Diagnóstico e proposta de acessibilidade: Museu da Energia (casarão Santos Dumont)

Desenvolvido pelos alunos do Escritório Modelo Digital do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário FIAM-FAAM, o trabalho avaliou as condições de acessibilidade de alguns locais de uso público e coletivo em São Paulo.

Local:
Museu da Energia (casarão Santos Dumont – SP)
Aluna:
Neide Quitéria da Costa ( nqcosta@uol.com.br)
Tutor:
Drª Helena Degreas

Relatório da visita técnica (doc)

Diagnóstico do casarão (PDF)

Diretrizes para intervenção

Deficiência Visual: um pouco sobre o assunto

Alunos do escritório-modelo e do curso de moda, bom dia!

Hoje vamos falar um pouco sobre a deficiência visual.

Para que possamos desenvolver nossas atvidades, precisaremos conhecer as características de nossos clientes e, em especial, suas necessidades.

E a deficiência, como pode ser entendida?

O termo deficiência pode ser entendido como todo e qualquer comprometimento que afeta a integridade da pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, na fala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção e contato com as outras pessoas (Artigo 3o do Decreto federal nº 3.298/1999). Doravante, utilizaremos o termo pessoa com deficiência utilizado no texto da Convenção Internacional sobre os Direitos das pessoas com Deficiência para fins de discussão e apresentação de projetos em sala de aula.

A CIF é uma classificação de saúde e dos estados relacionados à saúde.

RESUMINDO: DEFICIENTE NÃO É DOENTE

Muito além da definição do conceito “deficiente” como algo falho, imperfeito e incompleto, a CIF define componentes de saúde e de bem-estar à ela relacionados (tais como educação e trabalho). Seus domínios são da saúde e relacionados à saúde. Ao agrupar sistematicamente diferentes domínios de uma pessoa em determinada condição de saúde, ela identifica o que uma pessoa pode ou não pode fazer.

A funcionalidade dessa forma, engloba todas as funções do corpo, atividades e participação.

A incapacidade é um termo que incluiu deficiências, limiação da atividade ou restrição na participação.

O que considerar no ato de projeto:

Funções e estruturas do corpo e deficiências
Definições:
As funções do corpo são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos (incluindo as funções psicológicas)
As estruturas do corpo são as partes anatômicas do corpo, tais como, órgãos, membros e seus componentes.
Deficiências são problemas nas funções ou na estrutura do corpo, tais como, um desvio importante ou uma perda.

Atividades e Participação/limitações da atividade e restrições na participação
Definições:
Atividade é a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo.
Participação é o envolvimento numa situação da vida.
Limitações da atividade são dificuldades que um indivíduo pode encontrar na execução de atividades.
Restrições na participação são problemas que um indivíduo pode experimentar no envolvimento em situações reais da vida.

O que é tecnologia assistiva? e para que serve ?

Tecnologia assistiva é o nome utilizado para identificar todo o conjunto de recursos e de serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e conseqüentemente promover sua independência e inclusão colaborando na na viabilização de demandas comumente solicitads em ambientes domésticos e sociais.

O maior ou o menor grau de independência e autonomia dos indivíduos com deficiência em suas atividades, são determinados pelo contexto ambiental onde vivem.

Não se avaliam mais apenas as condições de saúde/doença do indivíduo; são também consideradas também o contexto do ambiente físico e social pelas diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência e pela disponibilidade de serviços e de legislação.
(Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde)

Como o texto anterior se materializa em nossos projetos? Por onde começar? Como fazer em nosso trabalho?

Relações comunitárias:
.               utilização de serviços, tecnologias, equipamentos públicos e privados da/na comunidade;
.               participação em atividades e/ou ambientes coletivos;
.               participação em eventos e/ou na comunidade;
.               locomoção na comunidade;
.               relacionamento social com vizinhos, conhecidos e pessoas desconhecidas da comunidade.

Vida diária em seu lar e Atividades Ocupacionais

O que vê quem não vê?

Deficiência Visual
É  a perda ou redução da capacidade visual em ambos olhos em caráter definitivo e que não possa ser melhorada ou corrigida com uso de tratamento cirúrgico, clínico e/ou lentes.
O Decreto 3298 considera deficiente visual a pessoa que tem dificuldade  ou impossibilidade de enxergar a uma distância de 6 metros o que uma pessoa sem deficiência enxergaria a 60 metros, após a melhor correção, ou que tenha o campo visual (área de percepção visual) limitada a 20%, ou com ambas as situações;

CEGOS: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão e precisam aprender através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam relacionados com o uso da visão.

