Levantamento e diagnóstico: praças de Vila Mariana

Este trabalho é parte de um acordo de cooperação técnica realizado entre a subprefeitura Vila Mariana e o escritório Modelo do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário FIAMFAAM (2011/2012/2013) e prevê o levantamento, diagnóstico e proposta de projeto para um conjunto de logradouros públicos do bairro. Os levantamentos foram realizados a partir de planilha fornecida pela PMSP e também pela ficha de visita técnica do projeto QUAPA-SEL – Quadro do Paisagismo no Brasil chefiado pelo Prof. Dr. Silvio Soares Macedo (Laboratório da Paisagem, FAUUSP).

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Praça Adib Zarzur

Praça Alexander Robert Gate

Praça dos Aranas

Praça Benajmim Reginato

Praça Caetano Manzi Sobrinho

Praça Comunitária

Praça Cõnego Olavo Braga Scardigno

Praça Cora Coralina

Praça Coreia

Praça Damásio Paulo

Praça Emilinha Borba

Praça Eng. Costa Gama

Praça Etienne Alegrain

Praça Francisco Perseguim

Praça Dona Júlia (ainda sem nome oficial)

Praça Giordano Bruno

Praça Guacunduva

Praça Guaraci

Praça Yolanda Poyares, Praça Dr. Alfredo Ramos (Relatório: Praças  Vila Mariana e Tabela: localização das praças)

Praça Kant

Praça Kenishi Nakagawa

Praça Lasar Segall

Praça Lions Club

Praça Lucinha Mendonça

Praça Menotti Del Picchia

Praça Michie Akama

Praça Moises Kuhlmann

Praça Mokiti Okada

Praça Monteiro dos Santos

Praça Nossa Senhora Aparecida

Praça Otávio Braga

Praça Osvaldo Cruz

Praça Pascoal Rodrigues

Praça Péricles Maciel

Praça Prof. Jairo de ALmeida Ramos

Praça Prof. Rossini Tavares de Lima

Praça Renato Ynama

Praça Riolândia

Praça Ronald Golias

Praça Rosa Alves da Silva

Praça Salan Saliby

Praça Santa Margarida Maria

Praça São Franscisco da Glória

Praça Vicente Rao

Praça Waldemar Marchetti

Praça Washington Gomes Campos

Largo da Batalha

Largo do Infante

Largo Mestre de Aviz

Largo Senador Raul Cardoso

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Atividade Complementar: Levantamento de praças (subprefeitura Vila Mariana)

Prezadíssimos alunos dos primeiros semestres do curso de arquitetura e urbanismo,

Vamos recrutar voluntários para colaborar no levantamento que estamos realizando para a subprefeitura de Vila Mariana.
Trata-se de uma Atividade Complementar que pretende mapear as condições de acessibilidade, manutenção , uso e projeto de TODAS (sim, meus caros, TODAS) as praças do bairro de Vila Mariana. Esse trabalho é importantíssimo pois permitirá a compreensão e diagnóstico do que existe no bairro onde a sua faculdadae se encontra.

Se você é um aluno interessado, destemido ou simplesmente quer “queimar” as horas das Atividades Complementares com um trabalho exaustivo em boa companhia, aliste-se!

(sim, nossos veteranos são super receptivos e simpáticos…rs)

Deixe seu nome e email para contato no ítem Comentários. Saibam: os meninos do escritório estão ansiosamente aguardando por vocês, calouros…

sorte a todos,

Helena Degreas
Tutora do Escritório

Programa: introdução ao projeto de paisagismo (turma de arquitetura – 2º 2011)

EMENTA

Estudo das formas de organizar e produzir o espaço urbano; estudo das formas de organizar e produzir os espaços livres de edificação; projeto integrado de desenho urbano, arquitetura e paisagismo em escala local; fundamentos conceituais e metodológicos.

