Mobilidade urbana sustentável: tinha um buracão no meio do caminho

Fonte: Acesse Portal

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Uma calçada com flores vermelhas estampadas no piso, pedras de diversos tamanhos e cores em volta de arbustos com folhas largas dificultando a locomoção dos pedestres na calçada. Fim da descrição.
Arbustos dificultam a locomoção dos pedestres na calçada (Foto: Helena Degreas)

Por: Helena Degreas*

Um dia desses, estava em sala de aula falando sobre acessibilidade do ambiente construído em áreas urbanas. Para não assustar muito os futuros urbanistas, achei por bem falar sobre mobilidade urbana sustentável, com foco na requalificação dos espaços destinados à locomoção não motorizada – ou seja, locomoção que utiliza a força e energia do próprio corpo para ir de um lugar a outro. Pode ser percorrendo caminhos a pé, ou com rodinhas por exemplo, sejam elas bicicletas, skates, patinetes ou cadeiras.

 

Mobilidade urbana sustentável

É importante conhecer os responsáveis pela criação, manutenção, enfim, a gestão pública dos espaços que acolhem e viabilizam (ou não) o ‘ir e vir’ do cidadão brasileiro. Caminhar a pé ou por rodinhas não acontece apenas em calçadas. Acontece em praças, parques, jardins. Nem bem abri a boca direito para falar sobre o assunto quando, à queima roupa, atiram em mim, a primeira pergunta:

– Profa! A vizinha foi engolida por um buracão na calçada.

– Como é que é?

– Quero saber quem cuida disso.

– Que buracão? De quem era o tal do buracão?

– E buraco tem dono, profa? A mulher se arrebentou inteira. Acho que não viu. Era noite. Não tinha muita luz. A senhora vira e mexe fala de calçadas acessíveis. Para quem, profa?

– Como assim, não tinha luz? A calçada não tinha poste de iluminação de rua?

– Até tinha, profa. Mas a copa da árvore é tão grande que chega a fazer sombra até de noite… (gargalhadas na sala)

– Galhos avançando na calçada e cobrindo a iluminação? Na altura do pedestre?

– Isso, profa. Acho que o maior problema nem é a luz. Ela que use a lanterna do celular. Acho que o maior perigo é o piso da calçada.

– O que tem o piso da calçada?

– É bonitinho, profa. Cheio de pedras, gramas e flores. A vizinha poderia ter desviado pela rua mesmo, andado pelo asfalto…. Mas não! Foi pela calçada. Deve ter ficado com medo.

– Pela rua?! Como assim?! E desde quando pedestre anda pelo asfalto junto com os carros? Medo do quê?

– Carros não, profa! Ônibus. É faixa de ônibus. É certo que sempre tem caminhões estacionados na rua. Mas a faixa é dos ônibus. A velocidade é de 50 km por hora… a calçada é estreita. E tem aquele monte de lixo esperando o lixeiro recolher. Com medo de morrer atropelada pelo caminhão, ela disse que preferia arranhar o rosto com os galhos da árvore e destruir o salto do sapato novo com as pedrinhas que ficam no meio da grama que o vizinho plantou… daí ela decidiu ir pela calçadinha mesmo…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma calçada esburacada, com tampas de caixa de inspeção sem identificação quebradas. Ao lado do meio fio, colado no autor da foto, uma grade de bueiro quebrada e a imagem da lateral de um caminhão estacionado ao lado de quem está fotografando. Fim da descrição.
No meio do caminho tinha um buracão (Foto: Helena Degreas)

– Calçadinha? Galhos de árvores no rosto? Pedrinhas no meio da grama?

– É profa! Deve ter meio metro de largura, se tiver! Bem que o vizinho que está na frente da árvore queria podar, mas a regional disse que era para esperar… se mexer, multa na certa!

– Bom, chega de buracão na calçada. Segunda metade da aula, quero todo mundo aqui dentro com uma pesquisa. Quantas intervenções tem as calçadas em volta da faculdade? Quero saber o nome das concessionárias, que tipo de intervenções foram realizadas e, para o caso de uma reclamação sobre manutenção, existe algum contato para o cidadão? Pode ser? Incluam a legislação que regula a criação e manutenção das calçadas na pesquisa.

 

Horas depois…

– E então? Quem gostaria de iniciar a apresentação?

– Eu! Vi que tem vários buracões aqui em volta da faculdade.

– Sério? Bom… pode começar! De quem são os buracões?

– Bom, profa. São Paulo tem 32 mil km de calçadas. Uns 8 milhões de pessoas andam por elas todos os dias. Os buraquinhos, buracos e buracões tem vários donos. Ou se a senhora quiser, “agentes produtores e mantenedores das calçadas”. Vou citar alguns para a senhora. Vamos lá. A senhora quer que eu comece pelos municipais, pelos estaduais, pelos federais ou começa aqui, pelo bairro mesmo? Os particulares ou os públicos?

