Porta para quê?

Portas que atendem as medidas mínimas da norma, podem dificultar o acesso (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

“Quem casa, quer casa”, diz um velho ditado. Como não estavam dispostos a continuar morando na casa dos pais, os dois enamorados decidem investir suas economias num sonho: ter sua própria casa. Rasparam até o último centavo de suas poupanças e contas bancárias; venderam o carro e deram entrada em um financiamento à perder de vista… feitas as contas, vislumbravam o prazo da última prestação – se tudo desse certo, muito provavelmente seus netos estariam dormindo numa casa já quitada…

Móveis comprados, entrega agendada e, com as chaves na mão, foram receber os móveis e organizar os ambientes. Pela porta principal passaram as cadeiras, tapetes, louças… passou até o piano de armário presente de uma tia solteira. O pobre veio deitado de lado no elevador. Desafinou inteiro, mas “tudo bem”, pensou a moça, “depois mando alguém afiná-lo… ele é bonito e quem sabe ela poderia aprender a tocá-lo um dia”.

Chega o sofá. “Doutora, tem um probleminha aqui.” A moça interrompe a arrumação dos armários, e vai de encontro ao rapaz. “Não passa, doutora.” “Não passa o quê?”, pergunta ela. “O sofá, doutora, não passa na porta.” Ela pede para tentar pela porta da sala. Não passava também. Inicia-se o calvário. Atentamente, os dois jovens leem o manual técnico e encontram: 96mm x 292mm x 132mm. Assustados, vão atrás de um conhecido, arquiteto, procurando decifrar o enigma. “Isso mesmo, está correto.” Pergunta o rapaz: “mas como assim, não passa pela porta. Isso é certo”? Reafirma: “As portas atendem as medidas mínimas da norma… ou são de 90mm, ou de 80mm ou de 70mm.… sinto informar, mas tanto o projeto como a construtora estão corretos…”

Percebe então que não só o sofá retrátil de canto (esse era o nome da coisa) não passava pela porta, como também nenhum dos eletrodomésticos profissionais que haviam à duras penas, adquirido. “Quem mandou gostar de cozinhar? Quem mandou gostar de receber pessoas?”, ruminava consigo mesma.

Transtornada, a jovem vai em busca das normas técnicas. Encontra uma norma: a NBR 15930 (2011) – Portas de madeira para edificações. Logo de cara, depara-se com as ‘Definições Gerais’. Pensa: “e precisa definir o que é porta? Será que as pessoas não sabem o que é uma porta? Será que nem todas as culturas do mundo ou povos da terra precisem de portas?”. Mais adiante, lê: “componente construtivo cuja função principal é de permitir ou impedir a passagem de pessoas, animais e objetos entre espaços ou ambientes”. Pois é. Ali estava a resposta. Matou a charada. Se portas tem duas funções principais – permitir a passagem ou impedir a passagem… significava que eles tinham comprado um apartamento cuja função principal das portas era, aparentemente, a de impedir a passagem…

Indignada, foi buscar no porteiro, situação semelhante à que estava passando. Soube então da história de dona Antonieta. Idosa e já com dificuldade de locomoção, passou do uso de bengala, para o uso de muletas e logo depois para o uso do andador rígido. Desta condição, foi direto para a cadeira de rodas. A partir de então, alguns cômodos da casa já não eram mais utilizados por ela e sequer vistos, situação essa que a deixava profundamente incomodada. A reforma tão necessária, fiou para depois, dada a crise econômica brasileira. Estupefata, a jovem questiona: “ela não pode mais usar a casa toda? Pagou por ela e não usa?”

No que responde o porteiro: “parece que não, dona…”, e continua a prosa: “ela só ficava muito, mas muito brava, quando os netos chegavam”. Assustada, a moça pergunta: “brava com os netos? Eram danadinhos? Bagunceiros? Barulhentos?”. “Não”, responde enfaticamente o porteiro. “Ela pegou raiva do apartamento.”

E continuou: “ela não conseguia dar boa noite direito… como a cadeira não passava pelas portas dos banheiros e ela enganchava nas portas dos quartos, ela não conseguia mais dar beijo de boa noite ou embrulhar os netinhos com as cobertas durante as noites frias…”. Penalizada com a história da vovó Antonieta e já conformada com o desmonte das suas portas, ela pergunta: “e que fim levou a dona Antonieta?”, ansiosa por saber o final da triste história. “A dona Antonieta?”, pergunta o porteiro. “Ela está ótima! Vendeu o apartamento e comprou outro. Ficou esperta! Mandou fazer as portas todas largas! De correr! Agora ela vai pra lá e pra cá na casa toda. Consegue até brincar de pega-pega com as crianças por todos os cômodos.” Um pouco mais animada e já terminando a conversa, a jovem pergunta: “e o apartamento dela? Já foi comprado?”

De pronto, responde o porteiro: “foi sim! pela senhora”.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

FONTE: ACESSE PORTAL

Pelos passeios de São Paulo…

Falar de calçadas é também tratar de um tema que se tornou um dos principais desafios das metrópoles contemporâneas: trata-se da mobilidade urbana.

Você sabia que em São Paulo mais de 30% da população se locomove a pé?

Traduzindo em números, cerca de 14 milhões de pessoas utilizam as calçadas de São Paulo para deslocar-se todos os dias: Os motivos são os mais variados e as distâncias também.