VISÃO PARCIAL: têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância.

VISÃO REDUZIDA: são considerados com visão indivíduos que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.

Como não sou uma profissional vinculada à área da medicina ocular e afins, deixo aqui algumas imagens (e também hiperlinks para a wikipédia) e descrições (contraídas – não visíveis) das principais deficiências visuais para que vocês possam compreender um pouco melhor o nosso universo de trabalho.

Glaucoma




Catarata




Degenaração Macular



Retinite Diabética


Daltonismo


Resumindo:

– Nosso cliente é saudável (deficiência não é doença)
– Nosso cliente tem um comprometimento em uma das estruturas do seu corpo. Esta estrutura deveria estar adaptada ao exercício de uma determinada função. A função desta estrutura é sensorial e deveria propiciar juntamente com os outros sentidos (olfato, tato e paladar) nosso relacionamento com o ambiente externo ou o mundo que nos rodeia. Esta função consiste na habilidade de detectar a luz e de interpretá-la .
– nosso cliente quer participar do evento como você e eu;
– nosso cliente quer saber o que está acontecendo no evento;
– nosso cliente precisa de tecnologias assistivas. É para isso que fomos chamados. Temos que criar objetos que possam colaborar na compreensão do que está acontecendo e para os deficientes visuais possam interagir com as demais pessoas. Em suma: ele também quer participar, comentar e se divertir.

Links para consulta

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/02/05/deficiencia-definicao-e-classificacao/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/02/01/ser-diferente-e-normal/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/03/04/desenho-universal-tecnologias-assistivas/

http://www.once.es/otros/trato/trato.htm

http://www.brasilmedia.com/Baixa-visao.html

http://deficienciavisual.com.sapo.pt/index.htm

E, para quem quer ouvir uma audiodescrição…

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/11/16/de-olhos-bem-fechados-urban-gallery-e-tofer-chin-para-quem-nao-ve/

https://helenadegreas.wordpress.com/2010/07/09/teste-para-audiodescricao-capa-da-revista-xxx-edicao-de-aniversario/

Distribuição da população deficiente em São Paulo (por área de ponderação)

Esse post apresenta quatro trabalhos de pesquisa em iniciação científica elaborados pelo então aluno do curso de aqruitetura e urbanismo Rodrigo Costa. O primeiro deles trata da deficiência Visual e foi orientado pelo Prof. Dr. Manoel Lemes. Apesar de aparentemente antigo, o material sempre me foi muito caro, pois mostrava a forma como a distribuição das deficiência se dá por áreas bem menores do que aquelas que estamos acostumados a ver (distritos por exemplo). O Prof. Manoel sempre repetia aos seus alunos à exaustão: o território FALA! O problema é que eu escutava também… brincadeiras à parte, o território fala sim. Conhecê-lo então é obrigação de urbanista.

Como desenvolver planejamento se os gestores tratam o território por igual? Desde quando, levantamentos por distritos não escondem realidades díspares próximas umas das outras?

O trabalho do Rodrigo, orientado eplo Prof. Manoel, mostra por exemplo que  a distribuição dos DVs em São Paulo concentra-se nas regiões periféricas. Ela é portanto desigual. Se cruzarmos dados referentes à idade, distribuição de equipamentos públicos em saúde, dados sobre violência, poderemos chegar a conclusões alarmantes (muitas das deficiências são adquiridas e poderiam ser evitadas) mas que podem servir como diretrizes para políticas públicas mais próximas da realidade em que vive o cidadão.

Intitulado Progeto BDGESP – Banco de dados Georreferenciados de São Paulo,  a pesquisa apresenta a distribuição da população Deficiente Visual no município de São Paulo a partir dos dados do IBGE 2000 por área de ponderação.

Os outros três trabalhos – deficiência auditiva, deficiência mental e deficiência motora foram excepcionalmente orientados por mim utilizando o mesmo critério de desagregação de dados.

O IBGE Define Área de Ponderação como sendo a menor unidade geográfica para divulgação dos resultados da amostra do Censo Demográfico 2000, formada por um agrupamento de setores censitários.

Deficiência Visual
BDGESP: Deficiência Visual

Superfície geoestatística das pessoas incapazes, com grande e com alguma dificuldade para enxergar

Deficiência Motora
Deficiência Motora

superfície geoestatística das pessoas com paralisita total permanente

Deficiência Mental
Deficiência Mental

superfície geoestatística de pessoas com deficiência mental

Deficiência Auditiva
Deficiência Auditiva

distribuição dos deficientes auditivos