(Re)pensando a rua: métricas para a realização de urbanismo tático em Santana

(Re)Pensando a rua: métricas FIAMFAAM

Alunos do Escritório Modelo FIAMFAAM reunidos após aplicação das intervenções viárias

Responsáveis pela criação, organização e implantação do Projeto:

A ação foi realizada pelo ITDP Brasil, com financiamento da Citi Foundation e em parceria com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito (BIGRS),  a Iniciativa Global de Desenho de Cidades (NACTO-GDCI), o WRI Brasil Cidades Sustentáveis e a Vital Strategies, com apoio da Prefeitura Regional de Santa/Tucuruvi, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, da start-up Urb-i — Urban Ideas.

Descrição de nossa colaboração na ação:

Por meio do escritório-modelo, os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo do FIAM-FAAM Centro Universitário realizaram intervenções urbanas de caráter temporário – urbanismo tático no bairro de Santana, São Paulo, capital. As intervenções foram realizadas com o objetivo de melhorar a segurança do pedestre vez que os dados apresentados pela CET – Companhia de Engenharia de Tráfego apontavam para um grande número de mortes por atropelamento em algumas das interseções viárias do bairro. Após semanas de trabalho que incluíram workhops, palestras, capacitações diversas e a aplicação de instrumentos de pesquisa para o Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS), tradução do termo original em inglês Transit-Oriented Development, as ruas Dr. César, Salete Voluntários da Pátria e Leite de Morais passaram por uma transformação radical: calçadas, ruas e esquinas que antes serviam de estacionamento de automóveis e privilegiavam a fluidez do trânsito motorizado, receberam sinalização temporária horizontal como faixas de pedestres ampliadas, rotatórias, esquinas recriadas e novos parklets priorizando o placemaking ou ainda, incentivando o poder público a criar lugares de estar para pessoas. Todo esse trabalho pretende induzir a redução de velocidade dos automóveis, diminuir a distância de travessia dos pedestres e aumentar a visibilidade (esquinas) entre o motorista e o pedestre, estimulando o respeito à vida e ao Código Brasileiro de Trânsito. Vasos com plantas, cadeiras, guarda-sóis e apresentações culturais diversas transformaram ruas perigosas numa verdadeira “praia urbana” reunindo pessoas em locais antes destinados aos automóveis. As métricas e a tabulação dos dados referentes ao projeto serão encerradas ao final do mês de outubro de 2017. Em novembro, todo o processo incluindo a intervenção urbana ocorrida em 16.09.2017 e um vídeo com as ações serão apresentados na 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo.

Projeto do Escritório Modelo: (Re)pensando a Rua: métricas para a realização de urbanismo tático em Santana

Escritório Modelo: supervisão Drª Helena Degreas

Alunos:
(inserir lista)

 

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Velha é a vovozinha!

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato quadrado. Em cima de uma mesa temos uma toalha de renda branca. Sobre ela, um porta-retrato, um laptop, um óculos de grau e uma xícara com chá. Fim da descrição.
Arquiteta destaca a nova geração de idosos do Brasil (Foto: Divulgação)

FONTE: Portal Acesse

Por: Helena Degreas*

Outro dia, estava eu no metrô, fazendo uma das coisas que mais gosto de fazer enquanto estou na rua: observar pessoas e seus comportamentos. Naquele momento, vi sentar-se num dos bancos preferenciais, uma mulher cuja idade era indefinida. Cabelos brancos (estão super na moda hoje), lisos, longos, soltos sobre os ombros, maquiagem leve, irretocável. Corpo lindo, bem cuidado, vestindo roupas de estilo casual, cores contemporâneas e abusando das sobreposições. Se eu fosse blogueira fashionista, certamente ela seria a musa inspiradora de um post, com direito a foto e entrevista. Parecia atrasada. Não soltava o celular da mão. Dentro da bolsa, era visível um tablet. Eis a nova geração de idosos.

Repentinamente, me dou conta que atrás dela, estava fixada na parede do vagão, aquela plaquinha que identifica por meio de símbolos, as pessoas que tem preferência ou prioridade de uso do banco. Daqueles vários, destacou-se um: sabe aquela figurinha que apresenta uma pessoa curvada usando uma bengalinha? Pois é. Aquela mulher poderosa sentada na minha frente era a tal velhinha que, em tese, estava retratada na placa. Só faltou o coque com a redinha prendendo os fios.

