XIII Encontro Científico e de Iniciação Científica Anhembi Morumbi

Alunos após a apresentação de seus trabalhos!!!

QUANDO E ONDE ACONTECEU O ENCONTRO: 02 de dezembro de 2017. Local: Universidade Anhembi Morumbi Endereço: Rua Casa do Ator, 275 – Campus Vila Olímpia

QUEM PARTICIPOU:
Drª Helena Napoleon Degreas (Programa de Mestrado Profissional FIAM-FAAM) e Profa. Raquel Duarte Pires ((Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Coordenação de Sala 638 – 2º andar – Unidade 6 – Campus Vila Olímpia Mesa Temática: Arquitetura e Urbanismo

Categoria: DISCENTE DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 

Título: Uma reflexão acerca dos instrumentos de regulação urbanística do município de São Paulo e a produção de apartamentos Studio: localização ou habitação?
Autor(es): Helena Degreas, Raquel Duarte Pires (Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário – Programa de Mestrado

Categoria: Discente de Pós-Graduação Stricto Sensu
Título: Edifício espetáculo: a Estação da Luz como Museu da Língua Portuguesa, o projeto de arquitetura para a cultura de consumo.
Autor(es): Cidomar Biancardi Filho (Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Orientador(a): Dra. Priscila Arantes
Instituição: Universidade Anhembi Morumbi

Categoria: DISCENTE DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Título: Apartamentos studio em São Paulo: um estudo sobre os apartamentos ultracompactos

Autor(es): Bruna de Oliveira Rosa e Silva

Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

 

Título: Sistemas de espaços livres, morfologia e tipologia urbana: a Avenida Paulista sob a ótica da arquiteta Rosa Grena Kliass
Autor(es): Enill Alves Avalle
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitario

Título: (Re)pensando e (Re)qualificando a rua: o uso de ferramentas de mensuração para a compreensão e avaliação do desempenho físico e espacial urbano
Autor(es): Davi Ramalho Oliveira da Silva e Fernanda Cavalheiro Rafael Junior
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

Título: Do plano macro ao micro, qual o lugar da favela nos projetos urbanos de São Paulo: o caso do Polo Institucional Itaquera e a Favela da Paz
Autor(es): Fernando Mariano da Silva Junior
Orientador(a): Sergio Luis Abrahão
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

Categoria Poster:
Título: Como criar cidades mais caminháveis
Autor(es): Maira Brigitte Moraes Pelissari
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

XIII 1

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Por uma vida independente

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Um casal de idosos está em uma cozinha preparando alguns alimentos. Fim da descrição.
Arquitetura pode garantir qualidade de vida e independência na melhor idade (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Todos nós queremos ter uma vida independente ao longo de toda nossa vida. Infelizmente, mais cedo ou mais tarde, o corpo começa a perder as habilidades que tanto demoramos a conquistar e começa a ‘reclamar’ com uma dorzinha aqui e uma fisgadinha ali… uma hora porque a tomada parece que ficou mais baixa do que o usual, para levantar do sofá macio o encosto para os braços é necessário ou ainda a parte superior do armário parece inalcançável…

 

Vida independente na melhor idade

Mais cedo ou mais tarde, a casa em que moramos precisará de algumas alterações para poder nos servir de forma mais eficiente com o passar dos anos. Projetar a independência no lar faz-se necessário, quando não, inevitável…

Ao pesquisar aqui por nossas terras a existência de profissionais e escritórios de arquitetura que atendam às especificidades funcionais e necessidades de pessoas mais maduras (conceito sugerido pelo meu colega arquiteto Cidomar), deparei-me com a baixa oferta frente à demanda atual e também futura. A pesquisa também apontou que em alguns casos, o passar dos anos é associado ao envelhecimento e à doença, quase como se fossem sinônimos. Trata-se de uma postura absolutamente equivocada e reducionista para abordar o assunto.

