Bem-vindos à sala de aula urbana!

Com o objetivo de formar cidadãos e futuros profissionais autônomos e participativos nos processos de produção de nossas cidades, laboratórios experimentais e escritórios-modelo vem acolhendo práticas pedagógicas experimentais que tornam o aprendizado mais significativo para os alunos ao propor a valorização da prática e da experimentação. É nesse contexto que surge o projeto acadêmico “Arte à Vista: um presente dos alunos do Instituto de Cegos Padre Chico e do FIAM-FAAM para a cidade!”.

Utilizando como ponto de partida do processo ensino-aprendizagem o ABP – Aprendizagem Baseada em Projetos, professores e alunos de diversos cursos foram convidados a participar da proposta de trabalho que consistia em colaborar na criação de um ambiente urbano em homenagem à Sra. Dorina Nowill. O bairro em que se realizou o trabalho é a Vila Mariana, cidade de São Paulo, local onde encontram-se diversos serviços de saúde, clínicas, hospitais e ONGs especializadas no atendimento de pessoas com deficiências funcionais distintas. Dentre elas, encontra-se a Fundação Dorina Nowill, referência mundial no atendimento e orientação de pessoas cegas e com baixa visão.

Por se tratar de prática pedagógica complexa que envolve ações na cidade, os professores vincularam às técnicas do ABP, processos de planejamento, projeto e construção de espaços públicos de forma coletiva e colaborativa inspirado nos conceitos Placemaking e Urbanismo tático. Os objetivos pedagógicos da ação pretendem estimular o trabalho em equipes multiprofissionais (e com ela a vontade de explorar novos territórios de conhecimento), a colaboração, a criatividade, a busca por soluções inovadoras e o “fazer” como experiência transformadora.

Desafio proposto: criar um “lugar” urbano a partir das necessidades dos usuários da região (moradores, alunos e visitantes) e, ao mesmo tempo, homenagear Dorina Nowill colaborando na indicação de seu nome para uma praça ainda sem designação em frente à escola.

As ações propostas para resolver o desafio:
– Redigir a proposta de trabalho, definir os objetivos, as ações, os envolvidos, as etapas de trabalho, os meios e o cronograma.

Foram selecionadas algumas das principais etapas percorridas entre os meses de setembro e outubro de 2016 por todos os envolvidos no projeto e que ilustram parte da trajetória que gerou o resultado apresentado.

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  1. As etapas:

    Elaboração da arte tátil: Alunos do curso fundamental do Instituto Padre Chico – Colégio Vicentino Padre Chico utilizaram as aulas de Educação Artística para criar desenhos tridimensionais inspirados pelas Paralimpíadas que ocorreram no Rio de Janeiro em 2016. Com tampinhas de garrafa e palitos de sorvete, as crianças e adolescentes que todos os anos produziram mais de uma centena de desenhos em alto relevo com o tema proposto sabendo que o material faria parte de um painel gráfico.

    Preparo das cerâmicas: No ritmo de uma maratona, dezenas de alunos universitários prepararam a argila – amassaram e formataram em moldes de 15cm x 15cm para receber e estampar a arte das crianças do IPC, agora, em baixo relevo.

    A queima: cerca de duas centenas de placas cerâmicas foram enviadas para queima nas oficinas da universidade. Embaladas uma a uma, todas foram reencaminhadas para o local onde seriam fixadas pelos alunos.

    A fixação no muro: tanto o período de chuvas quanto o conhecimento das técnicas de colocação de azulejos, não foram previstos no projeto. Para resolver os problemas, os alunos improvisaram uma oficina de azulejaria com colaboradores externos à instituição. Um azulejista foi contatado para colaborar na orientação da fixação e problema foi resolvido com a colocação das plaquinhas no muro. Quanto às chuvas… os alunos aguardaram os períodos de estiagem para dar andamento aos trabalhos.
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    Arte Gráfica: a criação do projeto do mural pelos professores e alunos do curso de Design Gráfico que cobriu as empenas cegas dos muros do campus foi elaborada incorporando as plaquinhas com a arte das crianças do IPC.