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

Introduzir elementos teóricos e conceituais do projeto de paisagismo; Aprender métodos de análise, diagnóstico e proposição de espaços livres; Desenvolver técnicas de desenho e representação gráfica do projeto de paisagismo; Introduzir o aluno no universo das práticas paisagísticas

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

O espaço livre enquanto universo de projeto: tipologias; Elemento vegetal como instrumento de projeto; Programa de atividades; Condicionantes de projeto (orientação solar, vistas e entorno, morfologia do relevo, vegetação existente, ventos e ruídos) ; Zoneamento espacial e funcional, Plano de massas, estudo preliminar e pré-projeto.
Representação gráfica; Linguagens de projeto: estudos de caso com arquitetos paisagistas

METODOLOGIA DE ENSINO

Serão adotados aulas expositivas, seminários, debates e visitas técnicas, dando-se ênfase às práticas monitoradas e constantes de ateliê, caracterizadas por exercícios de investigação gráfica assistida, buscando-se alcançar a aplicabilidade prática dos conteúdos apresentados e discutidos em campo e em classe:

1. Desenvolvimento de projetos assistidos por atendimentos em grupo;

2. Organização de seminários para análise e debate comuns de modo a facilitar e estimular o intercâmbio entre os alunos;

3. Apresentação de projetos para debate de métodos e conteúdos, visando o estabelecimento de critérios de avaliação, análise e trabalho;

4. Aulas expositivas abordando conceitos e temas relacionados ao conjunto de propostas desenvolvidas e debatidas pela classe;

5. Seminários de apresentação e debate dos trabalhos individuais em desenvolvimento pelos alunos em cada uma das suas etapas;

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

As avaliações serão realizadas a partir da entrega de exercícios, da participação e do material apresentado nos seminários. Essas avaliações levarão em conta tanto a participação ativa e o interesse individual do aluno quanto o resultado de sua aprendizagem, avaliada através dos trabalhos e tarefas apresentados no transcorrer do semestre, na conceituação do tema e projeto, na contextualização da proposta e no nível de desenvolvimento e representação do anteprojeto.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ABBUD, B. Criando paisagens: Guia de Trabalho em Arquitetura Paisagística. São Paulo, SENAC, 2006.
ALEX, Sun. Projeto de Praça. São Paulo: SENAC, 2008.
MACEDO, S.S. & ROBBA, F. Praças brasileiras. São Paulo, EDUSP, 2011.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

BERTAUSKY, Toni. Plan Graphics For The Landscape Designer. New York: Prentice Hall, 2006
GEHL, L. & GEMZOE, L. Novos espaços urbanos. Barcelona, Gustavo Gili, 2001.
Paisagem e Ambiente: ensaios / USP/ Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, n. 1– São Paulo: FAUUSP, 1986
MACEDO, S.S. Quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo, EDUSP, 1999.
MACEDO, S.S. & SAKATA, F. Parques urbanos no Brasil. São Paulo, EDUSP, 2002.
NIEMEYER, C. A. da Costa. Parques infantis de São Paulo, São Paulo: ANNABLUME, 2002.
MOTLOCH, John L. Introduction to landscape design. New York: John Wiley Professio , 2000 . http://migre.me/fSAH
SIQUEIRA, V. B. Burle Marx. São Paulo, Cosac e Naify, 2001.

ENDEREÇOS ELETRÔNICOS

https://helenadegreas.wordpress.com
http://auladepaisagismo.wordpress.com
http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/

Recado:
Se vocês quiserem conhecer os trabalhos (sobre parques) realizados pelos alunos dos semestres anteriores entrem em:
Turma do 2º 2010

exercício 1 : Plano de massas com uso de vegetação (vejam o facebook dos colegas e comentem…)

exercício 2

exercício 3

exercício 4

Aproveitanbdo a oportunidade, vocês estão asistindo todos os dias inúmeras entrevistas, artigos e reportagens que falam do uso da bicicleta em nossas terras… Fica aí a dica: por aqui pode até ser novidade, mas lá fora, em países civilizados, a bicicleta é meio de trasnporte há tempos!!!

