XIII Encontro Científico e de Iniciação Científica Anhembi Morumbi

Alunos após a apresentação de seus trabalhos!!!

QUANDO E ONDE ACONTECEU O ENCONTRO: 02 de dezembro de 2017. Local: Universidade Anhembi Morumbi Endereço: Rua Casa do Ator, 275 – Campus Vila Olímpia

QUEM PARTICIPOU:
Drª Helena Napoleon Degreas (Programa de Mestrado Profissional FIAM-FAAM) e Profa. Raquel Duarte Pires ((Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Coordenação de Sala 638 – 2º andar – Unidade 6 – Campus Vila Olímpia Mesa Temática: Arquitetura e Urbanismo

Categoria: DISCENTE DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU 

Título: Uma reflexão acerca dos instrumentos de regulação urbanística do município de São Paulo e a produção de apartamentos Studio: localização ou habitação?
Autor(es): Helena Degreas, Raquel Duarte Pires (Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário – Programa de Mestrado

Categoria: Discente de Pós-Graduação Stricto Sensu
Título: Edifício espetáculo: a Estação da Luz como Museu da Língua Portuguesa, o projeto de arquitetura para a cultura de consumo.
Autor(es): Cidomar Biancardi Filho (Prof. CST Design de Interiores FIAM-FAAM)
Orientador(a): Dra. Priscila Arantes
Instituição: Universidade Anhembi Morumbi

Categoria: DISCENTE DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

Título: Apartamentos studio em São Paulo: um estudo sobre os apartamentos ultracompactos

Autor(es): Bruna de Oliveira Rosa e Silva

Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

 

Título: Sistemas de espaços livres, morfologia e tipologia urbana: a Avenida Paulista sob a ótica da arquiteta Rosa Grena Kliass
Autor(es): Enill Alves Avalle
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitario

Título: (Re)pensando e (Re)qualificando a rua: o uso de ferramentas de mensuração para a compreensão e avaliação do desempenho físico e espacial urbano
Autor(es): Davi Ramalho Oliveira da Silva e Fernanda Cavalheiro Rafael Junior
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

Título: Do plano macro ao micro, qual o lugar da favela nos projetos urbanos de São Paulo: o caso do Polo Institucional Itaquera e a Favela da Paz
Autor(es): Fernando Mariano da Silva Junior
Orientador(a): Sergio Luis Abrahão
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

Categoria Poster:
Título: Como criar cidades mais caminháveis
Autor(es): Maira Brigitte Moraes Pelissari
Orientador(a): Helena Degreas
Instituição: FIAM-FAAM Centro Universitário

XIII 1

Velha é a vovozinha!

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Em cima de uma mesa temos uma toalha de renda branca. Sobre ela, um porta-retrato, um laptop, um óculos de grau e uma xícara com chá. Fim da descrição.
Arquiteta destaca a nova geração de idosos do Brasil (Foto: Divulgação)

FONTE: Portal Acesse

Por: Helena Degreas*

Outro dia, estava eu no metrô, fazendo uma das coisas que mais gosto de fazer enquanto estou na rua: observar pessoas e seus comportamentos. Naquele momento, vi sentar-se num dos bancos preferenciais, uma mulher cuja idade era indefinida. Cabelos brancos (estão super na moda hoje), lisos, longos, soltos sobre os ombros, maquiagem leve, irretocável. Corpo lindo, bem cuidado, vestindo roupas de estilo casual, cores contemporâneas e abusando das sobreposições. Se eu fosse blogueira fashionista, certamente ela seria a musa inspiradora de um post, com direito a foto e entrevista. Parecia atrasada. Não soltava o celular da mão. Dentro da bolsa, era visível um tablet. Eis a nova geração de idosos.

Repentinamente, me dou conta que atrás dela, estava fixada na parede do vagão, aquela plaquinha que identifica por meio de símbolos, as pessoas que tem preferência ou prioridade de uso do banco. Daqueles vários, destacou-se um: sabe aquela figurinha que apresenta uma pessoa curvada usando uma bengalinha? Pois é. Aquela mulher poderosa sentada na minha frente era a tal velhinha que, em tese, estava retratada na placa. Só faltou o coque com a redinha prendendo os fios.

