Tudo depende de como você vê e entende as coisas

Fonte: Acesse Portal

Descrição da imagem #PracegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Alguns livros estão sobrepostos em cima de uma mesa. Fim da descrição.
Arquiteta reflete sobre as formas de ver as coisas (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Como de costume, numa manhã ensolarada de domingo, lá fomos nós: meu marido, eu, Ricotinha e Chanel fazer um passeio a pé. No caminho, paramos para tomar um café na Livraria da Vila, na região conhecida como Jardins, em São Paulo (SP). Lá, nossos comportados pets são bem-vindos.

Enquanto os três foram ouvir jazz no andar de cima, eu desci as escadas para ver as novidades infanto-juvenis. E por que esse setor especificamente? Porque precisava espairecer. No dia anterior, eu havia preparado algumas aulas que tratavam de temas difíceis como acessibilidade, desenho universal e tecnologias assistivas, entre outros. Semestralmente atualizo o material do e procuro novas informações, técnicas, materiais e ideias. Começo pelos significados das palavras. Conceito mal definido, vira pré-conceito. Em arquitetura, posso traduzir por desastre na vida das pessoas…

Amo livrarias. Essa em especial. Tem de tudo muito! É como uma feira de novidades. Sobre o expositor, esbarro com o título “Tudo depende de como você vê as coisas” do escritor Norton Juster. Abri aletoriamente:

“Esta é Dicionópolis, capital de um reino feliz, magnificamente situado no contraforte da Confusão e acariciada pelas brisas suaves do mar do Conhecimento”.

Mais adiante, leio ‘Bem-vindos ao mercado das palavras’. Ao longo do texto, o autor brinca com as palavras e, ao tirá-las do contexto, muda as ideias de lugar criando situações inesperadas. Para o bem e, em alguns momentos, para o mal.

Pareceu interessante. Comecei a devorá-lo lá mesmo, entre gritarias, contadores de histórias e mães teclando no celular.

É impressionante o festival de confusões que acontecem quando utilizamos palavras de maneira inadequada. Cada uma delas traz consigo uma definição. As definições encontram-se em… Livros e textos diversos que as definem, ora… podemos encontrá-las em dicionários diversos, dicionários profissionais, impressos, mídias digitais… um mundo de possibilidades! Aquelas que compõem o léxico profissional devem ser encontradas em dicionários especializados na área em que estamos trabalhando.

Li outro dia, não lembro bem onde, que a língua é um sistema de representação cognitiva do universo pelo qual construímos nossas relações. Nada mais adequado do que iniciar uma disciplina, por meio da definição de conceitos. Pela forma como nos comunicamos, nos expressamos, seremos compreendidos, incluídos em grupos sociais diversos. Expressamos o que vemos e entendemos por meio de palavras. E aí… tudo depende de como vemos as coisas…

Apesar da falta de paciência dos universitários para com a palavra, a leitura, a pesquisa – todos querem ir direto à solução projetual e de forma mágica, as tais palavrinhas às quais me refiro quando leciono os princípios do desenho universal são fundamentais para a correta abordagem do tema e da sua aplicação nas propostas de projeto de arquitetura, urbanismo, paisagismo, produto entre outros. Aparentemente não percebem, mas o repertório vocabular é uma espécie de passaporte que irá incluí-los no ambiente profissional quando egressos.

À título de ilustração, num seminário de alunos realizado por jovens apressadinhos e pouco afeitos à leitura e pesquisa (indiquei as fontes, mas os lindinhos decidiram, de última hora, procurar em outro lugar), foi apresentada a definição e alguns sinônimos do verbete ‘normal’. Procuraram onde? No Dicionário Informal e na Desciclopédia… quase cortei meus pulsos…. Os dois são construídos de forma colaborativa. Ou seja: os usuários inserem a sua definição, bastante peculiar… bem autoral…. Enquanto no primeiro o humor é politicamente incorreto do tipo soft, no segundo o politicamente incorreto vira um pouco hardcore… vou omitir o resultado da apresentação… essas pessoinhas irão me encontrar novamente nesse semestre e na mesma disciplina…

Outro dia, li a coluna do Leonardo Reis – Crônicas do Gigante Leo –, aqui mesmo, no portal Acesse. Em sua crônica, o Gigante Leo sentia-se perplexo e chateado com o uso da palavra ‘normal’. Foi atrás do significado em um dicionário online e citou uma das várias definições: “sem defeitos ou problemas físicos ou mentais”. Associou a definição encontrada e selecionada, à exclusão. E, a partir dela, discorreu sobre questões de inacessibilidade do ambiente construído. Nesse momento, eu fiquei preocupada.