Mais um vídeo bacana sobre revitalização de áreas urbanas por meio de praças. Madison Square – NY
http://www.youtube.com/watch?v=JayaLpUV9nY&feature=player_embedded

Chegaram os novos projetos de praça da turma de paisagismo!!!

E não é que chegamos ao final do semestre? Parabéns a todos os alunos e espero que os conteúdos aprendidos sejam utilizados na elaboração de projetos que deixem nossas cidades mais acessíveis (foi “duro” calcular as inclinações das rampas e passeios… inesquecível… rs) a todos os cidadãos, mais adequadas ao flanar urbano (sem aquele amontoado de equipamentos como quadras para isso, mesinhas para aquilo…rsrsrsr) sem atividades dirigidas para a recreação ativa e, em especial, com a utilização de elemtnos como água, pisos com diversas paginações, iluminação noturna e sombreamentos bem legais.

Well, vamos ao exercício solicitado:

FIAM-FAAM  Centro Universitário

CURSO:                                   Arquitetura e Urbanismo

DISCIPLINA:                         Introdução ao projeto de paisagismo

Exercício 1 : uso da vegetação em paisagismo
Exercício 2 : Requalificação de praça

Tema: Projeto de praça: qualificação paisagística (morfológica e funcional) de uma área pública destinada a praça. O trabalho deverá contemplar um diagnóstico da área a ser trabalhada (estudo de inserção urbana, transporte, população, atividades do entorno, visuais a manter e a barrar, sons, morfologia do terreno, vegetação existente, etc) um programa de atividades compatível com as necessidades do lugar, zoneamento funcional e plano de massas, pré-projeto contendo: locação da vegetação, mobiliários e equipamentos urbanos, paginação de pisos).

Objetivo:  compreensão do conceito, do programa de atividades, de sua inserção no contexto urbano e do modo de projetar uma praça.

Método:

Aula: expositiva do professor
Elaboração de modelo para compreensão do projeto
Elaboração de desenho técnico do estudo preliminar da praça identificando a
volumetria dos elementos vegetais, paginação de pisos, locação de mobiliários
urbanos (bancos, postes de iluminação, etc.) e dos equipamentos (pontos de
ônibus, bancas, repuxos de água, etc.)

Equipes: 4 a 5 alunos

Tempo de duração: 7 semanas (4horas aula por semana)

Escala:
1:200

Avaliação:

Cada equipe tem 15 minutos para expor o seu trabalho. O trabalho depois de
avaliado deverá ser publicado no site da turma: http:/helenadegreas.wordpress.com
Além da apresentação oral, o grupo deverá encaminhar ao professor, um arquivo da
apresentação em PowerPoint. Além
da apresentação oral, o grupo deverá encaminhar ao professor, um arquivo da
apresentação em PowerPoint.

Ver mais em:
Programa de Paisagismo 2011

Débora Cristina Rodrigues, Ingrid R. Strapasson ( ingridstrapasson@hotmail.com ), José Edurado Taveira (dudutaveira@bol.com.br)  e Johnny
Tabalho completo

Bruna Biano (brunabiano@yahoo.com.br), Guilherme Melo ( gui.omelo@bol.com.br ), Florence Arruda (arruda.florence@bol.com.br)
Trabalho completo

Daniel Prudente Nóbrega da Costa (daniel.arq@ig.com.br), Gisele Doreto Silva (gisele.doreto@hotmail.com), Simone Dias (simone.ambrosio@uol.com.br)
Trabalho completo


Beatriz Shinohara (beatriz_shinohara@hotmail.com), Elivânia ( vania_simpleplan@hotmail.com), JamilySouza  (jamily_souza91@hotmail.com) Sarah Paulert (sarahpaulert@hotmail.com )

Alyne do Viso Gomes  (alyneviso@hotmail.com), Carolina Servilha (carolina.servilha@gmail.com), Elizete do Santos
Castro (elizetestoscastro@hotmail.com), Jessica Mayana P. Silva (jessicamayana@hotmail.com)

 

Paisagismo: Noturno

Cássia Lima, Ian Brasileiro, Maurício Rossi e Nauan Cabrini
Trabalho completo

 

 

os próximos trabalhos serão publicados em breve!!!