Lembrei-me do Estatuto do Idoso. Nele, são consideradas idosas as pessoas a partir de 60 anos. Como assim? Comecei a pensar na possibilidade de mudar aquele desenho para algo diferente simplesmente porque não representa mais a realidade. Acredito que o Estatuto do Idoso merece algumas revisões porque envelheceu; no mínimo as ilustrações e a referência às idades. Hoje somos mais longevos do que nossos avós. Se em 1960 a expectativa de vida do brasileiro era de cerca de 50 anos, em 2015 a expectativa era superior aos 75 anos. Com algumas variações entre os estados: Santa Catarina lidera o ranking com 78 anos e o estado do Maranhão é “lanterninha”, com 70 anos. E mais: muitos de nós conhecemos e convivemos com diversas pessoas acima dos 90. Outro dia, ouvi meu colega dizer que iria comemorar o 102º aniversário da mãe – que mora sozinha, por sinal. Aliás, foi ela que me passou a receita que uso para fazer manteiga caseira. Fiz nesse final de semana. Ficou saborosa. Recomendo. Mesmo eu saí para jantar outro dia, com um advogado centenário. Seu pensamento estava mais lúcido do que o meu. Mesmo depois de várias taças de vinho. #morrideinveja

A mulher que estava sentada na minha frente, era uma das mais de 23 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos que, com seu trabalho, sustentam a casa, muitas vezes a família e com isso movimentam um mercado de cerca de 1 trilhão de reais por ano segundo dados do Bank of America Merrill Lynch. É muito dinheiro. A visão que temos sobre o envelhecimento ainda está fortemente arraigada a questões de saúde e previdenciárias aqui por nossas terras. É certo afirmar que existem aqui discrepâncias sociais e econômicas literalmente obscenas, se me permitem o uso da palavra. Trata-se de uma sociedade e um Estado, injustos, que maltratam uma boa parte da população com as mais variadas idades. Mas por outro lado, também é certo afirmar que a visão do vovô preestabelecida pela sociedade também já não atende mais as necessidades dessa população ainda cheia de vida.

Essa imagem me faz lembrar a minha avó paterna: Helena, como já mencionei em outra coluna. Sua meta de vida era ver os netos (quiçá, bisnetos) crescerem enquanto ela, sentadinha numa cadeira de balanço, faria crochê. E fez isso mesmo com um agravante: vestida de preto até o fim da vida, pois, na qualidade de viúva grega (desde os 30!) deveria vestir-se assim por questões de decoro religioso. Agia como se o seu dever estivesse cumprido.

Continuei olhando para aquela mulher: desligou o celular e foi teclar no tablet. Aparentemente, este estilo de vida – “esperando a morte chegar”, não fazia parte dos pensamentos e ações dessa mulher. Mas longe também, estava o tal vigor da juventude tão exaltando por vários meios de comunicação como se fosse o período mais importante da vida de um ser humano. Sinto informar ao povo de marketing, publicidade e propaganda que a juventude – representada nos teenagers, não é o período mais importante da vida.

Aqueles que estão lendo essa coluna provavelmente viverão bem mais de 80 anos. Irão reinventar-se para aceitar as modificações que o corpo impõe com o passar dos anos. E a arquitetura e o urbanismo, deverão estar preparados para todas as mudanças que já estão ocorrendo.

De agências de viagem, sites de relacionamento para pessoas maduras e residenciais que nem de longe se apresentam como as antigas casas de repouso, o que esse público mais deseja é viver com qualidade, tendo satisfeitas suas vontades. E como fica o atendimento das necessidades dessa população com poder de consumo (e decisão, portanto) na hora da compra da nova casa, dos mobiliários, das utilidades domésticas e demais serviços, espaços e produtos de uma moradia, por exemplo?

Será que as empresas e prestadores de serviços da área de construção civil estão atentos para essas mudanças?

Ambientes sem degraus, pisos antiderrapantes, entradas mais amplas, bordas arredondadas, alturas adequadas em tomadas, iluminação correta, eliminação de obstáculos por meio da disposição correta de móveis e tapetes são apenas algumas das ações que essas empresas deverão atender se quiserem “abocanhar” essa fatia significativa de mercado. O atendimento às normas de acessibilidade deixa de ser uma “obrigação legal” e passa a ser um potencial de negócio. O desenvolvimento de projetos acessíveis para esse público – incluindo também aquele que tem mobilidade reduzida, vem exigindo plantas adaptadas que não apenas permitam a usabilidade, como também reflitam as linguagens estéticas e os estilos contemporâneos de vida. Casa com cara de hospital? Nem pensar! Virar as costas para essas demandas é, no mínimo, ignorância. Ou seja, tanto o asilo quanto as casas das vovós que ilustram contos e fábulas infantis de La Fontaine e dos irmãos Grimm, por exemplo, não atendem mais ao segmento que pertence à sylver economy. Imaginem então aqueles “cursos para a terceira idade” oferecidos aos montes por ONGs e instituições diversas que tem por objetivo “atualizar” os pobres velhinhos com mais de 50 anos… Gente ACORDA! Atualizem-se!

Semana passada, durante uma consulta num gastroenterologista em que acompanhei minha mãe (cuja idade é segredo de Estado), o médico inadvertidamente, sugeriu que alguns dos sintomas sentidos por ela nos últimos dias poderiam ser resultado da idade. Completamente possuída pela ira, ela pergunta: “Tá me chamando de velha, doutor?”. Desconcertado com a pergunta, ele mal retruca: “não foi isso que eu quis dizer, eu só…”. Não deu tempo. Ela atira: “Pago minhas contas com o meu dinheiro, escolho o que faço, como o que quero, vou aonde tenho vontade e na hora que eu quero. Velha é a vovozinha!”