A independência e a capacidade de agir livremente são fundamentais para a qualidade de vida de qualquer ser humano. É possível que doenças crônicas relacionadas à idade possam ocorrer não necessariamente interferindo sobre a mobilidade e habilidades funcionais do corpo ou do intelecto.

Os princípios de desenho universal podem e devem ser utilizado por qualquer profissional de arquitetura e design para a qualidade de vida das pessoas, mas, sozinhos não são capazes de servir de apoio para a sonhada independência.

Ainda que na mesma habitação, o ‘habitar’ toma diferente formas com os anos. Mudam os pensamentos, o estado do corpo, as qualidades e atributos que moldam e definem aquela pessoa e com ele o seu jeito de ser e ver o mundo. Os anos trazem novidades e com elas formas de habitar. Embora o investimento e os tipos de moradia variem muito de uma para outra cultura, países como Inglaterra, Canadá e Estados Unidos apresentam tanto empresas privadas quanto políticas públicas de atendimento à demanda de assistência por tipos de serviço necessários para uma vida independente. São planos e programas que oferecem serviços de assistência diversificada, incluindo opções de habitação, que se adequam aos estilos de vida, saúde e condições financeiras.

Aging in place ou ainda permanecer morando em sua própria casa ao longo de toda a sua vida é uma opção bastante atraente e desejável. A grande vantagem dessa situação é manter-se em local familiar, perto de seus vizinhos e num bairro cujos serviços, comércios são conhecidos facilitando uma vida social autônoma. Nesses casos, os planos oferecidos pelas empresas asseguram serviços de cuidado e manutenção da casa com o objetivo de tornar a vida mais fácil e segura ao morador. Os serviços incluem desde reformas e adaptações de toda a casa até serviços de limpeza e alimentação.

Uma segunda forma de morar é a coletiva e colaborativa. Em vilas, comunidades, residenciais horizontais ou verticais, são condomínios especializados que oferecem programas e serviços especializados como transporte, supermercado, ajuda em tarefas domésticas, cuidados com a saúde e uma rede de atividades sociais (recreação, teatro, viagens, visitas e uma infinidades de atividades culturais) com outros membros do lugar. Nesses casos, diferentemente da casa e mesmo com vida independente, são residenciais projetados exclusivamente para adultos mais velhos e que não desejam cuidar de uma casa ou morar sozinhos. Levam o nome de retirement communitiesretirement homessenior housing ou ainda senior apartments.

Outra forma de morar é conhecida por assisted living residence. Trata-se de uma residência coletiva para adultos que optam, por diversos motivos, por não viver de forma independente. Nos estados Unidos é tratada como uma indústria de vida assistida ou ainda de prestação de serviços altamente especializados que viu seu negócio evoluir do modelo de cuidados pessoais em saúde (com foco em enfermagem como exemplo) para um modelo com foco na sociabilidade e também com cuidados pessoais e saúde.

Mais do que atender aos princípios do desenho universal, esses profissionais deverão estar preparados para a prática do Transgenerational Design. Cunhado em 1986 por James J. Pirk, o conceito trata da prática de conceber e tornar produtos e ambientes compatíveis com os impedimentos físicos e sensoriais associados ao processo de envelhecimento humano e que podem vir a limitar as principais atividades da vida diária quer no lar, quer no ambiente de trabalho que em ambiente social. Coincidência ou não, o conceito surgiu em meados dos anos 1980 paralelamente à concepção do desenho universal como subproduto da Lei denominada Age Discrimination Act of 1975 (ADA) que proíbe uma espécie de “gerontophobia” ou ainda a discriminação com base na idade em ‘programas e atividades que recebem assistência financeira federal’ ou ainda excluindo, negando ou fornecendo serviços diferentes ou de qualidade inferior tendo como base a idade. Empresas como a Microsoft e Intel vêm desenvolvendo produtos ‘amistosos’ para o uso de pessoas com idade mais avançada colaborando na diminuição da tendência de associação do processo de envelhecimento ao de deficiência, declínio ou incapacidade frente às situações de vida.