Normal e comum são verbetes muito, mas muito utilizadas de maneira equivocada. Concordo com o Leo. É como se o comum, o corriqueiro fossem a norma. A partir daí posso entender a decepção do colega.

Mais do que a palavra, entendo que é a forma como a utilizamos. O seu contexto. Mas, em terras brasileiras, além do contexto no uso das palavras, temos também o contexto urbano, cultural, educacional. De tão corriqueira que é a falta de gestão do ambiente construído em nossas cidades e de tão comum que é o desrespeito para com as normas edilícias, que para os nossos jovens o ruim e os erros transformam-se em regra. Pior: nem percebem que existe outra forma mais adequada para atender as necessidades das pessoas com qualidade.

Gerações e gerações de jovens nascem, crescem e vivem em ambientes que resultam de erros que de tão repetidos, transformam-se em norma. Associada a esses fatos, em qualquer cidade brasileira, predomina a cultura da autoconstrução. Profissionais de projeto, para quê? Tenho certeza que alguns leitores já fizeram alguma reforma por conta própria ou contratando algum pedreiro, empreiteiro…. Podemos incluir também na discussão, os poucos anos de escolaridade da imensa maioria de brasileiros e a formação rasa (com raras exceções) de nossas escolas públicas e também particulares.

Depois de anos em salas de aula, formam analfabetos funcionais. São jovens e adultos que decodificam letras, frases, textos curtos, mas são incapazes de compreendê-los. Apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números, segundo matéria do portal UOL

Longe, mas muito longe dos profissionais, essa situação, por si só, gera erros grotescos e várias ilegalidades em diferentes níveis e graus de complexidade. Mais um dado: para nós, projetistas de espaços que abrigam a vida das pessoas, não existe a reprodução do comum, do corriqueiro, a cópia como processo de projeto. É impossível. Indivíduos, famílias ou agrupamentos sociais têm necessidades únicas para morar, recrear-se, socializar-se ou trabalhar.

O que de comum existe entre todos é que, quando contratado um projetista (sejam eles arquitetos, engenheiros, designers e tantos outros), impõe-se a ele tanto a realização de pesquisas profundas sobre as necessidades das pessoas e de funcionamento do local, quanto a obrigatoriedade do cumprimento das leis urbanísticas, dos códigos de obras e demais normas da cidade, do estado e do país. Submetemo-nos todos a elas e sem discussão. Numa de suas aulas (brilhantes, por sinal), o arquiteto Marcelo Sbarra discorre sobre o papel das normas e legislações na produção de um projeto de arquitetura e apresenta as mais de mil normas associadas à pratica profissional (CLIQUE AQUI e AQUIse quiserem conhecer mais), tais como Posturas Municipais, Códigos de Obras, Planos Diretores, Zoneamentos, Bombeiros, NBR’s, Anvisa, etc. Todas elas compõem o vasto arcabouço de conhecimentos normativos e legais que devem ser considerados no ato de projetar.

Portanto, aqui por nossas terras Léo, para a nossa tristeza, o normal ainda é construir fora da norma. É normal não ler. É normal o poder público não fiscalizar. O comum é o jeitinho brasileiro que encontra-se muitas vezes à margem da lei. O tal jeitinho, por sua vez, cria equívocos conceituais. Quando erros e compreensões equivocadas se materializam, criam barreiras, muralhas inteiras que nos impedem de realizar nossas vidas em espaços públicos urbanos. Concordo, Leo: imperam em nossas paisagens urbanas, a materialização de pré-conceitos. Como só a educação muda o mundo, vamos nós dois, nesse espaço acessível. Contribuindo com a mudança.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

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Ploft: o tombo

Fonte: Portal Acesse
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de dois braços e mãos esticados, como numa sombra, refletida na calçada. Fim da descrição.

Por: Helena Degreas 

Acordo, abro a janela, sinto a brisa fria da manhã e vejo aquele céu azul profundo que só o outono pode nos propiciar. Coloco a coleira da Ricotinha (minha pitbull branca e rosa) e vou passear. Quero ver pessoas. Quero caminhar. Sinto falta. Depois de atravessar as inúmeras grades do prédio onde moro, alcanço enfim, a última gaiola de vidro que só abre com a autorização da criatura uniformizada em azul-marinho que aperta o botão. “Vai sair doutora?”, ele pergunta. Juro que pensei em responder com meia dúzia de desaforos, do tipo: “claro que não! Estou aqui porque sinto prazer em ver as pessoas livres lá fora”, mas, em nome da civilidade matinal, e, tentando não assustar a Ricotinha, rosnei um sim.