O fato é que a locomoção e o deslocamento acontecem sobre um tipo de espaço livre peculiar: as calçadas. Mas, o que é uma calçada? Quais são os elementos que a compõe?

O Decreto Municipal 45.904 de 2005 define os elementos que compõem uma calçada e descreve as 5 faixas que descreveremos as seguir:

– a primeira é a sarjeta, ou ainda, o local por onde escorrem as águas das chuvas, por exemplo, e que fica entre o leito carroçável e a guia. A guia é a elemento que separa a sarjeta da calçada.

sarjeta 3
Fonte

 

– em seguida, vem a faixa de serviço que é aquele espaço de no mínimo 75 cm,  destinado à instalação de equipamentos e mobiliário urbano como vegetação, tampas de inspeção, grelhas de exaustão, de drenagem, lixeiras, postes de sinalização, iluminação pública e eletricidade, floreiras, caixas de correio, telefones públicos e mais dezenas de outras interferências colocadas por permissionárias e concessionárias públicas.

– Logo depois vem a faixa livre, ou seja, aquele lugar em que o pedestre anda livremente e que possui superfície regular, firme, contínua e antiderrapante com largura de, no mínimo, 1.20 m. Trata-se de espaço suficiente para duas pessoas andarem lado a lado. Este lugar tem inclinação transversal de até 2%, ou seja, quase imperceptível para quem está andando mas, que permite, que a água de chuva escorra para a sarjeta sem empoçar no meio do caminho. Quanto à inclinação, ela tem que se igual à da rua: nada daquilo de fazer degraus, escadinhas e várias outras soluções que a gente encontra todos os dias por aí e que nada mais são do que soluções criativas para facilitar a vida particular dos donos dos imóveis ou seja, facilitar a entrada do carro na garagem, servir de apoio para mesas de bares e restaurantes por exemplo.

– Depois temos a faixa de acesso que é a área destinada à acomodação das interferências que são resultantes da implantação, do uso e da ocupação das edificações existentes na via pública. Trata-se da colocação de jardins, floreiras, lixeiras e quaisquer outras necessidades do edifício que está em frente a ela. De qualquer forma, precisa de autorização da prefeitura e só é recomendável para calçadas com mais de 2 metros de largura.

– Por fim o decreto apresenta as esquinas incluindo a intervisibilidade. A esquina constitui o trecho do passeio formado pela área de confluência de 2 (duas) vias. 

boletim lei calcadas_menor_c (1)
Fonte

No evento Calçada-Cilada realizado aqui no FIAM-FAAM Centro Universitário em 01 de abril de 2016, algumas sugestões para a melhoria da vida das pedestres foram apontadas.

O evento contou com a participação de alguns convidados que tratam do assunto. São eles o jornalista Marcos de Souza (MOBILIZE), a arquiteta Meli Malatesta (Cidade a pé e também da ANTP), Andrew Oliveira (Corrida Amiga), Luiz Eduardo Bretas (SPUrbanismo) e Ramiro Levy (Cidade Ativa).

Destaquei algumas mas, se você quiser conhecer as demais, acesse o vídeo do evento aqui:

  • Ampliação das calçadas, passeios e espaços de convivência;
  • Redução de quedas e acidentes relacionados à circulação de pedestres corrigindo e readequando calçadas existentes ou seja, projetando e implantando as cinco faixas ou quando não houver espaço, ao menos as três primeiras – guia e sarjeta, faixa de serviços e faixa livre de 1.20 para o deslocamento;
  • Por fim, a padronização e readequação dos passeios públicos em rotas com maior trânsito de pedestres;

Mas tem uma ação que considero fundamental: por meio de campanhas educativas promovidas pela prefeitura e também por meio das ações criadas pelo ativismo civil organizado, conscientizar os cidadãos da importância das calçadas como um dos elementos que compõem o espaço público das cidades lembrando sempre que a qualidade dos espaços destinados aos cidadãos caracteriza o nível de civilidade de um país. Se quiser saber mais, acesse a Agenda 2030 e Project for Public Spaces.

Texto original: Blog da Paisagem

Revista Casa Projeto & Estilo: dormitório acessível para um adolescente

FIAM-FAAM Centro Universitário

Escritório Modelo: Acessibilidade Universal
Cursos: Design de Interiores, Arquitetura e Urbanismo
Tema: adaptação de um apartamento para um adolescente

Alunos:
Ana Verônica Cruz
Giovanna Galvão
Maiara Bicalho
Leonardo Mamede
Luana Souza Pereira
Luciana Ishu
Sabrina Archanjo Brasil
Simone Dias
Foto: Cibele Rossi de Almeida
Orientação: Profª Helena Degreas

Foto dos alunos

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Introdução
Quem não se lembra de como era bom sair correndo pelos corredores da casa e pular sobre a cama dos pais ou sobre os sofás da sala quando criança? Trazer amigos para dormir em casa, passar a noite inteira acordado assistindo TV, jogando games, conversando e fingindo que está dormindo quando os pais entram no quarto? Estas travessuras e outras tantas são rotina na vida de João (9 anos) e Pedro (12 anos), filhos de um casal jovem que como todos nós, tem uma agenda preenchida por trabalho, estudos, vida social intensa e diversos afazeres vinculados ao lar.