Concordo. Ela está certíssima.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

Intervenção será apresentada na Bienal de Arquitetura: urbanismo tático

 

Ação de urbanismo tático aconteceu no sábado (16) na Zona Norte de São Paulo

No último dia 16 de setembro, o bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, foi palco de uma ação de intervenção urbana com foco no pedestre. A ação foi realizada pelo ITDP Brasil, com financiamento da Citi Foundation e em parceria com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Global no Trânsito (BIGRS),  a Iniciativa Global de Desenho de Cidades (NACTO-GDCI), o WRI Brasil Cidades Sustentáveis e a Vital Strategies, com apoio da Prefeitura Regional de Santa/Tucuruvi, da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte, da Escola Modelo da Faculdade de Arquitetura FIAM-FAAM e da start-up Urb-i — Urban Ideas.

A experiência ficou registrada em um curta-metragem que será apresentado na 11ª Bienal de Arquitetura de São Paulo, cuja etapa expositiva terá início em outubro deste ano. O tema convida a pensar sobre “O projeto”, entendido como um instrumento capaz de combinar diversas disciplinas presentes no planejamento urbano.

Ao longo de todo o dia, os moradores de Santana vivenciaram a experiência de um espaço mais seguro para o  pedestre e mais convidativo para a socialização. Algumas interseções entre as ruas Dr. César, Salete Voluntários da Pátria e Leite de Morais receberam mobiliário temporário e sinalização horizontal para induzir a redução de velocidade dos automóveis, diminuir a distância de travessia dos pedestres e aumentar a visibilidade entre o motorista e o pedestre, estimulando o respeito à vida e ao Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece a prioridade do pedestre na hierarquia do trânsito. Cadeiras de praia, guardas-sóis e apresentações culturais foram atrativos da ação. Estudantes e voluntários testaram soluções em escala reduzida, intervindo em pontos onde é necessário ampliar a segurança viária.

Participantes da oficina de redesenho urbano realizada pelo ITDP no dia 24 de agosto estiveram presentes e conferiram as modificações propostas. Uma pesquisa com moradores e comerciantes da região também foi aplicada.

Segundo Danielle Hoppe, Gerente de Transportes Ativos – Mobilidade a pé do ITDP Brasil, o urbanismo tático — forma como ficou conhecida esta modalidade de intervenção no espaço público — é um recurso importante para sensibilizar as pessoas sobre a importância da caminhabilidade. “Quando o poder público apresenta um projeto de alteração do espaço viário, é natural que haja muita resistência. O urbanismo tático demonstra de forma concreta como é possível redesenhar o ambiente e enfatiza a melhoria proposta de forma mais clara, possibilitando ajustes de projeto quando necessário”.

Para Nilo Guilherme, que há mais de 30 anos se desloca diariamente de transporte público para trabalhar em Santana, a medida pode ser positiva para dinamizar o comércio local. “Quando há muito congestionamento e barulho, você se desencoraja a passear pelo bairro, fazer compras. E o comércio é muito importante para a nossa economia local”, afirmou.

Reportagem do Canal Mova-se sobre a intervenção

Galeria de Fotos

Tudo depende de como você vê e entende as coisas

Fonte: Acesse Portal

Descrição da imagem #PracegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Alguns livros estão sobrepostos em cima de uma mesa. Fim da descrição.
Arquiteta reflete sobre as formas de ver as coisas (Foto: Divulgação)

Por: Helena Degreas*

Como de costume, numa manhã ensolarada de domingo, lá fomos nós: meu marido, eu, Ricotinha e Chanel fazer um passeio a pé. No caminho, paramos para tomar um café na Livraria da Vila, na região conhecida como Jardins, em São Paulo (SP). Lá, nossos comportados pets são bem-vindos.

Enquanto os três foram ouvir jazz no andar de cima, eu desci as escadas para ver as novidades infanto-juvenis. E por que esse setor especificamente? Porque precisava espairecer. No dia anterior, eu havia preparado algumas aulas que tratavam de temas difíceis como acessibilidade, desenho universal e tecnologias assistivas, entre outros. Semestralmente atualizo o material do e procuro novas informações, técnicas, materiais e ideias. Começo pelos significados das palavras. Conceito mal definido, vira pré-conceito. Em arquitetura, posso traduzir por desastre na vida das pessoas…

Amo livrarias. Essa em especial. Tem de tudo muito! É como uma feira de novidades. Sobre o expositor, esbarro com o título “Tudo depende de como você vê as coisas” do escritor Norton Juster. Abri aletoriamente:

“Esta é Dicionópolis, capital de um reino feliz, magnificamente situado no contraforte da Confusão e acariciada pelas brisas suaves do mar do Conhecimento”.