Praças do ecletismo: a linha clássica de projeto

SIlvio Macedo: Acervo QUAPA

 
 A origem das praças no Brasil: implantação e forma na malha urbana
 
 “Reunir-se: fazer-se público de sua presença, exibir pompa, ver homens e mulheres bem-vestidos e bonitos, contar e ouvir as novidades, assistir a apresentações musicais, mostrar filhas na busca de maridos, homens finos admirando e fazendo corte a cortesãs. Os jogos sociais e sexuais – com a tácita concordância entre seus praticantes – o plaisir de la promenade, tinha uma palco magnífico nos jardins público.” Hugo Segawa.

Em seus estudos sobre praças contemporâneas, Macedo (2002) considera duas premissas básicas para conceituar tais espaços: uso e acessibilidade, conceituando-os  como espaços livres urbanos destinados ao lazer e ao convívio da população, acessíveis aos cidadãos e livres de veículos. Lembramos que os estudos foram elaborados a partir das praças nas cidades contemporâneas brasileiras. Ainda assim,  essa tipologia mantém o caráter de sociabilidade que é intrínseco às funções da praça descartando-se alguns logradouros públicos enquadrados como tal e que nada mais são do que canteiros centrais, rotatórias, restos de sistemas viários gramados não oferecendo condições mínimas adequadas ao exercício do lazer ou acessibilidade da população. Tal fato se deve à necessidade de muitos órgãos públicos municipais de ampliar quantitativamente o número dos seus espaços públicos e de lazer perante a comunidade.
Os primeiros espaços livres públicos urbanos surgiram no entorno das Igrejas. Ao seu redor, foram construídos os edifícios públicos, palacetes e comércio servindo como local de convivência coletiva da comunidade. Murilo Marx afirma que a praça deve a sua existência sobretudo aos adros das Igrejas, onde serviu como espaço para reunião de pessoas e para um conjunto de atividades diferentes, caracterizando-se de forma bastante típica e marcante.

A forma urbana influenciou o traçado de nossos logradouros públicos. Se para a colonização espanhola, as ruas eram traçadas em cruz e na colonização inglesa, francesa, holandesa e belga, os traçados obedeciam a sistemas em xadrez, radiocêntricos e lineares, as cidades de colonização portuguesa cresceram de forma espontânea assumindo a modelagem do terreno e de maneira informal, quando não, à margem da lei. 

imagens de Bruxelas : Ssolbergj

Vista panorâmica sobre a Londres moderna, vista da Golden Gallery da Saint Paul’s Cathedral: http://migre.me/nQbZ

Vista panorâmica de Lisboa e ponte 25 de Abril a partir do miradouro do Cristo-Rei.http://migre.me/nQgL
 O Desenho Clássico nos projetos das praças
Inspirada nos jardins franceses dos séculos XVI e XVII, as praças estudadas apresentavam uma natureza dominada pela mão do homem, prevalecendo a geometria, a simetria e a construção de perspectivas monumentais com a utilização de planos ortogonais, caminhos em cruz, passeios perimetrais, estar central com ponto focal e espaços espelhados.

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

Linha clássica (Acevo QUAPASEL do livro Praças Brasileiras)

 Síntese das principais características

· traçados em cruz ;
· grandes eixos com pontos focais e estar central;
·hierarquia nas circulações com presença de caminhs secundários perimetrais;
· canteiros que apresentam formas geométricas e espelhadas;
· eixos de circulação ortogonais;
· grande quantidade de áreas permeáveis com o uso da topiaria e das bordaduras em canteiros e caminhos além da grande utilização de espécies exóticas e pouca utilização das espécies nativas;
· utilização de mobiliários e equipamentos tais como coretos, pavilhões, espelhos d’água, estátuas, monumentos, fontes, bustos; 
· vegetação arbórea plantada ao longo dos caminhos para sombreamento;
· grande utilização de espécies exóticas européias e pequena utilização de espécies nativas;
 