planta do dormitório

É neste ambiente que se desenvolve a proposta de redefinição dos layouts. Com a chegada da adolescência, novas demandas surgiram: os meninos que antes dormiam juntos terão doravante seus quartos individuais que devem oferecer um programa de atividades semelhantes, mas atendendo algumas especificidades: Pedro tem habilidades funcionais motoras reduzidas que, de tempos em tempos, variam entre o uso de cadeiras de rodas e andadores; recentemente, vem sendo estimulado a andar de forma autônoma sem o uso de tecnologias assistivas situação essa que lhe dará a liberdade de escolher para onde quer ir – andando ou correndo a seu modo. Embora ele apresente dificuldades para aprendizagem de conteúdos educacionais, sua habilidade visual é adequada, mas, como qualquer pré-adolescente, sua habilidade funcional auditiva é, na opinião dos pais, bastante “seletiva”.

Quarto do Pedro

quarto do Pedro

Partido

Todos os ambientes foram desenvolvidos para atender às linguagens estéticas e às necessidades sociais da família (recepção de amigos e parentes), bem como às orientações da TO – terapeuta ocupacional e do fisioterapeuta frente aos condicionantes espaciais necessários ao pleno desenvolvimento das habilidades de locomoção e compreensão do Pedro na sua nova fase de vida. A casa deve prover e colaborar no pleno desenvolvimento de autonomia na execução das atividades cotidianas domésticas que vão desde aos cuidados com sua higiene pessoal, alimentação bem como a execução de tarefas que são de sua responsabilidade como guarda de roupas e objetos pessoais, realização de tarefas da escola com acompanhamento eventual da TO, recepção de amigos nos finais de semana e algumas atividades de fisioterapia.

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

O layout foi desenvolvido para todos os ambientes da casa e alguns elementos foram incorporados visando à locomoção segura. A partir dos estudos de circulação (em pé, com auxílio de andadores ou em cadeira de rodas) e, atendendo às formas de uso dos ambientes pelos meninos, todos os vãos de portas e circulações apresentam 0.90m livres. Algumas paredes receberam a fixação de barras de apoio (corredores, salas de estar, jantar, TV, cozinha, banheiro) para que Pedro possa andar apoiando-se por toda a casa. Assentos da cozinha, salas de jantar, estar e home office  (sofás, poltronas e cadeiras diversas) e banheiro são fixos e tem alturas que se adequam à transferências por cadeira de rodas.

No quarto de Pedro foram previstas as mesmas atividades de Marcelo com alguns diferenciais no mobiliário: a bancada de estudo é longa para comportar dois lugares (para ele e para a TO). Nela foi inserida uma prancheta com altura regulável revestida nas quatro laterais com material emborrachado e altura de 0,01m (evita a queda de cadernos e lápis quando inclinada); os gavetões com rodinhas ficam embaixo de uma das laterais da bancada e neles são colocados objetos e brinquedos. A frente é de acrílico transparente para que os objetos sejam facilmente identificáveis pelo menino. A cama é motorizada e biarticulada e sobre ela, no teto levemente rebaixado, foram embutidos dois spots que podem ser acionados para fins de leitura. Como Pedro adora desenhar, ao lado do armário e na parede foi colocada uma grande lousa branca com apoio para que ele fique em pé. Grande paixão do Rodrigo, a bicicleta adaptada juntamente com a cadeira de rodas que aos poucos ele vai largando, ficam pendurados na parede do quarto.

Banheiro adaptado dos meninos: Pedro e João

Banheiro adaptado dos meninos: Pedro e Marcelo

Lavabo adaptado

Lavabo adaptado

adaptação do banheiro dos meninos

adaptação do banheiro dos meninos

O banheiro recebeu mais uma porta que se abre (com folha de correr) para o quarto facilitando o acesso durante a noite. A pia do banheiro e do lavabo tem alturas reguláveis associadas a um sifão flexível. Ao lado da banheira há um assento e apoios laterais retráteis que tem por objetivo facilitar a troca de roupas, como exemplo. As pias do lavabo (que foi colocada no hall de circulação da cozinha) e do banheiro tem barra de apoio na frente facilitando as atividades de higiene. Os pisos todos foram selecionados com materiais antiderrapantes e de fácil manutenção. Tapetes foram embutidos e fixados no chão evitando escorregamentos.

quarto do casal

Revista Casa Projeto & Estilo: apartamento acessível

FIAMFAAM Centro Universitário

Alunos: Ana Paula Higa e Ricardo Cipolla
Foto: Tulio Oliveira
Escritório Modelo: Acessibilidade Universal
Curso: Arquitetura e Urbanismo
Profª: Drª Helena Degreas

Ricardo Cipolla e Ana Paula Higa

Ricardo Cipolla e Ana Paula Higa

Conceito

É possível projetar ambientes confortáveis, bonitos, de fácil manutenção e que ainda assim sejam suficientemente flexíveis para se adaptarem às mudanças físicas do nosso corpo em diversos estágios da vida? É possível morar num mesmo lugar por décadas? A partir destas questões, alunos do escritório modelo do curso de arquitetura e urbanismo projetaram um apartamento de aproximadamente 52 m² preocupando-se em atender as necessidades de desenvolvimento do ser humano, construindo objetos e lugares compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas visando à eficiência, eficácia e satisfação. Acessibilidade, portanto, foi a premissa de projeto. Para o caso, o desafio proposto foi o de viabilizar espaços que atendam tanto um casal de jovens quanto pessoas idosas e que apresentem a necessidade de uso de tecnologias assistivas.