– Vejo que já criou uma classificação…

– É profa, organização e método é tudo, como a senhora sempre diz. Mas vamos, lá. O buracão do qual lhe falei… lembrei: não tinha nome. Aliás, nem todo buraco tem nome…. São buracos os mais diversos… muitos deles são buracões sem tampa… devem ter sido retiradas, roubadas…. Acho que não devem ter dono também… devem ter sido abandonados… caixas de inspeção largadas, coitadinhas…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de uma tampa de caixa de inspeção da empresa TELESP ao lado de uma floreira com borda alta na calçada. Fim da descrição.
Uma tampa de caixa de inspeção é suficiente para prejudicar a acessibilidade (Foto: Helena Degreas)

– Como assim, não tem identificação?

– Pois é profa… tem da Eletropaulo, Telesp, Net, Vivo, Claro, Sabesp. Cetesb, bombeiros, CET, DSV, águas pluviais, Congás, ANEEL, Metrô, PMSP, … toda a empresa tem várias tampas de diferentes tamanhos, subclassificações e formas! Bem legal! Dá para fazer uma composição artísticas juntando todas! Buracos surgem como pragas… uma tubulação rompida causa um buraquinho num ponto, vai ramificando e quando a gente menos espera, vira uma cratera! Já vi carro sendo engolido em asfalto…, mas a vizinha, professora? Engolida por uma calçada? Isso nunca tinha visto não…

– E ela? Como está?

– Tá bem, profa… meio arranhada… não quebrou nada…. Saiu rastejando, de quatro, até o portão da casa dela… os outros vizinhos ouviram os gritos e, de repente, a encontraram escalando as paredes do buracão. Parecia uma cobra se contorcendo… Ela não queria ajuda para sair… Eles ficaram olhando… Depois do susto, parece que ela desembestou a gritar um monte de palavras muito feias dirigidas à mãe e à família do prefeito. Prefiro não repetir aqui, profa. Foi mal. Ela disse que iria processar o governo. Um dos vizinhos que já tinha quebrado o pé por causa de outro buraco, indicou a Defensoria Pública do Estado. E não é que ela descobriu que existiam vários casos como o dela? Um monte de gente se arrebentando por aí… tem que provar que ela se machucou por causa do buraco. Mas se tiver testemunha, laudo médico, fotos… essas coisas todas, dá para processar a prefeitura e ser indenizado. Professora, a senhora sabia que tem até campanha ‘caça-buraco’? Chama-se Calçada-Cilada. Bem legal! Vale conhecer e colaborar. Aí, professora… veja o lado bom da vida… a senhora pode fazer uma corrida de obstáculos numa calçada… nem precisa de academia! Só cuidado para não cair num buracão…

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

 

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Tudo depende de como você vê e entende as coisas

Fonte: Acesse Portal

Descrição da imagem #PracegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Alguns livros estão sobrepostos em cima de uma mesa. Fim da descrição.
Arquiteta reflete sobre as formas de ver as coisas (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Como de costume, numa manhã ensolarada de domingo, lá fomos nós: meu marido, eu, Ricotinha e Chanel fazer um passeio a pé. No caminho, paramos para tomar um café na Livraria da Vila, na região conhecida como Jardins, em São Paulo (SP). Lá, nossos comportados pets são bem-vindos.

Enquanto os três foram ouvir jazz no andar de cima, eu desci as escadas para ver as novidades infanto-juvenis. E por que esse setor especificamente? Porque precisava espairecer. No dia anterior, eu havia preparado algumas aulas que tratavam de temas difíceis como acessibilidade, desenho universal e tecnologias assistivas, entre outros. Semestralmente atualizo o material do e procuro novas informações, técnicas, materiais e ideias. Começo pelos significados das palavras. Conceito mal definido, vira pré-conceito. Em arquitetura, posso traduzir por desastre na vida das pessoas…

Amo livrarias. Essa em especial. Tem de tudo muito! É como uma feira de novidades. Sobre o expositor, esbarro com o título “Tudo depende de como você vê as coisas” do escritor Norton Juster. Abri aletoriamente:

“Esta é Dicionópolis, capital de um reino feliz, magnificamente situado no contraforte da Confusão e acariciada pelas brisas suaves do mar do Conhecimento”.

Mais adiante, leio ‘Bem-vindos ao mercado das palavras’. Ao longo do texto, o autor brinca com as palavras e, ao tirá-las do contexto, muda as ideias de lugar criando situações inesperadas. Para o bem e, em alguns momentos, para o mal.

Pareceu interessante. Comecei a devorá-lo lá mesmo, entre gritarias, contadores de histórias e mães teclando no celular.

É impressionante o festival de confusões que acontecem quando utilizamos palavras de maneira inadequada. Cada uma delas traz consigo uma definição. As definições encontram-se em… Livros e textos diversos que as definem, ora… podemos encontrá-las em dicionários diversos, dicionários profissionais, impressos, mídias digitais… um mundo de possibilidades! Aquelas que compõem o léxico profissional devem ser encontradas em dicionários especializados na área em que estamos trabalhando.