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    Espaço de Estar Urbano – inspirando-se nos princípios de ação do DIY & tactical urbanism, foi organizada a “Sala na Cidade” – proposta que pretende disseminar a criação de lounges urbanos espalhados pela cidade, ou ainda, lugares de estar públicos construídos em sobras de sistemas viários. Para resolver o problema da aglomeração na entrada e saída da faculdade, foi desenvolvido o layout de um ambiente leve e descontraído para acolher não só os moradores da região bem como os alunos redirecionando-os para uma sala de estar localizada numa área ao lado e que apresentava as dimensões adequadas para acolher a todos com mais conforto e segurança. Por se tratar de intervenção DIY, o processo durou cerca de 4 horas para a instalação. A sala recebeu mesas, bancos em concreto, vasos e tapetes pintados no chão. Tintas, cerâmicas, concreto e alegria contagiante impactaram positivamente o lugar antes inexpressivo. Durante o processo de construção do local, a vizinhança observava curiosamente, as ações. Plantando flores nos vasos espalhados nas calçadas ou sentando-se nos bancos recém instalados, moradores dos prédios vizinhos começaram a utilizar a sala de estar e a observar a arte dos muros como algo aconchegante e familiar.

     

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A utilização de recursos advindos do ABP e a possibilidade de ação direta na realizada vivida pelos alunos por meio do urbanismo tático fornecem um contexto real para o aprendizado, pois as situações apresentadas geram uma “necessidade real de saber”, ou ainda, tem a “relevância necessária”, motivando-os a gerar as soluções com o objetivo de atender a demanda ou ainda resolver a situação-problema apresentada. Como os projetos são “abertos”, os alunos devem fazer escolhas, encontrar soluções, explicá-las de forma personalizada. Associado ao ABP e às orientações da ONG Cidade Ativa, o escritório-modelo adotou algumas das características do:
Placemaking: para o desenvolvimento do projeto de intervenção do local, foram aplicados vários instrumentos de pesquisa com o objetivo de compreender o perfil do futuro usuário e seus desejos. Foram aplicadas entrevistas abertas, questionários, painéis interativos, medições físicas e medições comportamentais (contagens que avaliam as atividades do local ao logo do dia -manhã, tarde e noite por meio do mapeamento de fluxos e permanências) além da análise dos sete critérios desenvolvidos pela equipe do arquiteto Jan Gehl (GEHL, 2013) e Active Design Guidelines (NYC, 2013), a saber: segurança, proteção, acessibilidade, diversidade/versatilidade, atratividade, conectividade, resiliência e sustentabilidade.

Urbanismo tático:
Para a construção real dos projetos, é necessária a realização de planejamento de ações a curto e médio prazo com estratégias de transformação de ambientes urbanos rápidas e de baixo custo, materializando ideias para estimular o exercício de uma cidadania ativa que geram impacto positivo na qualidade de vida das pessoas. Por se tratar de um escritório-modelo que avalia o processo de criação e solução de problemas de alunos, é possível desenvolver ações transformadoras com diversos atores sociais para além do campus universitário, intervindo por meio de ações concretas, na solução dos desafios cotidianos de nossas grandes cidades.

Todas as atividades descritas envolvem habilidades elevadas de raciocínio que requerem o domínio de tecnologia e desenvolvimento de pensamento crítico. A abordagem de temas complexos para a resolução de problemas em comunidades locais, demanda pensamentos inovadores e, para tanto, os cursos superiores deverão trabalhar a formação de profissionais que trabalhem de forma colaborativa, administrem diversas fontes de informação, disciplinas, recursos disponíveis, como tempo e materiais, competências e estratégias nos campos de atuação pessoal, emocional, profissional, social e técnica.
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Fotos: acervo FIAM-FAAM Centro Universitário, outubro de 2016.

*Este trabalho foi realizado por vários voluntários e parte de seu texto está no blog do escritório modelo. Se quiser conhecer a ação realizada para o Global Days of Service,
acesse aqui.