Lembrei-me do Estatuto do Idoso. Nele, são consideradas idosas as pessoas a partir de 60 anos. Como assim? Comecei a pensar na possibilidade de mudar aquele desenho para algo diferente simplesmente porque não representa mais a realidade. Acredito que o Estatuto do Idoso merece algumas revisões porque envelheceu; no mínimo as ilustrações e a referência às idades. Hoje somos mais longevos do que nossos avós. Se em 1960 a expectativa de vida do brasileiro era de cerca de 50 anos, em 2015 a expectativa era superior aos 75 anos. Com algumas variações entre os estados: Santa Catarina lidera o ranking com 78 anos e o estado do Maranhão é “lanterninha”, com 70 anos. E mais: muitos de nós conhecemos e convivemos com diversas pessoas acima dos 90. Outro dia, ouvi meu colega dizer que iria comemorar o 102º aniversário da mãe – que mora sozinha, por sinal. Aliás, foi ela que me passou a receita que uso para fazer manteiga caseira. Fiz nesse final de semana. Ficou saborosa. Recomendo. Mesmo eu saí para jantar outro dia, com um advogado centenário. Seu pensamento estava mais lúcido do que o meu. Mesmo depois de várias taças de vinho. #morrideinveja

A mulher que estava sentada na minha frente, era uma das mais de 23 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos que, com seu trabalho, sustentam a casa, muitas vezes a família e com isso movimentam um mercado de cerca de 1 trilhão de reais por ano segundo dados do Bank of America Merrill Lynch. É muito dinheiro. A visão que temos sobre o envelhecimento ainda está fortemente arraigada a questões de saúde e previdenciárias aqui por nossas terras. É certo afirmar que existem aqui discrepâncias sociais e econômicas literalmente obscenas, se me permitem o uso da palavra. Trata-se de uma sociedade e um Estado, injustos, que maltratam uma boa parte da população com as mais variadas idades. Mas por outro lado, também é certo afirmar que a visão do vovô preestabelecida pela sociedade também já não atende mais as necessidades dessa população ainda cheia de vida.

Essa imagem me faz lembrar a minha avó paterna: Helena, como já mencionei em outra coluna. Sua meta de vida era ver os netos (quiçá, bisnetos) crescerem enquanto ela, sentadinha numa cadeira de balanço, faria crochê. E fez isso mesmo com um agravante: vestida de preto até o fim da vida, pois, na qualidade de viúva grega (desde os 30!) deveria vestir-se assim por questões de decoro religioso. Agia como se o seu dever estivesse cumprido.

Continuei olhando para aquela mulher: desligou o celular e foi teclar no tablet. Aparentemente, este estilo de vida – “esperando a morte chegar”, não fazia parte dos pensamentos e ações dessa mulher. Mas longe também, estava o tal vigor da juventude tão exaltando por vários meios de comunicação como se fosse o período mais importante da vida de um ser humano. Sinto informar ao povo de marketing, publicidade e propaganda que a juventude – representada nos teenagers, não é o período mais importante da vida.

Aqueles que estão lendo essa coluna provavelmente viverão bem mais de 80 anos. Irão reinventar-se para aceitar as modificações que o corpo impõe com o passar dos anos. E a arquitetura e o urbanismo, deverão estar preparados para todas as mudanças que já estão ocorrendo.

De agências de viagem, sites de relacionamento para pessoas maduras e residenciais que nem de longe se apresentam como as antigas casas de repouso, o que esse público mais deseja é viver com qualidade, tendo satisfeitas suas vontades. E como fica o atendimento das necessidades dessa população com poder de consumo (e decisão, portanto) na hora da compra da nova casa, dos mobiliários, das utilidades domésticas e demais serviços, espaços e produtos de uma moradia, por exemplo?

Será que as empresas e prestadores de serviços da área de construção civil estão atentos para essas mudanças?

Ambientes sem degraus, pisos antiderrapantes, entradas mais amplas, bordas arredondadas, alturas adequadas em tomadas, iluminação correta, eliminação de obstáculos por meio da disposição correta de móveis e tapetes são apenas algumas das ações que essas empresas deverão atender se quiserem “abocanhar” essa fatia significativa de mercado. O atendimento às normas de acessibilidade deixa de ser uma “obrigação legal” e passa a ser um potencial de negócio. O desenvolvimento de projetos acessíveis para esse público – incluindo também aquele que tem mobilidade reduzida, vem exigindo plantas adaptadas que não apenas permitam a usabilidade, como também reflitam as linguagens estéticas e os estilos contemporâneos de vida. Casa com cara de hospital? Nem pensar! Virar as costas para essas demandas é, no mínimo, ignorância. Ou seja, tanto o asilo quanto as casas das vovós que ilustram contos e fábulas infantis de La Fontaine e dos irmãos Grimm, por exemplo, não atendem mais ao segmento que pertence à sylver economy. Imaginem então aqueles “cursos para a terceira idade” oferecidos aos montes por ONGs e instituições diversas que tem por objetivo “atualizar” os pobres velhinhos com mais de 50 anos… Gente ACORDA! Atualizem-se!

