instalação, dentre outros.

Apresentação do formulário: clique aqui

3.    ANÁLISE DOS MAPAS LEVANTADOS

Foram realizados levantamentos durantes os meses de setembro e outubro de 2012. Os mapas selecionados estão instalados na cidade de São Paulo, no Brasil e na cidade de Barcelona, na Espanha.

Nas páginas a seguir estão apresentadas as principais informações referentes aos mapas analisados, bem como relatório fotográfico com seu atual estado de conservação e instalação.

3.1. Biblioteca de São Paulo, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:       30/09/2012
Localização                1º. Pavimento, Biblioteca Adultos
Acesso                         Difícil acesso, não há orientação e sinalização ao deficiente  de como  o mesmo poderá chegar ao mapa.
Conservação             Regular – faltam algumas letras e pontos do braile.
Material                      Suporte: Vidro; Base: PVC; Letras: Laminado melamínico e Metal (letras em Braille) Posição                       Horizontal
Fabricante                  Informação não disponível

Comentário geral       A biblioteca possui apenas o mapa de um dos seus pavimentos (1º. Andar). O mapa esta localizado próximo ao acesso principal do 1º andar, porém não há qualquer orientação sobre sua localização. Baixo contraste de cores, o que prejudica o seu uso por pessoas com baixa visão. Mapa documentado nas figuras 01, 02, 03 e 04.

Figura 01: Vista geral do mapa. Detalhe para a escada de acesso ao 1º. Pavimento à esquerda e ausência de demarcação e/ou sinalização para deficientes visuais.

Figura 01: Vista geral do mapa. Detalhe para a escada de acesso ao 1º. Pavimento à esquerda e ausência de demarcação e/ou sinalização para deficientes visuais.

Figura 02: Detalhe das letras do mapa. Ausência de algumas letras e pinos em braile.

Figura 02: Detalhe das letras do mapa. Ausência de algumas letras e pinos em braile.

Figura 03: Vista lateral do mapa. Detalhe do suporte de vidro e ausência de letras em caixa alta. Baixo contraste de cores entre a base e detalhes em relevo que representam o pavimento e seus setores.

Figura 03: Vista lateral do mapa. Detalhe do suporte de vidro e ausência de letras em caixa alta. Baixo contraste de cores entre a base e detalhes em relevo que representam o pavimento e seus setores.

Figura 04: Detalhe do pavimento. Baixo contraste dificulta o uso por pessoas de baixa visão. As áreas com placas em laminado inteiriças são vazios ou áreas sem acesso ao público.

Figura 04: Detalhe do pavimento. Baixo contraste dificulta o uso por pessoas de baixa visão. As áreas com placas em laminado inteiriças são vazios ou áreas sem acesso ao público.

3.2. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:          30/09/2012
Localização                   1º. Pavimento, Galeria tátil de esculturas.
Acesso                             Fácil acesso com sinalização tátil no piso do elevador até o mapa tátil (figura 05), porém o deficiente visual precisa de ajuda para chegar ao elevador, pois não há orientação e sinalização até ele.
Conservação                 Bom.
Material                          Suporte: Gesso; Base: PVC; Letras: PVC em alto relevo e Metal (letras em Braille) Posição                           Inclinado
Fabricante                      Casa do Braille
Comentário geral       A Pinacoteca possui uma Galeria Tátil de Esculturas onde os deficientes visuais podem apreciar algumas obras (figuras 06), e é neste setor que está localizado o mapa tátil. O mapa apresenta contraste de cores que facilita o uso por pessoas com baixa visão (figura 07 e 08). Além do mapa a Pinacoteca deixa à disposição a maquete tátil do prédio e da sua localização (figuras 09, 10 e 11).

Figura 05: Vista da sinalização tátil entre o elevador e o mapa tátil

Figura 05: Vista da sinalização tátil entre o elevador e o mapa tátil

Figura 6Figura 06: Escultura presente na Galeria Tátil

Figura 07: Contraste de cores que facilita o uso do mapa pelas pessoas com baixa visão

Figura 07: Contraste de cores que facilita o uso do mapa pelas pessoas com baixa visão

Figura 08: Detalhe do Mapa Tátil

Figura 08: Detalhe do Mapa Tátil

Figura 9

Figura 09: Vista da maquete tátil do prédio da Pinacoteca

Figura 10

Figura 10: Vista da maquete de implantação do prédio da Pinacoteca

Figura 11

Figura 11: Detalhe da legenda tátil das maquetes

3.3. Mercado Municipal de São Paulo, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:     30/09/2012
Localização               Térreo, entrada pela Rua da Cantareira.
Acesso                         Fácil acesso, porém está localizado em uma entrada pouco utilizada.
Conservação             Bom.
Material                      Suporte: Metal; Base: Acrílico e PVC; Letras: Relevo das letras são recortes do PVC e Metal (letras em Braille)
Posição                       Vertical
Fabricante                  FMU
Comentário geral    O mapa tátil não é do prédio do Mercado Municipal e sim da sua localização (figura 12).Apresenta contraste de cores que facilita o uso por pessoas com baixa visão. Como as letras são formadas através de recortes no PVC não correm risco de descolarem, facilitando a manutenção (figura 13).

Figura 12: Vista do mapa tátil localizado no Mercado Municipal

Figura 12: Vista do mapa tátil localizado no Mercado Municipal

Figura 13: Detalhe do contraste de cores e dos recortes que formam as letras

Figura 13: Detalhe do contraste de cores e dos recortes que formam as letras


3.4. Museu de Arte Moderna, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:         30/09/2012
Localização                  Recepção
Acesso                            Através de requisição na recepção.
Conservação               Bom
Material                         Suporte: não aplicável; Base: papel; Letras: não aplicável
Posição                           não aplicável
Fabricante                      Museu de Arte Moderna
Comentário geral       O mapa é um caderno que deve ser solicitado à recepção do museu. Ele apresenta um mapa geral do museu, indicando as diversas áreas, porém não há um mapa para cada exposição.  Além disso, o museu possui um jardim de esculturas que tem caderno com mapa tátil específico (Anexo I). O mapa possui contraste de cores, porém estas cores são utilizadas para definir a setorização do museu. O relevo é efetuado com equipamento braile e indica os contornos das paredes (figuras 14 e 15).

Figura 14: Página do mapa tátil no caderno.

Figura 14: Página do mapa tátil no caderno.

Figura 15: Página da legenda do mapa tátil no caderno.

Figura 15: Página da legenda do mapa tátil no caderno.

3.5. Metro Santa Cruz, São Paulo, Brasil

Data da vistoria:       07/11/2012
Localização                Próximo ao bloqueio de entrada do Metrô.
Acesso                          Fácil acesso.
Conservação              Regular, algumas letras estão apagadas.
Material                       Suporte: Inox; Base: Acrílico e PVC; Letras: Tinta e Metal (letras em Braille).
Posição                        Horizontal
Fabricante                   Informação não disponível
Comentário geral     Como ocorre com o mapa tátil do Mercado Municipal, este apresenta a localização do Metrô na região e não os ambientes do prédio. Também apresenta um bom contraste de cores, as letras foram pintadas no mapa, e com a utilização estão sendo apagadas. Mapa documentado nas figuras 16, 17, 18 e 19.