Alguns exemplos

Praça da República (Recife-Pe) Acervo QUAPASEL (Livro Praças Brasileiras)

Praça da República (Recife-Pe) Acervo QUAPASEL (Livro Praças Brasileiras)

Praça da República (Recife-Pe) Acervo QUAPASEL (Livro Praças Brasileiras)

Praça da República (Recife-Pe) Acervo QUAPASEL (Livro Praças Brasileiras)

Praça da República (Recife-Pe) Acervo QUAPASEL (Livro Praças Brasileiras)

Observação: esse post (e suas imagens) foi organizado predominantemente a partir do capítulo A linha Clássica do livro Praças brasileiras indicado na bibliografia.
 
Referências Bibliográficas
 
Gomes, Marcos Antônio Silvestre. De Largo a Jardim: praças públicas no Brasil – algumas aproximações.
Disponível em: http://migre.me/nP9H . Acesso: 12.03.2010 18:25:15
MACEDO, S. S.(Coord.).Introdução a um quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo: Projeto Quapá, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 1998.
MARX, M. Cidade Brasileira. São Paulo: Melhoramentos: Editora da Universidadede São Paulo, 1980.
ROBBA, F; MACEDO, S. S. Praças Brasileiras. (public squares in Brazil). São Paulo: Edusp: Imprensa oficial do Estado. 2002, 312p.
SEGAWA, H. Ao amor do público: jardins no Brasil. São Paulo: Studio Nobel:Fapesp, 1996.

Endereços eletrônicos
A vegetação na paisagem urbana. Resenha de Márcia Nogueira Batista do livro
TERRA, Carlos; ANDRADE, Rubens de; TRINDADE, Jeanne; BENASSI, Alfredo. Arborização. Ensaios historiográficos. Rio de Janeiro, Maia Barbosa, 2004, 215 p.
Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/resenhas/textos/resenha145.asp
Acesso: 24.03.2010 As 23h:37:25

Tipos de espaços livres públicos: Praças, Átrios, Largos, Pátios

Esse post tem por objetivo apresentar de forma sistematizada uma visão do estado de arte das praças brasileiras desde a sua origem até o início dos anos 2000. O material utilizado foi produzido ao longo de 7 anos de estudos do grupo QUAPA – Quadro do Paisagismo no Brasil, liderado pelo Prof. Dr. Silvio Soares Macedo e desenvolvido no Laboratório da Paisagem da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo entre 1994 e 2001.

Num primeiro momento, falaremos sobre a formação e evolução da praça na cidade brasileira, do final do século XVIII aos anos finais do século XX.

Várias são as definições para o termo praça. Mesmo havendo divergências entre autores, a praça é caracterizada como um espaço público destinado à con-vivênica de seus cidadãos, contextualizado em ambiente urbano e que se encontra livre de edificações.

No Brasil, o termo praça é comumente associado à idéia de áreas livres, geralmente ajardinadas, repletas de equipamentos públicos destinados à recreação de seus usuários conflitando em muito com os espaços e projetos dessa tipologia no continente europeu.

Para os gregos, a ágora era o espaço livre público por excelência, local onde o exercício da cidadania se materializava representando o espírito de coletividade da população.

Ágora grega (fonte: http://migre.me/me3v)

 A Ágora grega era o espaço público aberto da antiguidade clássica onde se praticava a democracia direta ou ainda, o lugar por excelência do debate das idéias, dos tribunis populares e onde eram discutidos os negócios e decididos os rumos da cidade. Por meio de assembléias e com direito igual a voto, aqueles considerados cidadãos eram ouvidos. Tratava-se de um espaço delimitado por edificações diversas de caráter público e Stoas, ou ainda, conjunto de pórticos ou colunatas abertos ao público onde o mercadores em feiras livres podiam comercializar seus produtos. Da ágora, era possível avistar a acrópole, ou ainda, o ponto mais alto da cidade (do grego ἀκρόπολις, composto de κρος, “extremo, alto”, e πόλις, “cidade”). Nesse lugar, eram construídos os templos aos deuses como o Parthenon em Atenas ou ainda os palácios.