Li outro dia, não lembro bem onde, que a língua é um sistema de representação cognitiva do universo pelo qual construímos nossas relações. Nada mais adequado do que iniciar uma disciplina, por meio da definição de conceitos. Pela forma como nos comunicamos, nos expressamos, seremos compreendidos, incluídos em grupos sociais diversos. Expressamos o que vemos e entendemos por meio de palavras. E aí… tudo depende de como vemos as coisas…

Apesar da falta de paciência dos universitários para com a palavra, a leitura, a pesquisa – todos querem ir direto à solução projetual e de forma mágica, as tais palavrinhas às quais me refiro quando leciono os princípios do desenho universal são fundamentais para a correta abordagem do tema e da sua aplicação nas propostas de projeto de arquitetura, urbanismo, paisagismo, produto entre outros. Aparentemente não percebem, mas o repertório vocabular é uma espécie de passaporte que irá incluí-los no ambiente profissional quando egressos.

À título de ilustração, num seminário de alunos realizado por jovens apressadinhos e pouco afeitos à leitura e pesquisa (indiquei as fontes, mas os lindinhos decidiram, de última hora, procurar em outro lugar), foi apresentada a definição e alguns sinônimos do verbete ‘normal’. Procuraram onde? No Dicionário Informal e na Desciclopédia… quase cortei meus pulsos…. Os dois são construídos de forma colaborativa. Ou seja: os usuários inserem a sua definição, bastante peculiar… bem autoral…. Enquanto no primeiro o humor é politicamente incorreto do tipo soft, no segundo o politicamente incorreto vira um pouco hardcore… vou omitir o resultado da apresentação… essas pessoinhas irão me encontrar novamente nesse semestre e na mesma disciplina…

Outro dia, li a coluna do Leonardo Reis – Crônicas do Gigante Leo –, aqui mesmo, no portal Acesse. Em sua crônica, o Gigante Leo sentia-se perplexo e chateado com o uso da palavra ‘normal’. Foi atrás do significado em um dicionário online e citou uma das várias definições: “sem defeitos ou problemas físicos ou mentais”. Associou a definição encontrada e selecionada, à exclusão. E, a partir dela, discorreu sobre questões de inacessibilidade do ambiente construído. Nesse momento, eu fiquei preocupada.

Normal e comum são verbetes muito, mas muito utilizadas de maneira equivocada. Concordo com o Leo. É como se o comum, o corriqueiro fossem a norma. A partir daí posso entender a decepção do colega.

Mais do que a palavra, entendo que é a forma como a utilizamos. O seu contexto. Mas, em terras brasileiras, além do contexto no uso das palavras, temos também o contexto urbano, cultural, educacional. De tão corriqueira que é a falta de gestão do ambiente construído em nossas cidades e de tão comum que é o desrespeito para com as normas edilícias, que para os nossos jovens o ruim e os erros transformam-se em regra. Pior: nem percebem que existe outra forma mais adequada para atender as necessidades das pessoas com qualidade.

Gerações e gerações de jovens nascem, crescem e vivem em ambientes que resultam de erros que de tão repetidos, transformam-se em norma. Associada a esses fatos, em qualquer cidade brasileira, predomina a cultura da autoconstrução. Profissionais de projeto, para quê? Tenho certeza que alguns leitores já fizeram alguma reforma por conta própria ou contratando algum pedreiro, empreiteiro…. Podemos incluir também na discussão, os poucos anos de escolaridade da imensa maioria de brasileiros e a formação rasa (com raras exceções) de nossas escolas públicas e também particulares.

Depois de anos em salas de aula, formam analfabetos funcionais. São jovens e adultos que decodificam letras, frases, textos curtos, mas são incapazes de compreendê-los. Apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números, segundo matéria do portal UOL

Longe, mas muito longe dos profissionais, essa situação, por si só, gera erros grotescos e várias ilegalidades em diferentes níveis e graus de complexidade. Mais um dado: para nós, projetistas de espaços que abrigam a vida das pessoas, não existe a reprodução do comum, do corriqueiro, a cópia como processo de projeto. É impossível. Indivíduos, famílias ou agrupamentos sociais têm necessidades únicas para morar, recrear-se, socializar-se ou trabalhar.

O que de comum existe entre todos é que, quando contratado um projetista (sejam eles arquitetos, engenheiros, designers e tantos outros), impõe-se a ele tanto a realização de pesquisas profundas sobre as necessidades das pessoas e de funcionamento do local, quanto a obrigatoriedade do cumprimento das leis urbanísticas, dos códigos de obras e demais normas da cidade, do estado e do país. Submetemo-nos todos a elas e sem discussão. Numa de suas aulas (brilhantes, por sinal), o arquiteto Marcelo Sbarra discorre sobre o papel das normas e legislações na produção de um projeto de arquitetura e apresenta as mais de mil normas associadas à pratica profissional (CLIQUE AQUI e AQUIse quiserem conhecer mais), tais como Posturas Municipais, Códigos de Obras, Planos Diretores, Zoneamentos, Bombeiros, NBR’s, Anvisa, etc. Todas elas compõem o vasto arcabouço de conhecimentos normativos e legais que devem ser considerados no ato de projetar.