Figura 16: Vista geral do mapa tátil do Metrô Santa Cruz

Figura 16: Vista geral do mapa tátil do Metrô Santa Cruz

Figura 17: Detalhe do mapa tátil com as ruas e quarteirões ao redor do Metrô Santa Cruz

Figura 17: Detalhe do mapa tátil com as ruas e quarteirões ao redor do Metrô Santa Cruz

Figura 18: Detalhe do contraste de cores e das letras

Figura 18: Detalhe do contraste de cores e das letras

3.8.          Caixa Forum, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:       13/10/2012
Localização                1º pavimento.
Acesso                         Fácil acesso.
Conservação               Excelente
Material                         Suporte: Metal; Base: Acrílico; Letras: Metal (letras em Braille).
Posição                           Inclinado
Fabricante                      Informação não disponível
Comentário geral       Diretório tátil, apresenta descrição do Museu em letras do dicionário Braille.  Documentado nas figuras 20 e 21.

                                             

Figura 20: Detalhe do mapa tátil da Caixa Forum

Figura 20: Detalhe do mapa tátil da Caixa Forum

Figura 21: Detalhe do suporte do mapa tátil da Caixa Forum

Figura 21: Detalhe do suporte do mapa tátil da Caixa Forum

3.9. Casa Batlló, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:          14/10/2012
Localização                    1º. pavimento
Acesso                             Difícil acesso
Conservação                 Bom.
Material                          Suporte: Madeira; Base: Acrílico; Letras: Acrílico e Metal (letras em Braille). Posição                           Horizontal
Fabricante                      Informação não disponível
Comentário geral       Não há contrastes de cores para utilização por pessoas de baixa visão, bem como texto em alto relevo, exceto braile. Além da planta do pavimento há o relevo da fachada principal. Com relação à localização, o mapa esta enclausurado em uma das salas do primeiro pavimento e não há sinalização tátil que leve o deficiente até o ambiente.  Não existem mapas de todos os andares. Mapa documentado nas figuras 22 e 23.

Figura 22: Mapa do primeiro pavimento. Indicação do percurso da exposição em alto relevo.

Figura 22: Mapa do primeiro pavimento. Indicação do percurso da exposição em alto relevo.

Figura 23: Vista do mapa tátil da fachada do prédio

Figura 23: Vista do mapa tátil da fachada do prédio

                                              

3.10. La Pedrera, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:       14/10/2012
Localização                 Pavimento térreo: Mapa 01,Ático: Mapa 02 e Maquete volumétrica
Acesso                             Fácil acesso
Conservação                 Bom.
Material                          Suporte: Metal; Base: Gesso; Letras: PVC em alto relevo e Metal (letras em Braille). Posição                           Mapas inclinados e Maquete horizontal
Fabricante                      Informação não disponível
Comentário geral       Os mapas estão localizados nos acessos principais dos pavimentos e indicam todas as entradas e saídas, bem como o programa de cada um dos pavimentos. Todos os desníveis são indicados com relevo no mapa. As cores são contrastantes em apenas no mapa 02 (figura 25). A maquete da fachada permite que o deficiente possa através do tato identificar a volumetria do edifício (figura 26). Mapa 01 documentado na figura 24.

Figura 24: Mapa 01 - Mapa tátil do pavimento térreo.

Figura 24: Mapa 01 – Mapa tátil do pavimento térreo.

Figura 25: mapa 02 - Mapa tátil do ático, detalhe para as cores contrastantes.

Figura 25:mapa 02 – Mapa tátil do ático, detalhe para as cores contrastantes.

Figura 26: Maquete volumétrica do edifício.

Figura 26: Maquete volumétrica do edifício.

3.11. Parques, Barcelona, Espanha

Data da vistoria:           15/10/2012
Localização                     Entrada dos parques:
Acesso                               Fácil acesso
Conservação                   Parc de L’ Estació Del Nord: Bom; Parc Del Centre Del Poblenou: Regular, apresenta sinais de vandalismo; Park Guell: Bom
Material                           Suporte: ConcretoBase: Metal e PVC; Letras: PVC em alto relevo e Metal (; letras em Braille). Posição                            Vertical
Fabricante                       Informação não disponível
Comentário geral        Há uma padronização dos mapas táteis para os parques da cidade de Barcelona. O mapa tátil possui contraste de cor adequado e apresenta a localização dos ambientes dentro do parque (figuras 27, 28, 29 e 30).

Figura 27: Vista do mapa tátil do Parc de L’ Estació Del Nord

Figura 27: Vista do mapa tátil do Parc de L’ Estació Del Nord

Figura 28: Vista do mapa tátil do Parc Del Centre Del Poblenou

Figura 28: Vista do mapa tátil do Parc Del Centre Del Poblenou

Figura 29: Vista do mapa tátil do Park Güell

Figura 29: Vista do mapa tátil do Park Güell

Figura 30: Detalhe do mapa tátil

Figura 30: Detalhe do mapa tátil

CONCLUSÃO

Avaliando as condições dos mapas instalados no Brasil, constatamos em muitos deles um processo artesanal de fabricação e uma grande diversidade de materiais empregados em sua confecção.

Os mapas táteis na Espanha, já apresentam uma padronização, principalmente quando são elaborados por órgãos do governo.

Com relação à conservação, o estado de conservação é adequando na maioria dos casos analisados. Com relação à resistência a intempéries, nenhum mapa levantado na cidade de São Paulo apresenta resistência.

Planta e maquete tátil do sambódromo de São Paulo

Audiodescrição do sambódromo:
Cleidnalva Ferreira de Araujo

Declaração de amor da minha filha Steph (videomaker):
http://depoisbigbang.wordpress.com/2011/03/04/quem-nao-sabe-o-que-e-carnaval/

Um pouco mais sobre o assunto em:
Diário de classe bem humorado sobre o processo de realização das maquetes

Querdissimos,

Obrigada a todos. Foi muito bom tê-los conhecido e trabalhado com vocês ao longo das últimas semanas. Começamos nossas reuniões numa noite de janeiro lá no escritório-modelo da arquitetura e terminamos fechando a maquetaria com chave de ouro.

Sabe do que mais gostei?

Antes de colocar a “mão na massa”, pesquisamos, estudamos, conversamos muito sobre o conceito do projeto, o seu porquê e, em especial, para quem estávamos trabalhando, lembram-se? nossos clientes especiais: os deficientes visuais, razão de ser de nosso projeto.

Horas de conversa muito bem investida pois fundamentou cada atitude tomada por vocês em todas as etapas: do desenho à seleção de materiais, utilização de cores e texturas além dos acabamentos. Posso afirmar que vocês cresceram profissionalmente. Não são os mesmos alunos que encontrei em janeiro. Durante as entrevistas que vocês concederam, ouvi detalhes sobre execução e sobre os motivos que os levaram a escolher cores, esse ou aquele material, sobre compreensão e leitura de formas, texturas, volumes e dimensões que, de repente, me dei conta que vocês estavam dominando o assunto muitíssimo bem. Parabéns! Sei que se projetos futuros semelhantes aparecerem, vocês “darão conta” do recado!

Quanto ao Ângelo, não tenho como lhe agradecer. Muitíssimo obrigada pelo excelente trabalho de orientação quanto à execução das maquetes. Estamos juntos desde o Guia Tátil de Ruas do Ipiranga feito lá para o Instituto de  Padre Chico. Lembra? Os meninos usam até hoje.