Soltas da gaiola de vidro, fomos explorar o mundo lá fora. Vejo o andamento das obras do metrô. Impressionante o ritmo dos negócios públicos. Minha filha estava no finalzinho do curso médio quando tudo começou. Hoje, já tem um mestrado finalizado nas costas. Lembro-me de todas as fases. A desapropriação dos imóveis. A demolição de cada uma daquelas histórias de vida encerradas em casas, lojas, prédios. O arquivamento forçado de minhas memórias. O sumiço da paisagem reconfortante.

Logo no começo, vieram os transtornos. No mais autêntico jeitinho brasileiro de construção civil e planejamento viário, ou ainda, ‘tentativa e erro’, os doutores do trânsito, dos engarrafamentos municipais e das obras eternas estaduais foram alterando o sentido das ruas autocraticamente para facilitar a vida do cidadão automóvel, é claro.

Os pedestres? Ora, os pedestres…. Os moradores? Ora, os moradores e suas necessidades…

Para quem não sabe o significado de calçadas, por favor perguntem ao São Google. Lá poderão encontrar desde ‘rua ou caminho revestido de pedras’ à ‘faixa destinada ao trânsito de pedestres e animais’. Taí. Gostei. Sou mais a última definição. Tem mais a minha cara: trânsito de pedestres (Ricotinha) e animais (eu) … E completando: automóveis (carro-cidadão contemporâneo com tratamento V.I.P) cuja locomoção livre de obstáculos por meio de pistas lisinhas e paradinhas breves em frente a obstáculos como faróis são, por princípio modernista, evitadas a qualquer custo. Conforto total para o motor cansado de tanto rodar por aí…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A calçada quebrada em frente à obra do metrô Oscar Freire. Fim da descrição.

Afasto meus pensamentos cinzentos e retorno ao passeio. Caminho em direção à esquina do futuro metrô. Duas faixas de carro foram eliminadas para ampliação das calçadas. Por que ampliaram as calçadas? Bom-senso dos engenheiros, arquitetos, prefeito ou governador? Doce ilusão a minha. Avançaram com os tapumes da obra sobre ela. Desvio dos blocos de concreto que foram largados sobre o meio fio e engaiolam os pedestres no passeio estreito.

Desvio do carrinho de compras. Todos desviando de mim. Por que será? Lembrei-me…. Estou com minha petbullzinha. Mesmo na coleirinha de strass, todos me olham ressabiados. Ok, penso. Se a calçada resultante das obras tivesse ao menos a largura para duas pessoas andando lado a lado, eu poderia me afastar um pouco. Calma, Helena. Você não está em Londres. Não está em Paris. Não está em Montevideo, Buenos Aires, Berlin, Madrid, Santiago e um monte de outros lugares. Você está num dos metros quadrados mais caro da cidade de São Paulo. Lembre-se, Helena: calçada é o espaço destinado a animais e pedestres…. Mentira: Ricota não consegue andar livremente. Nem eu. Sossegue seus pensamentos, Helena. Retorne ao passeio.

Vejo dois carrinhos disputando o mesmo espaço que eu: o da nova inquilina do quarto andar com seu bebê e sua babá, além do mais tradicional, sóbrio, de feira cheio de flores coloridas e pequenas junto com a Dona Veridiana que, como toda manhã ensolarada, vai ao mercadinho. Uma bicicleta e vários funcionários do metrô depois, estamos todos empilhados sobre uma esquina ridícula que, só não nos deixa numa situação mais indigna, porque tem a tal ‘rampa de acesso’. Para onde? Certamente para o próximo obstáculo: o canteiro central da Avenida Rebouças. Vamos lá, Helena. Bom humor! Logo, logo, depois de exercitar a tolerância, virtude há muito esquecida por minha humanidade, no aguardo de dois faróis, você conseguirá atravessar as seis faixas destinadas ao cidadão automóvel e, logo depois, ao seu destino final: a outra calçada. Imbuída do mais sincero sentimento de empatia pela raça humana urbana, aguardei a passagem e a travessia de todos. Foram dois faróis. Três minutos cada um. Mais a movimentação daqueles corpos se ajeitando nas calçadas. Lentos… muito lentos… e eu querendo passear. Ricotinha já estressada em busca do matinho mais próximo. Pela cara dela, qualquer um serviria. Desconhecidos humanos continuavam chegando e se empilhando na esquina. E eu, em respeito, me afastando com meu pet para deixá-los passar.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. Esquina da rua Oscar Freire. Vemos a faixa de pedestres e os tapumes da obra. Fim da descrição.