Os problemas mais comuns enfrentados em nossos lares

Dificuldade em usar tomadas, passar por portas, corredores ou ainda mover-se livremente em ambientes estreitos, escorregar em pisos lisos ou molhados, derrubar ou ter dificuldade em alcançar objetos que estão mais altos em armários são situações que enfrentadas diariamente por todas as pessoas e que aparentemente são corriqueiras. Mas não deveriam ser: pequenas adequações de projeto geram maior qualidade de vida a todos os usuários.

planta do apto

Pequenas mudanças gerando maior conforto

Para atender às expectativas dos clientes, foram estudados os principais ambientes de um lar. Com isso, a planta do apartamento foi reformada: os dois dormitórios minúsculos que mal comportavam uma cama e armários deram espaço a um dormitório de casal e ampliaram a área do banheiro. A cozinha e a área de serviço antes enclausuradas por paredes, foram reformuladas visando à funcionalidade e eficiência frente às necessidades e comportamentos contemporâneos dos moradores. A cozinha que utilizou granitos, madeiras e cerâmicas antiderrapantes, não só ampliou o espaço como também permitiu a comunicação entre os moradores e eventuais visitantes da casa. Para atender às diferentes estaturas, o cooktop elétrico juntamente com a pia e os armários de parede, todos em aço, têm alturas reguláveis graças aos trilhos de correr. Gaveteiros, estantes, adega, bancadas, toalheiros e demais acessórios foram projetados com alturas que vão entre 0,40m e 1,40m gerando conforto no uso. Portas, corredores e áreas de circulação tem vão de 0,90m mínimo para atender a movimentação e a passagem de uma pessoa em pé ou com mobilidade funcional motora reduzida, usando ou não auxílio para a locomoção como cadeira de rodas, andador ou muletas. A bancada de apoio dobra seu tamanho e pode ser usada tanto para receber amigos quanto como estação de trabalho comportando papéis, laptop e demais materiais. Todas as tomadas do apartamento são altas e foram implantadas há 1.10m de altura.

Cozinha com princípios de Desenho Universal

Cozinha com princípios de Desenho Universal

Dormitório e sala minimalista compartilham o mesmo aparelho de TV que, graças ao mecanismo que o faz girar, viabiliza o uso em ambientes distintos. O tapete, embutido no piso é fixado ao chão evitando movimentação e garantindo segurança ao morador.

Os armários do dormitório tem divisórias e nichos que otimizam o espaço organizando roupas e acessórios adequadamente. Os varões, apesar de estarem em pontos mais altos, são articulados e móveis trazendo as roupas dos cabides para perto do morador e permitindo o uso de praticamente toda a parede do dormitório de forma funcional evitando o desperdício ou ociosidade de espaços. Com isso, mesmos os pontos mais altos ficaram acessíveis.

Living com princípios do Desenho Universal

Living com princípios do Desenho Universal

As portas de correr receberam espelhos que dão mão leveza e amplitude ao ambiente. A área de banheiro recebeu tons neutros dando mais sobriedade e classe ao ambiente. O espelho toma toda a parede e encontra-se inclinado facilitando a visualização de todo o corpo. A pia é deslizante, pois encontra-se fixada a um sistema de trilhos. Existe o espaço para a colocação de barras de apoio entre o vaso, pia e bancada caso necessários. Ao box foi incorporado um banco retrátil que garante maior conforto durante o banho.

Banheiro acessível: elevação

Banheiro acessível: elevação

 

 

Revista Casa: Projeto & Estilo – Hotéis acessíveis

Antes de iniciar a apresentação, quero agradecer Revista Casa: Projeto & Estilo a oportunidade dada aos jovens das várias instituições de ensino superior deste imenso Brasil. Mostrar suas ideias, apresentar propostas, apontar soluções que dão mais qualidade de vida aos usuários por meio do uso dos princípios do Desenho Universal e do uso de tecnologias assistivas (muitas vezes inovadoras, criadas pelos próprios alunos para atender deficiências funcionais específicas) é muito importante para a conscientização de todos e para a mudança de cultura. Parabéns aos editores!





Centro Universitário FIAMFAAM

Curso: Design de Interiores

Disciplina: Acessibilidade Universal

Aluno: Caroline Almeida, Cássia Sybille , Margarete Brito, Nadia Valencia, Willian Guimarães

Orientador: Profª Drª Helena Degreas

Introdução

Em 2014, doze cidades das cinco regiões brasileiras receberão a Copa do Mundo. Bilhões de reais serão investidos na remodelação, ampliação e construção de infraestrutura das capitais para atender aos milhares de turistas que virão ao evento. Trata-se de garantir o acesso a todas as oportunidades de lazer, cultura e entretenimento do país. Os resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2010 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística expressam o crescimento do número de pessoas que declarou algum tipo de incapacidade ou deficiência permanente visual, auditiva, motora e intelectual de acordo com o grau de severidade. De 14,5% em 2000, os novos questionários apontaram para a existência de uma população de 35.792.488 ou ainda, 23,9%  dos cerca de 190 milhões de brasileiros. Ao seguir as recomendações da OMS – Organização Mundial da Saúde na coleta de dados, o Brasil incorpora ao universo de deficientes aqueles que apresentam alguma dificuldade de enxergar, ouvir, andar e compreender diagnosticando graus diferenciados de deficiência funcional.