Para os romanos, o Fórum era constituído por um espaço livre público central onde ocorriam as relações sociais, as atividades comerciais, religiosas e de mercado da comunidade.

Forum romano (imagem: http://migre.me/me7n)

O fórum romano era o centro comercial da Roma imperial. Nele localizavam-se as lojas, praças de mercado e locais para assembleias dos civitas ou ainda, cidadãos. Diferentemente da Ágora grega, o fórum era configurado por imponentes edifícios públicos que representavam a monumentalidade do Estado.  As discussões políticas aconteciam não nas praças abertas, mas no interior dos edifícios.

Origens


SIlvio Macedo: Acervo QUAPA

 

 
 
 “Reunir-se: fazer-se público de sua presença, exibir pompa, ver homens e mulheres bem-vestidos e bonitos, contar e ouvir as novidades, assistir a apresentações musicais, mostrar filhas na busca de maridos, homens finos admirando e fazendo corte a cortesãs. Os jogos sociais e sexuais – com a tácita concordância entre seus praticantes – o plaisir de la promenade, tinha uma palco magnífico nos jardins público.” Hugo Segawa.

Em seus estudos sobre praças contemporâneas, Macedo (2002) considera duas premissas básicas para conceituar tais espaços: uso e acessibilidade, conceituando-os  como espaços livres urbanos destinados ao lazer e ao convívio da população, acessíveis aos cidadãos e livres de veículos. Lembramos que os estudos foram elaborados a partir das praças nas cidades contemporâneas brasileiras. Ainda assim,  essa tipologia mantém o caráter de sociabilidade que é intrínseco às funções da praça descartando-se alguns logradouros públicos enquadrados como tal e que nada mais são do que canteiros centrais, rotatórias, restos de sistemas viários gramados não oferecendo condições mínimas adequadas ao exercício do lazer ou acessibilidade da população. Tal fato se deve à necessidade de muitos órgãos públicos municipais de ampliar quantitativamente o número dos seus espaços públicos e de lazer perante a comunidade.
Os primeiros espaços livres públicos urbanos surgiram no entorno das Igrejas. Ao seu redor, foram construídos os edifícios públicos, palacetes e comércio servindo como local de convivência coletiva da comunidade. Murilo Marx afirma que a praça deve a sua existência sobretudo aos adros das Igrejas, onde serviu como espaço para reunião de pessoas e para um conjunto de atividades diferentes, caracterizando-se de forma bastante típica e marcante. 

A forma urbana influenciou o traçado de nossos logradouros públicos. Se para a colonização espanhola, as ruas eram traçadas em cruz e na colonização inglesa, francesa, holandesa e belga, os traçados obedeciam a sistemas em xadrez, radiocêntricos e lineares, as cidades de colonização portuguesa cresceram de forma espontânea assumindo a modelagem do terreno e de maneira informal, quando não, à margem da lei.  


imagens de Bruxelas : Ssolbergj

 

 

Vista panorâmica sobre a Londres moderna,
vista da Golden Gallery da Saint Paul’s Cathedral: http://migre.me/nQbZ

Praças, Largos, Adros, Átrios e Pátios

A praça como a conhecemos hoje, sempre foi o local para reunião de gente e para o exerício da vida pública destacando em frente aos edifícios públicos, igrjeas ou conventos destacando-se na paisagem urbana.

 Os templos, seculares ou regulares, raramente eram sobrepujados em importância por qualquer outro edifício, nas freguesias ou nas maiores vilas. Congregavam os fiéis, e os seus adros reuniam em torno de si as casas, as vendas e quando não o paço da câmara. Largos, pátios, rocios e terreiros, ostentando o nome do santo que consagrava a igreja, garantiam uma área mais generosa à sua frente e um espaço mais condizente com o seu frontispício. Serviam ao acesso mais fácil dos membros da comunidade, à saída e ao retorno das procissões, à representação dos autos-da-fé. E, pelo seu destaque e proporção, atendiam também a atividades mundanas, como as de recreio, de mercado, de caráter político e militar. À linearidade, as ruas de interligação como as chamadas Direitas. À irregularidade, uma outra ordem que não a das vias ortogonais”. In: MARX, Murillo. Cidade Brasileira. São Paulo: Melhoramentos/Edusp, 1980, p. 54.