Como que possuída por uma raiva, um sentimento intenso de sobrevivência, peguei Ricotinha no colo (20 kg) e decidi passar no meio daquele monte de gente, para alcançar ao menos o canteiro central. Já estava lá a uma eternidade. Como raposa, observei o farol. Saquei o celular, contei os segundos e, preparada para a maratona, esperei.

Sinal verde para o pedestre: com o cachorro no colo, corri como louca. Numa conversão proibida, fui surpreendida por um caminhão.

PLOFT!

Com o susto, caí rolando sobre a faixa de pedestres até o canteiro central. Interessante a reação das pessoas: os funcionários da CET riram de soslaio. O motorista transgressor, gritou impropérios. As pessoas que aguardavam no ponto de ônibus, incluindo o motorista, gargalhavam. Vi um jovem sacando o celular para fotografar: devo ter virado sucesso nas redes sociais. Os colaboradores do metrô: impassíveis. Meus vizinhos, nem aí. Tipo: sei lá quem é ela. Ricotinha, assustadíssima, havia se soltado da coleira para desespero dos passantes. Grudou em mim. O ônibus, apesar do farol livre, decidiu parar. Menos mal: não passou por cima de mim e nem da Ricotinha. Lembro-me do para-choque a alguns centímetros de distância do meu corpo. Arrastei-me até o canteiro central. Humilhada.

Admiro os gatos. Caem sempre de pé sobre as quatro patinhas. Não importa a situação. Eu? Me esborracho no chão nas malditas calçadas malcuidadas pela gestão do alcaide da cidade onde moro. Não é o primeiro hematoma. É uma situação eterna. Histórica.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. O gatinho Ozzy, está se espreguiçando. Ele é branco e tem detalhes rajados na cabeça. Fim da descrição.

Ozzy, o gatinho contorcionista do meu colega Cidomar Biancardi Filho responsável pela foto

Dizem que vivo no mundo da lua. Enganam-se. Vivo, por assim dizer, num mundo paralelo: espécie de realidade própria, construída em pensamentos profundos que me permitem compreender a outra realidade material, dura, intragável do nosso cotidiano como pedestres em São Paulo. Recorrer a quem? Ninguém. Nada. Vazio. Acessibilidade em ambiente urbano? Só se for em cidades fora do Brasil. Preciso viajar para caminhar. São inúmeras as autarquias, órgãos, departamentos, secretarias, empresas, concessionárias, permissionárias, leis, normas, interessados, curiosos… sei lá. Todo tipo de interferências e emaranhados administrativos e legais agindo sobre o espaço por onde caí. Preciso implorar. Gritar para ter o mesmo direito do carro. Sem saída. Desisto.

Em tempo: Ricotinha conseguiu passear. Correu como nunca no petground – novo espaço público urbano para a diversão canina. Próxima vida, pretende nascer cachorro.

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

Iaourtópita: ou ainda, bolo de iogurte da Profª Helena (em férias rsrsrs)

Estava com muita vontade de comer um bolo não muito doce para com geléia no café da manhã ou sorvete no lanche da tarde.

Meus filhos gostam bastante e seus amigos também.

Diz a lenda, lá na Grécia…

No ano novo, tenho por hábito há anos fazer este bolo (que não cresce muito) e colocar uma moeda (devidamente higienizada e embalada em várias!!! camadas de papel alumínio) para cortá-lo à meia-noite com toda a família. Desde que me conheço por gente, a divisão é feita da seguinte forma: Normalmente o mais velho da família presente no dia, inicia o corte.

Primeiro você faz um sinal da cruz (quem não quiser, no problem at all pois isso é coisa dos gregos que são muiiiito ortodoxos…) sobre o bolo. Depois, essa mesma pessoa deve dividir o bolo em pedaços iguais para todos os presentes em ordem decrescente de idade.