Semana passada, durante uma consulta num gastroenterologista em que acompanhei minha mãe (cuja idade é segredo de Estado), o médico inadvertidamente, sugeriu que alguns dos sintomas sentidos por ela nos últimos dias poderiam ser resultado da idade. Completamente possuída pela ira, ela pergunta: “Tá me chamando de velha, doutor?”. Desconcertado com a pergunta, ele mal retruca: “não foi isso que eu quis dizer, eu só…”. Não deu tempo. Ela atira: “Pago minhas contas com o meu dinheiro, escolho o que faço, como o que quero, vou aonde tenho vontade e na hora que eu quero. Velha é a vovozinha!”

Concordo. Ela está certíssima.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

Casa Projeto & Estilo: projeto para uma “república” acessível

Talita Benedicto  e  Vitor Zonderico Brandão   FIAM-FAAM Centro Universitário CASA Projeto & Estilo Helena Degreas

FIAM-FAAM Centro Universitário

Alunos: Talita Benedicto  e  Vitor Zonderico Brandão  

Escritório Modelo: Acessibilidade Universal

Curso: Arquitetura e Urbanismo

Tutor: Profª: Drª Helena Degreas

FIAM-FAAM Centro Universitário Profª Helena Degreas

Tema:

O que pode acontecer quando quatro jovens universitários com habilidades funcionais distintas e gostos muito heterogêneos decidem compartilhar os espaços de um apartamento pelos próximos anos?

Centro Universitário FIAMFAAM Casa Projeto & Estilo Helena Degreas

Partido e descrição do projeto

Para atender ao programa de atividades de quatro jovens universitários de alto poder aquisitivo, foram criados ambientes que atendessem as rotinas domésticas e de lazer, já que muitos dos finais de semana são destinados ao encontro e socialização com os demais colegas da faculdade.

Casa Projeto & Estilo FIAMFAAM Centro Universitário Helena Degreas Casa Projeto & Estilo FIAMFAAM Centro Universitário Helena Degreas Casa Projeto & Estilo FIAMFAAM Centro Universitário Helena Degreas

Para atender a casa sempre repleta de pessoas, o piso, seguro e de fácil manutenção, foi feito em cimento queimado; as antigas paredes da cozinha que criavam verdadeiras barreiras no relacionamento social foram retiradas e, em seu lugar, projetados ambientes com alturas e dimensões adequados para atender a todos, sem distinção: do futuro chef de cozinha que tem habilidades funcionais motoras reduzidas e se locomove por meio de cadeira de rodas aos demais membros que não necessitam do uso de tecnologias assistivas. Cozinha e área de serviços foram projetadas visando à praticidade e funcionalidade na execução das atividades cotidianas.

Os espaços foram distribuídos em setores (guarda, preparo, cozimento, limpeza e, para a área de serviços, lavar, secar, passar, guardar). Para atender ao jovem chef, foram previstos os movimentos (circulação, estacionamento e transferência) da cadeira de rodas e, também, as alturas adequadas aos acessos frontais e laterais bem como as profundidades das bancadas previram o alcance manual frontal (0,45cm). Tudo isso para, no dizer de seus amigos de faculdade, viabilizar o seu trabalho como “o cozinheiro oficial da república”. A pia, bancada de trabalho e almoço, cooktop e demais áreas de apoio da cozinha e da lavanderia foram posicionadas a 0,85cm do chão. Garantindo conforto a todos os usuários, foi colocada uma torneira em arco flexível e ducha spray facilitando os movimentos quando da lavagem de utensílios e alimentos. Armários, gaveteiros, gavetas refrigeradas e demais espaços para guarda de utensílios domésticos e roupas tem alturas entre 0,40cm e 1,40cm do chão.

FIAMFAAM Centro Universitário Casa Projeto & Estilo  Helena Degreas

Um display na bancada permite que o usuário possa controlar o som, a TV e DVD sem precisar se deslocar, fazendo tudo simultaneamente. As tomadas encontram-se posicionadas a 1,10m em todos os cômodos. Na lavanderia, as máquinas podem acessadas lateralmente e tanto a secagem de roupas por varal, quanto a guarda em cabideiros utilizou o sistema basculante. Mesmo instalado em ponto mais alto, pode ser acessado por varão que, mais longo do que o usual é puxado para baixo permitindo a descida por inteiro.

CASA Projeto & Estilo FIAMFAAM Centro Universitário Helena Degreas