Filha, obrigada pela força. Seu trabalho de “videomaker” foi lindo… Usou uma linguagem jovem, sem aquela aparência de vídeo institucional, você conseguiu “capturar” pelos olhos de sua máquina, o clima de amizade, coleguismo, comprometimento, profissionalismo, alegria e empenho dos meus alunos. Só você e meus alunos para me fazerem sambar… ai, meu Deus… rsrsrs

Mais uma vez, obrigada.

Ficha Técnica do Sambódromo:

Nome real do local:
Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo

Assessoria e consultoria técnica voluntária em maquetes
Prof. Ângelo Pinheiro

Alunos (comprometidíssimos) voluntários
Andréia da Rocha, Christofer Carvalho, Alexandre Vinícius Appel, Aline Oliveira Janas, Henrique Matuchita Viana, Fabiana da Silva Queiroz, Aline Pinho Linguanoto, Talitha Chiovetto, Gabriel Presto, Cleber Hanashiro, Juliana Escribano, Cleidnalva Ferreira de Araújo, Michele Medeiros

Fechando a maquetaria com CHAVE DE OURO!!!!!

Sobre plantas e maquetes táteis: execução do sambódromo (diário de sala)

Este projeto surgiu como proposta complementar para o Carnaval 2011 que vem sendo desenvolvido com a SPTuris e FIAMFAAM Centro Universitário com o precioso apoio da Fundação Dorina Nowill para Cegos

Como atividade vinculada ao escritório-modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo, um conjunto bastante significativo de alunos, voluntariou-se para colaborar numa tarefa bastante difícil: como mostrar o sambódromo (planta em PDF) e o espaço para evolução de uma escola de samba?

O Desafio:
1. Como podemos colcaborar com um Deficiente Visual ajudando-o a compreender as características arquitetônicas e espaciais de um complexo de edificações que constituem o sambódromo de São Paulo?
2. Será que por meio de nosso trabalho conseguiremos colaborar na compreensão de como se dá o desenvolvimento da apresentação de uma escola de samba.

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Vamos construir objetos que servirão de tecnologias assistivas.

1.Vamos representar como uma planta de implantação das edificações do sambódromo? e para que serve a planta tátil? como é usada?

Planta tátil: seu uso é destinado para a orientação espacial

A orientação espacial dentro dos edifícios ou em áreas urbanas ocorre a partir da percepção do posicionamento que os objetos tem uns em relação aos outros. Como os deficientes visuais (para o caso dos cegos) não são capazes de apreender toda a situação a partir do olhar ou de uma imagem geral, é importante que a compreensão da organização, relacionamento, distância e organização entre objetos, edificações e arquiteturas possam ocorrer por meio de outros mecanismos.

A percepção do conjunto de edificações, localização e distribuição do complexo de edificações que compõem o sambódromo será viabilizada por meio de uma planta tátil de localização ou de implantação. Isso dará a oportunidade do Deficiente Visual compreender as relações espaciais entre os edifícios. A manipulação da planta tátil por diversos ângulos (a planta será colocada sobre uma mesa)  associada à memorização (repetição da leitura organizando uma sequência de situações) colaborará na formação dos conteúdos necessários para a orientação do deficiente visual.

Em seguida, inseri uma série de imagens do Guia Tátil (planta táil): complexo Padre Chico executado em 2005.

Objetivos:

Planta tátil do Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo

– A planta será realizada na escala 1:750 (0.50m x 1.50m x 0.04m) e poderá ser colocada tanto sobre mesa quanto fixada na parede.
– Identificação dos edifícios que serão representados; identificação das áreas permeáveis que serão representadas; identificação das circulações e pisos que serão representados; identificação dos cercamentos que serão representados; identificações dos viários de entorno que será representados.
– Definição do uso de fonte Verdana 24, ou maior para escrita dos textos;
– Planta tátil será construída com poliestireno em três cores, a saber: branco, preto e vermelho (edifícios), piso do sambódromo em branco e viário do entorno em preto.
– Os textos serão confeccionados em vinil adesivado branco com texto impresso em preto e vinil adesivado preto com texto impresso em branco. Não haverá texto impresso sobre as edificações que estão em vermelho.
– Tanto textos impressos quanto textos em Braille obedecerão a NBR9050.

Maquete Tátil: Arquibancadas e Camarotes (setor B)

– A maquete tátil será realizada na escala 1:100 (0.24m x 1,28m x 0.50m) e poderá ser colocada sobre mesa; Sua base tem medidas de 0,06m x 0,80m x 1,40m.
– Deverá representar a forma (volume – cheios e vazios), proporções, escalas, estrutura da edificação, afim de dar noções de espacialidade ao deficiente visual.
– Definição do uso de fonte Verdana 24, ou maior para escrita dos textos.
– Os textos serão confeccionados em vinil adesivado
– Ainda será decidido se haverá ou não a diferenciação de cores na maquete, ou se será mantida a uniformidade da cor do MDF envernizado.

Ficha Técnica do Sambódromo:

Nome real do local:
Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo

Assessoria e consultoria técnica voluntária em maquetes
Prof. Ângelo Pinheiro

Alunos (comprometidíssimos) voluntários
Andréia da Rocha, Christofer Carvalho, Alexandre Vinícius Appel, Aline Oliveira Janas, Henrique Matuchita Viana, Fabiana da Silva Queiroz, Aline Pinho Linguanoto, Talitha Chiovetto, Gabriel Presto, Cleber Sakin Hanashiro, Juliana Escribano, Cleidnalva Ferreira de Araújo, Michele Medeiros

Planta tátil do Sabódromo

Materiais:

Chapas (2,00m x 1,00m) de poliestireno (ps)
1 chapa de 1mm preta
1 chapa de 1mm branca
1 chapa de 2mm vermelha
Cola Spray 3m “77” – 3 latas
Cola Branca – 1kg
Cola adesivo instantâneo CA 40 – 2 tubos grandes
Verniz em spray ColorGin Decor spray multiuso
Loja: Vick

MDF
mdf 3mm – 1 chapa de 1,00m x 0,50m
mdf 9mm – 1 chapa de 1,40m x 0,50m
mdf 12mm – 2 chapas de 0,80m x 0,30m
Sarrafos (cedrinho aparelhado) de +/-  2,5cm x 5,0cm
2 barras de 1,40m
4 barras de 0,50m
2 barras de 1,00m

Loja: Peg&Faça

Construção da Planta Tátil: algumas imagens


trabalho de muiiittttaaa paciência…


delicadeza….. preparando a massa que servirá para idenificação das áreas permeáveis – jardins

Planta Tátil

Embora parcialmente pronta, ainda falta adesivar o texto em tinta e o texto em Braille.

ai, meu Deus… não sabemos ler o alfabeto Braille… ainda bem que conseguimos o material da FDNC… a identificação e leitura será visual mesmo… para quem tem presbiopia como eu, não vai dar… mas os meninos que são jovens, conseguem… rsrsrs


adesivaradesivardesivaradesivaradesivaradesivaradesivarasesivaradesivar

envenvernizando a planta tátil sob um sol de 35oC - só os fortes sobrevivem...