Ah! Já ia me esquecendo: a primeira fatia é para Deus (quem não quiser não dê bolo para Ele); a segunda fatia é para a família toda (essa é legal, vale cortar sim!) e daí em diante, uma fatia para cada membro presente.

É bacana porque vira uma brincadeira onde todos acham esperam tirar a sorte com a moedinha! E aí, todo mundo acha que quem cortou o bolo favoreceu seu queridinho e por aí vai… Eu também acho a mesma coisa, sabiam?…

Se a moedinha cair na fatia de Deus, reza a lenda que ele cuidará de todos. Se cair na fatia da família, TODOS saem lucrando! se cair na fatia de alguém, a prosperidade é dele. Na virada do ano, quem ganhou a moedinha fui EU! yessss!!!! raspando na minha filhinha. Divido com ela, com o maior prazer!

Vamos à receita.

Ingredientes

um tablete de manteiga sem sal
1 xícara e 1/2 de açúcar (eu prefiro menos, meus filhos mais)
1 pote (de iogurte grego – pode ser do Acrópole mesmo, isso se o velho Trassívoulos quiser vender para você ou da Dona Vitória que é muiiiito bom e parecido com o grego). Pode ser qualquer marca de supermercado mas, além de potes pequenos, o gosto e a textura não ficam iguais…
5 ovos
Raspas de um limão
Mais ou menos umas 3 xícaras de farinha de trigo.
1 colher de sopa de fermento

O problema:
como faço minhas receitas desde pequenininha, nunca medi nada. Ainda ssim, fiz um esforço hoje para entender o que coloco e em que porções…

Como fazer:

Aqueça o forno (uns 220ºc)

Bata a manteiga com o açúcar até ficar um creme bem branquinho. Eu faço com a mão mesmo, não uso batedeira, garfos, etc). Costumava levar broncas imensas das minhas avós toda vez que eu vinha com essas modernidades do tipo batedeiras, garfos, etc. De acordo com elas, donas de casa tem obrigação de sentir e conhecer o “ponto” das massas na mão mesmo… Sigo à regra. Morro de medo delas, de lá do lugar bacana de onde estão, mandarem um msn, torpedo ou twitter dando bronca… rsrsrsrs

Voltando…

Acrescente o iogurte e continue batendo. Depois acrescente os ovos um a um até a massa ficar homogênea. Lisinha…
Vá polvilhando a farinha (com o fermento já misturado e as raspas de limão) aos poucos e batendo sempre.
A massa fica mais “firme”, portanto, não estranhe.
Unte uma forma com manteiga e farinha. Coloque para assar por uns 35 minutos ou até o o bolo começar a ficar amarelinho em cima e soltar das laterais da forma.

Gosto de enfeitar com açúcar de confeiteiro. Costumo usar da marca União porque realmente fica melhor. Não é propaganda não, tá?

Desenforme depois de frio (porque senão quebra ou esfarela inteiro) e bom lanche! No meu caso, após o lanche, precisarei pelos valores nutricionais de 2 horas de esteira… Quero voltar a ter a idade dos meus aluninhos… rs

Ah! para meus amigos que A-DO-RAM ler em grego moderno, lá vai a receita do livro que ganhei da minha vó Eleni (as duas chamavam-se Helena… hahahah) de receitas gregas. Ela deu um igual para minha mãe quando se casou. E ela tinha um igual de quando ela era casada… para meu espanto é o mesmo sem nenhum adendo ou alteração. Dizia ela (conselho para as moçoilas casadoiras) que marido se prende pelo estômago… Aliás, ouvi o mesmo de várias senhoras…

#profa em férias…

Praças no Brasil: alguns conceitos preliminares

Introdução

Em nossa última aula, falamos de forma bastante rápida e abrangente sobre o processo de construção dos espaços livres públicos brasileiros. Em especial, sobre praças.

Esse post será elaborado a partir da livre interpretação de textos, discussões e artigos desenvolvidos desde 1994 pelos pesquisadores  liderados pelo Prof. Dr. Silvio Soares Macedo responsável pelo grupo QUAPA- Quadro do Paisagismo no Brasil. Nossas reuniões são realizadas no Laboratório Paisagem e Ambiente que está situado na FAUUSP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (5511 30914687).