Hospitalidade e deficiências funcionais

A infraestrutura voltada à hospitalidade deve garantir não apenas condições de acesso e mobilidade bem como oferecer condições equitativas funcionais, estéticas e de usabilidade das acomodações hoteleiras. A partir de uma pesquisa qualitativa, foram avaliadas as opções de alojamento para pessoas com deficiência em diferentes hotéis procurando-se identificar a existência dos requisitos necessários para a adequação às condições específicas para o uso dos espaços propostos além dos recursos e serviços existentes para as deficiências auditiva, visual e motora.

Uma primeira observação aponta para a existência de apartamentos standart, ou ainda, padrão, não havendo nenhuma menção quanto à oferta de unidades adaptadas maiores ou com serviços diferenciados para os diversos perfis sócioeconômicos e culturais deste segmento.

As adaptações atendem parcialmente às condições de mobilidade de pessoas com deficiência funcional motora. A distribuição do mobiliário nas unidades e das peças sanitárias nos banheiros desconsidera as necessidades de manobra, estacionamento e transferência. Armários, tomadas, bancadas, arandelas, locação de secadores de cabelo, altura de roupões e toalhas são apenas alguns dos itens que encontravam-se em alturas incompatíveis com as condições de acesso manual frontal ou lateral da pessoa em cadeira de rodas e de idosos.

Quanto ao acesso às informações e comunicação em folders referentes aos serviços de hospedagem tais como cardápios, uso da lavanderia, concierge, informações de segurança (planta tátil da rota de fuga) entre outros, encontravam-se apenas em mídia impressa restringindo o acesso apenas aos videntes. Telefones e interfones, além de campainhas e alarmes adaptados aos deficientes auditivos inexistiam nas unidades avaliadas. Estas são apenas algumas das situações identificadas nas avaliações e que foram estudadas quando do desenvolvimento dos projetos. Para este trabalho, os alunos selecionaram dois tipos de unidades: a standart e outra maior e com mais serviços identificada como “luxo” com espaços que se adéquam a um cliente diferenciado. Para os dois projetos de design, os alunos adaptaram os espaços internos existentes para pessoas com deficiência funcional motora, auditiva e visual priorizando o uso de mobiliários e equipamentos existentes no mercado brasileiro.

Conceito

O desafio do projeto foi construir dois dormitórios (um standart e outro luxo) cuja ambientação clássica, sóbria e com uso
de materiais nobres atenda às necessidades de clientes com deficiências visual, auditiva e motora com o conforto, aconchego e elegância esperados de um hotel. Os dois dormitórios foram revestidos com papel de parede em estampa floral, Roda Meio em MDF com acabamento na cor branca, carpete com estampa miúda e moldura nas paredes em estilo clássico. Piso, paredes e bancadas dos dois banheiros foram revestidos em mármore Niwala Yellow.


Apartamentos: standart e luxo

Com cerca de 34m² o dormitório standart (banheiro:1.60 m x 3.40 m – dormitório: 6.00 m x 3.80 m e closet: 2.60 m x 1.65 m) passou por uma reformulação de seus espaços. Para atender clientes com deficiência funcional motora, o projeto definiu os ambientes (local para dormir, comer ou trabalhar, vestir-se, ler, assistir TV, descansar, área de closet e banheiro), sua localização e distribuição nas dependências do dormitório para posteriormente identificar as manobras da cadeira de rodas, muletas e andador (os acessos, as circulações com ou sem deslocamento, as transferências e o estacionamento). A partir daí, foram dimensionadas as portas e os corredores de circulação. Para o tipo standart, as duas camas de solteiro utilizadas tem alturas compatíveis para transferência e seu estrado é motorizado permitindo movimento anatômico, articulado e duplo (cabeceira e pés). A área de leitura (que também serve como área para troca de roupas) posiciona-se ao lado de uma das camas e é composta por uma poltrona chaise longue motorizada com movimento também articulado e duplo. O uso do suporte articulado para a TV com movimentos laterais (cerca de 45°) e inclinação de até 15° permite que o cliente assista seus programas favoritos confortavelmente a partir de vários ambientes. Para o apartamento do tipo Luxo (cerca de 36 m², banheiro – 1.80 m x 3.40 m; dormitório – 6.00 m x 4.20 m; closet – 2.60 m x 1.85 m), as duas camas de solteiro foram juntadas e o criado mudo transferido para uma das laterais. A chaise longue foi substituída por um Puff que também atende à troca de roupa. Para a leitura, o usuário poderá utilizar as poltronas (sem braço) da pequena sala de estar.

Para o local de trabalho e alimentação, foi construído um móvel com altura e dimensões para o alcance manual de atividades por tempo prolongado além da aproximação frontal de um cliente em cadeira de rodas. Para maior conforto de todos os clientes, todas as tomadas foram alocadas em frente à bancada ou com altura mínima de 0.90 m. Em uma das laterais, foi previsto um tampo extensível que permite melhor distribuição tanto dos objetos e equipamentos do cliente quanto do conjunto de folders e demais amenidades disponibilizadas pelo hotel.