Hora do rango, bóia… porque ninguém é de ferro… como estão todos sem tempo, esfihas do Habib’s… umas cem aproximadamente…
Desculpem a foto, está com a cara de fim de feira, mas como estavam todos com fome, só lembramos de fotografar os restos… na maquetaria mesmo… rs

Maquete Tátil: Arquibancadas e Camarotes (setor B)

Materiais

MDF
mdf 3mm – 1 chapa de 1,40m x 0,80m
mdf 6mm – 1 chapa de 1,40m x 0,80m
mdf 12mm – 1 chapa de 1,40m x 0,80m
Sarrafos (cedrinho aparelhado) de +/-  2,5cm x 5,0cm – 2 barras de 1,40m

Loja: Peg&Faça

1.Vamos representar a arquibancada principal do sambódromo? e para que serve uma maquete tátil? como é usada? ela é diferente de uma maquete feita para videntes?

Maquete Tátil: seu uso é destinado para a percepção da forma, do volume, das estruturas, das proporções, dimensões e dependendo da escala, dos detalhes construtivos de uma edificação explorando os demais sentidos. Portanto, é possível incluir contraste de cores para atender aos usuários com baixa visão, ou ainda som com o objetivo de complementar informações não atendidas pela maquete e também odores. O tato é por assim dizer, mais uma das possibilidades de compreensão das arquiteturas.

Construção da Maquete tátil: algumas imagens

preparando o tabuleiro: a maquete é feita de MDF e será manipulada pelos DVs para compreensão. precisa ser firma, rígida, sólida enfim… por isso a base reforçada.

Pensando e discutindo com o Prof. Ângelo os objetivos da maquete tátil. Resumindo, o que deve ser mostrado e como fazer com que os conteúdos sejam inteligíveis para os DVs. Foi decidio então que a maquete deverá ressaltar dimensões (a partir da escala humana), proporções e as principais características arquitetônicas (forma das arquibancadas, das estruturas de concreto, a localização das principais funções tais como sanitários, camarotes, acessos entre outros). A partir daí, o grupo optou por construir a maquete tátil na escala 1:100, mais adequada para apresentar os objetivos definidos.


Depois de imprimir o material em papel e estudar a melhor forma para construí-la, os alunos dividiram-se me grupo e iniciaram o desenho e o corte das peças. Nessa foto, os launos estão lixando a estrutura de concreto que sustenta a arquibancada.

Todas as 19 peças são revistas para que tenham o mesmo tamanho. por que 19?!?


É que a professora acabou quebrando uma delas… delicadeza zero…



Como o trabalho todo é manual, artesanal, algumas revisões são necessárias: de volta à serra de fita pois…


agressivos? não… #diversão pura num sábado calorento…

E não é que está ficando bem legal? foto do esqueleto da arquibacanda principal.


Acima, grupo feliz com o trabalho do dia.

Abaixo, também

hoje, 19.02.2011

Já são 16h.  Ainda estão animados. Tentamos ouvir todos os sambas das escolas estudadas mas o modem 3G da #CLARO não serve para nada…

Retomando os trabalhos: alguns começaram a ficar estranhos… sei não…

será o calor? a fome? a sede? abstinência de sono?

ou será a pressão do prazo?????

acho que foi o excesso de açúcar... deixou todo mundo elétrico... criança é assim mesmo...

Vamos todos agradecer à Profª Alessandra, grande fornecedora de biscoitos, bolos… ai, meu Deus, como é bom… rsrsrs

Alguns excessos vêm acontecendo entre eles… é a idade…

falta espaço... sobra vontade... 😀

Dia 22.02.2011, 20h.

Todo o grupo reunido para terminar a maquete tátil da arquibancada monumental. Vocês estão vendo?!?

acabou a energia elétrica... as serras não funcionam...

Fechando a maquetaria com CHAVE DE OURO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
A-CA-BA-MOS antes do prazo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Enredo (áudio do samba)

Camisa Verde e Branco
Paulista viva, vista a camisa.
A mais paulista das avenidas Compositores
:

Mestre Ideval, Dica, Diego Santos e Fabiano Brandão

Rosas de Ouro
Abre-te Sésamo: a senha da sorte

Mocidade Alegre
Carrossel das Ilusões
Douglas, Edmilson, Marcio Bueno, Igor Leal, Rodriguinho e Victor Alves

 

Mais sobre o assunto em:

Vídeo sobre a finalização e agradecimentos aos participantes

Saiu na mídia
Deficientes Visuais Visitam escola de samba na zona norte de São Paulo
Deficientes Visuais vivenciarão o carnaval de São Paulo
Carnaval Acessível de São Paulo 2011: Só não vê quem não quer

Carnaval de São Paulo lança projeto, ‘Só Não Vê Quem Não Quer’
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“Só não vê quem não quer” seleciona participantes

Carnaval de SP pretende levar deficientes visuais ao sambódromo

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Deficientes visuais também acompanharão o Carnaval 2011
Carnaval 2011 de São Paulo terá inclusão de deficientes visuais
Inclusão sóciocultural na Mocidade Alegre
http://vascopresscom.blogspot.com/

Alunos e Professores mostram suas produções para o carnaval
FMU apresentou maquetes táteis do carnaval 2011 para pessoas com deficiência Visual

TV
Projeto abre as quadras de escolas de samba para deficientes visuais


Guia Tátil de Ruas: Ipiranga, São Paulo


Trabalho apresentado junto ao Núcleo Pró-Acesso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Escola de Design e Artes Visuais da Universidade Veiga de Almeida (apoio da FAPERJ) no seminário “Acessibilidade no Cotidiano”, que ocorreu enre os dias 21 e 23 de setembro de 2004, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

endereço eletrônico do seminário: clique aqui

DEGREAS, H. N. ; GOZZO, Ruberval . Guia Tátil para o atendimento de pessoas portadoras de deficiência visual: propiciando o exercício da cidadania. In: Seminário: acessibilidade no cotidiano, 2004, Rio de Janeiro. Acessibilidade no Cotidiano: programação e resumo dos trabalhos, 2004.

 

Trabalho completo:

Guia Tátil de Ruas Ipiranga

Prática Experimental em ambiente acadêmico: relato de experiência desenvolvida no escritório-modelo do curso de arquitetura e urbanismo do a FIAMFAAM Centro Universitário

 

 

 

Experimental Practice in academic environment:
report of an experiment carried out in the model office of the
Architecture and Urban Planning Course at FIAM-FAAM University Center

Drª Helena Napoleon Degreas[1]; Drª Paula Katakura[2]

RESUMO

As transformações no mundo do trabalho vêm requisitando profissionais da área de arquitetura e urbanismo qualificados que acompanhem as mudanças e transformações do mundo contemporâneo e que atendam às complexas demandas de uma sociedade em constante mudança. Para tanto, o projeto pedagógico deve viabilizar a coexistência indissociável de relações entre teoria e práticas experimentais, buscando a solução de situações problema contextualizados em realidade vivenciada pelo aluno. O texto abordará, por meio da descrição de um objeto pedagógico denominado “mapa tátil e de baixa visão” desenvolvido em parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, o papel pedagógico desempenhado pelos programas e projetos de pesquisa e extensão realizadas no escritório-modelo do curso de arquitetura e urbanismo da FIAM-FAAM para a construção de novos conhecimentos visando à aquisição das habilidades, competências e aprofundamento dos conhecimentos tecnológicos dos futuros profissionais em ambiente acadêmico.

Palavras-chave: escritório modelo, prática profissional, programas de extensão universitária, mapa tátil e baixa visão, habilidades e competências em arquitetura.