Texto: Helena Napoleon Degreas, Adriana Valli Mendonça, Lilian Regina Machado de Oliveira e Cidomar Biancardi Filho

 

E não é que dá para fazer um trote usando tinta de forma produtiva?

Diário de classe:  Trote Solidário!

Todos os dias estaremos publicando as ações de nossos alunos!

Sigam as novidades!!!

Amparo Maternal 2015

No FIAMFAAM Centro Universitário, o Trote Solidário é coisa séria.

Trata-se de uma construção coletiva organizada por alunos veteranos, apoiada por uma dedicada rede de professores e colaboradores voluntários que atuam na constituição de uma sociedade mais justa e que difundem, por meio da educação, os princípios e ações que valorizam o ser humano, promovem o progresso social e a melhoria das condições de vida.

Para quem se dirige o trote e onde será realizado?
Bazar do Amparo Maternal

Quem são? 
O Amparo Maternal é uma Instituição filantrópica com 75 anos de história em assistência a gestante de todo País pelo Sistema Único de Saúde – SUS. Nasceu da concepção de que nenhuma parturiente na cidade de São Paulo deveria ficar sem um local adequado para dar à luz. (texto do site)

Por que o Amparo Maternal?
Alinhado com as políticas de relacionamento com a comunidade, o FIAMFAAM Centro Universitário apoia ações que valorizem a qualidade das relação sociais e a melhoria da qualidade de vida por meio de ações educativas afirmativas.

Quem participa?
Alunos, colaboraadores e professores do curso CST Design de Interiores (organizador) e Comunicação Social.

Data do trote
dia 27.02.2015 das 8h às 11h30m

Como começou tudo isso?

No finalzinho de 2013, a Profª Renata Mello propôs uma parceria entre o Amparo Maternal e o Escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo. E por que não apoiar também pelo desenvolvimento de projetos, essa ONG? Praticamente vizinhos, agendamos uma reunião e fomos muito bem recepcionados. O lugar é incrível e atende centenas de mães gratuitamente de forma impecável.

Desde o final do ano passado, fui procurada por um conjunto de alunos que estavam no final do curso. A alunaEliane Parente tomou adiante a proposta de inciar as ações para o Trote Solidário. Nele, alunos veteranos deveriam dar as boas vindas aos alunos ingressantes de um forma singular: mostrando aos calouros que é possível já no começo do curso, aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula e fora dela, na profissão para o bem social. E assim, já no início do semestre, começaram as atividades que tinham várias metas:
– integrar alunos
– integrar o FIAMFAAM com a comunidade ampliando o relacionamento entre a escola e o bairro.
– acolher calouros e mostrar que aprender na prática é possível e pode ser uma atividade que envolve a pintura de forma produtiva – se a pintura caiu na roupa ou na pele, foi por descuido e não por imposição… rs
– melhorar o nosso dia e nossa vida agregando valor social por meio de ações construtivas.

A Organização do Trote Solidário

Os organizadores professores do CST Design de Interiores, ou ainda, aqueles que literalmente estão “colocando a mão na massa” e trabalhando para que o trote seja um sucesso!
Adriana Valli Mendonça; Francine Trevisan; Giuliana Sampaio, Lilian Machado.

Logo depois, mais alguns colegas foram à luta – todos os dias, esta área estará sendo atualizada…
Rafael Jun Mabe, Ricardo Granata, Paulo Sampaio, Renata Mello, Fernanda D’Agostini.

Os alunos organizadores:
Jéssica D’Moura, Tanila Correa, Maria Silva, Bruna Santos, Rodrigo Pereira, Eliane Parente

Data de início – 12.02.2015
bazar Amparo Maternal

Fomos conhecer o local que seria objeto de intervenção: o bazar do Amparo Maternal. Repleto de roupas semi-novas e
objetos diversos em excelente estado, o bazar está localizado na Rua Napoleão de Barros, 1035.
visita ao bazar do amparo maternal

Neste dia os alunos veteranos e os ingressantes iniciaram o levantamento fotográfico e o físico com
o objetivo de realizar um diagnóstico do local e desenvolver as propostas de intervenção.