Mais adiante, leio ‘Bem-vindos ao mercado das palavras’. Ao longo do texto, o autor brinca com as palavras e, ao tirá-las do contexto, muda as ideias de lugar criando situações inesperadas. Para o bem e, em alguns momentos, para o mal.

Pareceu interessante. Comecei a devorá-lo lá mesmo, entre gritarias, contadores de histórias e mães teclando no celular.

É impressionante o festival de confusões que acontecem quando utilizamos palavras de maneira inadequada. Cada uma delas traz consigo uma definição. As definições encontram-se em… Livros e textos diversos que as definem, ora… podemos encontrá-las em dicionários diversos, dicionários profissionais, impressos, mídias digitais… um mundo de possibilidades! Aquelas que compõem o léxico profissional devem ser encontradas em dicionários especializados na área em que estamos trabalhando.

Li outro dia, não lembro bem onde, que a língua é um sistema de representação cognitiva do universo pelo qual construímos nossas relações. Nada mais adequado do que iniciar uma disciplina, por meio da definição de conceitos. Pela forma como nos comunicamos, nos expressamos, seremos compreendidos, incluídos em grupos sociais diversos. Expressamos o que vemos e entendemos por meio de palavras. E aí… tudo depende de como vemos as coisas…

Apesar da falta de paciência dos universitários para com a palavra, a leitura, a pesquisa – todos querem ir direto à solução projetual e de forma mágica, as tais palavrinhas às quais me refiro quando leciono os princípios do desenho universal são fundamentais para a correta abordagem do tema e da sua aplicação nas propostas de projeto de arquitetura, urbanismo, paisagismo, produto entre outros. Aparentemente não percebem, mas o repertório vocabular é uma espécie de passaporte que irá incluí-los no ambiente profissional quando egressos.

À título de ilustração, num seminário de alunos realizado por jovens apressadinhos e pouco afeitos à leitura e pesquisa (indiquei as fontes, mas os lindinhos decidiram, de última hora, procurar em outro lugar), foi apresentada a definição e alguns sinônimos do verbete ‘normal’. Procuraram onde? No Dicionário Informal e na Desciclopédia… quase cortei meus pulsos…. Os dois são construídos de forma colaborativa. Ou seja: os usuários inserem a sua definição, bastante peculiar… bem autoral…. Enquanto no primeiro o humor é politicamente incorreto do tipo soft, no segundo o politicamente incorreto vira um pouco hardcore… vou omitir o resultado da apresentação… essas pessoinhas irão me encontrar novamente nesse semestre e na mesma disciplina…

Outro dia, li a coluna do Leonardo Reis – Crônicas do Gigante Leo –, aqui mesmo, no portal Acesse. Em sua crônica, o Gigante Leo sentia-se perplexo e chateado com o uso da palavra ‘normal’. Foi atrás do significado em um dicionário online e citou uma das várias definições: “sem defeitos ou problemas físicos ou mentais”. Associou a definição encontrada e selecionada, à exclusão. E, a partir dela, discorreu sobre questões de inacessibilidade do ambiente construído. Nesse momento, eu fiquei preocupada.

Normal e comum são verbetes muito, mas muito utilizadas de maneira equivocada. Concordo com o Leo. É como se o comum, o corriqueiro fossem a norma. A partir daí posso entender a decepção do colega.

Mais do que a palavra, entendo que é a forma como a utilizamos. O seu contexto. Mas, em terras brasileiras, além do contexto no uso das palavras, temos também o contexto urbano, cultural, educacional. De tão corriqueira que é a falta de gestão do ambiente construído em nossas cidades e de tão comum que é o desrespeito para com as normas edilícias, que para os nossos jovens o ruim e os erros transformam-se em regra. Pior: nem percebem que existe outra forma mais adequada para atender as necessidades das pessoas com qualidade.

Gerações e gerações de jovens nascem, crescem e vivem em ambientes que resultam de erros que de tão repetidos, transformam-se em norma. Associada a esses fatos, em qualquer cidade brasileira, predomina a cultura da autoconstrução. Profissionais de projeto, para quê? Tenho certeza que alguns leitores já fizeram alguma reforma por conta própria ou contratando algum pedreiro, empreiteiro…. Podemos incluir também na discussão, os poucos anos de escolaridade da imensa maioria de brasileiros e a formação rasa (com raras exceções) de nossas escolas públicas e também particulares.

Depois de anos em salas de aula, formam analfabetos funcionais. São jovens e adultos que decodificam letras, frases, textos curtos, mas são incapazes de compreendê-los. Apenas 8% das pessoas em idade de trabalhar são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números, segundo matéria do portal UOL

Longe, mas muito longe dos profissionais, essa situação, por si só, gera erros grotescos e várias ilegalidades em diferentes níveis e graus de complexidade. Mais um dado: para nós, projetistas de espaços que abrigam a vida das pessoas, não existe a reprodução do comum, do corriqueiro, a cópia como processo de projeto. É impossível. Indivíduos, famílias ou agrupamentos sociais têm necessidades únicas para morar, recrear-se, socializar-se ou trabalhar.