Mapa Tátil Urbano: FIAMFAAM Campus Liberdade 

Fonte: Arquivos do Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAMFAAM. Foto Katakura, Paula 2008.

ABSTRACT

Transformations in the world of work call for qualified professionals in the architecture and urban planning area who follow the alterations and transformations of the contemporary world and who atend the complex demands of a society in constant change. To achieve that level, the pedagogical project must make viable the inseparable coexistence of relations between theory and experimental practice, seeking for solutions to problematic situations contextualized in the reality experienced by the pupil. By means of the description of a teaching tool called tactile and low vision map developed in partnership with the Dorina Nowill Foundation for the Blind, the text will broach the
pedagogical role played by the programs and research projects and outreach projects carried out in the model-office of the Architecture and Urbanism course at FIAM-FAAM for the building of new knowledge aiming at the acquisition of skills, abilities and deepening of the technological knowledge of future professionals in an academic
environment.
Keywords: model office, professional practice, university outreach
programs, tactile and low vision map, skills and abilities in architecture.

RESUMEN

Las transformaciones en el mundo del trabajo están exigiendo profesionales de la arquitectura y del urbanismo cualificados, que sigan las transformaciones del mundo contemporáneo y que lleven a cuidado de las demandas de una sociedad compleja en cambio constante. Para eso, el proyecto pedagógico debe hacer posible la coexistencia indisociable de relaciones entre la teoría y las prácticas experimentales, buscando la solución de los problemas contextualizados en la realidad conocida por el aluno. El texto abordará, por medio de la descripción de un objeto pedagógico denominado “mapa táctil y de baja visión””en sociedad con la fundación Dorina Nowill para Cegos, la función pedagógica desempeñada por los programas y proyectos de pesquisa y extensión realizadas en el taller-modelo del curso de Arquitectura y Urbanismo de la FIAM-FAAM para la construcción nuevos conocimientos buscando la adquisición de las habilidades, de las competencias y de la profundización del conocimiento tecnológico de los futuros profesionales en el ambiente académico.

Palabras-clave: Taller-modelo, Práctica profesional, Programas de extensión universitaria, Mapa táctil y de baja visión, Habilidades y competencias en arquitectura.

Introdução

As mudanças no ambiente de trabalho vêm requisitando profissionais da área de arquitetura e urbanismo qualificados que acompanhem as transformações do mundo contemporâneo e que atendam às demandas de uma sociedade altamente complexa. Para tanto, o projeto pedagógico deve viabilizar a coexistência indissociável de relações entre teoria e práticas experimentais, buscando a solução de situações-problema contextualizadas em realidade vivenciada pelo aluno.

As grandes transformações da sociedade nas últimas décadas estão refletidas nas mudanças no comportamento humano, principalmente da população que se concentra nos centros urbanos. Estão em permanente mudança os hábitos de morar e de trabalhar, que demandam novas soluções para a edificação, a cidade e o ambiente. O conhecimento voltado à produção do habitat do ser humano quer nos seu abrigo individual, quer nos seus espaços coletivos, não pode ficar alheio a essas transformações e exige preparação de profissionais, arquitetos e urbanistas, capacitados para enfrentar essa nova realidade.

Neste contexto, com o aumento das informações disponíveis, a educação deve considerar a forma individual de aprendizagem, trabalhar a capacitação cognitiva, a interpretação, a procura da informação e a indagação por meio de um programa que contemple a interconexão daquilo que se aprende unindo inteligência e criatividade. O profissional arquiteto e urbanista, deverá saber identificar problemas, compreender a realidade e seus diferentes atores, transformando a matéria e criando soluções para o espaço da sociedade, tomando decisões e relacionando campos de conhecimento antes isolados.

Torna-se cada vez mais importante a necessidade de reciclagem constante de trabalhadores e profissionais devido à quantidade dessas novas informações, instrumentos de trabalho e formas de acesso ao conhecimento que se internacionalizou.

A formação não se dá ou se encerra na entrega do diploma ou da certificação profissional. Assim como situações diante da vida profissional deixam de ser previsíveis inviabilizando a adoção de soluções pré-concebidas. Esses trabalhadores e profissionais deverão estar preparados para aprender a ser, aprender a aprender, aprender a conviver, aprender a fazer continuamente, adotando nova postura pró-ativa face às novas e imprevisíveis situações que deverão ocorrer ao longo de toda sua vida profissional. Esse será o desafio a ser percorrido e vencido pelas instituições de Ensino Superior: como desenvolver egressos que tenham internalizado em seu processo de formação e desenvolvimento constantes as competências pessoais, sociais, cognitivas e produtivas ou ainda laborais necessárias para sua inserção no mundo de relações complexas e interdependentes?

Trata-se de uma mudança de paradigmas que leva ao enfrentamento de um desafio: a adequação dos projetos político-pedagógicos e métodos de ensino dos cursos de arquitetura e urbanismo ao atendimento da formação fundamentalmente educativa e focada não apenas na educação profissional, mas também no desenvolvimento de condutas e atitudes com responsabilidade técnica e social.

Essa formação deve estar expressa no conjunto de ações pedagógicas que serão tomadas para a viabilização dos programas de pesquisa, ensino e extensão garantindo o desenvolvimento das competências e habilidades previstas para a formação do perfil profissional pretendido para cada curso.

Um ponto importante a ser ressaltado ainda é a interpretação e a forma de como se tem dado o ensino que objetiva o desenvolvimento de competências e habilidades profissionais em arquitetura e urbanismo em sala de aula a partir dos profissionais de ensino. Existem algumas evidências extraídas de levantamentos informais em nossa área de atuação que apontam para uma formação pedagógica específica insuficiente destes docentes na área de educação e formação para a atividade de ensino e formação profissional que atendam ao texto da Lei Federal nº 9.394 – 20.dez.1996. Embora altamente titulados e qualificados em seus campos de atuação profissional vinculado à arquitetura e ao urbanismo, apresentaram na elaboração de seus programas de curso metodologia e aplicação de recursos pedagógicos insuficientes para o desenvolvimento de conceitos básicos na área de educação profissional tais como saberes, habilidades e competências. Outro ponto a considerar é a forma como esses conceitos (parcialmente compreendidos) são trabalhados no dia a dia com os alunos na forma de novas ações pedagógicas. Ocorre que na insuficiente formação específica para o ensino em cursos de pós-graduação de arquitetura e urbanismo, os profissionais voltados à docência adotam modelos construídos ao longo de sua formação espelhando-se, num primeiro momento, em professores cujas atitudes e comportamentos exerceram influência em sua prática docente.

Pode-se acrescentar a tradição culturalmente internalizada entre arquitetos professores que é a de que o aprendizado ocorre por meio da transmissão do ofício ou ainda, que a arquitetura e o urbanismo podem ser apreendidos por meio do discurso realizado pelos mestres sobre o que é a arquitetura, o urbanismo e como se deve agir para alcançar êxito em seus desenhos, projetos e planos. Pode-se afirmar que para esse caso, aprende-se por influência, materializando-se na formação dos alunos os princípios, práticas e visões de arquitetos tradicionalmente reconhecidos pela qualidade de suas obras. A construção de novos conhecimentos e a transmissão de saberes, práticas, comportamentos, visões de mundo desses profissionais devem permanecer nos currículos, mas a eles precisam ser incorporadas novas práticas pedagógicas que privilegiem o processo de busca, construção, apropriação, utilização e aplicação desses saberes para com isso atender à urgente formação de profissionais cientes de suas responsabilidades éticas, sociais, ambientais e preparados para responder a uma sociedade complexa.