Embora as oportunidades de investimento e negócios sejam promissores para as próximas décadas, a formação dos profissionais nas áreas de constrição civil, negócios imobiliários, planos de saúde e assistência doméstica para pessoas maduras, precisarão ampliar o leque de produtos e serviços para atender a uma população exigente e com estilos de vida bem mais abrangentes e interessantes do que aqueles tradicionalmente oferecidos como ‘casas de repouso’, ‘cuidadores’, enfermeiros, homecare, flats para terceira idade entre outras variações.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

Projetando na escala do pedestre: métodos e instrumentos de avaliação local

Mobilidade Urbana produção de espaços livres públicos

O que ensinamos no Escritório- Modelo:

  • Planejamento e Projeto urbano construídos com foco em produção de espaços públicos adequados à realização das atividades e comportamentos dos usuários com o objetivo de atender à realização da esfera de vida pública.

Linha de atuação:

PSPL – Public Space, Public Life (Jan Ghel), Cidade Ativa , Walknomics Principles, SPUrbaismo,  NYC TOD (Bloomberg e Jannet Sadik-Khan), Planmob 2015.

Quais instrumentos foram estudados para a realização do levantamento:

  • Safari Urbano: vem da metodologia do Active Design. A organização Cidade Ativa traduziu e adaptou aqui para o Brasil.
  • Fluxos e Permanências (registros): adaptamos do arquiteto finlandês Jan Gehl.
  • Painéis interativos: metodologia criada pela Cidade Ativa
  • Jay walk ou travessias (registros – SPUrbanismo)
  • Levantamentos fotográficos

Quais leituras são utilizadas para a realização das propostas de caminhabilidade?

O trabalho a seguir, foi desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2017 pelo escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo do FIAM-FAAM Centro Universitário e teve por objetivo exercitar a atividade de observação da realidade pelos alunos, a partir da aplicação de instrumentos de avaliação de comportamentos urbanos na escala do pedestre. Para tanto, foi selecionado um local crítico: o ponto de ônibus localizado na Avenida Rebouças – Para Clínicas que fica sob a passarela Prof. Dr. Emílio Athiê.

A sugestão foi apresentada em reunião realizada no início de 2017 pela Câmara Temática de Mobilidade à Pé vinculada ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, Prefeitura do Município de São Paulo). As atividades acadêmicas estavam associadas ao projeto de pesquisas intitulado Mobilidade Urbana e Produção de Espaços Livres, vinculado ao Mestrado Profissional e Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano.

O resultado deste trabalho – .um diagnóstico, encontra-se no link a seguir. O documento apresenta as pesquisas de observação e os instrumentos adotados para que os levantamentos pudessem ser realizados.

Numa próxima etapa, o diagnóstico levará a propostas de intervenção na escala de projeto urbano.

Diagnóstico: Passarela Prof. Dr. Emílio Athiê e Ponto de Ônibus Clínicas

Alunos:  Gregory Bertelli ,Leandro Mendes Mesquita, Maria Alicia Abate, Nathiely Fátima de Miranda, Patrícia Mieko de Angelis Sato, Vitória Raiza Marques Novo

 

 

(Re)pensando a rua: métricas para a realização de urbanismo tático em Santana

(Re)Pensando a rua: métricas FIAMFAAM

Alunos do Escritório Modelo FIAMFAAM reunidos após aplicação das intervenções viárias

Responsáveis pela criação, organização e implantação do Projeto:

A ação foi realizada pelo ITDP Brasil, com financiamento da Citi Foundation e em parceria com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito (BIGRS),  a Iniciativa Global de Desenho de Cidades (NACTO-GDCI), o WRI Brasil Cidades Sustentáveis e a Vital Strategies, com apoio da Prefeitura Regional de Santa/Tucuruvi, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, da start-up Urb-i — Urban Ideas.