Etapa 2 – Diagnóstico e levantamento

Vejam as imagens enviadas pela Profª Giuliana Sampaio que mostram parte do levantamento realizada pelo calouro Israel Oliveira – parabéns!

sketchup Israel Oliveira

sketchup Israel Oliveira

Etapa 3 – A proposta de intervenção

Após inúmeras reuniões, as organizadoras chegaram à algumas propostas. Sintetizada pela Profª Francine, temos a imagem do que se pretende realizar durante o trabalho.

proposta de intervenção Amparo Maternal

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Etapa 4 – Mão na Massa!!!

Antes de pintar, nada melhor do que uma palestra para calouros sobre o uso correto de tintas como revestimento… associada a uma oficina de pintura!

Palestra da Suvinil!

Sala cheia…  não dá para sair “pintando por aí” de qualquer jeito… o trabalho precisa sair perfeito: tudo por uma boa causa!

mais momentos com Suvinil

Sobre PALLETS e reciclagem de materiais… um pouco do antes e depois:

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Nova Vida: reciclando

Mesmo com tintas e pincéis, a elegância é fundamental.
Nossos alunos além de socialmente responsáveis, modéstia à parte, são lindos!

elegânica é fundamental em nossa área de atuação - linda na maquetaria 1

Palestra do Professor Paulo Sampaio  para a as voluntárias do Amparo Maternal.
A conversa foi excelente!

Prof. Paulo Sampaio Palestra 1
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Marketing Social: Relacionamento com clientes
Local: Prédio da FMU-FIAM-FAAM – Vila Mariana II
Rua Agostinho Rodrigues Filho, 201
SALA B15
16:00h

 

Mão na massa: dá para ser feliz aprendendo a lixar, pintar e construir?

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 Eles não se intimidam com trabalho difícil… tudo por uma boa causa!

              O Processo: do desmonte à construção coletiva

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O GRANDE DIA CHEGOU!!!

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 ANTES e DEPOIS!

Por meio de uma série de imagens, os leitores poderão observar as mudanças!


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Inauguração, e não é que logo após a inauguração

o bazar já recebeu a primeira cliente?

Bem-vinda Sofia! 

Sofia

Bem-vindos todos!

Nós, professores e alunos do FIAMFAAM Centro Universitário somos gratos pela confiança e por termos podido vivenciar e colaborar cm o trabalho do Amparo Maternal.

E que venham novas ações sociais. Nossos alunos, colabores e professores estão prontos!

Foi um prazer!

Relação dos alunos participantes:

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ALESSA MARTINS SILVA , ALINE CARDOSO DOS REIS , AMANDA NERI FREITAS , ANDRESSA CRISTINA PEREIRA DA SILVA, ARIANE SOUSA SANTOS , BRENNA SILVA LIMA , BRENO GASQUES DE MORAES, EMILE DE SOUSA FREITAS , FRANCIELLY COSTA MENDES, GEISA FERREIRA COSTA , GIL RONE ROBERTO GUIMARAES DO NASCIMENTO, HENRIQUE DE LIMA , IANE NUNES MACHADO , JESSICA DA SILVA FRANCISCO, JESSICA SANTOS DE SOUZA, JOICE ROCHA MACIEL, LARISSA FERREIRA SILVA , LUANA DE SOUZA FERREIRA, LUCIANA MACIEL FERREIRA , MAIARA DA SILVA SANTOS , MARICY MONTEFORTE , MONIQUE MARIA DE CARVALHO , NADIA SANTOS HERNANDES BONDESIO , NATALIA MACIEL BARBOSA DA SILVA, PALLOMA TELES , PAULO RICARDO INOJOSA ZANZINI , STEFANY NASCIMENTO FELIX, VALERIA THAMIRIS ALVES MOREIRA , VALTER PEQUENO , VITORIA CANDIDO FARISA DA SILVA, HÉLEN CAMPOS DE MENEZES, JÉSSICA FARIA SALAZAR, Karine Gomes de Oliveira, Maria Silva Bruna Santos, Eliane Parente, Jéssica D’Moura, Maria Silva, Rodrigo Pereira, Tanila CorreaÉrica de Brito

saiu na mídia:
http://portal.fmu.br/noticias/4066/trote-solidario-rende-troca-de-aprendizado.aspx