O closet foi totalmente adaptado. Gaveiteiros, sapateiros e local para a guarda de malas foram colocados prevendo a aproximação lateral de uma cadeira de rodas. Apesar da instalação em pontos mais altos, os cabideiros são basculantes e o varão tem altura compatível para o alcance manual lateral. Tanto o frigobar quanto o cofre encontram-se na área de alcance manual ou ainda entre 0.45 e 1.40 m a partir do chão. A profundidade do armário atende o alcance manual lateral sem esforço.

As adaptações realizadas para os deficientes visuais (cegos e baixa visão) priorizaram a comunicação das informações e também a iluminação do ambiente. Luminárias, lustres e arandelas tem foco de luz direcionado para a realização das tarefas previstas em cada ambiente do quarto. Destacam-se a iluminação do rodapé em fita de led e também com spots que permitem a circulação à noite com segurnaça sem acender luzes. Folders, avisos, comunicados, cardápios, sacos plásticos de lavanderia ou ainda o conjunto de amenidades que se encontram sobre a mesa de trabalho ou bancada de banheiro deverão ser identificadas em Braille e nos idiomas praticados pelo serviço de hospedagem do hotel. O mesmo ocorre com o atendimento dos requisitos de segurança tais como mapas táteis indicando as rotas de fuga em situações de incêncio e demais informativos que foram fixados atrás da porta do apartamento em altura compatível para a leitura de uma pessoa em cadeira de rodas.

Para os deficientes auditivos, as adaptações necessárias referem-se à substituição das informações sonoras por sinais luminosos e vibratórios. Nas camas, o criado mudo apoia um telefone adaptado (sinal de luz para toque, modo vibratório associado, tela para digitação e leitura das informações) e um relógio-despertador com sinal vibratório. Foram colocadas no teto (do quarto, área de closet e banheiro) campainhas com sinal de luz.

O banheiro

Com o objetivo de atender pessoas com diferentes estaturas e mobilidades, a cuba, os apoios para os braços tanto na cadeira de banho quanto no vaso sanitário foram conectados a um sistema de barras de parede que se ajustam horizontal e verticalmente de acordo com as especificidades de cada cliente. O sifão utilizado é articulado e flexível garantindo segurança. Os misturadores encontram-se em frente à bancada de mármore, garantindo maior conforto no uso. A temperatura da água está identificada em Braille. O espelho que cobre toda a parede está inclinado a 10° facilitando a visualização de quem se encontra sentado. O vaso é suspenso com altura igualada à cadeira de rodas. O mesmo ocorre com a cadeira de banho que se encontra no box. Para os dois casos, os braços laterais são articulados e também ajustáveis e servem de apoio para os movimentos de transferência do usuário. Os trilhos das portas de vidro blindadas foram embutidos no piso facilitando o ingresso, se necessário, de cadeira de rodas. Uma ducha higiênica foi instalada ao lado do vaso sanitário em substituição ao bidê ampliando e facilitando a circulação e as manobras da cadeira de rodas. O banheiro recebeu interfone com tela para leitura e digitação de textos e sinal vibratório para campainha. Para a suíte Luxo, a cadeira de banho foi substituída por uma banheira que é motorizada e apresenta uma porta lateral deslizante que permite a transferência lateral para o assento embutido. Os dois banheiros tem na área do box, tanto um chuveiro de parede como também uma ducha para banho. Tomadas e barras de apoio encontram-se em alturas compatíveis para uma pessoa sentada, ou ainda, acima da bancada da cuba. O mesmo ocorre com a disposição de  toalhas, roupões, secadores de cabelo, porta shampoo, saboneteiras e demais amenidades oferecidas pelo hotel.

Cão-guia

Para os dois apartamentos, foi criado um ambiente para a permanência e descanso de cão-guia. Trata-se de um futon forrado com tecido lavável e impermeabilizado. Ao lado da cama do animal, o hotel oferece como parte do pacote de amenidades, louça adequada para alimentação do leal companheiro.


ilustração 1 e 2: apto standart

Ilustrações do apartamento luxo

Ficha Técnica com especificações de produtos e empresas

Praça Adib Zarzur (Vila Mariana)

O trabalho foi realizado por alunos do escritório modelo Digital do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário FIAMFAAM como parte do acordo informal de cooperação junto à subprefeitura de Vila Mariana.

A proposta tem o objetivo de avaliar as condições de acessibilidade para deficientes funcionais motores a partir da análise da legislação vigente sobre o assunto e sua aplicação em logradouros públicos.

Local: Praça Adib Zarzur (Vila Mariana)
Aluno: Taiany Pires Ferreira (RA5349394), Rosangela Bosenbecker (RA 5255556)
Tutor: Drª Helena Degreas
Cliente: subprefeitura Vila Mariana
junho de 2012