Descrição de nossa colaboração na ação:

Por meio do escritório-modelo, os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo do FIAM-FAAM Centro Universitário realizaram intervenções urbanas de caráter temporário – urbanismo tático no bairro de Santana, São Paulo, capital. As intervenções foram realizadas com o objetivo de melhorar a segurança do pedestre vez que os dados apresentados pela CET – Companhia de Engenharia de Tráfego apontavam para um grande número de mortes por atropelamento em algumas das interseções viárias do bairro. Após semanas de trabalho que incluíram workhops, palestras, capacitações diversas e a aplicação de instrumentos de pesquisa para o Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS), tradução do termo original em inglês Transit-Oriented Development, as ruas Dr. César, Salete Voluntários da Pátria e Leite de Morais passaram por uma transformação radical: calçadas, ruas e esquinas que antes serviam de estacionamento de automóveis e privilegiavam a fluidez do trânsito motorizado, receberam sinalização temporária horizontal como faixas de pedestres ampliadas, rotatórias, esquinas recriadas e novos parklets priorizando o placemaking ou ainda, incentivando o poder público a criar lugares de estar para pessoas. Todo esse trabalho pretende induzir a redução de velocidade dos automóveis, diminuir a distância de travessia dos pedestres e aumentar a visibilidade (esquinas) entre o motorista e o pedestre, estimulando o respeito à vida e ao Código Brasileiro de Trânsito. Vasos com plantas, cadeiras, guarda-sóis e apresentações culturais diversas transformaram ruas perigosas numa verdadeira “praia urbana” reunindo pessoas em locais antes destinados aos automóveis. As métricas e a tabulação dos dados referentes ao projeto serão encerradas ao final do mês de outubro de 2017. Em novembro, todo o processo incluindo a intervenção urbana ocorrida em 16.09.2017 e um vídeo com as ações serão apresentados na 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo.

Projeto do Escritório Modelo: (Re)pensando a Rua: métricas para a realização de urbanismo tático em Santana

Escritório Modelo: supervisão Drª Helena Degreas

Alunos:
(inserir lista)

 

Intervenção será apresentada na Bienal de Arquitetura: urbanismo tático

 

Ação de urbanismo tático aconteceu no sábado (16) na Zona Norte de São Paulo

No último dia 16 de setembro, o bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, foi palco de uma ação de intervenção urbana com foco no pedestre. A ação foi realizada pelo ITDP Brasil, com financiamento da Citi Foundation e em parceria com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito (BIGRS),  a Iniciativa Global de Desenho de Cidades (NACTO-GDCI), o WRI Brasil Cidades Sustentáveis e a Vital Strategies, com apoio da Prefeitura Regional de Santa/Tucuruvi, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, da Escola Modelo da Faculdade de Arquitetura FIAM-FAAM e da start-up Urb-i — Urban Ideas.

A experiência ficou registrada em um curta-metragem que será apresentado na 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, cuja etapa expositiva terá início em outubro deste ano. O tema convida a pensar sobre “O projeto”, entendido como um instrumento capaz de combinar diversas disciplinas presentes no planejamento urbano.

Ao longo de todo o dia, os moradores de Santana vivenciaram a experiência de um espaço mais seguro para o  pedestre e mais convidativo para a socialização. Algumas interseções entre as ruas Dr. César, Salete Voluntários da Pátria e Leite de Morais receberam mobiliário temporário e sinalização horizontal para induzir a redução de velocidade dos automóveis, diminuir a distância de travessia dos pedestres e aumentar a visibilidade entre o motorista e o pedestre, estimulando o respeito à vida e ao Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece a prioridade do pedestre na hierarquia do trânsito. Cadeiras de praia, guardas-sóis e apresentações culturais foram atrativos da ação. Estudantes e voluntários testaram soluções em escala reduzida, intervindo em pontos onde é necessário ampliar a segurança viária.

Participantes da oficina de redesenho urbano realizada pelo ITDP no dia 24 de agosto estiveram presentes e conferiram as modificações propostas. Uma pesquisa com moradores e comerciantes da região também foi aplicada.