É nesse contexto que as atividades extensionistas vinculadas aos cursos de arquitetura e urbanismo de instituições de ensino superior privadas ganham especial relevância: podem, além de viabilizar a transferências de saberes, conhecimentos e inovações tecnológicas para a sociedade por meio de ações dirigidas (palestras, eventos, campanhas, atividades assistencialistas, cursos, oficinas, viagens, entre outras), também apoiar processos educativos para todas as comunidades envolvidas (internas e externas à IES) voltados para resolução de problemas complexos multidisciplinares vinculados as questões sociais. Desta relação de confronto entre a troca de saberes acadêmico e popular nasce a produção de novos conhecimentos e a integração com a sociedade.

Atividades de extensão na formação profissional e pessoal do arquiteto e urbanista

A resolução nº 6 de 02 de fevereiro de 2006 que Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo abrange um espectro bastante amplo de conhecimentos para a formação profissional e qualificação do arquiteto e urbanista na abrangência de suas competências profissionais. A Resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005, por sua vez, que dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea. As duas expressam claramente em seus textos habilidades específicas que encontram-se estreitamente relacionadas ao campo de trabalho e ao saber fazer e saber ser que são exigidas postos e ocupações de trabalho e habilidades de gestão que relacionam-se ao desenvolvimento de competências relacionais, pessoais, cognitivas e produtivas.

O ensino de atividades complexas (supervisão, orientação técnica, coordenação, planejamento, projetos, especificações, direção, execução de obras, ensino, consultoria, vistoria, perícia e avaliação) e que viabilizam o pleno exercício de algumas atividades referentes à Resolução 1.010 de 22 de agosto de 2005 e a Resolução nº 6 de 02 de fevereiro de 2006 necessitam de ambientes específicos de ensino/aprendizagem complementares à sala de aula que por sua vez continuarão a contribuir na construção das bases científicas, instrumentais e tecnológicas do futuro profissional. Cabe à extensão por meio de ações sociais extraclasse (atividades complementares, estágios voluntários entre outros) realizadas em seus escritórios-modelo, canteiros de obra, núcleos ou laboratórios de habitação e habitat, desenvolver e aprofundar as competências cognitivas, relacionais, pessoais e produtivas levando o egresso a assumir de forma segura e consciente responsabilidades  contidas em sua profissão.

Visando a criação de um ambiente de projeto que aprofunde a formação dos alunos do curso pela inclusão de experiências práticas focadas em questões sociais e vinculadas ao ensino teórico, é criado o Escritório Modelo. Sua missão é a qualificação profissional realizada por meio da prática em situações reais e com o envolvimento de alunos, professores, comunidade e profissionais de formações diversificadas em todas as etapas dos projetos. Na qualidade de centro de referência e integração das atividades teóricas e práticas desenvolvidas no Curso de Arquitetura e Urbanismo assume funções pedagógicas que permitem e incentivam ações multidisciplinares, interdisciplinares entre os alunos do Curso de Arquitetura, os alunos e professores dos demais cursos do centro universitário, profissionais vinculados a empresas, parceiros e representantes de comunidades externas à IES. A partir da inserção de novos atores e agentes vinculados a grupos diversificados, o escritório pretende desenvolver o potencial dos alunos nas seguintes competências:

Pessoais: pelo desenvolvimento de atividades de prestação de serviços sociais de sua competência profissional e adequados aos conhecimentos por ele desenvolvidos até o ciclo do curso em que está inserido, o aluno potencializa a autoconfiança, autoconhecimento, auto-estima ao constatar na prática que seu trabalho e seus conhecimentos são capazes de atender as demandas; aprimora o seu projeto de vida por meio da consciência do que quer ser, auto-realização, dando sentido a vida profissional, pois é capaz de exercitar o ofício ainda em ambiente acadêmico respaldado sempre pelas orientações advindas dos professores/arquitetos responsáveis pela tutoria dos alunos e projetos;

Relacionais: o convívio com o outro desenvolve o caráter interpessoal, por meio do reconhecimento do outro, do convívio com opiniões diversas das suas e com grupos, estimula a interação e aprimora a comunicação; o aluno necessariamente precisa expressar-se, expor as suas opiniões ao grupo em reuniões de trabalho internas ao escritório e externas quando da visita à obra, pesquisas de campo ou ainda quando da entrega de etapas de projeto.

Cognitivas: de maneira geral, estimula-se a leitura, a escrita, a representação gráfica de suas idéias, o cálculo para resolução de problemas, o acesso a informações acumuladas em várias áreas de conhecimento e distintas mídias, desenvolvendo a capacidade de pesquisa pela busca, organização, sistematização de informações adquiridas em distintas áreas de conhecimento e análise propositiva. Essa situação por estar localizada fora do âmbito das disciplinas do curso, exercitando e aprimorando o autodidatismo e o construtivismo.

Produtivas: por se tratar de projetos inéditos, multidisciplinares e compostos por agentes e profissionais multidisciplinares, desenvolvem-se as competências básicas que vão da criatividade objetivando a criação de um novo objeto à gestão/produção do conhecimento, além da profissionalização, da auto-gestão, gestão e co-gestão de equipes.

Pretende-se com este recurso pedagógico aproximar o aluno do mercado de trabalho e facilitar a constatação de satisfação em relação à carreira escolhida. A experiência diária demonstra que a procura de soluções para os problemas da sociedade e das comunidades envolvidas, obriga o desenvolvimento de soluções criativas, de aplicação imediata, que envolvem recursos muitas vezes restritos, demandas e restrições a serem analisados, prazos a serem cumpridos. Neste ambiente de ensino/aprendizagem a pesquisa não é puramente acadêmica, pois o envolvimento e a realização dos projetos contribuem para a integralização das atividades de pesquisa e extensão.

Ao se voltar para a sociedade e para os problemas externos ao do seu próprio ensino, o escritório exercita a flexibilidade do aluno na resolução de uma problemática real que está sujeita a alterações advindas das distintas demandas de todos os atores e agentes envolvidos no projeto, contextualizando-o numa situação real e concreta. Exercita e amplia seu projeto de vida e compreensão de mundo, pois ao contextualizar problemas que muitas vezes estão distantes de seu cotidiano, viabiliza a constituição de significados às coisas, dando sentido a tudo o que ele aprendeu em sala e fora dela.

Relato da experiência pedagógica adquirida a partir do Acordo de Cooperação Técnica entre a Fundação Dorina Nowill para Cegos e FIAMFAAM para a execução de Mapa Urbano Tátil e Baixa Visão.

O escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo vem realizando por meio de suas práticas, atividades de atendimento a diversos públicos buscando não apenas a  transmissão e aplicação dos conhecimentos construídos em ambiente universitário, como também o aprofundamento dos conhecimentos e práticas pedagógicas que levam ao desenvolvimento das competências pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas visando a formação de um ser humano pleno, consciente de suas responsabilidades e um profissional apto a atender as demandas do mercado de trabalho. Foi com esse propósito, que a proposta de parceria para a concepção e construção de objeto pedagógico para a Fundação Dorina Nowill para Cegos foi acolhida. Este objeto denominado Mapa Tátil e Baixa Visão deveria atender aos clientes atendidos pelo programa de mobilidade e orientação urbana em suas aulas com o intuito de instrumentalizar DV- deficientes visuais (cegos e de baixa visão) para o livre caminhar em cidades.