Em seu livro Praças Brasileiras, o professor Silvio afirma que juntamente com a rua, as praças constituem duas das tipologias de espaços livres urbanos mais importantes na história das cidades brasileiras pois desempenham um papel importantíssimo para o desenvolvimento das relações sociais da população e para a construção da esfera de vida pública.

praça em Palmas (To): Acervo QUAPA

flickr

Podemos afirmar que a praça é um espaço que permite inúmeros usos. Espaços de convergência de vários arruamentos e circulações de pedestres, sua forma deveria em princípio, ser constituída pelo conjunto de edificações que encontram-se ao seu redor. Dos antigos terreiros situados em frente às Igrejas aos contemporâneos logradouros repletos de equipamentos esportivos que lembram academias de ginástica a céu aberto, podemos constatar que esses espaços livres assumem inúmeras formas, desenhos, linguagens e equipamentos que permitem à população vivenciar o ócio, o flanar, o livre comerciar, a troca de idéias ou ainda a manifestação politica por meio de passeatas entre outros.

Sistema de Espaços Livres

A estrutura espacial da cidade é composta por duas categorias de sub-espaços: os espaços edificados e os espaços livres de edificação. 

Os espaços livres de edificação podem ser divididos em diferentes tipos, tais como: as ruas, os quintais, os pátios, as calçadas, os terrenos, os parques e as praças, além de outros tantos por onde as pessoas fluem no seu dia-a-dia. Resumindo: espaço livre não pode ser confundido com área verde, com jardins por exemplo.Em outro post, serão descritos mais de 50 tipologias espaciais identificadas ao longo dos últimos anos de pesquisa do grupo.

sem identificação: acervo QUAPASEL 2008

O espaço livre de edificação pode ser ‘verde’ (com vegetação), pode ser árido, pode ser alagado portanto azul, pode ser marrom ser for num rio, cinza se for o estacionamento externo a um shopping e assim por diante.

A praça é parte integrante de um conjunto de tipologias urbanas que compõem o Sistema de Espaços Livres brasileiros. Entendemos por espaços livres, todo aquele espaço que que não é edificado (definição de Miranda Magnoli) e portanto não é contido em uma edificação.

As ilustrações a seguir mostram a imensa quantidade de área livre contida no interior dos lotes urbanos e nas áreas externas à eles independentemente de sua localização mostrando um grande potencial de uso quer público, quer privado.

Barra da Tijuca: Rio de Janeiro (acervo QUAPA)

Pirituba: São Paulo (acervo QUAPA)

Alphaville: São Paulo (acervo: QUAPA)

máscara de espaços livres - Acervo QUAPA 2002

Nessa imagem, você poderá observar que a forma urbana é bastante diversificada em sua composição. Nela aparecem três cores: o marrom que deve ser lido como espaço edificado (prédios), o espaço amarelo + verde que são livres de edificação, sendo uma delas predominantemente vegetada. Se juntássemos toda a cor marrom que representa as edificações, certamente teríamos apenas 40% da área ocupada sendo o restante, espaço livre que encontra-se divido em duas outras categorias: espaço livre público e espaço livre privado.

Em tempo: esse post foi construído a 6 mãos: minhas, do Roberto Sakamoto e da Ana Cecília de Arruda Campos.

Fonte de referência: acervo QUAPA, QUAPASEL
Macedo, Silvio Soares. Robba, Fábio. Praças Brasileiras. São Paulo: EDUSP, 2002. (Coleção QUAPA – esgotado)
Para você aluno: vale à pena pesquisar nesses dois links pois eles contém mais de duas centenas de projetos de paisagismo distribuídos em todo o país.

http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/
http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/busca.asp            

O que é um portfólio? (turma DI4)

Introduzindo o tema…

Para a maioria dos profissionais, organizar um bom currículo é a grande preocupação quando se quer arranjar um novo emprego. Além disso, a pessoa só precisa se preparar para dinâmicas de grupo e entrevistas.

Você sabe a diferença entre um Curricum Vitae e um Portfólio?

O Currículo Vital (do latim trajetória de vida), também abreviado para CV ou apenas currículo (por vezes utiliza-se o termo curricula, como forma no plural do termo) é um documento de tipo histórico, que relata a trajetória educacional e/ou acadêmica e as experiências profissionais de uma pessoa, como forma de demonstrar suas habilidades e competências. De um modo geral o Curriculum Vitae tem como objetivo fornecer o perfil da pessoa para um empregador, podendo também ser usado como instrumento de apoio em situações acadêmicas.

O curriculum vitae é uma síntese de qualificações e aptidões, na qual o candidato a alguma vaga de emprego descreve as experiências profissionais, formação acadêmica, e dados pessoais para contato. Ainda é a forma que muitas empresas usam para preencher vagas de emprego.