O que de comum existe entre todos é que, quando contratado um projetista (sejam eles arquitetos, engenheiros, designers e tantos outros), impõe-se a ele tanto a realização de pesquisas profundas sobre as necessidades das pessoas e de funcionamento do local, quanto a obrigatoriedade do cumprimento das leis urbanísticas, dos códigos de obras e demais normas da cidade, do estado e do país. Submetemo-nos todos a elas e sem discussão. Numa de suas aulas (brilhantes, por sinal), o arquiteto Marcelo Sbarra discorre sobre o papel das normas e legislações na produção de um projeto de arquitetura e apresenta as mais de mil normas associadas à pratica profissional (CLIQUE AQUI e AQUIse quiserem conhecer mais), tais como Posturas Municipais, Códigos de Obras, Planos Diretores, Zoneamentos, Bombeiros, NBR’s, Anvisa, etc. Todas elas compõem o vasto arcabouço de conhecimentos normativos e legais que devem ser considerados no ato de projetar.

Portanto, aqui por nossas terras Léo, para a nossa tristeza, o normal ainda é construir fora da norma. É normal não ler. É normal o poder público não fiscalizar. O comum é o jeitinho brasileiro que encontra-se muitas vezes à margem da lei. O tal jeitinho, por sua vez, cria equívocos conceituais. Quando erros e compreensões equivocadas se materializam, criam barreiras, muralhas inteiras que nos impedem de realizar nossas vidas em espaços públicos urbanos. Concordo, Leo: imperam em nossas paisagens urbanas, a materialização de pré-conceitos. Como só a educação muda o mundo, vamos nós dois, nesse espaço acessível. Contribuindo com a mudança.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

*Helena Degreas é arquiteta e atua como professora do Programa de Mestrado Profissional em Projeto, Produção e Gestão do Espaço Urbano do FIAM-FAAM Centro Universitário. Leciona nas áreas de Design Universal e Planejamento Urbano.

 

Ploft: o tombo

Fonte: Portal Acesse
Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. Imagem de dois braços e mãos esticados, como numa sombra, refletida na calçada. Fim da descrição.

Por: Helena Degreas 

Acordo, abro a janela, sinto a brisa fria da manhã e vejo aquele céu azul profundo que só o outono pode nos propiciar. Coloco a coleira da Ricotinha (minha pitbull branca e rosa) e vou passear. Quero ver pessoas. Quero caminhar. Sinto falta. Depois de atravessar as inúmeras grades do prédio onde moro, alcanço enfim, a última gaiola de vidro que só abre com a autorização da criatura uniformizada em azul-marinho que aperta o botão. “Vai sair doutora?”, ele pergunta. Juro que pensei em responder com meia dúzia de desaforos, do tipo: “claro que não! Estou aqui porque sinto prazer em ver as pessoas livres lá fora”, mas, em nome da civilidade matinal, e, tentando não assustar a Ricotinha, rosnei um sim.

Soltas da gaiola de vidro, fomos explorar o mundo lá fora. Vejo o andamento das obras do metrô. Impressionante o ritmo dos negócios públicos. Minha filha estava no finalzinho do curso médio quando tudo começou. Hoje, já tem um mestrado finalizado nas costas. Lembro-me de todas as fases. A desapropriação dos imóveis. A demolição de cada uma daquelas histórias de vida encerradas em casas, lojas, prédios. O arquivamento forçado de minhas memórias. O sumiço da paisagem reconfortante.

Logo no começo, vieram os transtornos. No mais autêntico jeitinho brasileiro de construção civil e planejamento viário, ou ainda, ‘tentativa e erro’, os doutores do trânsito, dos engarrafamentos municipais e das obras eternas estaduais foram alterando o sentido das ruas autocraticamente para facilitar a vida do cidadão automóvel, é claro.

Os pedestres? Ora, os pedestres…. Os moradores? Ora, os moradores e suas necessidades…

Para quem não sabe o significado de calçadas, por favor perguntem ao São Google. Lá poderão encontrar desde ‘rua ou caminho revestido de pedras’ à ‘faixa destinada ao trânsito de pedestres e animais’. Taí. Gostei. Sou mais a última definição. Tem mais a minha cara: trânsito de pedestres (Ricotinha) e animais (eu) … E completando: automóveis (carro-cidadão contemporâneo com tratamento V.I.P) cuja locomoção livre de obstáculos por meio de pistas lisinhas e paradinhas breves em frente a obstáculos como faróis são, por princípio modernista, evitadas a qualquer custo. Conforto total para o motor cansado de tanto rodar por aí…

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. A calçada quebrada em frente à obra do metrô Oscar Freire. Fim da descrição.