Diagnóstico

Planta: situação atual

Projeto: vegetação

Planta técnica

Corte

Revista Casa: Projeto & Estilo – Loft acessível

O estudo da teoria, dos princípios e métodos de projeto associados ao entendimento das interações entre seres humanos ao meio em que vivem e que visam otimizar o bem-estar humano e o seu desempenho de toda a gama de ações nas distintas atividades da vida sempre foi princípio de projeto para todos os profissionais envolvidos com criação, produção e projeto em especial, arquitetos e designers. Projetamos para atender as necessidades de desenvolvimento do ser humano contribuindo para a construção de objetos e lugares compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas viando à eficiência, eficácia e satisfação. Acessibilidade, portanto foi, é e sempre será premissa de projeto. Os cursos de graduação nestas áreas constroem seus projetos político-pedagógicos a partir das diretrizes curriculares nacionais que estão inseridas em políticas públicas educacionais de âmbito federal (MEC).  Os conteúdos vinculados à velha ergonomia são obrigatórios e encontram-se distribuídos em disciplinas de projeto da edificação, urbanismo, paisagismo, tecnologias e desgin entre outros. A grande novidade encontra-se na lufada de ar fresco que proporciona a revista Casa: Projeto & Estilo sobre o debate da equidade no acesso às condições de auto-realização por meio da liberdade que ambientes confortavelmente construídos podem proporcionar aos usuários com ou sem deficiências. Considero uma atitude corajosa e também pioneira. Corajosa por abrir espaço para a apresentação de projetos acessíveis em um mercado editorial onde o belo associado ao inatingível mundo da perfeição impera. Para além do desenho universal que atende pessoas como eu e você leitor, a revista insere em suas páginas espaços que incorporam tecnologias assistivas que proporcionam ou ainda ampliam habilidades funcionais de clientes com deficiências distintas colaborando na viabilização de demandas comumente solicitadas em ambientes domésticos e sociais com estilo, elegância e conforto. Por fim pioneira, pois pretende ampliar a discussão ouvindo o que tem a dizer por meio de projetos nossos jovens e futuros profissionais. Oxalá a atitude da Ciranda Cultural Editora se amplie, espalhe e frutifique país afora disseminando boas práticas de projeto! Parabéns!

Alunas:

Camila Bueno de Freitas (camilabuenodesign@gmail.com)
Carolina Aratani (carolinaaratani@gmail.com)
Leticia Herbas (leticia.herbas@hotmail.com)
Tamiris Herculano Godoy (tamirisherculanogodoy@gmail.com)

Professor: Drª Helena Degreas
Disciplina: Acessibilidade Universal
Curso: Design de Interiores
Centro Universitário FIAMFAAM

O Cliente

Diretor comercial de uma multinacional com sede na França, nosso cliente divide seu tempo entre reuniões de negócios, viagens e a administração de duas residências: uma em São Paulo e outra em Paris. Com cerca de trinta e poucos anos, é solteiro, financeiramente estável e divide o escasso tempo ocioso que tem de duas formas: na companhia de colegas de trabalho que, na condição de enólogos amadores como ele, apreciam um bom vinho e, também, jogando voleibol, esporte que praticou no final da adolescência representando o Brasil nas paraolimpíadas como paraplégico.

O Conceito

O projeto foi idealizado com o objetivo de viabilizar com eficiência e eficácia a realização das tarefas cotidianas de um ambiente doméstico atendendo às especificidades de um cliente com habilidades funcionais motoras reduzidas, associando autonomia no acesso aos espaços, conforto no uso dos mobiliários, facilidade de manutenção e estética compatível com o repertório sóbrio, elegante e cosmopolita do cliente.

A arquitetura

O loft não precisou sofrer alterações drásticas, pois apenas a área do banheiro apresentava paredes. Fluidez, integração física e visual marcaram a concepção dos ambientes propostos. Foram estudados e descritos todos os movimentos e atividades que serão realizados pelo cliente em cada um dos espaços previstos. Em paralelo, os acessos, a circulação, as manobras, as áreas de estacionamento e a formas de transferência da cadeira de rodas para os mobiliários tais como camas, cadeiras, poltronas e sofás foram analisados gerando áreas com as dimensões adequadas ao uso do cliente com conforto.

Ambientes propostos para o loft

Cozinha

Prática e funcional, a cozinha foi divida em setores. O projeto priorizou as manobras e o acesso às áreas previstas, a forma mais adequada de aproximação da cadeira para a realização de cada atividade e as alturas dos equipamentos, gaveteiros e bancadas de apoio. A área de circulação interna da cozinha permite um giro de 360º (garantido por largura e comprimento superior a 1,50 m), viabilizando manobras sem deslocamento. O uso da pia, da bancada de preparo, do fogão com micro-ondas e o acionamento da elegante coifa de parede foram previstos com aproximação frontal, portanto, livre de barreiras e encontram-se a 0,85 m do chão. Ao lado da pia, garantindo alcance manual frontal, foi colocada uma torneira em arco flexível e ducha spray facilitando os movimentos quando da lavagem de utensílios e alimentos. O sifão da pia, articulado e flexível, foi posicionado junto à parede com o objetivo de evitar o contato com a cadeira e as pernas. Em frente ao cooktop elétrico com mesa vitrocerâmica em cor preta que encontra-se sobre a bancada, está posicionada a coifa de parede em aço inox. Os dois apresentam tecnologia touch que facilita o manuseio e permitem alcance manual frontal de 0,50 m. No setor de estoque a 0,40 m do chão, foi colocado um gaveteiro refrigerado em aço inox e um armário com abertura frontal de correr para a guarda de alimentos secos cuja aproximação é lateral. Sobre os dois e, a 1, 15 de altura, fica uma bancada que além de dar acabamento adequado aos equipamentos embutidos, serve de apoio para objetos diversos de decoração ou ainda para cafeteira elétrica, processadores de alimentos, entre outros. Do lado oposto, a bancada tem utilidade dos dois lados: na parte interna à cozinha e com aproximação lateral (profundidade de alcance manual lateral de 0,40 m) foram embutidos a máquina de lavar louças e um gaveteiro para a guarda de utensílios e talheres cujo fundo está a 0,40 m do chão e altura de 0,85 m. Do lado da sala, a bancada em vidro serve de apoio às refeições e tem espaço para duas poltrona giratórias e uma cadeira de rodas com aproximação frontal e alcance manual com profundidade de 0,50 m. Tomadas de chão encontram-se posicionadas a 0,60m de altura e tomadas de pia encontram-se a 1.10 m de altura.