Segundo Danielle Hoppe, Gerente de Transportes Ativos – Mobilidade a pé do ITDP Brasil, o urbanismo tático — forma como ficou conhecida esta modalidade de intervenção no espaço público — é um recurso importante para sensibilizar as pessoas sobre a importância da caminhabilidade. “Quando o poder público apresenta um projeto de alteração do espaço viário, é natural que haja muita resistência. O urbanismo tático demonstra de forma concreta como é possível redesenhar o ambiente e enfatiza a melhoria proposta de forma mais clara, possibilitando ajustes de projeto quando necessário”.

Para Nilo Guilherme, que há mais de 30 anos se desloca diariamente de transporte público para trabalhar em Santana, a medida pode ser positiva para dinamizar o comércio local. “Quando há muito congestionamento e barulho, você se desencoraja a passear pelo bairro, fazer compras. E o comércio é muito importante para a nossa economia local”, afirmou.

Reportagem do Canal Mova-se sobre a intervenção

Galeria de Fotos

Ploft: o tombo

Fonte: Portal Acesse
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de dois braços e mãos esticados, como numa sombra, refletida na calçada. Fim da descrição.

Por: Helena Degreas 

Acordo, abro a janela, sinto a brisa fria da manhã e vejo aquele céu azul profundo que só o outono pode nos propiciar. Coloco a coleira da Ricotinha (minha pitbull branca e rosa) e vou passear. Quero ver pessoas. Quero caminhar. Sinto falta. Depois de atravessar as inúmeras grades do prédio onde moro, alcanço enfim, a última gaiola de vidro que só abre com a autorização da criatura uniformizada em azul-marinho que aperta o botão. “Vai sair doutora?”, ele pergunta. Juro que pensei em responder com meia dúzia de desaforos, do tipo: “claro que não! Estou aqui porque sinto prazer em ver as pessoas livres lá fora”, mas, em nome da civilidade matinal, e, tentando não assustar a Ricotinha, rosnei um sim.

Soltas da gaiola de vidro, fomos explorar o mundo lá fora. Vejo o andamento das obras do metrô. Impressionante o ritmo dos negócios públicos. Minha filha estava no finalzinho do curso médio quando tudo começou. Hoje, já tem um mestrado finalizado nas costas. Lembro-me de todas as fases. A desapropriação dos imóveis. A demolição de cada uma daquelas histórias de vida encerradas em casas, lojas, prédios. O arquivamento forçado de minhas memórias. O sumiço da paisagem reconfortante.

Logo no começo, vieram os transtornos. No mais autêntico jeitinho brasileiro de construção civil e planejamento viário, ou ainda, ‘tentativa e erro’, os doutores do trânsito, dos engarrafamentos municipais e das obras eternas estaduais foram alterando o sentido das ruas autocraticamente para facilitar a vida do cidadão automóvel, é claro.

Os pedestres? Ora, os pedestres…. Os moradores? Ora, os moradores e suas necessidades…

Para quem não sabe o significado de calçadas, por favor perguntem ao São Google. Lá poderão encontrar desde ‘rua ou caminho revestido de pedras’ à ‘faixa destinada ao trânsito de pedestres e animais’. Taí. Gostei. Sou mais a última definição. Tem mais a minha cara: trânsito de pedestres (Ricotinha) e animais (eu) … E completando: automóveis (carro-cidadão contemporâneo com tratamento V.I.P) cuja locomoção livre de obstáculos por meio de pistas lisinhas e paradinhas breves em frente a obstáculos como faróis são, por princípio modernista, evitadas a qualquer custo. Conforto total para o motor cansado de tanto rodar por aí…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A calçada quebrada em frente à obra do metrô Oscar Freire. Fim da descrição.

Afasto meus pensamentos cinzentos e retorno ao passeio. Caminho em direção à esquina do futuro metrô. Duas faixas de carro foram eliminadas para ampliação das calçadas. Por que ampliaram as calçadas? Bom-senso dos engenheiros, arquitetos, prefeito ou governador? Doce ilusão a minha. Avançaram com os tapumes da obra sobre ela. Desvio dos blocos de concreto que foram largados sobre o meio fio e engaiolam os pedestres no passeio estreito.