Portanto, aqui por nossas terras Léo, para a nossa tristeza, o normal ainda é construir fora da norma. É normal não ler. É normal o poder público não fiscalizar. O comum é o jeitinho brasileiro que encontra-se muitas vezes à margem da lei. O tal jeitinho, por sua vez, cria equívocos conceituais. Quando erros e compreensões equivocadas se materializam, criam barreiras, muralhas inteiras que nos impedem de realizar nossas vidas em espaços públicos urbanos. Concordo, Leo: imperam em nossas paisagens urbanas, a materialização de pré-conceitos. Como só a educação muda o mundo, vamos nós dois, nesse espaço acessível. Contribuindo com a mudança.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

O lado sinistro

Fonte: Acesse Portal
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A imagem tem uma composição, com um pedaço de uma folha de sulfite, com um desenho infantil, sem uma definição clara. O desenho está em cima de uma mesa. Abaixo da folha com o desenho está uma toalha branca de crochê bordada. Fim da descrição.
Lembranças: Desenho do filho e toalha de crochê (Foto: Arquivo pessoal)

Por Helena Degreas*

Bebê já grandinho, chegou a hora de levá-lo para a escolinha. Apesar daquela sensação de culpa eterna que ronda os pensamentos de grande parte da vida daqueles que se ocupam da criação dos pequenos, é preciso deixar crescer. Criamos para o mundo e não para nós mesmos.

Desenvolvimento físico, intelectual, socialização e autonomia são competências socioemocionais que podem ser estimuladas a partir da vivência com outras pessoas. Em casa, não conseguiríamos ‘dar conta do recado’ sozinhos.

Numa das primeiras reuniões com os pais, vejo seus primeiros desenhos. Emocionada, começo a ler naquele emaranhado de traços, linhas, pontos e quase círculos a manifestação do seu desenvolvimento cognitivo. Lá estavam seus pensamentos expressos graficamente! Em mais algumas folhas, surgiram alguns recortes em papeis coloridos colados. #MomentoOrgulho.

Olho para a professora e penso numa frase para externar minha gratidão. Não deu tempo. De pronto ela descreve o que vê: “São garatujas. É assim que eles desenham.” Como é que é? Garatuja no meu dicionário significa desenho rudimentar, malfeito e por aí vai. Perguntei: Do que você está falando? Dá para explicar? Provavelmente num dia ruim, a educadora responde: “Seu filho é canhoto”. Fuzilando com o olhar, me questionava: “E daí? Qual é o problema colega? Escreve com a mão esquerda, vai cortar o bife segurando a faca com a mão esquerda….”

Acaso a escola e seus professores não estão instrumentalizados e preparados para colaborar no seu desenvolvimento? É isso? O clima azedou de vez. Adivinhem quanto tempo ele permaneceu por lá…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A Imagem é de uma sala de aula, com diversas carteiras na cor bege, vazias enfileiradas. Entre elas estão cadeiras com braços para destros e canhotos. Fim da descrição.
Salas de aula não estão preparadas para todos (Foto: Arquivo pessoal)

Nos primeiros meses de vida, seguindo a ordem natural e esperada das coisas, ele começou a utilizar uma das mãos com mais frequência do que a outra para segurar o copinho e a colher. Estava expressando, como qualquer ser humano, a preferência quanto à lateralidade corporal. Era a esquerda. Pensei: “Será que isso vai dar algum problema na escola? Final do século 20? Acho que não”. Canhoto, canhestro, esquerdo, inábil, desastrado, sinistro… nem sei quantos sinônimos encontrei. Aqueles ligados aos valores religiosos eram os piores: cão, diabo… em outras palavras, passava-me a impressão de alguém ‘do mal’. Palavrinhas que materializavam condutas e comportamentos sociais construídos a partir de pré-conceitos. O menino aprontava todo o tipo de diabruras…, mas daí a entender que a preferência lateral corporal é ‘do mal’? Eu, hein! Fico imaginado o vasto cabedal de histórias que terei para contar aos filhos do meu filho…

Mas o pensamento retornava, insistindo em me perturbar: “…Com o quê, afinal, estaria eu tão incomodada”?