CV Helena Napoleon Degreas

No entanto, se você optou pelas áreas de publicidade, arquitetura, fotografia e design ( interiores, gráfico, moda, etc.), por exemplo, montar um portfólio será essencial para conseguir um lugar no mercado de trabalho, quer como profissional liberal, quer como funcionário de uma empresa.

O  Portfólio é uma lista de trabalhos de um profissional ou de uma empresa.

Trata-se de uma coleção sistematizada dos trabalhos mais relevantes realizados por um profissional ou por uma empresa com o objetivo de mostrar as áreas, qualidades e abrangências do seu negócio.

Dependendo do tamanho da marca ou da empresa, algumas organizações e profissionais separam seus portfólios por deparatamentos, setores ou áreas de negócios. Em qualquer dos casos, é necessária uma página principal que apresente a organização como um todo.

O portfólio deve conter o conjunto de ações, produtos ou anda trabalhos de sucesso mostrando seus resultados. Para um artista, arquiteto, designer ou publicitário, o portfólio visa á conquista de novos trabalhos e clientes. Deve conter imagens,

Um artista, arquiteto, publicitário, designer ou modelo de moda pode apresenta peças, produtos, projetos produzidos ou ainda qualquer tipo de registro do conjunto principal da obra realizada ou em andamento.

O que é Desenho Universal?

Desde a década de 60, países como Japão, Suécia e EUA vem discutindo maneiras de reduzir as barreiras arquitetônicas enfrentadas por pessoas com deficiência. Hoje, quase meio século depois, as discussões concentram-se na concepção de produtos, meios de comunicação e ambientes que possam ser utilizados por todas as pessoas, qualquer que seja a idade, estatura ou capacidade, o maior tempo possível e sem a necessidade de adaptação ou auxílio.

O conceito livre de barreiras acabou evoluindo para o conceito de desenho universal, adotado inicialmente pelos EUA. Entende-se por universal em seu acesso todo o produto que torna possível a realização ou ainda prática das atividades e tarefas cotidianas de todo ser humano. Na verdade, o desenho universal busca a inclusão das pessoas nos diversos segmentos sociais que compõem as nossas vidas por meio da facilitação  de uso de produtos/meios/espaços consolidando assim, os pressupostos existentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos que vimos em nossa primeira aula.

Os conceitos de Desenho Universal são mundialmente adotados para qualquer programa de acessibilidade plena.

São eles:

1. Uso Igualitário e equiparável – equiparação nas possibilidades de uso.
São espaços, objetos e produtos que podem ser utilizados por pessoas com diferentes capacidades ou ainda por qualquer grupo de utilizadores. Seu design é comercializável para pessoas com habilidades diferenciadas.

torneira com alavanca para pessoa com deficiência

2. Adaptável – Uso Flexível.
Design de produtos que atendem pessoas com diferentes habilidades e diversas preferências, sendo adaptáveis a qualquer uso.

3. Óbvio – Uso Simples e Intuitivo.
O design do objeto/produto/espaço é facilmente compreendido por qualquer usuário independente de sua experiência, conhecimento, habilidade de linguagem ou nível de concentração.

4. Conhecido – Informação de Fácil Percepção.
O design comunica facilmente as informações necessárias para seu rápido entendimento e uso independente de suas capacidades intelectuais, cognitivas, sensoriais ou condições ambientais.

5. Seguro – Tolerante ao Erro.
O design do produto/objeto/espaço minimiza o risco e as consequências advindas de ações acidentais ou não intencionais.

6. Sem esforço – Baixo Esforço Físico.
Para ser usado eficientemente, com conforto e o mínimo de esforço e cansaço.

elevador de escada (http://www.surimex.com.br/)

7. Abrangente – Dimensão e Espaço para Aproximação, Interação e Uso.
O design oferece dimensões e espaços apropriados para a interação, o acesso, alcance, manipulação e uso, independentemente do tamanho do corpo (obesos, baixa/alta estatura, etc.), da postura ou mobilidade do usuário (pessoas em cadeira de rodas, com carrinhos de bebê, etc).

VilaDignidade (www.techné.com.br)

O Desenho universal  assume-se, assim, como instrumento privilegiado para a concretização da acessibilidade e, por extensão,de promoção da inclusão social.