Desvio do carrinho de compras. Todos desviando de mim. Por que será? Lembrei-me…. Estou com minha petbullzinha. Mesmo na coleirinha de strass, todos me olham ressabiados. Ok, penso. Se a calçada resultante das obras tivesse ao menos a largura para duas pessoas andando lado a lado, eu poderia me afastar um pouco. Calma, Helena. Você não está em Londres. Não está em Paris. Não está em Montevideo, Buenos Aires, Berlin, Madrid, Santiago e um monte de outros lugares. Você está num dos metros quadrados mais caro da cidade de São Paulo. Lembre-se, Helena: calçada é o espaço destinado a animais e pedestres…. Mentira: Ricota não consegue andar livremente. Nem eu. Sossegue seus pensamentos, Helena. Retorne ao passeio.

Vejo dois carrinhos disputando o mesmo espaço que eu: o da nova inquilina do quarto andar com seu bebê e sua babá, além do mais tradicional, sóbrio, de feira cheio de flores coloridas e pequenas junto com a Dona Veridiana que, como toda manhã ensolarada, vai ao mercadinho. Uma bicicleta e vários funcionários do metrô depois, estamos todos empilhados sobre uma esquina ridícula que, só não nos deixa numa situação mais indigna, porque tem a tal ‘rampa de acesso’. Para onde? Certamente para o próximo obstáculo: o canteiro central da Avenida Rebouças. Vamos lá, Helena. Bom humor! Logo, logo, depois de exercitar a tolerância, virtude há muito esquecida por minha humanidade, no aguardo de dois faróis, você conseguirá atravessar as seis faixas destinadas ao cidadão automóvel e, logo depois, ao seu destino final: a outra calçada. Imbuída do mais sincero sentimento de empatia pela raça humana urbana, aguardei a passagem e a travessia de todos. Foram dois faróis. Três minutos cada um. Mais a movimentação daqueles corpos se ajeitando nas calçadas. Lentos… muito lentos… e eu querendo passear. Ricotinha já estressada em busca do matinho mais próximo. Pela cara dela, qualquer um serviria. Desconhecidos humanos continuavam chegando e se empilhando na esquina. E eu, em respeito, me afastando com meu pet para deixá-los passar.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. Esquina da rua Oscar Freire. Vemos a faixa de pedestres e os tapumes da obra. Fim da descrição.

Como que possuída por uma raiva, um sentimento intenso de sobrevivência, peguei Ricotinha no colo (20 kg) e decidi passar no meio daquele monte de gente, para alcançar ao menos o canteiro central. Já estava lá a uma eternidade. Como raposa, observei o farol. Saquei o celular, contei os segundos e, preparada para a maratona, esperei.

Sinal verde para o pedestre: com o cachorro no colo, corri como louca. Numa conversão proibida, fui surpreendida por um caminhão.

PLOFT!

Com o susto, caí rolando sobre a faixa de pedestres até o canteiro central. Interessante a reação das pessoas: os funcionários da CET riram de soslaio. O motorista transgressor, gritou impropérios. As pessoas que aguardavam no ponto de ônibus, incluindo o motorista, gargalhavam. Vi um jovem sacando o celular para fotografar: devo ter virado sucesso nas redes sociais. Os colaboradores do metrô: impassíveis. Meus vizinhos, nem aí. Tipo: sei lá quem é ela. Ricotinha, assustadíssima, havia se soltado da coleira para desespero dos passantes. Grudou em mim. O ônibus, apesar do farol livre, decidiu parar. Menos mal: não passou por cima de mim e nem da Ricotinha. Lembro-me do para-choque a alguns centímetros de distância do meu corpo. Arrastei-me até o canteiro central. Humilhada.