Sem idetinficação: Acervo QUAPASEL 2002

 

Silvio Soares Macedo: Acervo QUAPASEL 2002

 Praças secas européias

Praça de São Pedro em 1909: acervo http://migre.me/nvf0

praça seca (Acervo QUAPA, 2000)

Pátios ou ainda Átrios
O conceito dos pátios remete-se à necessidade humana e proteção do espaço exterior, desconhecido e hostil. Devido ao seu isolamento, proporciona aos seus habitantes, a impressão de domínio, pois o homem necessita de planos de paredes ou cercamentos para sentir-se seguro. Mesmo após longa evolução que alterou aspectos funcionais, o pátio permanece centralizado na edificação, delimitado por paredes e não coberto. A forma em planta não fixa, podendo apresentar-se circular, quadrado, oval ou retangular. A única certeza é que trata-se de espao delimitado pelos muros que o cercam. Várias são suas funções e por isso, apresentam mobiliários e formas distintas. Existem pátios de fábricas, de residências, de claustros, de escolas, de presídios, de conjuntos de casas.

Pátios de Cordoba: Dolores María Macías Naranjo

Na cidade, os pátios são espaços livres públicos definidos a partir de uma igreja ou outro elemento arquitetônico expressivo, além do casario antigo aos quais dá acesso, quase sempre pavimentados e exercendo a função de respiradouros, de propiciadores do encontro social e eventualmente destinados a atividades lúdicas temporárias.”
SÁ CARNEIRO, Ana Rita, MESQUITA, Liana de Barros (orgs.). Espaços livres do Recife. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife/UFPE, 2000, p. 29.

Largos
“São espaços livres públicos definidos a partir de um equipamento geralmente comercial, com o fim de valorizar ou complementar alguma edificação como mercado público, podendo também ser destinados a atividades lúdicas temporárias.”
SÁ CARNEIRO, Ana Rita, MESQUITA, Liana de Barros (orgs.). Espaços livres do Recife. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife/UFPE, 2000, p. 29.

Largo da MemóriaSP: Dornicke

Largo do Paissandú SP com Igreja Nossa Senhora do Rosário à direita:GFDL / CC-By-SA

Adros

Os adros são as áreas externas, cercadas ou não, de edificações religiosas que geram espaços contíguos bastante característicos. Tem caráter público e agregador social, dervindo ainda hoje para  a realização de procissões e festas religiosas, feiras e mercado livre ou ainda espaço de lazer da população.
 

Adro e Largo da Igreja no Antônio Dias: acervo http://migre.me/nv67

Igreja de São Pedro em Recife (acervo: uol)

Referências Bibliográficas
 
Gomes, Marcos Antônio Silvestre. De Largo a Jardim: praças públicas no Brasil – algumas aproximações.
Disponível em: http://migre.me/nP9H . Acesso: 12.03.2010 18:25:15
MACEDO, S. S.(Coord.).Introdução a um quadro do paisagismo no Brasil. São Paulo: Projeto Quapá, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 1998.
MARX, M. Cidade Brasileira. São Paulo: Melhoramentos: Editora da Universidadede São Paulo, 1980.
ROBBA, F; MACEDO, S. S. Praças Brasileiras. (public squares in Brazil). São Paulo: Edusp: Imprensa oficial do Estado. 2002, 312p.
SEGAWA, H. Ao amor do público: jardins no Brasil. São Paulo: Studio Nobel:Fapesp, 1996.