Lembrei-me de meu primo Ιωάννης e minha avó Eλενη. Primo mais velho, brincávamos juntos quando criança. Por volta dos quatro anos, ele me ensinou a desenhar e a escrever com as duas mãos. Sem perceber, desenvolvi uma nova habilidade. Pouco tempo depois, tive alguns probleminhas durante as aulas de caligrafia na escola tradicional americana que frequentei. Gostava de ‘desenhar as letras de mão’ com as duas mãos. Professoras à moda antiga, decidiram unilateralmente escolher a mão que deveria ‘desenhar as tais letras’. Adivinhem qual era… Anos mais tarde, num dos vários almoços na universidade, ele me confidenciou que sofreu muito na escola. Imagine escrever com a mão esquerda frequentando um colégio religioso repleto de padres professores. Afinal, está claro na Bíblia que ‘À direita de Deus pai, ficam as boas ovelhas’… Já à esquerda ficam… tirem suas próprias conclusões… Sobreviveu à tirania destra, crescendo como um adulto ambidestro.

Minha avó paterna, por sua vez, não frequentou escola. Essa situação não a impediu de aprender a ler e a escrever sozinha. Com ela aprendi a cozinhar, tricotar e fazer peças em crochê, naturalmente, utilizando a agulha com a mão esquerda. Só me dei conta disso, novamente na escola, anos mais tarde, durante as aulas de ‘Prendas domésticas’. Nas aulas, empunhando a agulha na mão esquerda, tive que reaprender o que minha avó querida havia me ensinado, agora com a direita. Para não ser reprovada, reaprendi. Tempos difíceis aqueles…

Mas o quê afinal, ainda me incomodava? Acho que foi minha profissão, mais do que qualquer outra coisa. Como arquiteta e urbanista projeto ambientes, espaços e objetos para uso e fruição das pessoas quer nas atividades diárias do lar, do trabalho e da vida em sociedade. Valores estéticos, sociais, econômicos e funcionais estão sintetizados em cada projeto, em cada objeto e ambiente. Tudo é pensado para ser utilizado de maneira confortável por qualquer um que necessite dos nossos serviços. O projeto é contextualizado nas necessidades dos contratantes, apoiado obrigatoriamente em normas e legislações vigentes, técnicas, materiais e processos construtivos disponíveis no mercado.

Procurei em estabelecimentos comerciais diversos objetos cujo design – projeto em outras palavras –, pudessem adaptar-se e atender plenamente as preferências e habilidades associadas à lateralidade corporal do meu filho para facilitar-lhe o uso em ambiente escolar. Obviamente, mal consegui uma tesoura que, apesar de ter gravado o nome do meu filho, misturava-se às dos demais alunos destros, sendo tratada como ‘aquela ruim que não corta’. Meu filho por sua vez, ia se adaptando ao mundo dos destros. Carteiras inadequadas que levavam a uma postura horrível, mouses, botões, roupas, apontadores, abridores de latas ou até dificuldade na escrita: Já perceberam que a mão esquerda passa por cima do texto que se está escrevendo? Leva-se mais tempo para desenvolver a mesma tarefa. Fico imaginando como escrever com uma caneta tinteiro ou como se resolvem as questões de um cirurgião canhoto…

O fato é que até hoje, 20 anos depois, século 21, apesar dos avanços obtidos por força de lei, cerca de 10% da população mundial ainda precisa desenvolver ‘destreza’, adaptar-se e ser flexível no uso dos objetos, instrumentos de trabalho e ambientes criados para os destros. Quantos são? Cerca de 700 milhões de pessoas adaptam-se ao desconforto para poderem trabalhar ou divertir-se. Algumas situações, de tão corriqueiras, transformam-se em verdades inquestionáveis. Cansei de ouvir de alunos e demais pessoas. “Mas é assim que se faz! E existe outro jeito?” Óbvio que sim. Vários! Coloque-se no lugar do outro. Vá pesquisar. Projetar não tem glamour nenhum: 99% transpiração e 1% inspiração. Resumindo: é muito trabalho.

Retorno à necessária mudança de cultura: Valores e crenças sociais só mudam com a educação. Demora, mas não tem outro jeito. Arquitetos não são capazes de mudar a visão de mundo dos demais 90% dos membros que compõem o grupo dos destros. De minha parte, fui contribuir com a mudança. Apesar de trabalharmos com médias, projetar demanda soluções diferentes para cada contexto. Procurar soluções que atendam habilidades funcionais distintas do corpo, significa em outras palavras, dar as mesmas condições de acesso e uso de ferramentas de trabalho, espaços e ambientes para executar uma tarefa bem: independentemente das habilidades funcionais do corpo.