Admiro os gatos. Caem sempre de pé sobre as quatro patinhas. Não importa a situação. Eu? Me esborracho no chão nas malditas calçadas malcuidadas pela gestão do alcaide da cidade onde moro. Não é o primeiro hematoma. É uma situação eterna. Histórica.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. O gatinho Ozzy, está se espreguiçando. Ele é branco e tem detalhes rajados na cabeça. Fim da descrição.

Ozzy, o gatinho contorcionista do meu colega Cidomar Biancardi Filho responsável pela foto

Dizem que vivo no mundo da lua. Enganam-se. Vivo, por assim dizer, num mundo paralelo: espécie de realidade própria, construída em pensamentos profundos que me permitem compreender a outra realidade material, dura, intragável do nosso cotidiano como pedestres em São Paulo. Recorrer a quem? Ninguém. Nada. Vazio. Acessibilidade em ambiente urbano? Só se for em cidades fora do Brasil. Preciso viajar para caminhar. São inúmeras as autarquias, órgãos, departamentos, secretarias, empresas, concessionárias, permissionárias, leis, normas, interessados, curiosos… sei lá. Todo tipo de interferências e emaranhados administrativos e legais agindo sobre o espaço por onde caí. Preciso implorar. Gritar para ter o mesmo direito do carro. Sem saída. Desisto.

Em tempo: Ricotinha conseguiu passear. Correu como nunca no petground – novo espaço público urbano para a diversão canina. Próxima vida, pretende nascer cachorro.

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

Projetando na escala do pedestre: métodos e instrumentos de avaliação local

Mobilidade Urbana produção de espaços livres públicos

O que ensinamos no Escritório- Modelo:

  • Planejamento e Projeto urbano construídos com foco em produção de espaços públicos adequados à realização das atividades e comportamentos dos usuários com o objetivo de atender à realização da esfera de vida pública.

Linha de atuação:
PSPL – Public Space, Public Life (Jan Ghel), Cidade Ativa , Walknomics Principles, SPUrbaismo,  NYC TOD (Bloomberg e Jannet Sadik-Khan), Planmob 2015.

Quais instrumentos foram estudados para a realização do levantamento:

  • Safari Urbano: vem da metodologia do Active Design. A organização Cidade Ativa traduziu e adaptou aqui para o Brasil.
  • Fluxos e Permanências (registros): adaptamos do arquiteto finlandês Jan Gehl.
  • Painéis interativos: metodologia criada pela Cidade Ativa
  • Jay walk ou travessias (registros – SPUrbanismo)
  • Levantamentos fotográficos

Quais leituras são utilizadas para a realização das propostas de caminhabilidade?

O trabalho a seguir, foi desenvolvido ao longo do primeiro semestre de 2017 pelo escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo do FIAM-FAAM Centro Universitário e teve por objetivo exercitar a atividade de observação da realidade pelos alunos, a partir da aplicação de instrumentos de avaliação de comportamentos urbanos na escala do pedestre. Para tanto, foi selecionado um local crítico: o ponto de ônibus localizado na Avenida Rebouças – Para Clínicas que fica sob a passarela Prof. Dr. Emílio Athiê.
A sugestão foi apresentada em reunião realizada no início de 2017 pela Câmara Temática de Mobilidade à Pé vinculada ao Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, Prefeitura do Município de São Paulo). As atividades acadêmicas estavam associadas ao projeto de pesquisas intitulado Mobilidade Urbana e Produção de Espaços Livres, vinculado ao Mestrado Profissional e Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano.

O resultado deste trabalho – .um diagnóstico, encontra-se no link a seguir. O documento apresenta as pesquisas de observação e os instrumentos adotados para que os levantamentos pudessem ser realizados.

Numa próxima etapa, o diagnóstico levará a propostas de intervenção na escala de projeto urbano.

Diagnóstico: Passarela Prof. Dr. Emílio Athiê e Ponto de Ônibus Clínicas

Alunos:  Gregory Bertelli ,Leandro Mendes Mesquita, Maria Alicia Abate, Nathiely Fátima de Miranda, Patrícia Mieko de Angelis Sato, Vitória Raiza Marques Novo