Afasto meus pensamentos cinzentos e retorno ao passeio. Caminho em direção à esquina do futuro metrô. Duas faixas de carro foram eliminadas para ampliação das calçadas. Por que ampliaram as calçadas? Bom-senso dos engenheiros, arquitetos, prefeito ou governador? Doce ilusão a minha. Avançaram com os tapumes da obra sobre ela. Desvio dos blocos de concreto que foram largados sobre o meio fio e engaiolam os pedestres no passeio estreito.

Desvio do carrinho de compras. Todos desviando de mim. Por que será? Lembrei-me…. Estou com minha petbullzinha. Mesmo na coleirinha de strass, todos me olham ressabiados. Ok, penso. Se a calçada resultante das obras tivesse ao menos a largura para duas pessoas andando lado a lado, eu poderia me afastar um pouco. Calma, Helena. Você não está em Londres. Não está em Paris. Não está em Montevideo, Buenos Aires, Berlin, Madrid, Santiago e um monte de outros lugares. Você está num dos metros quadrados mais caro da cidade de São Paulo. Lembre-se, Helena: calçada é o espaço destinado a animais e pedestres…. Mentira: Ricota não consegue andar livremente. Nem eu. Sossegue seus pensamentos, Helena. Retorne ao passeio.

Vejo dois carrinhos disputando o mesmo espaço que eu: o da nova inquilina do quarto andar com seu bebê e sua babá, além do mais tradicional, sóbrio, de feira cheio de flores coloridas e pequenas junto com a Dona Veridiana que, como toda manhã ensolarada, vai ao mercadinho. Uma bicicleta e vários funcionários do metrô depois, estamos todos empilhados sobre uma esquina ridícula que, só não nos deixa numa situação mais indigna, porque tem a tal ‘rampa de acesso’. Para onde? Certamente para o próximo obstáculo: o canteiro central da Avenida Rebouças. Vamos lá, Helena. Bom humor! Logo, logo, depois de exercitar a tolerância, virtude há muito esquecida por minha humanidade, no aguardo de dois faróis, você conseguirá atravessar as seis faixas destinadas ao cidadão automóvel e, logo depois, ao seu destino final: a outra calçada. Imbuída do mais sincero sentimento de empatia pela raça humana urbana, aguardei a passagem e a travessia de todos. Foram dois faróis. Três minutos cada um. Mais a movimentação daqueles corpos se ajeitando nas calçadas. Lentos… muito lentos… e eu querendo passear. Ricotinha já estressada em busca do matinho mais próximo. Pela cara dela, qualquer um serviria. Desconhecidos humanos continuavam chegando e se empilhando na esquina. E eu, em respeito, me afastando com meu pet para deixá-los passar.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na vertical. Esquina da rua Oscar Freire. Vemos a faixa de pedestres e os tapumes da obra. Fim da descrição.

Como que possuída por uma raiva, um sentimento intenso de sobrevivência, peguei Ricotinha no colo (20 kg) e decidi passar no meio daquele monte de gente, para alcançar ao menos o canteiro central. Já estava lá a uma eternidade. Como raposa, observei o farol. Saquei o celular, contei os segundos e, preparada para a maratona, esperei.

Sinal verde para o pedestre: com o cachorro no colo, corri como louca. Numa conversão proibida, fui surpreendida por um caminhão.

PLOFT!

Com o susto, caí rolando sobre a faixa de pedestres até o canteiro central. Interessante a reação das pessoas: os funcionários da CET riram de soslaio. O motorista transgressor, gritou impropérios. As pessoas que aguardavam no ponto de ônibus, incluindo o motorista, gargalhavam. Vi um jovem sacando o celular para fotografar: devo ter virado sucesso nas redes sociais. Os colaboradores do metrô: impassíveis. Meus vizinhos, nem aí. Tipo: sei lá quem é ela. Ricotinha, assustadíssima, havia se soltado da coleira para desespero dos passantes. Grudou em mim. O ônibus, apesar do farol livre, decidiu parar. Menos mal: não passou por cima de mim e nem da Ricotinha. Lembro-me do para-choque a alguns centímetros de distância do meu corpo. Arrastei-me até o canteiro central. Humilhada.

Admiro os gatos. Caem sempre de pé sobre as quatro patinhas. Não importa a situação. Eu? Me esborracho no chão nas malditas calçadas malcuidadas pela gestão do alcaide da cidade onde moro. Não é o primeiro hematoma. É uma situação eterna. Histórica.

 

Descrição da imagem #PraCegoVer: Imagem no formato retangular, na horizontal. O gatinho Ozzy, está se espreguiçando. Ele é branco e tem detalhes rajados na cabeça. Fim da descrição.