Ao lecionar disciplinas na área de projeto, solicito aos meus alunos que tomem uma atitude proativa, desconfiando sempre do status quo, revendo processos, rotinas, comportamentos, produtos, normas e até legislações que dificultem de alguma forma, a vida das pessoas. Gosto de imaginar o mundo dos mais variados ângulos e lados. Canhestro, estranho, esquisito, inábil, limitado é aquele que diante de todas as possibilidades e lados opta por um apenas… para mim, sinistro mesmo é ver um lado só da vida.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

Parque Augusta: por uma cidade mais verde

Parque Augusta: por uma cidade mais verde

Publicado em 09/10/2013 | 1 Comentário | Editar

Este projeto foi realizado por alunos do escritório modelo do Curso deArquitetura e Urbanismo do FIAMFAAM Centro Universitário com o objetivo de atender as necessidades de recreação e lazer em áreas centrais (Bela Vista, subprefeitura Sé) e também atender ao previsto no texto do Plano Diretor do Município de São Paulo, ou seja, gerar qualidade de vida ao cidadão.

Parque Augusta: ilustração André Spadari FIAMFAAM escritório modelo de arquitetura

Todos nós, moradores de São Paulo sentimos a carência de aespaços livres públicos na cidade para o exercício de nossas atividades cotidianas tais como tomar sol, andar à toa, sentar-se à sombra de uma árvore e conversar com amigos, ouvir os pássaros que habitam os quase  24.ooo m² de área verde do local, ler um jornal, passear com nossos animas de estimação, tomar um sorvete ou simplesmente flanar como diriam os moradores mais antigos…

Nossos alunos acreditam que mais do que shoppings, áreas comerciais, torres de escritórios, flats (que já estão sendo construídas logo em frente no antigo Cadoro) o cidadão precisa respirar… não ser obrigado a ler letreiros, avisos e placas comerciais, olhar preços em vitrines … enfim, não ser compelido a comprar, comprar, comprar… para as situações descritas, os locais de compra e venda existem às centenas. Basta escolher qualquer um deles.

Parque Augusta: ilustração André Spadari projeto para Parque Augusta FIAMFAAM escritório modelo

Fica aqui, senhor prefeito e ilustríssimos vereadores, o recado e a esperança de um conjunto de jovens que desejam do Poder Público uma cidade desenhada, pensada para seus habitantes e que gere qualidade de vida aos seus cidadãos e não apenas àqueles que empreendem novos negócios…

#FICADICA para o IABCAUBRABAP  e ANP

E por que não realizar um CONCURSO NACIONAL DE PROJETOS Estudantis para o Parque Augusta?

Cliente principal: cidadãos da cidade de São Paulo
Solicitante: Drª Celia Marcondes (Aliados do Parque Augusta)
Tutor: Helena Degreas

Projeto:  André Spadari,  Brigida Valentini, Juliana Gasparotto.

Projeto Parque Augusta FIAMFAAM Conceito escritório modelo

Projeto Parque Augusta planta de vegetação FIAMFAAM

Projeto Parque Augusta FIAMFAAM pisos

Projeto Parque Augusta FIAMFAAM maquete

Revista Casa Projeto & Estilo: dormitório acessível para um adolescente

FIAM-FAAM Centro Universitário

Escritório Modelo: Acessibilidade Universal
Cursos: Design de Interiores, Arquitetura e Urbanismo
Tema: adaptação de um apartamento para um adolescente

Alunos:
Ana Verônica Cruz
Giovanna Galvão
Maiara Bicalho
Leonardo Mamede
Luana Souza Pereira
Luciana Ishu
Sabrina Archanjo Brasil
Simone Dias
Foto: Cibele Rossi de Almeida
Orientação: Profª Helena Degreas

Foto dos alunos

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Introdução
Quem não se lembra de como era bom sair correndo pelos corredores da casa e pular sobre a cama dos pais ou sobre os sofás da sala quando criança? Trazer amigos para dormir em casa, passar a noite inteira acordado assistindo TV, jogando games, conversando e fingindo que está dormindo quando os pais entram no quarto? Estas travessuras e outras tantas são rotina na vida de João (9 anos) e Pedro (12 anos), filhos de um casal jovem que como todos nós, tem uma agenda preenchida por trabalho, estudos, vida social intensa e diversos afazeres vinculados ao lar.

planta do dormitório

É neste ambiente que se desenvolve a proposta de redefinição dos layouts. Com a chegada da adolescência, novas demandas surgiram: os meninos que antes dormiam juntos terão doravante seus quartos individuais que devem oferecer um programa de atividades semelhantes, mas atendendo algumas especificidades: Pedro tem habilidades funcionais motoras reduzidas que, de tempos em tempos, variam entre o uso de cadeiras de rodas e andadores; recentemente, vem sendo estimulado a andar de forma autônoma sem o uso de tecnologias assistivas situação essa que lhe dará a liberdade de escolher para onde quer ir – andando ou correndo a seu modo. Embora ele apresente dificuldades para aprendizagem de conteúdos educacionais, sua habilidade visual é adequada, mas, como qualquer pré-adolescente, sua habilidade funcional auditiva é, na opinião dos pais, bastante “seletiva”.