Algumas reflexões sobre valores, comportamentos e projeto para pessoas com deficiências funcionais

Não é muito do meu feitio, mas achei que seria importante postar algumas reflexões que fiz sobre algumas questões que permeiam meu cotidiano de aulas e que, de certa forma, foram objeto de entrevista de um jornalista, (cujo trabalho respeito e admiro muitíssimo) que escreve sobre o universo de pessoas com deficiências.

Logo “de cara”, ele afirmava que as pessoas estão “acostumadas” a determinadas arquiteturas sem pensar nas pessoas com deficiências que, por sua vez, passam despercebidas na sociedade. Logo depois, pedia para que eu discorresse sobre o assunto.

Homem Vitruviano (Leonardo da Vinci)

Não vou negar: empaquei na hora.

Como assim, estão “acostumadas”? Como assim, “despercebidas” por nós? Arquitetos? Desde quando?

Com o objetivo de responder de forma o “mais soft possível”, decidir “ir a fundo” no significado da palavrinha “acostumadas”. Isso significa que fui, de forma breve, contextualizar valores sociais vinculados às ações e comportamentos para com as pessoas que apresentam algum tipo de deficiência funcional.

Deixo aqui, parte do material que pesquisei. É uma forma de me colocar sobre o assunto e expor aos meus alunos o que penso.

Contextualização das questões

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar que cada pessoa é reflexo do mundo onde se encontra. Materializamos em nossos pensamentos, em nosso jeito de ser, decisões, atitudes e comportamentos que refletem os valores inerentes ao local e à época em que vivemos. Podemos até não concordar, mas aprendemos a ser humanos junto com outros humanos.

A despeito do caráter ou do livre arbítrio, nossas decisões são pautadas pelas tradições e valores morais, intelectuais e até espirituais dos grupos dos quais fazemos parte. Se algo não está no nosso foco de atenção ou não é prioridade, ou não é, provavelmente, um problema direto que nos afete: isso quer dizer que não será sequer notado, pois não tem significado palpável, concreto nem para o indivíduo e nem para o grupo social predominante.

Somos sensibilizados apenas por aquilo que somos capazes de compreender como problema. Estamos imersos numa cultura, num contexto social.

Neste momento, faço uma nova pergunta: quando foi que a acessibilidade para pessoas com distintas características físicas (alta e baixa estatura, com obesidade mórbida ou anorexia, grávidas ou idosos) e também com deficiências funcionais ou estruturais do corpo (aquelas que limitam ou ainda restringem o desenvolvimento de atividades e a participação da pessoa) transformou-se em pauta que permeia as discussões contemporâneas brasileiras e mundiais? Porque isso aconteceu?

O final do século XX foi palco de um conjunto de ações sociais que levaram a mudanças de paradigmas e por conseqüência, revisão de várias posturas, conceitos e ideologias em especial ao que diz respeito às premissas do desenvolvimento:

Mudança na maneira de pensar sobre o desenvolvimento: economista e planejadores de desenvolvimento acreditavam que o crescimento econômico seria o princípio para a erradicação da pobreza mundial.

Primeiro porque com o crescimento das forças de mercado, haveria geração de empregos, salários, consumo, entre outros e a riqueza se distribuiria inevitavelmente.

Segundo porque os Estados, com maior arrecadação, iriam concentrar seus esforços no atendimento das necessidades básicas dos pobres ampliando seus benefícios;

Terceiro porque acreditava-se que o destino dos pobres não deveria ser a preocupação principal de mercado e governos pois, com o acúmulo do capital, e construção de infraestruturas associados à capacidade produtiva do mercado ocorreria naturalmente uma melhoria posterior na situação dos pobres.

O modelo do capitalismo pautado na eficiência, eficácia e geração de lucros não se mostrou suficiente para responder às desigualdades sociais. A revisão do modelo de desenvolvimento ocorre ao longo da década de 80.