O Brasil, segundo o Censo do IBGE/2000, apresenta uma população com alguma deficiência física (motores, mentais, auditivos, visuais) na ordem de 14,5% da população total, sendo que, as deficiências visuais representam 48,1%, ou seja, 11.8 milhões do total de deficientes, mais de 100% superior à segunda causa de deficiência. Estes dados refletem a urgência na concepção e construção de objetos e instrumentos que visem a compreensão do espaço urbano, de seus equipamento públicos que venham a proporcionar uma maior liberdade a esse cidadão.

O trabalho foi executado a partir da experiência adquirida na elaboração do Guia Tátil de Ruas do Ipiranga para o ICG – Instituto de Cegos Padre Chico em 2003, pelo Núcleo de Pesquisas em Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Marcos.

Figura 1: Mapa Urbano Tátil e Baixa Visão

Fonte: Arquivos do Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAMFAAM. Foto Katakura, Paula 2008.

A área selecionada para a confecção da maquete engloba um setor do bairro de Vila Mariana, município de São Paulo, lugar onde está situada a Fundação Dorina Nowill para Cegos. A região é caracterizada por um fluxo intenso e contínuo de pessoas que são atendidas por uma excelente infra-estrutura de transporte e acessibilidade (metropolitano e ônibus). A esta condição privilegiada, associa-se a existência de diversos equipamentos públicos e privados voltados ao atendimento de pessoas deficientes, com necessidades especiais e com mobilidade reduzida.

Um conjunto de recomendações e solicitações referentes ao tamanho, transporte, manutenção, conteúdo, informações técnicas foi feito ao grupo que desenvolveria o protótipo. Por sua vez, o escritório deveria não apenas realizar a tarefa solicitada no prazo previsto como também potencializar o desenvolvimento de algumas habilidades e competências previamente discutidas com a coordenação de curso ao longo do processo de desenvolvimento do protótipo. As etapas do processo de elaboração definidas pelo escritório foram as seguintes:

1.    Concepção de Projeto

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Reconhecer e compreender a linguagem técnica do desenho como também do alfabeto Braille e formas de leitura do DV;analisar o efeito do uso das cores em DV de baixa visão; desenvolver conhecimentos sobre as formas de orientação e mobilidade de DV; Aplicar os dados da pesquisa realizada para a viabilização do projeto do mapa; interpretar símbolos e convenções técnicas em arquitetura e Braille; Metodologia de pesquisa; tecnologia de matérias, de equipamentos, convenções gráficas e técnicas para desenho; convenções gráficas para escrita Braille; ergonomia aplicada a DV; Uso das cores para DV; desenho geométrico;

1.    Elaboração de Projeto

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Interpretar legislação, orientações e referências específicas sobre elaboração de mapas urbanos, atendimentos a DV; analisar as condições técnicas econômicas para viabilização do mapa; Utilizar informações de ordem legal e de natureza técnica específica, implementado-as no processo de trabalho; aplicação de dados socioeconômicos estudando a alternativa mais adequada para a execução do projeto; desenhar anteprojeto do mapa tátil; Projeto técnico do mapa tátil e de baixa visão; Desenho do projeto; legislação e convenções de representação; informática aplicada; computação gráfica aplicada; estudos preliminares para a execução do protótipo.

1.    Elaboração de Projeto Executivo

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Os alunos tiveram de eleger materiais para a elaboração do mapa; implementação de regras de controle para a execução das várias etapas de produção do protótipo (corte dos distintos materiais, colagens de todas as peças, etc.) para garantir a qualidade de protótipo; Organização do escritório modelo e do laboratório de maquetes e modelos para a execução do protótipo; Desenho do objeto; convenções técnicas, escalas, etc.; tecnologia de equipamentos, materiais e ferramentas;

1.    Gestão de Processo dos Serviços

Competências Habilidades Bases Tecnológicas
Selecionar as informações técnicas e tecnológicas aplicáveis ao processo de produção do mapa e d seu protótipo; analisar e interpretar preços relativos aos componentes do protótipo e dos serviços; acompanhar o desenvolvimento tecnológico da área de produção dirigida ao atendimento de mercado de deficientes (equipamentos, materiais, serviços, produtos, etc.) Técnicas de gerenciamento organizacional; criação de alternativas para assessoramento do cliente e manutenção técnica do mapa; criar, organizar e manter o cadastro de clientes e serviços utilizados ao longo do processo de execução do mapa; Fundamentos de administração e gestão; gerenciamento e sistematização, organização, arquivamento de informações e cadastros; noções de custos e orçamentos; liderança e relacionamento interpessoal; legislação aplicada; apresentação de trabalho e marketing.

Para a operacionalização das quatro etapas, alguns procedimentos foram tomados. Numa primeira fase foram identificados os membros da equipe de concepção, projeto e execução e definidas as atribuições e atividades de cada um dos seus membros (professor tutor; consultor técnico, estagiário sênior, estagiário júnior, técnicos do laboratório de maquetes), convidados externos (professores de mobilidade e orientação, fisioterapeutas, oftalmologistas, médicos e técnicos especializados da Fundação Dorina e das empresas fornecedoras de produtos para atendimento de pessoas DV); coube aos estagiários voluntários, respeitadas suas atribuições, a elaboração e o encaminhamentos do plano de execução do trabalho, com cronogramas contendo datas de entregas das distintas etapas. Neles, os alunos incorporaram visitas técnicas e reuniões de trabalho tanto no escritório quanto na fundação; As reuniões de trabalhos com os tutores eram semanais e lá os alunos com eventual presença dos técnicos (que também foram sendo capacitados para o desenvolvimento do protótipo) expunham o andamento do trabalho, as dificuldades e alternativas encontradas para a solução dos obstáculos. Os levantamentos para identificação dos principais equipamentos públicos e privados entendidos pela população do bairro de Vila Mariana e pelos clientes da Fundação Dorina foi feito por meio de leitura de mapas existentes (mídia papel e digital) e à pé com intuito de verificar a autenticidade dos dados e das entradas dos principais edifícios vez que os mapas cadastrais da PMSP adequados ao trabalho datam da década de 70.

Os alunos vivenciaram as quatro etapas do processo de desenvolvimento de competências, pois tiveram a possibilidade de conviver com alunos e profissionais de diversas formações e áreas de atuação, proporcionado a formação de um discurso adequado para o diálogo com públicos distintos; foi viabilizada a troca de informações e experiências criando um repertório técnico novo que só a convivência em atividades de trabalho com experiências diversas pode proporcionar. A entrega do projeto executado aos clientes (DV) e a imediata utilização do mesmo para fins de compreensão do lugar onde vivem possibilitou aos alunos muito mais do que a prestação de serviços sociais por meio do exercício de sua competência técnica. A concretização de seu trabalho e sua posterior utilização pelos clientes potencializou sua autoconfiança e auto-estima e auto-realização, pois o exercício do ofício efetivado no escritório modelo e respaldado pelo ambiente acadêmico (tutoria) deu sentido a sua vida profissional.

Referências

Abreu, Adilson Avansi de, A Cultura e a extensão como motivação da atividade universitária. In. Revista de Cultura e Extensão – USP. São Paulo Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária N. 00 (agosto a dezembro de 2005). p. 8-17.