Quarto do Pedro

quarto do Pedro

Partido

Todos os ambientes foram desenvolvidos para atender às linguagens estéticas e às necessidades sociais da família (recepção de amigos e parentes), bem como às orientações da TO – terapeuta ocupacional e do fisioterapeuta frente aos condicionantes espaciais necessários ao pleno desenvolvimento das habilidades de locomoção e compreensão do Pedro na sua nova fase de vida. A casa deve prover e colaborar no pleno desenvolvimento de autonomia na execução das atividades cotidianas domésticas que vão desde aos cuidados com sua higiene pessoal, alimentação bem como a execução de tarefas que são de sua responsabilidade como guarda de roupas e objetos pessoais, realização de tarefas da escola com acompanhamento eventual da TO, recepção de amigos nos finais de semana e algumas atividades de fisioterapia.

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

Cozinha Adaptada

O layout foi desenvolvido para todos os ambientes da casa e alguns elementos foram incorporados visando à locomoção segura. A partir dos estudos de circulação (em pé, com auxílio de andadores ou em cadeira de rodas) e, atendendo às formas de uso dos ambientes pelos meninos, todos os vãos de portas e circulações apresentam 0.90m livres. Algumas paredes receberam a fixação de barras de apoio (corredores, salas de estar, jantar, TV, cozinha, banheiro) para que Pedro possa andar apoiando-se por toda a casa. Assentos da cozinha, salas de jantar, estar e home office  (sofás, poltronas e cadeiras diversas) e banheiro são fixos e tem alturas que se adequam à transferências por cadeira de rodas.

No quarto de Pedro foram previstas as mesmas atividades de Marcelo com alguns diferenciais no mobiliário: a bancada de estudo é longa para comportar dois lugares (para ele e para a TO). Nela foi inserida uma prancheta com altura regulável revestida nas quatro laterais com material emborrachado e altura de 0,01m (evita a queda de cadernos e lápis quando inclinada); os gavetões com rodinhas ficam embaixo de uma das laterais da bancada e neles são colocados objetos e brinquedos. A frente é de acrílico transparente para que os objetos sejam facilmente identificáveis pelo menino. A cama é motorizada e biarticulada e sobre ela, no teto levemente rebaixado, foram embutidos dois spots que podem ser acionados para fins de leitura. Como Pedro adora desenhar, ao lado do armário e na parede foi colocada uma grande lousa branca com apoio para que ele fique em pé. Grande paixão do Rodrigo, a bicicleta adaptada juntamente com a cadeira de rodas que aos poucos ele vai largando, ficam pendurados na parede do quarto.

Banheiro adaptado dos meninos: Pedro e João

Banheiro adaptado dos meninos: Pedro e Marcelo

Lavabo adaptado

Lavabo adaptado

adaptação do banheiro dos meninos

adaptação do banheiro dos meninos

O banheiro recebeu mais uma porta que se abre (com folha de correr) para o quarto facilitando o acesso durante a noite. A pia do banheiro e do lavabo tem alturas reguláveis associadas a um sifão flexível. Ao lado da banheira há um assento e apoios laterais retráteis que tem por objetivo facilitar a troca de roupas, como exemplo. As pias do lavabo (que foi colocada no hall de circulação da cozinha) e do banheiro tem barra de apoio na frente facilitando as atividades de higiene. Os pisos todos foram selecionados com materiais antiderrapantes e de fácil manutenção. Tapetes foram embutidos e fixados no chão evitando escorregamentos.

quarto do casal

Design acessível: quarto de menino

Ana Júlia Ribeiro, Barbara Cabral,Karoline Gaiardo

Alunas
Ana Júlia Ribeiro
Barbara Cabral
Karoline Gaiardo

Foto: Elielton Caetano
Grafite: Alex Secos

Professor: Drª Helena Degreas
Disciplina: Acessibilidade Universal
Curso: Design de Interiores
Centro Universitário FIAMFAAM

Casa projeto e Estilo novembro 2012

 

Cliente

Que tal “dropar a rampa” ou ainda “executar um backflip” radical? Quedas espetaculares à parte, estas expressões integram o vocabulário que compõe o cotidiano de vida do jovem cliente viciado na prática do Hardcore Sitting, esporte urbano com manobras inspiradas nos movimentos dos patins e skates e praticado por deficientes motores em cadeiras de rodas adaptadas.

Conceito

Com cerca de 25m², a suíte atende a um programa de atividades de um rapaz com vida social, de trabalho e familiar bastante intensa. Muito além de dormir, o local também propicia o desenvolvimento de outras atividades  tais como estudos, jogos, leituras e exibições de filmes para amigos. Geek convicto, o rapaz é fã de games, mangás e gosta de músicas contemporâneas.

Projeto Casa & Estilo  revista Casa Projeto & Estilo

Revista Casa Projeto & Estilo

 

Arquitetura

Para conseguir viabilizar usos tão diversificados, a família solicitou a unificação de duas das suítes do apartamento. Com isso, o local ganhou mais espaço para distribuir os ambientes com mais conforto e qualidade.