O desenvolvimento deixa de ser um fim em si mesmo e passa a ser medido a partir do ser humano. Surge o conceito de desenvolvimento humano cujo enfoque pautava-se na melhoria das condições humanas.

A década de 90 presenciou a publicação do Relatório do Desenvolvimento Humano do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. O desenvolvimento humano foi definido como um processo de ampliação das escolhas humanas, não limitado apenas a diferentes tipos de produtos como utensílios domésticos, roupas, etc., mas a escolhas mais importantes, tais como de empregos, educação e lazer.

O desenvolvimento humano tem por princípio a formação das potencialidades humanas, tais como saúde, conhecimento e habilidades, e o uso destas potencialidades pelas pessoas por meio de suas habilidades e vontades aplicadas em atividades políticas, sociais ou de lazer como exemplos. Questões associadas aos direitos civis, políticos e equidade, permeiam todos esses fatores. Para que o desenvolvimento humano possa ocorrer é preciso associar fatores tais como crescimento econômico, desenvolvimento de recursos humanos, direitos humanos, paz e segurança além de sustentabilidade.

– A partir da nova premissa, o Desenvolvimento Humano cria a demanda por equidade, ou ainda, a busca por justiça e igualdade a partir de critérios que levam em conta os valores morais vigentes, o regime político e os princípios gerais do Direito de cada país.

– A disseminação da informação, agora mais rápida e abrangente, facilitou a disseminação de conteúdos globais no âmbito dos direitos humanos e cidadania.

– A maior mudança social ainda na década de 80 foi a revisão do conceito de cidadania que passa a reivindicar não apenas o direito á habitação, saúde, trabalho, lazer, etc., como também direitos políticos e o direito da autorrealização, incluindo nos debates contemporâneos questões ligadas aos direitos sociais.

– Mudaram também os agentes sociais. Se até pouco tempo as decisões públicas e de cidadania eram tomadas pelos governos e Estados, verdadeiros monopólios, hoje essas mesmas decisões são compartilhadas com novos agentes oriundos do terceiro setor (sociedade civil organizada) a partir de um exercício coletivo, disperso, fragmentado com ideais muitas vezes difíceis de serem alcançados. Trata-se de uma construção social ampla, cuja necessidade do diálogo, da tolerância, do respeito às diferenças tornam-se mais imperativas, buscando mitigar possíveis efeitos adversos a determinados grupos, mas com soluções cada vez mais consensuais e democráticas.

A pessoa com deficiência: uma contextualização necessária das problemáticas que envolvem o tema

É nesse contexto, na busca pela autorrealização e também dos direitos políticos, civis, é que se expressam as várias minorias não atendidas em suas necessidades nem pelos Governos e Estados (primeiro setor) e nem pelos mercados (serviços, comércios, indústrias, agriculturas, etc.): surgem como novos agentes sociais, as pessoas com deficiência que, organizados em ONGs, institutos, fundações, etc., buscam a equidade lutando por seus direitos civis e sociais.

Ações pontuais para atendimento das pessoas com deficiência sempre ocorreram de forma fragmentada até praticamente o final do século XX. As décadas de 70 e 80 presenciaram a mudança no entendimento social e no tratamento das pessoas com deficiência. Num primeiro momento, a sociedade associava os conceitos de deficiência e doença como se fossem sinônimos.

A própria OMS – Organização Mundial da Saúde, com o objetivo de conhecer mais sobre as conseqüências das doenças publicou em meados da década de 70 a Classificação Internacional de Deficiências,Incapacidades e Desvantagens (CIDID), título este que carrega uma conotação negativa. Paralelamente a esta fase, a visão assistencialista de conotação religiosa gerava sentimentos os mais diversos nas pessoas: as ações vinculadas à caridade eram alimentadas predominantemente pelos sentimentos de piedade e dó.