Fonte de referência: acervo QUAPA, QUAPASEL
Revistas Paisagem & Ambiente: ensaios (coleção QUAPASEL)
MACEDO, Silvio Soares e ROBBA, Fábio; Praças Brasileiras; São Paulo: Edusp, 2002, ISBN 85-314-0656-0
Para você aluno: vale à pena pesquisar nesses dois links pois eles contém mais de duas centenas de projetos de paisagismo distribuídos em todo o país.

http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/
http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/busca.asp            

Praças no Brasil: alguns conceitos preliminares (2)

No post anterior, vimos que a praça faz parte de um sistema de espaços livres urbanos ou seja, juntamente com cerca de uma centena de outras tipologias (que posteriormente serão descritas) dá, juntamente com os edifícios, forma à cidade e acolhe a vida pública em suas diversas manifestações.

silvio macedo: espaços públicos x espaços privados (acervo QUAPA)

 A ilustração acima apresenta diferentes tipos de composição de espaços livres a partir de sua relação com os elementos edificados. Dentro de lotes, seu uso passa a ser definido por sua forma e pela função do local; se residencial, os corredores laterais tendem a ser utilizado como circulação, cabendo às áreas frontais o uso para estacionamento ou jardins e para as áreas de fundo, usos adequados aos quintais domésticos. Ainda na mesma ilustração, o edifício em lâmina, tipico representante do movimento modernista, graças a sua implantação, viabiliza a existência de áreas ajardinadas com lugares de estar para o público.

Silvio Macedo: palacete isolado(acervo QUAPA2000)

acervo QUAPA 1999 (residencial Place des Voges SP)

Os conceitos advindos do movimento modernista influenciou e muito o desenho das cidades brasileiras no século XX especialmente após a década de 30.

Acervo QUAPA 2000 (autor desconhecido)

Brasília é um dos exemplos marcantes. A nova capital apresentava um plano diretor concebido pelo urbanista Lúcio Costa. Nele, os preceitos da cidade funcional e da carta de Atenas, materializavam-se criando espaços magníficos e inovadores para a época : eixos monumentais, grandes avenidas, super quadras, edifícios em lâminas, vida organizada a partir da separação das áreas residenciais, das de lazer e de trabalho, propondo uma cidade-jardim, na qual os edifícios se localizam em áreas verdes pouco densas em resposta ás cidades tradicionais e altamente adensadas.

O resultado pode ser visto na próxima foto aérea:

Brasília (Acervo QUAPA 2000)

Brasília (Acervo QUAPA 2000)

Por volta da década de 50 (século  XX) surgem os novos códigos urbanísticos e seus zoneamentos funcionais.  Trata-se de um instrumento urbanístico que estabelece um conjunto de normas e leis e que tem por objetivo regular o uso e a ocupação do solo urbano. É por meio dele que a cidade toma forma ao estabelecer, por exemlo, o conjutno de recuos, taxas de ocupação e coeficientes de aproveitamento de cada área da cidade. O zonemaneto tranforma-se em referência morfológica para zonas as novas áreas urbanizadas do país.

Zoneamento em São Paulo (década de 70) Silvio Macedo doutorado FAUUSP

São Paulo (Acervo QUAPASEL

São Paulo: avenida Paulista (Acervo QUAPASEL 2004)

De forma bastante genérica, mostramos que a legislação urbana, ao organizar o uso e a ocupação do solo, gera padrões morfológicos que dão forma às cidades e viabilizam a vida pública nos diversos espaços livres dela resultantes. Com isso, as praças podem ser consideradas com partes integrantes de um sistema de espaços livres públicos ou em alguns casos privados, como praças em áreas corporativas, ou centros comerciais (shoppings centres) .

Praça Vitor Civita (http://migre.me/kTO1)

Em tempo: esse post foi construído a 6 mãos: minhas, do Roberto Sakamoto e da Ana Cecília de Arruda Campos.

Fonte de referência: acervo QUAPA, QUAPASEL
Revistas Paisagem & Ambiente: ensaios (coleção QUAPASEL)
Para você aluno: vale à pena pesquisar nesses dois links pois eles contém mais de duas centenas de projetos de paisagismo distribuídos em todo o país.

http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/
http://winweb.redealuno.usp.br/quapa/busca.asp