Ao projetar, lembre-se:
– portas devem ter um vão livre maior ou igual a 0.80cm (caso contrário, uma pessoa em cadeira de rodas, não passa)
– uso de pisos antiderrapantes em especial nas áreas molhadas como banheiros, lavanderias, cozinhas e áreas de serviço. Varandas, também.
– tomadas precisam ser colocadas em pontos mais altos.
– as maçanetas devem ser de alavanca e as fechaduras, se possível, devem ser instaladas acima delas, para facilitar a sua visualização.
– As torneiras recomendadas são monocomando ou misturadores com dois volantes com 1/4 de volta.
– evitar uso de degraus substituindo por rampas com declividades corretas e corrimãos.
– sanitários adequados (linha Deca, Celite para acessibilidade)
– bancadas, mesas, pias, armários, gaveteiros em alturas adequadas.
– boa iluminação incluindo degraus de escadas.
– corredores e circulações largos
– móveis e demais objetos com cantos arredondados.

Alguns vídeos:

Projeto da Brastemp & Whirpool para uma cozinha eficiente e acessível

Dicas para uma cozinha acessível:

MobillityRules.com – Accessible Living: A Creative Ramp

TC sobre Inclusão e Acessibilidade


música: lanterna dos Afogados do Paralamas  http://blip.fm/~kauf3

Recomendações para leitura:

Baixe o Livro Desenho Universal – Um conceito para todos de Mara Gabrilli
Sugestão de Leitura: Cambiaghi, Silvana. Desenho Universal: métodos e técnicas para arquitetos e urbanistas. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2007.
Links interessantes: http://desenhouniversal.com
Palestra sobre Acessibilidade em Projetos de Interiores 
Revista Techné e os 7 princípios

MALBA Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires

MALBA 2010

MALBA 2010

Fomos passear hoje pela manhã próximo à região de Palermo. No caminho, uma agradável surpresa: o Museu de Arte Latinoamericano de Buenos Aires.  O lugar foi criado em 2001 com o objetivo de abrigar  a coleção de arte do filantropo Eduardo Constantini. É considerado um dos melhores museus particulares do país.

A arquitetura do edifício é um show à parte.

Exemplar da arquitetura contemporânea argentina, o MALBA – Museu de Arte Latino-americano de Buenos Aires foi aberto em 2001 com o objetivo de abrigar a coleção de arte do filantropo argentino Eduardo F. Constantini e localiza-se no bairro de Palermo na altura do número 3415 da Av. Figueroa Alcorta e próximo ao Shopping Center que leva o mesmo nome. Fruto de um concurso internacional de arquitetura, o museu foi projetado e executado pelo escritório argentino AFT & Partners  (Gastón Atelman, Martín Fourcade e Alfredo Tapia).

Para quem tiver um pouco mais de tempo, lembramos que o museu está implantado entre um belo jadim (Plaza República del Peru, inaugurada em 1972, foi inicialmente projetada por Roberto Burle Marx,  Haruyoshi Ono e José Tabacow e completamente desfigurada em 1995) e o Palácio ALcorta (antigo Edifício Chrysler, construído na década de 20  e que, após remodelação pelo escritório MSGSSS, hoje abriga residências de alto padrão e salões para eventos além do Museu Renault no seu térreo). Visita obrigatória, portanto.

Grandes prismas e formas trapezoidais em pedra associados aos panos de vidro destacam-se de forma elegante da paisagem e permitem por suas transparências, a integração do edifício à cidade criando um referencial cultural urbano. Um dos espaços mais bonitos do museu é, sem dúvida, o conjunto de paredes de vidro que permitem o ingresso da luz natural sobre as exposições e diversos recintos. Suas exibições temporárias e permanentes, além de eventos múltiplos distribuem-se a partir do hall de entrada para inúmeras salas, terraços abertos repletos de esculturas, auditórios e várias salas para oficinas acessíveis tanto por elevadores quanto por suaves rampas que levam para todas as partes do museu. Para quem gosta aprecia sombra de árvores, canto de pássaros, deck de madeira e a transparência de vidros que descortinam para lindos jardins, vale a visita ao bar remodelado pelo mesmo escritório de arquitetura.

Suas instalações abrigam, entre outras, obras de Tarsila do Amaral e Fernando Botero Frida Kahlo. Ele está situado na Avenida Figueroa Alcorta 3415 (www.malba.org.br).

Ficam aqui algumas das fotos de minha filha, Stephanie

MALBA 2010

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