Mais recentemente, a OMS revisou vários dos conceitos da CID substituindo-a pela CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade. Nela, a incapacidade e a deficiência são avaliadas a partir do contexto ambiental onde as pessoas vivem. Significa que um local de vida pode, a partir das suas características físicas, por exemplo, impor limitações ou restrições a usuários com algum tipo de deficiência estrutural ou funcional do corpo interferindo na qualidade de vida e no relacionamento social do indivíduo. Arquitetura deficiente, como diria minha querida Thais Frota.

Questões e problemáticas vinculadas à pessoa com deficiência passaram a incorporar a agenda de discussões sociais há poucas décadas, embora ações pontuais tivessem permeado todo o século XX tanto no Brasil como no mundo. De maneira mais sistemática e no bojo de reivindicações por uma cidadania mais ampla para além do atendimento das necessidades básicas, vários grupos sociais não atendidos pelas políticas públicas dos Governos e do mercado, fizeram-se agentes de sua própria mudança buscando a equidade, lutando por seus direitos civis e sociais.

Muito se fala da falta de “sensibilidade” dos diversos segmentos sociais para as causas que envolvem pessoas com deficiência. Causas mais do que justas e cujo atendimento é premente, pois afetam diretamente a autorrealização, o desenvolvimento de atividades cotidianas de vida e a participação social do indivíduo.

Mudanças de comportamentos sociais, de atitudes e mentalidades construídas culturalmente ao longo de várias gerações, demandam educação e, portanto, tempo para sua compreensão, assimilação e conseqüente geração de mudanças.

A inclusão hoje encontra-se no âmbito dos direitos civis e da cidadania. Com a revisão do conceito pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a deficiência sai da Classificação Internacional de Deficiências,Incapacidades e Desvantagens e vai para a Classificação Internacional de Funcionalidade. Nessa nova classificação, a incapacidade e a deficiência são avaliadas a partir do contexto ambiental onde as pessoas vivem. Significa que um local de vida pode, a partir das suas características físicas, por exemplo, impor limitações ou restrições a usuários com algum tipo de deficiência estrutural ou funcional do corpo interferindo na qualidade de vida e no relacionamento social do indivíduo.

Todo este quadro aponta para a necessidade de adaptação mas abrangente.

Se Governos, mercados e sociedade precisam de tempo para assimilação dos direitos civis e políticos da pessoa com deficiência, nossas arquiteturas também precisam de tempo (edificações e espaços anteriormente construídos) para passar por adaptações para novas e tão necessárias demandas dos novos agentes, cidadãos conscientes de seus direitos sociais.

O espaço físico é apenas um dos ítens que deve ser tratado, como exposto anteriormente.

Apesar do senso comum contemporâneo apontar arquitetos e demais profissionais da construção civil como vilões da acessibilidade, podemos afirmar que que a responsabilidade pelo situação que hoje encontramos encontra-se compatilhada em diversos agentes e setores.

Todos os projetos para edificações, atendem obrigatoriamente a normas, códigos e legislações edilícias, padrões de ocupação e construção previstos em legislações urbanístcas, normas de segurança contra incêndios, além de responder conceitual e espacialmente à demanda do contratante seja ele instituição pública ou privada das épocas em que foram projetados e construídos. Projetamos sonhos, é bem verdade.

Arquiteturas belíssimas… mas sem o atendimento às leis , normas e códigos nenhuma edificação tem a autorização de funcionamento chancelada pela fiscalização pública responsável.

Isso precisa ser dito.

 

Como elaborar um projeto social: algumas orientações

Continuando o assunto iniciado no post “O que é terceiro setor?“,  daremos início à segunda etapa de nosso curso. Vamos neste momento, falar um pouco mais sobre organização de um projeto social: sua concepção, planejamento e gestão.

Utilizei como referências de leitura vários artigos e cursos que realizei ao longo da minha lém das experiências que tive quando coordenei o curso de arquitetura e urbanismo da Universidade São Marcos na área extensionista. Acrescento também, o trabalho muito legal que desenvolvi por cinco anos juntamente com meus sócio-fundadores na minha super, hiper. mega ONG – APAF -Associação Paulista de Apoio à Família.