Ambiente para dormir
Foi escolhida uma cama de solteiro com altura compatível para a transferência com estrado motorizado cujo movimento é anatômico, articulado e duplo (cabeceira e pés). Numa das laterais, a extensão do baú de futon com almofadas coloridas gera uma bancada mais baixa que serve como um criado mudo que, além da luminária com foco dirigido para leitura confortável na cama, permite o descanso do controle de automação que controla tanto os aparelhos e caixas de som embutidas no forro de gesso, quanto a iluminação, TV e vídeo game que encontram-se no quarto

Ambiente para games
O local é composto por um suporte articulado de TV (LED de 55”) com movimentos laterais e inclinção de até 15 graus e que permite a movimentação do aparelho para adequar-se às necessidades de posicionamento dos jogadores no dormitório confortavelmente. Associado ao aparelho, o local dispõe de bancada para colocação do console, dos controles wireless sem fio e dos demais adaptadores interativos que compõe a série de dezenas de jogos como taco de baseball, taco de golfe, raquete de tênis e tênis de mesa. Além de divertir, os games interativos colaboram no desenvolvimento das habilidades motoras melhorando a condição física de seus jogadores. Para a movimentação dos jogadores (em cadeira de rodas ou em pé) foi disponibilizado um espaço livre ao lado da cama e dos assentos em L que se encontram na parede.

Estação de estudo e trabalho
Trata-se de uma longa bancada de madeira com altura compatível para o ambiente de trabalho e estudo do cliente. O comprimento é necessário para poder comportar computador, tela, impressora entre outros equipamentos. Gaveteiros utilizam sistema de trilhos deslizantes. O armário para guarda de livros está suspenso do chão, adequando-se ao alcance manual lateral e encontra-se do outro lado da bancada. Sobre ela, foram colocadas as tomadas para acesso manual frontal.

Banheiro
A pia foi embutida na bancada e recebeu um sistema de barras de parede móvel que permite adequação às alturas dos distintos usuários. O sifão articulado é flexível e está posicionado junto à parede permitindo aproximação frontal com segurança. Os misturadores de água são frontais facilitando o manuseio do cliente. Os espelhos foram inclinados a 10 graus garantindo um campo de visão adequado tanto para quem se encontra sentado quanto para quem está em pé. A cadeira do chuveiro e o vaso também receberam o sistema de barras, facilitando o estacionamento, acesso e transferência do jovem.

Revista Casa Projeto & Estilo  Revista Casa Projeto & Estilo

 

Armário para roupas
Gaveteiros e demais componentes do armário foram colocados com alturas que variam entre 0,40 m e 1,40 m para gerar praticidade e conforto para o manuseio das roupas, sapatos e acessórios a partir de uma aproximação lateral. Apesar da profundidade de 0,60 m, o armário tem prateleiras deslizantes que permitem o acesso ás áreas mais profundas do armário viabilizando o alcance manual lateral do usuário. Mesmo instalados em pontos mais altos, os cabideiros são basculantes e podem ser acessados pelo varão que sofreu adaptação (o cabo é mais longo que o usual) para ser acessado com conforto. Ao lado do armário de portas deslizantes, foi colocado um espelho que vai do teto ao chão.

Revista Casa Projeto & Estilo

 

Completam a decoração a fita de LED RGB que além de bonita, permite a visualização do ambiente à noite graças à luz tênue e a cortina de correr automatizada blackout.

Praça Victor Civita

Ficha Técnica

Paisagismo Arquiteto Benedito Abbud Paisagismo e Projetos
Arquitetos: Levisky Arquitetos Associados e Anna Julia Dietzsch
Ano Projeto: 2007
Localização: R. Sumidouro, 580 – Pinheiros, São Paulo, 05428-010 – São Paulo – Brasil. Contato: (11) 3372-2303 ()‎ ·

Implantação
Fonte: Google Earth                                 Fonte: ArchDaily

O projeto teve início em 2006. Através de um intenso processo de interlocução com representações privadas e públicas, aconteceu o resgate de uma área contaminada em São Paulo. A praça não é apenas uma área recuperada da degradação,  serve também como um Museu Vivo onde a população pode refletir sobre construção sustentável, economia energética e responsabilidade sócio – ambiental.

PROGRAMA: Deck de madeira e Deck de piso de concreto:percurso consciente; Laboratório de Plantas (sitema de reuso de águas + biocombustíveis); Museu da Reabilitação Ambiental – Edifício Incinerador; Praça de paralelepípedos; Centro da Terceira Idade; Arena, arquibancada para 240 pessoas; Sanitários, depósitos, cabine de som; Camarins; Oficina de Educação Ambiental; Bosque; Jardins verticais; Alagados construídos (reuso de águas).

Praça Victor Civita   Praça Victor Civita

Curso de Arquitetura e Urbanismo FIAM FAAM
Pesquisa de Iniciação Científica
Aluna Marianna Barbosa ( RA: 5302109)
Orientadora Drª Helena Degreas