Barboza, Joaquim Oliveira. O Ensino por Competências II. s.ed:s.l.,s.d.

Cegos ganham 1º mapa em braile com o entorno de estação do metrô em SP
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u555632.shtml
Acesso em: 02.05.2009.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 5. ed. Rio de Janeiro: Paz eTerra. 1983.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. São Paulo: Perspectiva, 1972.

Mapa Tátil auxilia deficientes visuais em estação do metrô.
Disponível em:

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1087971-5605,00.html

Acesso em: 02.05.2009.

KATAKURA, Paula. Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo. São Paulo: FIAMFAAM Centro Universitário, 2006.

Silva, Ricardo Toledo. Estado, políticas públicas e Universidade. In. Revista de Cultura e Extensão – USP. São Paulo Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária N. 00 (agosto a dezembro de 2005). p. 104-125.

Fundamentação Legal

Brasil. Lei Federal nº 9.394 – 20.dez.1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
Acesso: 15.01.2009.

Brasil. Resolução nº 6 – 2.02.2006. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo e dá outras providências.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rces06_06.pdf
Acesso em 15.01.2009.

Brasil. Resolução 1010 – 22.08.2005. Dispõe sobre a regulamentação da atribuição de títulos profissionais, atividades, competências e caracterização do âmbito de atuação dos profissionais inseridos no Sistema Confea/Crea, para efeito de fiscalização do exercício profissional.
Disponível em: http://normativos.confea.org.br/downloads/1010-05.pdf
Acesso em 15.01.2009.

Deficiência Visual: um pouco sobre o assunto

Alunos do escritório-modelo e do curso de moda, bom dia!

Hoje vamos falar um pouco sobre a deficiência visual.

Para que possamos desenvolver nossas atvidades, precisaremos conhecer as características de nossos clientes e, em especial, suas necessidades.

E a deficiência, como pode ser entendida?

O termo deficiência pode ser entendido como todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas (Artigo 3o do Decreto federal nº 3.298/1999). Doravante, utilizaremos o termo pessoa com deficiência utilizado no texto da Convenção Internacional sobre os Direitos das pessoas com Deficiência para fins de discussão e apresentação de projetos em sala de aula.

A CIF é uma classificação de saúde e dos estados relacionados à saúde.

RESUMINDO: DEFICIENTE NÃO É DOENTE

Muito além da definição do conceito “deficiente” como algo falho, imperfeito e incompleto, a CIF define componentes de saúde e de bem-estar à ela relacionados (tais como educação e trabalho). Seus domínios são da saúde e relacionados à saúde. Ao agrupar sistematicamente diferentes domínios de uma pessoa em determinada condição de saúde, ela identifica o que uma pessoa pode ou não pode fazer.

A funcionalidade dessa forma, engloba todas as funções do corpo, atividades e participação.

A incapacidade é um termo que incluiu deficiências, limiação da atividade ou restrição na participação.

O que considerar no ato de projeto:

Funções e estruturas do corpo e deficiências
Definições:
As funções do corpo são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos (incluindo as funções psicológicas)
As estruturas do corpo são as partes anatômicas do corpo, tais como, órgãos, membros e seus componentes.
Deficiências são problemas nas funções ou na estrutura do corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda.

Atividades e Participação/limitações da atividade e restrições na participação
Definições:
Atividade é a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo.
Participação é o envolvimento numa situação da vida.
Limitações da atividade são dificuldades que um indivíduo pode encontrar na execução de atividades.
Restrições na participação são problemas que um indivíduo pode experimentar no envolvimento em situações reais da vida.

O que é tecnologia assistiva? e para que serve ?

Tecnologia assistiva é o nome utilizado para identificar todo o conjunto de recursos e de serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover sua independência e inclusão colaborando na na viabilização de demandas comumente solicitads em ambientes domésticos e sociais.

O maior ou o menor grau de independência e autonomia dos indivíduos com deficiência em suas atividades, são determinados pelo contexto ambiental onde vivem.

Não se avaliam mais apenas as condições de saúde/doença do indivíduo; são também consideradas também o contexto do ambiente físico e social pelas diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência e pela disponibilidade de serviços e de legislação.
(Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde)

Como o texto anterior se materializa em nossos projetos? Por onde começar? Como fazer em nosso trabalho?

Relações comunitárias:
.               utilização de serviços, tecnologias, equipamentos públicos e privados da/na comunidade;
.               participação em atividades e/ou ambientes coletivos;
.               participação em eventos e/ou na comunidade;
.               locomoção na comunidade;
.               relacionamento social com vizinhos, conhecidos e pessoas desconhecidas da comunidade.

Vida diária em seu lar e Atividades Ocupacionais

O que vê quem não vê?

Deficiência Visual
É  a perda ou redução da capacidade visual em ambos olhos em caráter definitivo e que não possa ser melhorada ou corrigida com uso de tratamento cirúrgico, clínico e/ou lentes.
O Decreto 3298 considera deficiente visual a pessoa que tem dificuldade  ou impossibilidade de enxergar a uma distância de 6 metros o que uma pessoa sem deficiência enxergaria a 60 metros, após a melhor correção, ou que tenha o campo visual (área de percepção visual) limitada a 20%, ou com ambas as situações;

CEGOS: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão e precisam aprender através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam relacionados com o uso da visão.

VISÃO PARCIAL: têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância.

VISÃO REDUZIDA: são considerados com visão indivíduos que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.

Como não sou uma profissional vinculada à área da medicina ocular e afins, deixo aqui algumas imagens (e também hiperlinks para a wikipédia) e descrições (contraídas – não visíveis) das principais deficiências visuais para que vocês possam compreender um pouco melhor o nosso universo de trabalho.

Glaucoma




Catarata




Degenaração Macular



Retinite Diabética


Daltonismo


Resumindo:

– Nosso cliente é saudável (deficiência não é doença)
– Nosso cliente tem um comprometimento em uma das estruturas do seu corpo. Esta estrutura deveria estar adaptada ao exercício de uma determinada função. A função desta estrutura é sensorial e deveria propiciar juntamente com os outros sentidos (olfato, tato e paladar) nosso relacionamento com o ambiente externo ou o mundo que nos rodeia. Esta função consiste na habilidade de detectar a luz e de interpretá-la .
– nosso cliente quer participar do evento como você e eu;
– nosso cliente quer saber o que está acontecendo no evento;
– nosso cliente precisa de tecnologias assistivas. É para isso que fomos chamados. Temos que criar objetos que possam colaborar na compreensão do que está acontecendo e para os deficientes visuais possam interagir com as demais pessoas. Em suma: ele também quer participar, comentar e se divertir.

Links para consulta

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/02/05/deficiencia-definicao-e-classificacao/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/02/01/ser-diferente-e-normal/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/03/04/desenho-universal-tecnologias-assistivas/

http://www.once.es/otros/trato/trato.htm

http://www.brasilmedia.com/Baixa-visao.html

http://deficienciavisual.com.sapo.pt/index.htm

E, para quem quer ouvir uma audiodescrição…

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/11/16/de-olhos-bem-fechados-urban-gallery-e-tofer-chin-para-quem-nao-ve/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/07/09/teste-para-audiodescricao-capa-da-revista-xxx-edicao-de-aniversario/