Deixarei aqui também um arquivo em ppp onde mostrarei o desenvolvimento do projeto social ” Curso de Hospitalidade” realizado em 2007/2008 para a APAF com alguns resultados dirigido pela Profª Daniela Flores. O projeto objetivava inserir mulheres em situação de vulnebilidade social no mercado de trabalho vinculado à área de hospitalidade na região da subprefeitura Sé. A área de atução foi escolhida a partir de pesquisa junto à secretaria de trabalho e posteriormente secretaria de turismo da prefeitura o município de São Paulo. Entendemos à época por hospitalidade as áreas vinculadas à prestação de serviços em bares, hotéis e restaurantes nos setores de atendimento ao cliente, preparo de alimentos, governança e lavanderia.
O trabalho foi alterado (todos os projetos e ações devem ser continuamente adaptados e modificados para atender as demandas dos novos grupos e realidades sociais) e permanece firme e forte até hoje, atendendo centenas de mães em situação de vulnerabilidade social.

Apresentação: seminário FOHB 2008 – Projeto social – exemplo

(FOHB –Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil e APAFAssociação Paulista de Apoio à Família)

Sugestões para sua formação:
Kisil, Rosana. Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil. 3a edição, São Paulo: Global, 2004. (coleção Gestão e sustentabilidade)
Fiz também alguns cursos rápidos. Quem tiver disponibilidade de tempo e recursos, recomendo:
Princípios e Práticas de Resp. Social nas Empresas e  Princípios de Gestão Para Orgs de 3º Setor todos ministrados na Fundação Getulio Vargas – SP, FGV-SP, Brasil.












O que é terceiro setor?

Gosto do que faço, em especial programas, projetos e ações voltadas à cosntrução de um mundo mais digno, mais justo e igual.

Isso significa para mim que a maior violência cometida contra um ser humano  é privá-lo de sua liberdade. Privá-lo, significa limitar ou suprimir as condições de escolha e de oportunidades de uma pessoa, retirando-lhe a condição de ser agente de sua vida.

Obviamente, a condição de agente está ligada e é diretamente influenciada pelas condicionates políticas, sociais, econômicas, religiosas… Aí encontra-se a raiz dos maiores males que afligem a todos. Se nem todos temos os mesmos direitos de escolha, teremos condições de alcançar justiça? pensem nisso.

Um livro bacana que fala sobre o assunto é Desenvolvimento como Liberdade de Amartya Sen. (prefácio)

Um conjunto de vídeos que utilizo muito em minhas aulas de Acessibilidade e Desenho Universal estão disponíveis no post que fala sobre Direitos Humanos. Vale assistir e refletir sobre cada um dos artigos apresentados no Post: Afinal, o que são os direitos humanos?

Foi com muito prazer que recebi o onvite da Profª Romi, coordenadora do curso de moda da FMU, para ministrar a disciplçina Programas Sociais ( Moda: programa de curso).

Para elaborar este trabalho, utilizei o livro Kisil, Rosana. Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil. 3a edição, São Paulo: Global, 2004. (coleção Gestão e sustentabilidade) além dos materais de aula dos cursos de  Princípios e Práticas de Resp. Social nas Empresas e  Princípios de Gestão Para Orgs de 3º Setor todos ministrados na Fundação Getulio Vargas – SP, FGV-SP, Brasil.











Por uma boa causa…

Para aqueles que quiserem colaborar com as minhas creches, lá vai uma dica!

São mais de duzentas boquinhas lá nas Ruas Araquã 54 e Avanhandava 814 para alimentar… fora as fraldinhas… umas 3 mil por mês… hahahaha

Mais um pouquinho, os vizinhos irão pedir um relatório de impacto ambiental… hahahahahahah (brincadeirinha, as creches são modelo e o projeto pedagógico é da STANCE DUAL SCHOOL ) 😀

Acabo de voltar do almoço. Foi muito bom encontrar pessoas que se reunem por uma boa causa. matei saudades de gente que não via há tempos! Deixo aqui algumas imagens do dia de hoje. Obrigada a todos!

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