Banheiro

O acesso se dá por uma porta de 0.90 m de vão. A área do banheiro permite um giro de 360º viabilizando manobras sem deslocamento e acesso aos ambientes propostos. A pia foi projetada prevendo uma cuba fixa com altura de 0,85 m. A torneira inclinada em aço inox tem design contemporâneo e parece uma escultura. Seus misturadores foram colocados em frente à bancada do lado direito (o cliente é destro) facilitando o manuseio. O sifão articulado é flexível e está posicionado junto à parede permitindo aproximação frontal com segurança. Em frente e inclinado a 10º, foi posicionado um espelho que toma toda a parede permitindo a visão do usuário em sua totalidade. De um dos lados e, com aproximação lateral para transferência e previsão de área de estacionamento da cadeira de rodas, encontra-se o box onde foi embutido um chuveiro quadrado com luz e fixada na parede uma cadeira de banho com braços móveis. Do lado oposto, foi colocada uma banheira com hidromassagem. A aproximação é lateral e a transferência é viabilizada pela altura do assento e pela porta deslizante (sobe e desce) que permite entrada e saída com facilidade. Os misturadores estão próximos à parede e com alcance manual lateral distante cerca de 0,20 m. O vaso sanitário suspenso a 0.46 m tem altura igualada à da cadeira de rodas e em sua lateral tem um braço móvel. Na outra bancada da pia, foi prevista aproximação lateral pois sob esse espaço, foi colocada uma máquina de lavar e secar roupas compacta cuja abertura é frontal. Ao seu lado, um gaveteiro para a guarda de roupas usadas.

Dormitório e Closet

O conceito de loft permeou todo o projeto, resultando na integração do dormitório à área do closet facilitando a circulação e as manobras realizadas para o deslocamento da cadeira de rodas. Os dois espaços vazios posicionados ao lado da cama motorizada viabilizam o posicionamento lateral da cadeira de rodas e a transferência. Ajustes de tensão, controle individual das posições e massageador proporcionam relaxamento ao morador quando estiver sentado, recostado ou mesmo deitado. Luminárias com foco dirigido ao lado da cama foram alocadas atendendo aos alcances manuais laterais do cliente. Cama e cadeira apresentam a mesma altura gerando conforto e segurança na transferência. Em frente à cama, um painel drywall foi posicionado. No centro e numa altura adequada ao alcance visual do usuário posicionado sobre a cama, foi colocado um aparelho de TV LED de 55” fixado em painel giratório que atende aos dois ambientes; quarto e sala. Com o objetivo de gerar praticidade e conforto para o manuseio de objetos, roupas e acessórios, os armários do closet tem os gaveteiros e demais componentes com alturas variáveis entre 0,40 m e 1,40 m e previsão de aproximação lateral. O espelho do teto ao chão foi colocado com porta única de correr no closet. Iluminação embutida nos armários facilita na visualização interna. A profundidade dos armários é de 0,60 m. Para viabilizar o alcance manual lateral do usuário ( que é de 0,43 m), as prateleiras são deslizantes permitindo acesso inclusive às áreas mais profundas. Os cabideiros são basculantes e mesmo instalados em pontos mais altos, são acessados pelo varão que, mais longo, é puxado para baixo permitindo a descida por inteiro. Com o objetivo de viabilizar a troca de roupas fora da cadeira de rodas, foi colocado um recamier com apenas um encosto lateral.

Sala

As circulações entre a cozinha e a sala são largas, livres de fios, objetos e os móveis apresentam cantos arredondados. Com o objetivo de dar um toque mais acolhedor ao ambiente da sala de estar, o piso de madeira corrida recebeu um recorte que serviu para embutir e fixar um tapete evitando com isso desníveis que poderiam causar acidentes durante a circulação e manobras da cadeira de rodas. Os sofás e as cadeiras Swan que ficam em frente à bancada de refeições tem altura de 0,46 m e atendem tanto à bancada de refeições quanto a sala permitindo integração maior entre os amigos apreciadores de bons vinhos. Em frente à área de estar, encontra-se um aparador com acabamento em laca branca e detalhes em pastilhas de côco resinado com 0,90 m, altura suficiente para encaixar uma adega climatizada que comporta 40 garrafas. Ao lado, dois puffs com acabamento em couro ecológico e pés de madeira embuia na cor branca completam o ambiente.

Varanda

Os módulos que compõem o ambiente de estar na varanda tem espuma de alta densidade e altura nivelada à cadeira de rodas. A aproximação para transferência é lateral e poderá ocorrer a partir do estacionamento da cadeira de rodas ao lado dos sofas. O acesso para a pia e para o setor de apoio para preparo e limpeza de alimentos será frontal. Quanto à área de gaveteiros e uso da churrasqueira, o acesso da cadeira de rodas será lateral.