Ozzy, o gatinho contorcionista do meu colega Cidomar Biancardi Filho responsável pela foto

Dizem que vivo no mundo da lua. Enganam-se. Vivo, por assim dizer, num mundo paralelo: espécie de realidade própria, construída em pensamentos profundos que me permitem compreender a outra realidade material, dura, intragável do nosso cotidiano como pedestres em São Paulo. Recorrer a quem? Ninguém. Nada. Vazio. Acessibilidade em ambiente urbano? Só se for em cidades fora do Brasil. Preciso viajar para caminhar. São inúmeras as autarquias, órgãos, departamentos, secretarias, empresas, concessionárias, permissionárias, leis, normas, interessados, curiosos… sei lá. Todo tipo de interferências e emaranhados administrativos e legais agindo sobre o espaço por onde caí. Preciso implorar. Gritar para ter o mesmo direito do carro. Sem saída. Desisto.

Em tempo: Ricotinha conseguiu passear. Correu como nunca no petground – novo espaço público urbano para a diversão canina. Próxima vida, pretende nascer cachorro.

Descrição da imagem #PraCegoVer: A imagem está no formato retangular, na vertical. Nela, está a arquiteta Helena Degreas em um retrato preto e branco. Helena tem cabelos loiros, ondulados, um pouco abaixo dos ombros. Ela está com o corpo de lado e com os braços cruzados. Helena usa uma blusa branca, com botões.Fim da descrição.
Foto: Divulgação

Iaourtópita: ou ainda, bolo de iogurte da Profª Helena (em férias rsrsrs)

Estava com muita vontade de comer um bolo não muito doce para com geléia no café da manhã ou sorvete no lanche da tarde.

Meus filhos gostam bastante e seus amigos também.

Diz a lenda, lá na Grécia…

No ano novo, tenho por hábito há anos fazer este bolo (que não cresce muito) e colocar uma moeda (devidamente higienizada e embalada em várias!!! camadas de papel alumínio) para cortá-lo à meia-noite com toda a família. Desde que me conheço por gente, a divisão é feita da seguinte forma: Normalmente o mais velho da família presente no dia, inicia o corte.

Primeiro você faz um sinal da cruz (quem não quiser, no problem at all pois isso é coisa dos gregos que são muiiiito ortodoxos…) sobre o bolo. Depois, essa mesma pessoa deve dividir o bolo em pedaços iguais para todos os presentes em ordem decrescente de idade.

Ah! Já ia me esquecendo: a primeira fatia é para Deus (quem não quiser não dê bolo para Ele); a segunda fatia é para a família toda (essa é legal, vale cortar sim!) e daí em diante, uma fatia para cada membro presente.

É bacana porque vira uma brincadeira onde todos acham esperam tirar a sorte com a moedinha! E aí, todo mundo acha que quem cortou o bolo favoreceu seu queridinho e por aí vai… Eu também acho a mesma coisa, sabiam?…

Se a moedinha cair na fatia de Deus, reza a lenda que ele cuidará de todos. Se cair na fatia da família, TODOS saem lucrando! se cair na fatia de alguém, a prosperidade é dele. Na virada do ano, quem ganhou a moedinha fui EU! yessss!!!! raspando na minha filhinha. Divido com ela, com o maior prazer!

Vamos à receita.

Ingredientes

um tablete de manteiga sem sal
1 xícara e 1/2 de açúcar (eu prefiro menos, meus filhos mais)
1 pote (de iogurte grego – pode ser do Acrópole mesmo, isso se o velho Trassívoulos quiser vender para você ou da Dona Vitória que é muiiiito bom e parecido com o grego). Pode ser qualquer marca de supermercado mas, além de potes pequenos, o gosto e a textura não ficam iguais…
5 ovos
Raspas de um limão
Mais ou menos umas 3 xícaras de farinha de trigo.
1 colher de sopa de fermento

O problema:
como faço minhas receitas desde pequenininha, nunca medi nada. Ainda ssim, fiz um esforço hoje para entender o que coloco e em que porções…

Como fazer:

Aqueça o forno (uns 220ºc)

Bata a manteiga com o açúcar até ficar um creme bem branquinho. Eu faço com a mão mesmo, não uso batedeira, garfos, etc). Costumava levar broncas imensas das minhas avós toda vez que eu vinha com essas modernidades do tipo batedeiras, garfos, etc. De acordo com elas, donas de casa tem obrigação de sentir e conhecer o “ponto” das massas na mão mesmo… Sigo à regra. Morro de medo delas, de lá do lugar bacana de onde estão, mandarem um msn, torpedo ou twitter dando bronca… rsrsrsrs

Voltando…

Acrescente o iogurte e continue batendo. Depois acrescente os ovos um a um até a massa ficar homogênea. Lisinha…
Vá polvilhando a farinha (com o fermento já misturado e as raspas de limão) aos poucos e batendo sempre.
A massa fica mais “firme”, portanto, não estranhe.
Unte uma forma com manteiga e farinha. Coloque para assar por uns 35 minutos ou até o o bolo começar a ficar amarelinho em cima e soltar das laterais da forma.

Gosto de enfeitar com açúcar de confeiteiro. Costumo usar da marca União porque realmente fica melhor. Não é propaganda não, tá?

Desenforme depois de frio (porque senão quebra ou esfarela inteiro) e bom lanche! No meu caso, após o lanche, precisarei pelos valores nutricionais de 2 horas de esteira… Quero voltar a ter a idade dos meus aluninhos… rs

Ah! para meus amigos que A-DO-RAM ler em grego moderno, lá vai a receita do livro que ganhei da minha vó Eleni (as duas chamavam-se Helena… hahahah) de receitas gregas. Ela deu um igual para minha mãe quando se casou. E ela tinha um igual de quando ela era casada… para meu espanto é o mesmo sem nenhum adendo ou alteração. Dizia ela (conselho para as moçoilas casadoiras) que marido se prende pelo estômago… Aliás, ouvi o mesmo de várias senhoras…

#profa em férias…

Praças no Brasil: alguns conceitos preliminares

Introdução

Em nossa última aula, falamos de forma bastante rápida e abrangente sobre o processo de construção dos espaços livres públicos brasileiros. Em especial, sobre praças.

Esse post será elaborado a partir da livre interpretação de textos, discussões e artigos desenvolvidos desde 1994 pelos pesquisadores  liderados pelo Prof. Dr. Silvio Soares Macedo responsável pelo grupo QUAPA- Quadro do Paisagismo no Brasil. Nossas reuniões são realizadas no Laboratório Paisagem e Ambiente que está situado na FAUUSP – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (5511 30914687).

Em seu livro Praças Brasileiras, o professor Silvio afirma que juntamente com a rua, as praças constituem duas das tipologias de espaços livres urbanos mais importantes na história das cidades brasileiras pois desempenham um papel importantíssimo para o desenvolvimento das relações sociais da população e para a construção da esfera de vida pública.

praça em Palmas (To): Acervo QUAPA

flickr

Podemos afirmar que a praça é um espaço que permite inúmeros usos. Espaços de convergência de vários arruamentos e circulações de pedestres, sua forma deveria em princípio, ser constituída pelo conjunto de edificações que encontram-se ao seu redor. Dos antigos terreiros situados em frente às Igrejas aos contemporâneos logradouros repletos de equipamentos esportivos que lembram academias de ginástica a céu aberto, podemos constatar que esses espaços livres assumem inúmeras formas, desenhos, linguagens e equipamentos que permitem à população vivenciar o ócio, o flanar, o livre comerciar, a troca de idéias ou ainda a manifestação politica por meio de passeatas entre outros.

Sistema de Espaços Livres

A estrutura espacial da cidade é composta por duas categorias de sub-espaços: os espaços edificados e os espaços livres de edificação. 

Os espaços livres de edificação podem ser divididos em diferentes tipos, tais como: as ruas, os quintais, os pátios, as calçadas, os terrenos, os parques e as praças, além de outros tantos por onde as pessoas fluem no seu dia-a-dia. Resumindo: espaço livre não pode ser confundido com área verde, com jardins por exemplo.Em outro post, serão descritos mais de 50 tipologias espaciais identificadas ao longo dos últimos anos de pesquisa do grupo.

sem identificação: acervo QUAPASEL 2008

O espaço livre de edificação pode ser ‘verde’ (com vegetação), pode ser árido, pode ser alagado portanto azul, pode ser marrom ser for num rio, cinza se for o estacionamento externo a um shopping e assim por diante.

A praça é parte integrante de um conjunto de tipologias urbanas que compõem o Sistema de Espaços Livres brasileiros. Entendemos por espaços livres, todo aquele espaço que que não é edificado (definição de Miranda Magnoli) e portanto não é contido em uma edificação.

As ilustrações a seguir mostram a imensa quantidade de área livre contida no interior dos lotes urbanos e nas áreas externas à eles independentemente de sua localização mostrando um grande potencial de uso quer público, quer privado.

Barra da Tijuca: Rio de Janeiro (acervo QUAPA)

Pirituba: São Paulo (acervo QUAPA)

Alphaville: São Paulo (acervo: QUAPA)

máscara de espaços livres - Acervo QUAPA 2002

Nessa imagem, você poderá observar que a forma urbana é bastante diversificada em sua composição. Nela aparecem três cores: o marrom que deve ser lido como espaço edificado (prédios), o espaço amarelo + verde que são livres de edificação, sendo uma delas predominantemente vegetada. Se juntássemos toda a cor marrom que representa as edificações, certamente teríamos apenas 40% da área ocupada sendo o restante, espaço livre que encontra-se divido em duas outras categorias: espaço livre público e espaço livre privado.

Em tempo: esse post foi construído a 6 mãos: minhas, do Roberto Sakamoto e da Ana Cecília de Arruda Campos.

Fonte de referência: acervo QUAPA, QUAPASEL
Macedo, Silvio Soares. Robba, Fábio. Praças Brasileiras. São Paulo: EDUSP, 2002. (Coleção QUAPA – esgotado)
Para você aluno: vale à pena pesquisar nesses dois links pois eles contém mais de duas centenas de projetos de paisagismo distribuídos em todo o país.

http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/
http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/busca.asp